domingo, 13 de maio de 2012

VI Domingo da Páscoa - Ano B

Queridos amigos! A primeira leitura nos apresentou um momento importante no qual se manifesta exatamente a universalidade da mensagem cristã e da Igreja: São Pedro, na casa de Cornélio, batizou os primeiros pagãos. No antigo testamento Deus quis que a benção do povo hebreu não ficasse exclusiva, mas fosse estendida a todas as nações. Desde o chamado de Abraão havia dito: "Em ti se dirão abençoadas todas as famílias da terra" (Gen 12,3). E assim Pedro, inspirado pelo alto, entendeu que "Deus não faz distinção de pessoas, mas acolhe quem o teme e pratica a justiça, a qualquer nação que pertença" (At 10, 34-35). O gesto realizado por Pedro se torna imagem da Igreja aberta à humanidade inteira. Seguindo a grande tradição da vossa Igreja e das vossas comundades, sejais autênticas testemunhas do amor de Deus a todos!

Mas como podemos nós, com a nossa fraqueza, levar este amor? São João, na segunda leitura, nos disse com força que a libertação do pecado e das suas consequencias não é nossa iniciativa, mas de Deus. Não fomos a amá-Lo, mas é Ele quem nos amou e tomou sobre si o nosso pecado e o lavou com o sanue de Cristo. Deus nos amou por primeiro e quer que entremos na sua comunhão de amor, para colaborar com sua obra redentora.

No trecho do Evangelho ressoou o convite do Senhor: "Vos constituí para que andais e levais fruto e o vosso fruto permaneça (Jo 15,16). É uma palavra dirigida em modo específico aos apóstolos, mas, em sentido lato, está relacionada a todos os discípulos de Jesus. A igreja inteira, nós todos, somos convidados no mundo a levar o Evangelho e a salvação. Mas a iniciativa é sempre de Deus que chama aos múltiplos ministérios, para que cada um desenvolva a própria parte para o bem comum. Chamados ao sacerdócio ministerial, à vida consagrada, à vida conjugal, ao empenho no mundo, a todos é pedido responder com generosidade ao Senhor, sustentados pela sua Palavra que nos tranquiliza: "Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi".

Queridos amigos! Conheço os empenho da vossa Igreja em promover a vida cristã. Sejais fermentos na sociedade, sejais cristãos presentes, corajosos e coerentes. A cidade de Arezzo reassume, na sua história plurimilenária, expressões significativas de culturas e de valores. Entre os tesouros da vossa tradição, existe a força de uma identidade cristã, testemunhada por tantos sinais e por devoções enraizadas, como aquela de Nossa Senhora do Conforto. Esta terra, onde nasceram grandes personalidades do Renascimento, de Petrarca e Vasari, teve parte ativa na afirmação daquela concepção do homem que incidiu sobre a história da Europa, tomando força em torno dos valores cristãos. Em tempo também recentes, pertence ao patrimônio ideal da cidade quanto alguns entre os seus filhos melhores, na pesquisa universitária e nas sedes institucionais, souberam elaborar sobre o conceito de civitas, depositando o ideal cristão da idade comunal nas categorias do nosso tempo. No contexto da Igreja na Itália, empenhadas nesta década sobre o tema da educação, devemos perguntar-nos, sobretudo na região que é pátria do Renascimento, qual visão do homem poderemos propor às nova gerações. A Palavra de Deus que escutamos é um forte convite para viver o amor de Deus entre todos, e a cultura destas terras tem, entre os os seus valores característicos, a solidariedade,a atenção aos mais fracos, o respeito pela dignidadede cada um. A acolhida, que também nos tempos recentes soubestes dar a quantos vieram à procura da liberdade e do trabalho, é bem evidente. Ser solidário com os pobres é reconhecer o projeto de Deus Criador, que fez de todos uma só família.

Certo, também a vossa Província é fortemente provada pela crise econômica. A complexidade dos problemas torna difícil individuar as soluções mais rápidas e eficazes para sair da situação presente, que toca especialmente as faixas mais fracas e preocupa não poucos jovens. A atenção para com os outros, desde os séculos remotos, moveu a Igreja a tornar-se concretamente solidária com quem está em necessidade, partilhando recursos, promovendo estilos de vida mais essenciais, constrastando a cultura do efêmero, que iludiu muitos, determinando uma profunda crise espiritual. Esta igreja diocesana, enriquecida pelo testemunho luminoso do pobre de Assis, continue a estar atenta e solidária em relação àquele que se encontra em necessidade, mas saiba também educar na superação das lógicas puramente materialistas, que marcam o nosso tempo, e terminam por ofuscar o sentido da solidariedade e da caridade.

Testemunhar o amor de Deus na atenção aos últimos se conjuga também com a defesa da vida, desde o seu surgir ao término natural. Na vossa Região o assegurar a todos dignidade, saúde e direitos fundamentais vem justamente sentido como um bem irrenunciável. A defesa da família, através de leis justas e capazes de tutelar também os mais fracos, constitua sempre um ponto importante para manter um tecido social sólido e oferecer propectivas de esperança para a futuro. Como na Idade Média, os estatutos das vossas cidades foram instrumento para assegurar a muitos os direito inalienáveis, assim também hoje continue o emepnho para promover uma cidade de rosto sempre mais humano. Nisto, a Igreja oferece a sua contribuição para que o amor de Deus seja sempre acompanhado por aquele do próximo.

Queridos irmãos e irmãs! Prossigais o serviço a Deus e ao homem segundo o ensinamento de Jesus, os luminosos exemplos dos vossos santos e a tradição do vosso povo. Nesse compromisso, vos acompanhe e vos sustente sempre a materna proteção de Nossa Senhora do Conforto, por vós tão amada e venerada. Amén!
Bento XVI





sábado, 14 de janeiro de 2012

COMENTÁRIO DO EVANGELHO DO DOMINGO: 2º Domingo Comum – Ano B – Jo 1,35-42

2º Domingo Comum – Ano B – Jo 1,35-42: Encontramos o Messias O que diz o texto? No início do Evangelho deste II domingo do tempo comum, encontramos logo de início João Batista ...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

COMENTÁRIO DO EVANGELHO DO DOMINGO: BATISMO DO SENHOR - Ano B - Mc 1,7-11

BATISMO DO SENHOR - Ano B - Mc 1,7-11: Batismo: vida nova O Batismo de Jesus nas águas do Jordão é uma das três epifanias ou manifestações mais significativas que a liturgia da...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012


EPIFANIA DO SENHOR – Mt 2,1-12


Caminhamos à tua luz!

Celebramos a festa da Epifania: este vocábulo grego significa "manifestação". Exemplo de uma manifestação é quando se faz um evento que chegue ao conhecimento do maior número de pessoas possível; pode ser uma manifestação de protesto, de solidariedade, ou mesmo uma representação teatral. No que diz respeito a festa que a Igreja hoje celebra, estamos diante de uma manifestação de Deus. É a festa na qual Deus se manifesta a todos os povos. Ele quebra o vínculo com o povo de Israel para estendê-lo a toda a humanidade. A manifestação de Deus em Jesus não é destinada a um grupo restrito de pessoas, mas inclui todo o mundo como mostra o texto evangélico.
Nele, aparecem três grupos de pessoas e sua relação com o recém-nascido em Belém: os magos, Herodes e os doutores da Lei e os escribas. O termo "mago" é muito vago, mas de certo modo, refere-se aos espertos na observação dos astros, aos astrólogos. Tinham conhecimento da espera messiânica pelos judeus e tendo recebido uma indicação do nascimento do Messias, põem-se a caminho. Conhecem a direção, mas não sabem exatamente o que os espera. Estão a caminho. Vêm do Oriente e enfrentam todos os incômodos de uma viagem cansativa até Belém em busca do Messias que nasceu. Representam todos os pagãos, chamados a crer em Cristo. Representam todos nós. Representam a caminhada de todos os povos, anunciada pelo profeta Isaías na I leitura: "os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora" (Is 60,1-6). A viagem dos magos é imagem do caminho de fé e de esperança que o homem de cada tempo realiza até Deus. A fé é sempre uma busca. Aquele que crê está sempre a caminho.
Chegando em Jerusalém, são enviados a um outro lugar. Agora, sabem com mais precisão onde podem encontrar o rei. De fato, os escribas são espertos na Sagrada Escritura e dela deduzem o lugar de nascimento do Messias, Belém da Judeia: "E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo". Os magos, que são pagãos, perseveram na busca do rei, pondo-se de novo a caminho.
Por sua vez, os escribas para quem nasceu o rei, mostram-se indiferentes. Assim, o texto bíblico apresenta um grande contraste: os de fora (magos) buscam e encontram o Salvador e os de dentro (Herodes e os habitantes de Jerusalém) ficam indiferentes, rejeitam, têm medo. Herodes que defendia seu reino com violência e era odiado pelos judeus porque favorecia o império romano, agora, sente-se incomodado pela notícia do nascimento do rei dos judeus. Ele queria matar o menino, como demonstra a matança dos inocentes. Herodes significa todos aqueles que são tão apegados aos próprios interesses que não deixam nenhum espaço para este menino; consideram a este importuno e ameaçador.
Finalmente, a luz guia os magos até o menino; essa luz é símbolo de Cristo, luz do mundo. Ele nos chama a si através de uma grande variedade de sinais e indicadores luminosos, como a Palavra de Deus. Os magos veem o menino, dão-se conta que Ele não apresenta nenhum poder externo, nenhum esplendor; mas mediante a fé, O reconhecem como Rei, Senhor e Pastor da humanidade. Seus presentes também são uma forma de reconhecimento: ouro, incenso e mirra. Ouro destinado aos reis, incenso destinado a Deus e mirra, planta medicinal de onde se extrai uma resina, que misturada a óleos, era usada como óleo curativo, cosmético e unções religiosas: Jesus é o Messias, o Cristo, o Ungido.
Os magos do Oriente não eram nem reis, nem três, nem se chamavam Gaspar, Melquior e Baltasar como apresenta a tradição popular. Isto não corresponde ao texto bíblico. Porém, esta tradição corresponde ao espírito do Evangelho. São representados por um jovem, um adulto e um ancião; um asiático, um europeu e um africano (o mundo de então, já que as Américas e a Oceania não tinham sido "descobertas".). Tudo isto para significar que todas as idades e todas as pessoas caminham em direção a esta estrela que é Cristo, luz do mundo.Jesus veio para todos nós: para os jovens e os idosos, para os sábios e os simples, para as pessoas de qualquer cor e de qualquer forma de vida, a fim de mostrar-nos Deus como Nosso Pai e ser uma Luz para a nossa vida. Como magos, não devemos deixar nos desviar do caminho que é Jesus, e sim sermos guiados por Deus, até atingirmos a meta. Podemos estar longe ou podemos estar perto, mas que estejamos a caminho!
PERGUNTAS PARA REFLETIR
Nos dias de hoje, são muitos os que aparecem em nome da Luz, mas que não apresentam a Luz verdadeira. Eu sei reconhecê-los? Como posso distinguir a falsa luz da verdadeira Luz?
O caminho dos magos compreende quais fases? De que modo podem ser exemplo para nós na nossa busca cotidiana pela Luz que é Jesus Cristo?
Tenho a humildade de pedir aos que sabem uma orientação de como chegar a Jesus?
Também oriento de maneira correta e justa os outros para que se encontrem com a Luz de Cristo?
Tenho pensamentos preconceituosos e racistas, achando que muitos tipos de pessoas não mereçam a salvação? Sou consciente que este meu ponto de vista não condiz com a vontade de Deus que não exclui de seu amor absolutamente ninguém?
Em termos de missão, o que eu faço para que os outros se encontrem com Jesus?
O menino Jesus apareceu para uns como o Messias esperado, o Senhor; para outros, como importuno e uma ameaça. E para mim?