domingo, 23 de outubro de 2011

XXX DOMINGO COMUM A


Somavam um total de 613 as prescrições, mandamentos e proibições do AT que os fariseus observavam rigorosamente. Por isso, no Evangelho de hoje, não é de se estranhar que alguns fariseus confusos com tantas leis e ao saberem que Jesus tinha feito calar muito bem os saduceus que o tentaram pegar no debate sobre a ressurreição dos mortos, dirijam-se aoMestrepara que lhes diga finalmente qual seja o mandamento mais importante de todos eles.
            Jesus responde: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento”, onde cita o Shemá Israel (Dt 6); e o segundo é semelhante ao primeiro: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”, onde cita Lv 19. E, Jesus completa, destes mandamentos dependem toda a Escritura.
            A novidade de Jesus aqui não está no preceito do amor. Ele citou dois mandamentos que já estavam presentes no AT. Mas, a novidade é que lhe perguntaram um mandamento, ele respondeu com dois e disse que havia uma semelhança entre eles. O amor a Deus é semelhante ao amor ao próximo e a si mesmo.
            De fato, no AT, havia um empenho de amor para com o próximo (I leitura); no Salmo, vemos que esse amor vem fundamentalmente do Senhor que é nossa rocha. Deus é a possibilidade de amar, Ele oferece a possibilidade de amar. A novidade de Jesus não é tanto a ordem: amai!, mas Ele é o dom do amor que nos diz que somos capazes de amar. Assim, como os tessalonicenses se tornaram imitadores do Senhor imitando Paulo, assim também podemos amar seguindo o exemplo de tantos santos.
            Dada a explicação da mensagem, lembramos um detalhe do segundo mandamento que é bastante importante. Amar o próximo como a si mesmo. Você parou para pensar se você ama a si mesmo? E de verdade? Hoje mais do que nunca, vemos tantas pessoas magoadas, feridas, insatisfeitas, mal amadas, tristes, amargas, doentes emocionalmente, mentalmente e espiritualmente. que, de fato, na nossa sociedade, um grande número de pessoas não se amam, não gostam delas mesmas, não se sentem satisfeitas com elas mesmas; e o pior, muitas se odeiam. Odeiam seu jeito de ser, odeiam seu corpo, etc. Umas têm isso bem claro em suas mentes, enquanto outras não. E quase todas nem sonham que isto é com certeza a raiz de muitos dos problemas de suas vidas: é falta de amor-próprio, diferente de egoísmo (quer tudo para si e exclui) e de egocentrismo (se acha o centro).
            Deus criou o mundo e as pessoas para que nós tenhamos ótimas relações com elas; mas quando nós nos rejeitamos ou nos odiamos, isso provoca em nós muitos problemas de relacionamentos. Se somos pessoas feridas, nossa tendência é ferir o outro.
Se pegarmos o mandamento de Jesus do Evangelho deste domingo vamos ver que três tipos relações: minha relação com Deus, com o próximo e comigo mesmo. Como é a nossa relação com o nosso próximo? Com os nossos pais? Com os nossos amigos? Vizinhos? Colegas? E com Deus? Enfim, e a relação que nós temos com nós mesmos? Você gosta de estar com você mesmo? Você se sente bem em sua companhia? Ou você acha que tudo que possa lhe preencher vem de algum outro ser humano? Às vezes, gastamos muito tempo sozinhos pensando como é bom estar na companhia de outras pessoas e como é ruim ficarmos sozinhos, quando poderíamos muito bem gastarmos este tempo para aprendermos a nos sentirmos bem com nós mesmos. Quer queiramos ou não, o único ser humano com quem estaremos 24 horas neste mundo é com nós mesmos.
           
Nós todos sabemos como é chato conviver, por exemplo, todo dia no trabalho com alguém que nutramos algum tipo de antipatia, não vemos a hora daquele trabalho encerrar para descansarmos um pouco daquela convivência. Pois é, mas de nós não podemos fugir, nem mesmo por um único segundo, então é de suma importância que nós tenhamos paz conosco mesmos, é preciso que nos amemos.
            Mas porque é que tantos não se amam? Porque caem no que podemos chamar auto-rejeição quando sentem que as pessoas não as aceitam como realmente são. Se sentirmos que ninguém nos ama nem nos aceita, porque deveríamos nos amar? Isso é uma mentira que quanto mais acreditarmos, mais as coisas vão piorar pro nosso lado.
            Assim, o Evangelho mostra uma lógica, uma sequência de como devemos nos comportar com relação a tudo isso. Deus é amor. Deus nos ama em primeiro lugar. Ele tem a iniciativa. Ele nos aceita, mesmo que os outros não nos aceitem. E isso basta para encher o nosso ser. Ninguém pode dar aquilo que não tem. Assim, nós podemos dar amor ao nosso próximo se aceitarmos esse amor de Deus na nossa vida e consequentemente nos amarmos, amando o próximo. Nós temos que nos amar, não de modo egoísta nem egocentrista, mas de maneira equilibrada.
            Nós devemos ter um tipo de amor por nós mesmos no qual sabemos que Deus nos ama e que dessa maneira podemos amar o que ele escolheu amar. Podemos até não estarmos de acordo com todas as coisas erradas que nós fazemos, mas devemos aceitar a nós mesmos com os nossos defeitos porque Deus nos aceita assim. Nós devemos amadurecer o nosso amor a ponto de dizer: eu sei que eu preciso mudar e eu quero mudar. De fato, eu acredito que Deus está mudando meu ser, mas durante este processo, eu não me rejeitarei porque Deus me aceita exatamente como sou.
Que todos nós saibamos acolher o amor imenso que Deus tem por cada um de nós, para que assim possamos amá-lo, amar a nós mesmos e assim, cheios de amor, amar de coração sincero o nosso próximo.



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