sexta-feira, 30 de setembro de 2011

XXVII DOMINGO COMUM - Mt 21,33-43

Neste 27o domingo do tempo comum, encontramos a segunda parábola sobre a temática da rejeição a Jesus. A liturgia de hoje nos propõe a parábola dos vinhateiros (cultivadores de vinhas) homicidas, imediatamente depois de nos ter proposto a parábola dos dois filhos de atitudes diferentes e na espera de escutar no próximo domingo a parábola do banquete de casamento.
Na I leitura, o profeta Isaías dedica um dos seus mais apaixonantes cânticos poéticos à vinha de um amigo seu. Trata-se de uma vinha plantada com amor, protegida, podada com muito cuidado e cheia de tantas esperanças. A vinha do Senhor é o seu povo: “a vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel, e o povo de Judá, sua dileta plantação”. Plantar uma vinha na linguagem bíblica é como casar-se: a vinha do Senhor é o povo de Israel. E espera-se muito desta vinha: uvas boas. Mas ela produziu uvas selvagens. O Senhor esperava lealdade e encontrou deslealdade. O Senhor espera o direito e o povo respondeu com o delito.
Infelizmente, esta vinha, isto é, este povo foi infiel. No tempo da colheita, as expectativas deixam lugar para decepções e amarguras: uvas selvagens em vez de uvas de verdade; em vez de frutos de justiça e retidão, o povo produziu derramamento de sangue e gritos de opressão.
Partindo desse texto, Jesus, bom parabolista, conta a parábola dos vinhateiros homicidas e faz os chefes judaicos caírem na sua própria armadilha. Os cultivadores da vinha (vinhateiros) além do fato de se apropriarem injustamente da colheita, tornam-se homicidas: espancam, apedrejam, matam, não somente os enviados do patrão, mas até mesmo seu filho. Aqui, já percebemos a ligação evidente com a morte de Jesus. O Filho de Deus tem muitas coisas em comum com os seus servos: também Ele foi enviado, e será morto de modo violento. Mas a sua relação pessoal com Deus é completamente diferente. Só ele é o Filho de Deus; todos aqueles que foram enviados antes Dele eram servos de Deus. Assim, depois que matam o Filho, Deus intervém.
Neste momento, o Jesus contador de parábolas passa da linguagem figurada da vinha para a construção de um edifício e já não se refere mais somente à sua morte, mas também à sua ressurreição. Os vinhateiros que matam o filho correspondem aos construtores que rejeitam a pedra. Deus agora opera de modo espetacular em favor da pedra rejeitada e lhe dá uma missão nova e fundamental. Através da morte e rejeição, os homens parecem ter acabado com Ele.
Porém, Deus é mais forte do que todos eles, e é Ele a determinar o destino de seu Filho. Eles, por outro lado, se não se converterem, correm o perigo de destruir a si mesmos com o seu comportamento e de perder a posição privilegiada que Deus determinou pra eles no campo da salvação: “quando o dono da vinha voltar, o que fará com esses vinhateiros?”. O que Jesus diz é uma advertência final e muito séria. Ele mostra a seus interlocutores o que está em jogo nesta discussão. Se eles não escutarem, então acontecerá tudo o que está descrito: “o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos”.
De fato, o amor de Deus pelo seu povo supera qualquer maldade. Deus, que se inseriu na história, dá um sentido novo aos fatos humanos: recupera a pedra (Jesus), rejeitada pelos construtores e faz dela a pedra angular, isto é, a base da salvação para todos os povos. Agora fica claro: quem rejeita a Deus condena-se à improdutividade; só quem O aceita e permanece Nele pode dar muitos frutos. Porque sem Ele não podemos fazer nada. Deus quer firmemente o nosso bem, e, portanto, não cansa, não desanima, não renuncia aos frutos.
Deus ficou sempre tentando e depois de cada rejeição, propondo a novos povos o mesmo Salvador, a fim de que, unidos a Ele, deem frutos de vida.
O interessante no modo de ensinar de Jesus é que Ele não fala de modo obscuro e não age com palavras ambíguas. Ele claramente mostra às autoridades judaicas quem Ele é, qual o lugar Dele no plano da salvação e qual é o peso do comportamento deles. É como se ele dissesse: “os vinhateiros são vocês. Os delinquentes são vocês. O patrão é o Senhor e não vocês chefes judaicos. Vocês são só vinhateiros. Vocês usaram a vinha do Senhor, mas não destes frutos. Será preciso tirar de vocês e dar a outro povo que fará frutificar”.
Também nós devemos saber claramente quem é a pessoa de Jesus Cristo e quais são as consequências para nós pelo nosso comportamento em relação a Ele. Que o nosso comportamento seja como nos pede São Paulo na II leitura aos filipenses: ocupando-nos com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude ou de qualquer modo mereça louvor. Assim, o Deus da paz estará conosco. Não nos inquietemos por nada, mas apresentemos as nossas necessidades a Deus. E peçamos a Deus que venha visitar a sua vinha e protegê-la. Pois foi a sua mão direita que a plantou, protegei-nos, Senhor Deus!

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