quarta-feira, 2 de novembro de 2011

MISSA DOS FIÉIS DEFUNTOS – Jo 6,37-40

 

Morte: acreditar na ressurreição e almejá-la faz toda a diferença

A liturgia deste 2 de novembro nos convida a rezar a Deus pelos nossos falecidos. Refletir sobre a morte é refletir sobre a vida que estamos vivendo, refletir sobre o seu significado. Isto porque a morte nos obriga a morrer um pouquinho cada dia: o envelhecimento e as enfermidades nos provam isso. Se pensarmos bem, na verdade, cada aniversário nosso significa que estamos mais próximos da morte. Mas, se tivermos a persistência de olhar pra ela com outros olhos, podemos direcionar a nossa vida, fazendo escolhas que valem a pena estar vivos e acreditar na grande boa notícia de Jesus trazida ao mundo, a morte foi vencida. Ela não é o ponto final, mas é uma porta.

Quando nós cristãos, damo-nos conta de que a morte nos educa ao verdadeiro sentido da vida, não à vida que nós queremos, mas à vida que Deus quer que vivamos, que ela tem um valor bem maior, então não temos mais porque nos desesperarmos diante dela, mas sim nos enchermos de esperança.

Existe tanta injustiça nesse mundo terreno, e a morte ensina que todos somos iguais: dela ninguém pode escapar, nem com poder, nem com dinheiro, nem com amizades. Não há nada que se possa fazer. Nada pode fugir ao seu toque. Aqueles que não têm fé, também têm que enfrentar este medo e mistério que é a morte. Mas há uma diferença: enquanto aqueles que não creem a veem como o fim de tudo, nós que temos fé encontramos o seu sentido em Jesus Cristo, no Deus da Vida Eterna.

Assim, o momento da morte não será um dia de tristeza nem de desespero, mas de esperança, porque a morte não é o fim, mas um confim, uma fronteira; a morte não separa, ela nos reúne com Deus e com todos aqueles que já fizeram esta passagem; Jesus, com a sua morte, pagou um preço caríssimo para nos libertar do pecado e da morte e trazer da morte para cada um de nós, a vida, a ressurreição.

Diz-nos o salmista neste dia: “O Senhor é minha luz e salvação. De quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida. Perante quem eu tremerei?” (Sl 26). É esta a verdade que brota no nosso coração, e que nos faz por toda a nossa esperança no Senhor: “ao Senhor eu peço apenas uma coisa, e é só isto que eu desejo, habitar no santuário do Senhor, por toda a minha vida, saborear a suavidade do Senhor e contemplá-lo no seu templo”.

Às vezes, podemos até cair na besteira de pensar que sozinhos nos bastamos, ou que só os outros morrem ou que a nossa morte vai demorar muito ainda para chegar; pensar que não precisamos de horizontes que encham de sentido o nosso morrer ou nos iludirmos de que o ter a vida signifique parecer, ter, poder. Mas a luz que a revelação de Deus estende sobre a nossa existência, a luz que sai do túmulo de Cristo Ressuscitado, a orientação luminosa que Deus pôs no nosso coração, mesmo que os olhos se encham de lágrimas pela sensação de perca que a morte inclui, nos faz dizer como Jó, o homem que bebeu até o fim o cálice amargo da dor, da solidão, da falência: “depois que tiverem destruído esta minha pele, na minha carne (e, portanto o nosso “eu”), verei a Deus. Eu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão, e não os olhos de outro”.

Esta luz se faz plena nas palavras de Jesus, aquele que veio revelar os segredos do Pai, comunicar a vida de Deus e executar a vontade do Pai: “Esta é a vontade do meu Pai: que eu não perca nenhum daqueles que ele me deu, nada, nem mesmo o nosso ser de carne, mas o ressuscite no último dia”. Deus nos chamou à vida não pela morte, mas passando através do Filho que é a porta, nós recebemos o prêmio da liberdade para acolhê-lo, a sua Palavra, o seu chamado, os seus dons que ele pôs na vida de cada um e que significam felicidade suprema e eterna.

“Deus”, diz São Paulo, dá uma prova de amor por nós “porque quando ainda éramos pecadores, Cristo deu a sua vida para que tivéssemos a vida”. “Fomos reconciliados com Ele pela morte de seu Filho”; quanto mais agora, estando já reconciliados, seremos salvos por sua vida!”.

Hoje é dia de lembrarmos dos nossos mortos com saudade e com esperança, lembrarmos a vida que Deus dá a todos quantos ele chamou a si. Hoje podemos sentir a paz, a plenitude dos bens de Deus. Hoje cada um dos nossos caros é acolhido além dos seus limites, na sua verdadeira dimensão de amado por Deus e na sua fidelidade ao amor. “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá”.

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