quarta-feira, 30 de novembro de 2011

II DOMINGO ADVENTO Mc 1,1-8

No domingo passado, o I Domingo do Advento colocava a ênfase sobre a revelação definitiva do Senhor no fim dos tempos. Neste II Domingo do Advento e no próximo, refletiremos sobre a vinda do Senhor ao mundo, a partir da figura de João Batista, o precursor.

O evangelista Marcos assim o apresenta: “João se vestia com uma pele de camelo e comia gafanhotos e mel do campo” (Mc 1,6). João Batista age de duas maneiras: diz aos seus ouvintes como devem se preparar (Mc 1,4-5) e anuncia como vai agir Aquele que vem depois dele (1,7-8).

As pessoas a quem João se dirige devem se converter e serem batizadas, de modo que sejam perdoados os seus pecados. Devem refletir sobre sua relação com Deus e se voltar para Ele.

Isto porque nós temos uma inclinação a nos afastarmos de Deus, que está escondido e que nós não podemos ver, e, por isso, nos aproximamos mais das criaturas de Deus que estão ao nosso redor. Esquecemos Deus, nosso Criador e Salvador, e fazemos das criaturas os nossos ídolos, em quem pomos o nosso interesse e a nossa esperança. Servimos às criaturas, aos bens, ao poder, ao prazer etc, e esperamos destes, a realização de uma vida plena e feliz.

Quando nos chama à conversão, João nos convida a refletir: quem é realmente o meu Deus? O que está no centro da minha vida? Para onde estão voltados meus anseios e minhas esperanças? O que quero conseguir na vida? Gasto meu tempo e minhas forças para chegar a quê?

A conversão deve nos conduzir a Deus, de modo a não lhe virarmos mais as costas, mas a buscar a sua face. A procurar a sua vontade e reorientar o nosso comportamento. Deus deve estar de novo no centro da nossa vida, e a partir Dele devemos dar às pessoas e às coisas o seu devido lugar.

Ao nos voltarmos para Deus, reorganizamos a nossa vida e confessamos os nossos pecados. Quem reflete sobre Deus, torna-se consciente dos próprios pecados. Quem manifesta tais faltas, reconhece a própria culpa e confessa ter necessidade do perdão. Os judeus tinham muitas abluções e banhos para se purificarem para o culto. Mas João é o primeiro que batiza a outros e os submerge no rio Jordão. Por isso, ele foi chamado de o “Batista” (batizador).

Para poder encontrar Deus, é necessário ter as mãos limpas e um coração puro (Sl 24,4). Nós não podemos purificar a nós mesmos sozinhos, com a autossuficiência, mas devemos reconhecer que somos impuros e pedir o perdão a Deus. Tudo aquilo que João faz e pede, mostra que ele conta com a vinda do Senhor, e que quer preparar os seus ouvintes para o encontro com Ele.

João anuncia o Senhor para os seus ouvintes fazendo uma comparação entre ele e Aquele que virá. Ele o faz de três modos, mas sempre sublinhando a incomparável superioridade do Senhor. Aquele que virá é mais forte do que ele. É superior a ele em dignidade, João não é digno nem mesmo de desatar suas sandálias, ou seja, de fazer o mais humilde serviço como um escravo. Depois, João compara também a sua atividade: “Eu vos batizo com água, ele vos batizará com o Espírito Santo” (Mc 1,8).

A água realmente não pode purificar os pecados; tem um significado simbólico e pode indicar esta purificação. Mas aquele que vem depois de João, dispõe do Espírito e pode batizar com o Espírito Santo, que é a força e a vida de Deus. Com a purificação e o perdão dos pecados são tirados todos os obstáculos do caminho. Com o Sacramento do Batismo, nos é dada a comunhão com Deus, que é o maior de todos os dons. João pode somente preparar, convidar e anunciar Aquele que doa o Espírito Santo, já que só o próprio Deus e o Filho de Deus podem comunicar o Espírito Santo, e, por meio Dele, doar a comunhão de vida com Deus.

A missão de João conserva o seu valor e ainda continua mais válida do que nunca. Porque não podemos encontrar o Senhor a não ser nos convertendo, reconhecendo os nossos pecados, orientando nossa vida para Ele e pedindo-lhe perdão.

Portanto, que possamos nos aproximar do Santo Natal, percorrendo uma caminho novo de pureza de fé e santidade de vita, para compreender melhor a manifestação da glória do Senhor, para celebrar um bom Natal. Isto é possível porque o exílio que deriva do pecado finalmente acabou.