quinta-feira, 7 de julho de 2011

XV DOMINGO COMUM A - Mt 13,1-23

SEMEADORES SEMEADOS

Por mais que o Evangelho seja anunciado, e hoje nas mais variadas formas, podemos constatar que muitas pessoas não o escutam, nem o acolhem, inclusive, acreditam que a mensagem de Jesus seja algo ultrapassado. Talvez este fato possa até suscitar em alguns de nós o seguinte questionamento: se o Evangelho significa boa notícia e se todo o mundo gosta de uma boa notícia, por que ela não está tocando o coração das pessoas?

Em primeiro lugar, devemos admitir que este problema não é de hoje; já no tempo de Jesus e mesmo bem antes, oito séculos antes, como o próprio Jesus cita o profeta Isaías, já havia essa dureza, esse fechamento em não acolher a Palavra de Deus. No tempo de Jesus, isto tocava mais aos doutores da Lei, que o criticavam e o rejeitavam. Mas, enfim, o que pensar de tudo isso, desse relativismo e secularismo que envolve cada vez mais um grande número de pessoas que não dá crédito algum à Palavra de Jesus e quer fazer pensar que a religião está com os dias contados?

No evangelho de hoje, com a parábola do semeador que lança sementes nos mais diferentes terrenos, dando frutos em quantidades diferentes, Jesus quer opor-se a esta opinião e nos mostrar que tal conclusão está errada. Na parábola do semeador, cada um é capaz de entender de imediato que o sucesso ou não do plantio depende de maneira decisiva da qualidade do terreno em que a semente caiu. Quem tem ouvidos, ouça! Jesus convida os seus ouvintes a refletirem que não podem atribuir o sucesso limitado de sua missão a uma insuficiência da sua mensagem (semente), mas devem bater no peito e descobrir que a causa do possível fracasso está na sua carente disposição a acolher a Palavra.

A mensagem de Jesus é boa. Quando esta é bem acolhida, muda a vida de quem a ouviu de modo que se percebe a força e a bênção que essa provoca. Isto se entende melhor ainda quando vemos que o semeador joga as sementes em qualquer lugar, tanto sobre terrenos bons quanto lugares não apropriados para plantar. Ele simplesmente não faz distinção. Talvez com a esperança de que brote algo dali, como às vezes vemos uma bela planta brotar num terreno pedregoso e que persiste ali. Assim, lida do ponto de vista do semeador, a parábola aparece dirigida aos anunciadores do Evangelho. Não temos o direito de escolher onde lançar a semente e onde não. Nós anunciadores da Palavra de Deus, devemos plantar a semente sem fazer distinção de pessoas e esperar pelo tempo de Deus; porque ninguém pode prever o que acontecerá.

A figura do semeador aparece no início do Evangelho e somente no final: o verdadeiro protagonista da parábola é, na realidade, a semente que aparece do início até o fim. A situação suposta da parábola é aquela na qual pareça (veja a insistência sobre isto) que tudo vai se perder, que o mau êxito da Palavra seja total. Pelo contrário, afirma Jesus com a sua palavra, não é assim. É verdade que há os maus resultados, especialmente devido a não abertura à escuta da Palavra de Deus. Mas é certo também que o êxito existe e de acordo com o acolhimento que se dá a Palavra (trinta, sessenta ou cem). Portanto, uma lição de confiança.

Já na explicação dada por Jesus aos discípulos a atenção se concentra não mais sobre a semente, mas sobre os diferentes terrenos. O discurso não parece mais dirigido aos anunciadores do Evangelho, mas aqueles que o escutam e o acolhem. E a explicação se detém não tanto sobre o primeiro ou o quarto tipo de terreno. No primeiro porque a semente desaparece por completo e no outro porque o sucesso é garantido. A ênfase está no segundo e no terceiro tipo de terreno. E o motivo é claro. É exatamente nestes dois tipos de terrenos que são evidenciadas as razões históricas e concretas pelas quais muitos na comunidade desanimavam diante das exigências da Palavra de Deus. São as mesmas dificuldades de hoje: o medo diante do sofrimento ou da perseguição por causa da Palavra e, sobretudo o fascínio pelas riquezas e as preocupações do mundo.

“A pessoa que tem será dado ainda mais, e terá em abundância; mas a pessoa que não tem será tirado até o pouco que tem”. Este provérbio da vida comercial no qual quem já tem algo merece crédito para receber mais e quem não tem a tendência é falir mostra que os que se abrem ao Reino, produzirão frutos sempre mais e em abundância, já os que se fecham perderão até aquilo que têm.
Mas enfim, como explicar que a Palavra de Deus seja realmente rejeitada por muitos? A resposta é verdadeiramente surpreendente: justamente por ser de Deus, deixa ao homem a liberdade de abrir-se ou de fechar-se. A Palavra de Deus tem uma sua fraqueza, que em realidade é a sua grandeza: o respeito pela liberdade do homem. Abramos o nosso coração à Palavra do Senhor.

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