quinta-feira, 14 de abril de 2011

DOMINGO DE RAMOS - SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO DO SENHOR

 

A CRUZ DO AMOR

A liturgia de hoje nos convida a celebrarmos dois acontecimentos: por um lado, a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, acolhido e aclamado por uma numerosa multidão com fé e alegria; por outro, o início da Semana Santa, na qual Jesus realiza a salvação do mundo mediante seu amor e seu sacrifício da cruz. Eis o motivo pelo qual lemos também hoje o relato comovente e profundo da paixão de Cristo que será proclamado com mais detalhes na sexta-feira da Paixão do Senhor .

Entrando em Jerusalém, Jesus é aplaudido pelas multidões: “Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!”. Nossa fé é sempre luz, vida, força, alegria. As pessoas atraídas por Jesus, talvez inspiradas e portadoras da verdadeira fé da humanidade que esperava o Messias vão ao encontro de Jesus, celebram, o aclamam com ramos de palmeira. Percebemos que Jesus gosta desta acolhida de fé, ele mesmo decidiu entrar em Jerusalém não mais a pé, mas montado num jumentinho. Que humildade! Ele é verdadeiramente o Salvador, o Filho de Deus, vindo ao mundo para nos trazer o amor e a misericórdia do Pai. Também nós queremos viver este dia renovando toda a nossa fé, o nosso fervor, o nosso afeto a Jesus, sentindo o seu amor misericordioso que chega a cada um de nós.

Mas a liturgia de hoje também é marcada por um forte contraste, pois Jesus até gosta da acolhida calorosa, mas ele sabe que sua glória não acontecerá como nós pensamos, com pompas, esplendor, mas pendurado numa cruz, uma das formas mais humilhantes de pena de morte do mundo daquela época: a sua grandeza é o seu amor infinito, que o leva a doar a sua vida por todos. Enquanto o povo o aclamava, os inimigos se preparavam para prendê-lo e condená-lo à morte. Jesus sabia que sua hora estava chegando, mas ele veio para essa hora; mesmo se humanamente sentia ainda toda a angústia e tristeza pela qual passou no monte das Oliveiras, ele soube invocar e obedecer à vontade do Pai, que é o verdadeiro bem para ele e para todo o mundo.

Nesta missa de Ramos, que abre a Semana Santa, também domingo da paixão do Senhor, cai muito bem a leitura do relato da paixão, pois neste se concentra todo o mistério do amor de Deus, do pecado do homem, da salvação que Jesus nos faz merecer. O texto da paixão do Senhor não tem necessidade de ser comentado: é o relato dos fatos através dos quais chegou a cada um de nós a Redenção. Todo o mal, que se realiza sobre a terra, de alguma forma é concentrado naqueles fatos: a violência, a sede de poder, a inveja, a traição dos amigos, a covardia, a bajulação dos poderosos, a maldade, o insulto à dignidade humana, as indiretas, a mentira e todo tipo de maldade que as pessoas cometem, tudo parece estar presente na paixão de Jesus.

Deus conhece toda a maldade praticada no mundo. E o paradoxo da cruz é exatamente esta dor, este sofrimento que foi aceito por ele, tornando-se nas mãos de Deus o instrumento através do qual ele nos salvou. O amor de Deus venceu este mal e o tornou redenção.
Reunir, como faz a celebração de hoje, as duas atitudes da multidão que antes o aclama e depois o condena, nos faz perceber como é fácil esquecer o amor de Deus, deixar-se conduzir pelo pecado, rejeitar o Senhor. Percebemos isto em nós, mas também em Pedro e nos outros apóstolos. O texto da paixão ressalta a traição de Pedro, quando Jesus anuncia durante a ceia e quando Pedro o nega por três vezes diante da serva. Se formos confrontar a traição de Pedro àquela de Judas, vemos que Pedro, depois de ter negado Jesus, caiu num pranto, Judas depois da traição, foi se matar. Pedro teve confiança na misericórdia de Deus, enquanto Judas não, se desesperou. Também cada um de nós, muitas vezes, caímos na tentação, no medo, no egoísmo, no pecado, como Pedro e como Judas. Temos, porém, de seguir o exemplo de Pedro: acreditar em Deus, no seu amor infinito, na sua misericórdia sem limites. O amor de Deus, mostrado na cruz é a nossa plena, contínua e eterna salvação! Mesmo quando pecamos gravemente, e sentirmos o peso do nosso pecado, saibamos que Deus é maior do que o nosso pecado, e veio justamente para “tirar” os nossos pecados, para nos dar alegria e os frutos do seu amor. Que esta mensagem nos ajude a celebrar com profunda fé os sacramentos pascais, a viver a semana santa em união com a paixão de Cristo, fazendo nossos os mesmos sentimentos que existiram em Jesus, e implorando a graça e a força da sua morte e ressurreição para todos nós.

Um comentário:

Anônimo disse...

Parabéns pela sua excelente capacidade de síntese e clareza em sua reflexão!
Sem dúvida alguma, o mistério da Semana Santa, particularmente o Tríduo Pascal, é o querigma e a profissão de fé de todo cristão que, alimenta e fortalece a sua vida e também da comunidade.
Feliz Páscoa! Feliz Ressurreição do Senhor!