sábado, 25 de junho de 2011

13 DOMINGO COMUM A - Mt 10,37-42

“Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim. Quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim” (Mt 10,37). Jesus pede aos discípulos um amor tão radical que ultrapassa aquele pelos familiares. Só quem tem este amor é “digno” do Senhor. Por três vezes em poucas linhas ele chama a atenção: “não é digno de mim”; uma insistência que contrasta com as palavras do centurião que recordamos em toda celebração eucarística: “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada”. Com efeito, quem pode se dizer digno de acolher o Senhor? Basta um olhar realístico à vida de cada um de nós para nos darmos conta da nossa mesquinhez e do nosso pecado.

Ser discípulo de Jesus não é nem fácil nem é consequência do nosso nascimento ou de tradição. Se é cristão somente por escolha, não por nascimento. E o Evangelho nos diz qual é a grandeza de tal escolha. Os discípulos de Jesus são aqueles que partilham sem reservas a sua pessoa e o seu destino, até identificar-se com ele. Neste sentido, o discípulo encontra a si mesmo encontrando Jesus.

É este o sentido das palavras que seguem: “Quem procura conservar a sua vida vai perdê-la. E quem perde a sua vida por causa de mim vai encontrá-la”. É uma das frases de Jesus que mais ênfase recebeu pela tradição oral de forma que a encontramos seis vezes nos Evangelhos. Obviamente, a primeira comunidade cristã tinha compreendido a importância e o processo realizado antes de tudo no próprio Jesus. Ele “reencontrou” a sua vida (na ressurreição) "perdendo-a" (ou seja, gastando-a até a morte) pelo anúncio do Evangelho. É exatamente o oposto da concepção normal das pessoas que acreditam de serem felizes quando seguram para si a própria vida, o próprio tempo, as próprias riquezas, os próprios interesses; mas sabemos os danos que produz o sentimento de conservação de si mesmo e dos próprios interesses a qualquer custo. O discípulo, pelo contrário, encontra a sua felicidade no gastar a própria vida pelo Senhor e pelos pobres, na renúncia a conservar a si mesmo para dar-se todo ao Senhor. “Há mais alegria no dar do que no receber”, dizia Paulo aos anciãos da Igreja de Éfeso, citando um ditado de Jesus desconhecido aos Evangelhos (At 20, 35).

O “manual” dos discípulos em missão – assim podemos definir o capítulo décimo de Mateus – é encerrado pelo evangelista com algumas notas sobre a acolhida a eles reservada. É natural que o enviado espere ser acolhido por aqueles aos quais foi enviado. Jesus mesmo deseja e sublinha a razão de fundo: “Quem vos recebe, a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou”. Neste versículo se condensa o porque da dignidade do discípulo: a total dependência do Senhor, a ponto de a sua presença significar aquela do próprio Jesus. É óbvio que se trata de acolher o discípulo como “profeta”, ou seja como aquele que leva o Evangelho, que não anuncia a própria palavra mas a Palavra de Deus. E a recepção da Palavra é a recompensa que o Senhor promete àqueles que acolhem os seus discípulos. Estes últimos são chamados “pequenos” por Jesus: o discípulo, de fato, não possui nem ouro nem prata, não tem bolsa e nem mesmo duas túnicas, e deve caminhar sem levar nem sandálias nem bastão (Mt 10,9-10). A única riqueza que tem é o Evangelho, diante do qual ele é pequeno e totalmente dependente. Esta riqueza devemos acolher; esta riqueza devemos transmitir.

2 comentários:

Edson Costa disse...

Pe. Carlos Henrique, a sua benção. Visitando algumas páginas da web encontrei o seu blog. Postei o comentário vosso do evangelho deste final de semana e quero pedir-lhe para poder continuar postando seus comentários de domingo no nosso site. Nosso endereço é http://www.bandcatolico.com.br. Espero resposta sua, um abraço fraternal.

Pe.Carlos Henrique Nascimento disse...

Pode publicar sim, caro Edson. tudo para anunciar o Reino de Deus! Abraço