quinta-feira, 9 de junho de 2011

DOMINGO DE PENTECOSTES – Jo 20,13-23

Irmãos e irmãs! Cinquenta dias após a Páscoa, celebramos a festa de Pentecostes. Nela, lembramos a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e Maria, no cenáculo (I leitura). A cada um de nós também é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum (II leitura).

No Evangelho, João lembra que “ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana”, Jesus entra no lugar onde se encontravam os discípulos para lhes conceder a paz, o perdão e soprar sobre eles o Espírito Santo.

Mas por que os discípulos estavam naquele lugar com as portas fechadas, se as mulheres já tinham difundido a notícia da ressurreição de Jesus e se Pedro e João já tinham constatado a verdade do relato das mulheres e visitado o sepulcro? Por que as portas estavam fechadas? Por medo? De quê? Dos judeus? De sofrer para anunciar o Evangelho e com ele a boa notícia que Jesus tinha ressuscitado dos mortos?

Talvez mesmo acreditando, não tivessem a coragem de dar um testemunho verdadeiro: morrer para si mesmo, renunciar a própria vida para anunciar Jesus. Talvez fosse o medo devido ao fato de se sentirem pequenos, fracos, por terem fugido desde o momento da prisão do Mestre até a sua morte.

Quem sabe o que pensavam? Onde encontrariam força e coragem para ir ao encontro de Jesus para pedir-lhe perdão por terem abandonado no momento mais trágico e dramático da sua vida.

O grande problema é o de sempre: coração fechado, coração individualista. Os apóstolos estavam fechados não só no cenáculo, mas em si mesmos, nos seus pecados. Havia uma necessidade de uma reviravolta, de uma tomada de decisão.

Não obstante os pecados dos discípulos, Jesus entra no cenáculo e escancara as portas fechadas dos seus corações. Mostra a verdade do seu amor. Suas chagas são ao mesmo tempo sinal concreto e visível do amor até o fim, quando ele deu a vida por nós e também o sinal dos nossos pecados que ele carregou sobre si para nos doar o perdão.

Apresentando-se desta forma, Jesus não expressa juízos de condenação, mas de salvação. “A paz esteja convosco”. Jesus reconcilia os apóstolos. Aí, eles não só compreendem que Jesus nunca rompeu a amizade com eles, mas que é pela fidelidade a tal amizade que doou a sua vida, e assim são reconciliados por ele, com ele, consigo mesmos e entre eles.

Jesus soprou sobre eles o Espírito Santo. É a recriação. Como Adão se tornou ser vivente depois do sopro de Deus, assim também nós nos tornamos criaturas novas em Cristo. Antes fracos, agora fortes; antes fechados, agora abertos à missão; antes temerosos de perder a vida, agora decididos a doá-la para Cristo e para o Evangelho; antes temerosos de não sermos perdoados, agora ricos de perdão, somos capazes de nos perdoarmos e de perdoar o próximo.

Tudo graças ao dom do Espírito Santo. Para sermos cristãos, é preciso coragem. Será que estamos dispostos a levar como Cristo as feridas causadas pelos nossos e pelos pecados do próximo a fim de transformá-las em amor, capaz de regenerar a verdadeira vida, ou preferimos não correr riscos e ficarmos fechados nas nossas incompreensões ou na nossa sede de vingança?

Irmãos queridos, “recebei o Espírito Santo”. Eu acredito que a primeira coisa que nós temos que fazer para perdoar os pecados é fazer como Jesus fez. Receber o Espírito Santo que providencia a força e a capacidade de esquecer. Não podemos perdoar só com nossas forças. Segundo o Evangelho, o perdão dos pecados parece ser o primeiro poder conferido a pessoa quando ela é renascida no Espírito. Se é assim, então o perdão dos pecados é nossa primeiro dever como cristãos. Recebemos o perdão de nossos pecados mais graves através do sacramento da reconciliação ministrado pelo padre, mas você também tem o poder para perdoar a ferida que o teu próximo te causou e como isso é necessário. Entretanto, mesmo conscientes do poder de perdoar os pecados, nem sempre é fácil perdoá-los. Quando alguém nos magoa, temos que pedir a força para perdoar aquela pessoa. A grande dificuldade é porque queremos perdoar, mas nossas emoções ficam o tempo todo nos atrapalhando: “você me feriu, não é justo que eu te perdoe”. E quando a mesma pessoa nos ofende diariamente, é mais difícil ainda. É neste momento que temos que nos lembrarmos de seguir o Deus de justiça. Quando alguém te ferir, implore ao Espírito Santo a força para amolecer o seu coração e reze continuamente: “Senhor, dai-me coragem para perdoar esta pessoa”.

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