sexta-feira, 29 de julho de 2011

XVIII DOMINGO COMUM - Mt 14,13-21

Depois de sermos introduzidos na compreensão do mistério do Reino dos Céus, escondido como um tesouro aos sábios deste mundo, mas revelado aos pequeninos através das parábolas narradas por Jesus e apresentadas por Mateus no capítulo 13 da sua obra, a liturgia deste domingo nos conduz a nos sentarmos com Jesus e os seus discípulos à mesa preparada para nós pelo Pai que quer nos alimentar com o pão do seu reino.

Na I leitura (Is 55,1-3), Deus prepara um banquete gratuito e aberto para todos nós. Ele ensina e mostra o segredo do saber viver bem: discernir entre aquilo que dá vida e satisfaz o desejo de vida (o verdadeiro tesouro) e aquilo que pelo contrário, sob falsas aparências de vida e felicidade, conduz à morte. Israel sofre no exílio a fadiga de se alimentar do pão do inimigo que não sacia, além de recordar que isso está acontecendo graças à sua desobediência. Pois só o pão da terra da promessa, fruto e sinal de uma vida vivida na relação com Deus, na escuta livre e obediente da sua Palavra, consegue satisfazer a fome de vida de Israel. Quem escuta Deus, acolhe o seu convite e se põe a caminho para voltar à própria terra e ao próprio Deus.

A Palavra de Deus da I leitura mostra uma sabedoria de vida que revela quem tem fome de compreender: “ouvi-me com atenção e alimentai-vos bem, para deleite e revigoramento do vosso corpo”. E ao mesmo tempo provoca em nós uma pergunta: de qual pão estamos nos alimentando? Será que estamos gastando dinheiro, tempo e energia por um pão que não sacia, esquecendo do pão da Palavra de Deus, que sacia gratuitamente a verdadeira fome que temos nós: fome de conhecer o rosto daquele que nos fala na sua Palavra e sede da sua presença para encontrar plenitude e sentido para a nossa vida.

A resposta ao convite de Deus vem do nosso coração que à luz da Palavra proclamada, descobre estar com sede e com fome de vida. Eis o que diz o salmista a Deus: “abris a vossa mão prodigamente e saciais todo ser vivo com fartura”. A nossa invocação deve ser plena de confiança, certos de ser ouvidos, pois o Senhor é paciente e misericordioso, Pai bom e providente para todos.

Mas é no texto evangélico de hoje que podemos finalmente saborear o pão que Deus nos oferece. O texto nos diz que Jesus apenas soube da morte de seu parente João Batista, se retirou num lugar deserto e afastado. O texto não diz nada sobre o que Jesus foi fazer neste local; talvez refletir sobre alguns fracassos de sua missão, como a rejeição por parte dos conterrâneos, a morte de seu profeta. O que nos impressiona é que diante de tudo isso, vendo as multidões que vinham ao seu encontro, ele não fica na retaguarda, desiludido ou desencorajado, mas responde com uma renovada abertura e atenção misericordiosa aos necessitados: “encheu-se de compaixão por eles e curou os que estavam doentes”.

Muito importante na leitura é o diálogo entre Jesus e os discípulos. Ao entardecer, estes ficam inquietos porque as pessoas já começam a ter fome, e isto pode ser um problema. Então, fazem a seguinte proposta a Jesus: “despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar comida”. Jesus, porém, rejeita esta proposta lógica, quer revelar algo novo e faz uma contraproposta na qual envolve os discípulos nessa missão: “dai-lhes vós mesmos de comer”. Jesus quer manifestar a eles o seu poder, mas, sobretudo deseja que eles saciando-se do pão do reino, experimentem a sua lógica, que é a da superabundância de Deus. Para isso, Jesus convida os próprios discípulos a dar de comer e a colocar a disposição aquilo que tem. É pouco? É. Mas dividam e verão o milagre da multiplicação.

O sabor do reino é aquele da comunhão, da partilha, do cuidado de uns para com os outros. Jesus pega os pães, abençoa-os e divide-os com todos. E sobram doze cestos cheios. É o milagre que provêm da partilha: a abundância. É a lógica do Evangelho. Deus em Jesus partilha a sua vida conosco, para que nós também possamos ser uma comunidade capaz de partilhar a mesma vida que recebemos dele e que ele sabe multiplicar para que todos sejam saciados. Finalmente, é bom lembrar que estes textos sagrados que nos ensinam tão bem sobre a importância do pão da Palavra, lembram também o pão da Eucaristia. O banquete deve unir-nos a Jesus e a nós mesmos. Por isso, quem comunga o corpo do Senhor está em comunhão com toda a Igreja.

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