sábado, 5 de novembro de 2011

SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS - Mt 5,1-12

 

Queridos irmãos e irmãs:

A solenidade de Todos os Santos é ocasião propícia para elevar o olhar das realidades terrenas, marcadas pelo tempo, à dimensão de Deus, à dimensão da eternidade e da santidade. A liturgia nos recorda hoje que a santidade é a vocação originária de todo batizado (cf. (cf. Lumen gentium, 40). Com efeito, Cristo, que com o Pai e com o Espírito é o único Santo (cf. Ap 15, 4), amou a Igreja como a sua esposa e se entregou por ela com a finalidade de santificá-la (cf. Ef 5, 25-26). Por esta razão, todos os membros do povo de Deus estão chamados a ser santos, segundo a afirmação do apóstolo São Paulo: “Esta é a vontade de Deus: vossa santificação” (1 Ts 4, 3). Portanto, somos convidados a olhar para a Igreja não só no seu aspecto temporal e humano, marcado pela fragilidade, mas sim como Cristo quis, isto é, como “comunhão dos santos” (Catecismo da Igreja católica, n. 946). No Credo professamos a Igreja «santa», santa enquanto que é o Corpo de Cristo, é instrumento de participação nos santos Mistérios – em primeiro lugar, a Eucaristia – e família dos santos, a cuja proteção somos confiados no dia do Batismo. Hoje veneramos precisamente a esta inumerável comunidade de Todos os Santos, os quais, através de seus diferentes itinerários de vida, nos indicam diversos caminhos de santidade, unidos por um único denominador: seguir a Cristo e configurar-se com ele, fim último de nossa história humana. De fato, todos os estados de vida podem chegar a ser, com a ação da graça e com o esforço e a perseverança de cada um, caminhos de santificação. (SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS, BENTO XVI, ANGELUS, Praça de São Pedro, 1 de novembro de 2011).

O Evangelho de hoje nos apresenta um caminho de santidade humana que abraça todas as etapas da nossa vida, abarcando cada situação e considerando os desafios que a cada dia estamos sujeitos: Deus não quer que fiquemos passivos, há um caminho a seguir. As bem-aventuranças indicam que caminho é este, mostrando o caráter do cristão enquanto herdeiro do Reino de Deus, da alegria perfeita.

Ser pobre em espírito é ser humilde. É quando reconhecemos nossa necessidade, nossa insuficiência e nossa dependência, nossos limites, e, nos dirigimos a Deus na oração com confiança. Para tal, é necessário arrancar de nós toda soberba, orgulho, presunção, egoísmo, autossuficiência, superioridade, intolerância. Esta bem-aventurança não diz respeito só aos que são pobres materialmente: um milionário pode reconhecer e confessar que a riqueza material não é tudo para ele e que ele depende de Deus; enquanto, um pobre materialmente pode ser cheio de ganância e esperar tudo da riqueza terrena.

A segunda bem-aventurança parece contraditória, pois o pranto é o contrário de alegria. Os motivos podem ser vários: a morte, a doença, as desgraças, o pecado e a fraqueza, as mudanças drásticas da vida. O aflito é aquele que sofre por sua situação ou pela dor alheia, movido pela compaixão. O pecado contrário é quando somos indiferentes e almejamos uma “vida boa”, cheia de prazeres, confortos, tranquilidades; é o pecado da indiferença com o próximo, da dureza de coração.

Jesus era manso. Ele chama felizes os mansos, que deixemos toda grosseria, desrespeito, desamor, agressões. A santidade deve mostrar-se no modo como tratamos as pessoas. É preciso trabalhar o autocontrole, aceitar o próximo, não querer dominá-lo, controlá-lo, humilhá-lo nem impor-lhe nossas ideias.

Fome e sede são uma necessidade natural, fundamental para vivermos. Felizes são os que tem fome e sede de justiça: ser justo significa ser reto, honesto, correto com relação ao próximo, a Deus e às coisas materiais.

Ser feliz significa ser misericordioso. Significa não ficar indiferente perante o sofrimento alheio nem mostrar um coração duro perante as ofensas que nos foram causadas. Sentir a miséria do outro e perdoá-lo. Só perdoando, seremos perdoados.

O que busca a santidade busca a pureza. Humanamente falando, nos damos conta que é impossível ser totalmente puro, mas o sangue de Jesus nos lava de todo o pecado. O caminho da santidade é uma busca constante de paz. Deus é um Deus da paz. Ele quer que nós também sejamos pessoas de paz. Temos que aprender a lidar com o pecado da maledicência, da intriga, da vingança, da provocação. Somos felizes quando não só fizermos as pazes com os outros, mas também quando formos instrumentos de paz entre duas pessoas ou grupos etc.

Ser bem-aventurado implica ser perseguido ou até morrer por causa de Jesus Cristo. Talvez seja esta uma questão das mais difíceis da santidade: conviver com isto enquanto se segue a Jesus. Talvez alguém possa se enganar pensando que quanto mais próximos a Deus estivermos, mais amados seremos por todos. Errado! Nem sempre é assim, pois, seremos cada vez mais invejados, contrariados, insultados e perseguidos. O diabo fica desconcertado com os que, sinceramente, buscam seguir Cristo. O próprio Jesus Cristo foi odiado e crucificado.

Enfim, o caminho indicado por Jesus para nossa felicidade parece ser uma restrição, uma limitação da liberdade humana. Mas, Jesus não veio prender, veio libertar. Na verdade, as bem-aventuranças são um caminho para a liberdade, para a salvação, para a suprema e eterna felicidade que todos sem exceção poderão herdá-la.

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