quinta-feira, 21 de julho de 2011

XVII DOMINGO COMUM – Mt 13,44-52

O essencial é invisível aos olhos

Já vimos na parábola do semeador que a boa semente só pode produzir bom fruto se cair em terra boa; assim, a eficácia da Palavra de Deus depende fundamentalmente da disponibilidade daqueles que a acolhem e a praticam.

Com a parábola da semente de mostarda e a do fermento, vimos que se no início quando a Palavra é semeada em nós o fruto pareça ser pequeno ou mesmo nem o vejamos, isto não é o caso de ficarmos desanimados, pois sendo ela de Deus, depois de todo o processo de desenvolvimento, terá uma grande eficácia.

Também vimos com a parábola do joio e do trigo uma verdade que será reforçada por uma das parábolas que veremos hoje, a da rede de pesca: a ideia de que a convivência entre bons e maus permanece nesta vida; e, principalmente, o duelo entre bem e mal que existe dentro de nós pode permanecer, mas não é definitivo; pois, sobretudo com a sua paciência, Deus vai tolerando o nosso pecado, sempre dando uma nova chance até compreendermos que Ele é a razão última da nossa vida.

E o Evangelho deste domingo explica tudo isto quando fala do valor do Reino, da alegria infinita proveniente da descoberta deste valor e do esforço para se abrir a este Reino e aceitá-lo. Na verdade, as quatro breves parábolas de hoje concluem o ciclo de ensinamentos sobre o “Reino dos Céus” que Jesus relata para suscitar no nosso coração o desejo do encontro com Deus. Tais parábolas convidam a uma decisão responsável da nossa parte com relação ao nosso seguimento a Cristo.

Com toda certeza, todos nós de vez em quando passamos pela experiência de terminar o dia com a mente totalmente cansada e o coração angustiado. Passamos o dia correndo de lá pra cá para dar conta de tantas ocupações. Trabalhamos, nos cansamos, fazemos muitas coisas, mas no final de tudo sentimos que nos falta algo, percebemos um vazio, ao qual não sabemos dar um nome. É justamente para essa sensação de vazio, de falta de plenitude, que Jesus nos conta a parábola do tesouro e da pérola. “O reino dos céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo” e “o reino dos céus também é como um comprador que procura pérolas preciosas. Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola”.

Na primeira parábola, o homem fica repleto de alegria quando acha o tesouro. E nós? Continuamos cheios de tantas ocupações e preocupações? Não devemos esquecer que aquele homem antes era assim também. Tinha a mente confusa e o coração atormentado, exatamente como talvez possa estar acontecendo conosco hoje. Num belo dia, o homem encontrou o tesouro, e a sua vida mudou completamente. Tinha descoberto algo tão grande e maravilhoso, tão único e essencial, tão significativo pra ele a ponto de sacrificar todos os outros bens e sonhos para comprar aquele campo onde estava o tesouro. Na realidade, a partir daquele momento, todas as outras coisas tinham perdido o seu valor.

Com o comprador que encontra uma pérola de grande valor acontece o mesmo.
Não serão as nossas tantas ocupações que nos tornarão felizes nem o encontro com os outros nos realizará plenamente; como nem mesmo a nossa família corresponderá em tudo às nossas expectativas. Somente se descobrirmos (já que o tesouro está escondido) também algo de grande (Deus), somente então nos será doada a plenitude da alegria. Daí o esforço que temos que fazer para descobri-lo, ele não está à mostra como as outras riquezas, nem é atraente, muitas vezes nós o desconsideramos (Jesus nasceu num estábulo e morreu pendurado numa cruz). Mas não devemos nos enganar, só este tesouro é que dá pleno significado à nossa vida.

No lago da Galileia, há varias espécies de peixes que nadam indistintamente até serem pescados. Aqui na terra parece que dá no mesmo se nos interessamos por Deus ou não, mas nem sempre será assim. Haverá sim o momento do juízo final. Mas Ele tem paciência para esperar nossa conversão. Que tenhamos a mesma disposição do jovem rei Salomão, que não pediu a Deus saúde, nem riqueza nem poder, mas pediu um coração compreensivo (I leitura). Também nós peçamos um coração sábio para que deixemos de nos lamentar por aquilo que nos falta e nos dedicarmos ao que de fato é importante para nossa vida, a comunhão com Deus.

É muito interessante notar que na parábola da rede de pesca e na sucessiva, a do pai de família, há uma chamada de atenção para a responsabilidade nossa diante da proposta de Jesus. Somos convidados a reconhecer a presença de Deus na nossa vida e extrairmos coisas novas e antigas do seu tesouro, que é a sua Palavra feita carne, Jesus.

Sabedoria, conhecimento e compreensão! Eis o que significa ser discípulos. Saber ver! E não basta ter olhos maleáveis, acolher o novo, guardando o antigo! Há quem não quer vender nada para comprar o campo onde está o tesouro! Há quem não se dá conta nem mesmo do tesouro! E há quem rouba aquele alheio! Há quem acredita já ter um tesouro! Há quem se arrependa de ter jogado fora os peixes que não prestam.

Que o Senhor nos dê humildade, um coração sábio e inteligente, dócil para praticar a justiça, para discernir o bem do mal e governar com sabedoria a nossa vida.

Obrigado, Jesus, tu és a minha pedra preciosa. Perdão por todas as vezes que esqueço isso e te troco por bijuterias!

Um comentário:

Pe. Marcos Roberto disse...

Pe. Carlos Henrique, vejo que o senhor é um homem muito iluminado por Deus. As suas reflexões sempre me ajuda a preparar as minhas homilias, me ajudando a enriquecê-las. Quero aqui parabenizá-lo por essa iniciativa de partilhar com os internautas a sua sabedoria. Que Deus continue te dando sabedoria como deu a Salomão.