quinta-feira, 19 de maio de 2011

V DOMINGO DA PÁSCOA – Jo 14,1-14

Jesus é o único caminho e a única verdade que leva à vida plena

Quando se despede, Jesus explica aos seus discípulos que ele não se separará para sempre deles; pelo contrário, sua partida estabelece uma união ainda mais forte com eles. Logo no início do discurso, Jesus fala da atitude fundamental com a qual os seus discípulos devem enfrentar a situação da separação pelo fato de ele morrer na cruz: “Não se perturbe o vosso coração! Tendes fé em Deus, tende fé em mim também!” (14,1). Tal exortação vale não apenas para aqueles discípulos para os quais ele dirigiu estas palavras, mas para todos aqueles que acreditarão nele, para nós. De fato, nós nos encontramos na mesma situação daqueles discípulos, já que não somente Deus, mas também Jesus agora é invisível aos nossos olhos mortais.

Mais do que nunca, é hora de mantermos o nosso mais sólido fundamento e sustento inquebrantável em Deus e em Jesus: a fé. Não podemos perder o rumo, ficar preocupados ou inquietos. Só na fé, seremos capazes de enfrentar esta situação. Várias vezes Jesus fala da fé como resposta aos sinais realizados por ele e como via de acesso para a vida eterna.

Exatamente agora que Jesus não está mais presente como homem, a fé dos discípulos e a nossa fé é chamada a manifestar-se. Sem ver, os discípulos devem abandonar-se com ilimitada confiança ao Pai e ao Filho. Para o próprio Jesus, sua morte é o retorno para a casa do Pai (13,1). Também nós teremos a pátria perene não nessa terra, mas junto de Deus. A vida comum na sua forma terrena chega ao fim. Jesus não parte para nos deixar abandonados, mas para preparar um “lugar” junto do Pai, ele nos toma consigo para estarmos em eterna união com Ele. Não podemos ficar parados olhando a cruz, mas devemos ver com fé o fim, a sua finalidade, ou seja, como tudo aquilo que Jesus cumpriu foi endereçado à comunhão eterna com o Pai.

Assim, não podemos ficar passivos, inativos, esperando ser conduzidos ao Pai. Pelo contrário, Jesus responde a Tomé e nos instrui sobre o caminho de acesso ao Pai: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vai ao Pai senão por mim” (14,6). Os discípulos não são simplesmente levados ao Pai, mas devemos nós mesmos colocar-nos a caminho do Pai. O caminho é somente um: Jesus. Na parábola do bom pastor, ele tinha dito: “eu sou a porta, quem entrar por mim será salvo” (10,9).

É impossível para nós salvar-nos da corrupção, pois há um muro impenetrável e insuperável, inacessível. Mas há uma porta, uma brecha neste muro, um único acesso à salvação: Jesus. A salvação consiste na união com Deus. Como é única a porta, assim Jesus é também o único caminho para o Pai, enquanto é Verdade e Vida.

“Jesus é a Verdade” significa que somente por meio dele se pode conhecer o mistério de Deus. Somente por meio dele, na sua realidade de Filho, é revelado que Deus é realmente Pai e vive desde sempre em afetuosa comunhão com este Filho (1,18). “Jesus é a Vida” significa que nós temos a união com Deus Pai, e portanto, a verdadeira vida eterna, somente através da união com Jesus. Somente por meio dele nos são concedidos o conhecimento do Pai e a união com o Pai. Por isso, Jesus é o único caminho para o Pai. Deus é inacessível a nós na sua verdadeira realidade de Pai. Com as nossas forças, nós não podemos chegar por nenhum caminho a Deus: devemos recorrer a Jesus, no qual nos é dado acesso a Deus.

Sempre que Jesus diz: “eu sou”, ele demonstra que na sua pessoa está presente Deus como doador de salvação para nós. Deus está escondido e inacessível; mas no Filho nos doa a porta e o caminho, tornando-nos possível a união com ele. E justamente porque só Jesus é o Filho unigênito igual ao Pai, somente ele é a porta e o caminho de acesso ao Pai. Todos os outros caminhos não levam ao Pai. Jesus é a única via que conduz à meta. Nós não podemos chegar ao Pai com nenhum outro guia, nem com o exercício do pensamento e da meditação, nem por meio de técnicas espirituais ou de métodos, nem com qualquer outro meio que exclua Jesus. Só por meio de Jesus temos o conhecimento de Deus e a união com ele na sua verdadeira realidade de Pai.

Em resposta a Felipe, Jesus esclarece de que modo ele é o caminho que leva ao Pai. Felipe lhe pede: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta” (14,8). Ele pensa certamente a uma teofania, a uma visão direta de Deus, a uma manifestação extraordinária de Deus. Mas Jesus não é “o caminho” enquanto transmite fenômenos e experiências excepcionais, ele é o caminho com as suas palavras, com as suas obras, com a vida em comum com os discípulos. E a única possibilidade de entrar e de percorrer esta via é a fé. Para quem tem fé, Jesus diz: “quem me viu, viu o Pai” (14,9).

Quem pela fé, reconhece Jesus como Filho, chega através da fé ao Pai. Somente para quem crê nele, Jesus é o caminho, e continuará sendo mesmo quando não será mais presente visivelmente entre os seus discípulos. O único vínculo necessário e firme com Jesus é a fé, por meio da qual o reconhecemos como o Filho de Deus, nos confiamos a ele e somos guiados por ele. Não existe nenhum outro vínculo válido com ele fora deste. Na hora da despedida, Jesus mostra ainda uma vez aos discípulos como eles permanecem unidos a ele, e através dele, ao Pai somente por meio da fé, e em qualquer situação por meio da fé.

Na resposta a Felipe, Jesus dá a razão pela qual quem acredita no Filho vê o Pai e chega a ele. O Filho está no Pai e o Pai está no Filho (14,10-11). Mesmo após a separação deste mundo, Jesus permanece unidos a nós; prova disso é que ele escuta as nossas preces e cumpre através dos seus discípulos as suas obras. Tais discípulos que receberam a missão deixada por ele de revelar o Pai e que o fazem em nome de Jesus, receberão resultados ainda maiores porque é ele que glorificado e ressuscitado age por meio deles, por meio de nós.

Jesus é o único mediador entre Deus e nós, entretanto, como afirma o Catecismo da Igreja Católica n. 956: “pelo fato que os do céu estão mais intimamente unidos com Cristo, consolidam mais firmemente a toda a Igreja na santidade... Não deixam de interceder por nós ante o Pai. Apresentam por meio do único Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, os méritos que adquiriram na terra... Sua solicitude fraterna ajuda, pois, muito a nossa debilidade. Muitos cristãos pensam que os Santos e todos os que morrem já não podem rezar. É um engano incrível pensar que Deus não permita que o amor dos santos siga vivendo ao rezar por seus seres amados, pois se esquece que nosso Pai é Deus de vivos, e não de mortos. "Os quatro viventes e os vinte e quatro anciões se prostraram diante do Cordeiro. Tinha cada um uma cítara e taças de ouro cheias de perfumes, que são as orações dos santos" (Ap 5,8). A mediação dos Santos como intercessores e estímulo é real e verdadeiramente forte já que eles vivem a Glória de estar com Cristo nos Céus, e seguindo de novo o apóstolo Paulo quando diz: "Exorto, pois, acima de tudo que se façam pedidos, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens (1 Tim 2,1)", os cristãos têm a necessidade de orar para viver o amor reconciliador que nos ensinou Jesus ao nos abrir as portas da Casa do Pai.

Um comentário:

eliralesch disse...
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