quinta-feira, 7 de abril de 2011

5º DOMINGO DA QUARESMA - Jo 11,1-45



E Jesus chorou!
Diz o lema da Campanha da Fraternidade 2011: “a criação geme em dores de parto” (Rm 8,22). Apesar de refletir sobre a vida no Planeta com uma ênfase ambiental-ecológica, falar de dores de parto imediatamente nos leva a pensar no nascimento, principalmente de um ser humano. A mãe que sofre as dores do parto e dá a luz o seu bebê. A Igreja Católica é sempre a favor da vida. Em qualquer situação, a pessoa humana deve ser protegida desde a sua concepção até a morte natural. Mesmo uma gravidez fruto de um estupro ou que ponha em risco a vida da mãe, a Igreja Católica é a favor da vida da criança (como grande testemunha Santa Gianna Beretta, médica italiana que preferiu morrer para dar vida a sua filha).
Jesus sempre pregou a vida. Aliás, Deus no Antigo Testamento sempre é apresentado como o Deus da Vida e a vinda de Jesus a este mundo encontra o seu ápice na vitória da Vida sobre a morte: a Ressurreição que estamos para celebrar daqui a alguns dias na Páscoa. Então de onde vem essa grande propagação da morte? Hoje em dia, cada vez mais a chamada cultura de morte vem se alastrando espantosamente no nosso mundo atual. Muitas vezes, o argumento principal gira em torno do interesse e do lucro de alguma maneira, inclusive quando a interrupção da vida humana proporciona isso. Algumas pessoas querem manipular a vida das outras em seu benefício próprio, achando-se no direito de decidir interromper a vida de um não-nascido (aborto) ou de proporcionar uma “morte sem sofrimento” (eutanásia) a um doente incurável, como se estas pessoas fossem inferiores, e por isso, pudessem ser desconsideradas.
Mas o ponto da questão é que nesses casos ou em qualquer outro a morte espanta e faz sofrer. Quando ela surpreende improvisadamente nossos entes queridos, ficamos tristes, e refletimos sobre a vida. Já a cultura de morte faz esquecer o significado que a vida tem. Perdemos o sentido da vida, por isso, cada vez mais abortos. Pior ainda, quando essa cultura é pregada por líderes religiosos que se dizem seguidores de Jesus Cristo, vida e ressurreição. Como, por exemplo, o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, que em uma de suas pregações, e dizendo que o que está prestes a dizer não é para contrariar a Igreja Católica, diz que apoia “em alto e bom tom” que é a favor do aborto, citando as palavras de Jesus sobre Judas o qual traiu o Mestre, que segundo Macedo, teria sido melhor que a mãe de Judas o tivesse abortado: “O Filho do homem vai, como está escrito a seu respeito, mas ai daquele por intermédio de quem o Filho do homem está sendo traído! Melhor lhe fora não haver nascido!” (Cf. Mateus 26). Palavras que Macedo usa para justificar sua posição, propagar a ideia através de sua Rede Record em nome da responsabilidade social - ação e incentivo, e ultimamente através de seu blog pessoal. Para ver a “pregação” e a propaganda da REDE RECORD, acesse www.pecarlos.blogspot.com
Como seguidores autênticos de Jesus Cristo que nos esforçamos para ser, não podemos julgar ou condenar a pessoa de Edir Macedo ou quem provoca um aborto, pois Deus condena o pecado e não o pecador e só quem pode julgar é Deus, só Ele conhece tudo profundamente; mas temos o direito e o dever de manifestar nossa indignação com a atitude de um cristão pregar a favor da morte de um inocente, seja lá qual for o motivo.
No Evangelho de hoje, Jesus promove uma cultura diferente. O episódio da morte e ressurreição de Lázaro, o irmão de Marta e Maria, amigos caríssimos a Jesus, é único no seu gênero. Logo no início do texto, Jesus esclarece como no relato do cego de nascença, que a doença de Lázaro não existe para levar à morte, mas serve para que o Filho de Deus seja glorificado através dela. Que a morte seja um dos acontecimentos que mais nos desconcertam na nossa vida, o próprio Jesus nos confirma com a sua atitude: ele ficou profundamente comovido, estremeceu interiormente e caiu num pranto de choro. Mesmo tendo a consciência de poder vencer a morte e ressuscitar (reanimar) Lázaro, Jesus chora a morte do amigo.
Marta indo ao encontro de Jesus, diz: “Senhor, se você estivesse aqui, meu irmão não teria morrido”. Marta acreditava na Ressurreição dos mortos no último dia e sabia que Jesus curava os enfermos, mas que ele não chegara a tempo de curar o amigo. Mas a pergunta que Jesus fez a Marta, ele a faz a cada um de nós: “eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. Você acredita nisso?”. Marta dá uma resposta que, à primeira vista, parece fora de contexto. Em vez de responder simplesmente com um sim, ela acrescenta que acredita firmemente que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. Em outras palavras, ela nos ensina que basta acreditar nele e pronto. É a fé em Jesus que nos salva.
O que Jesus faz com Lázaro é um sinal. Ele o chama: “Lázaro, vem para fora!”. E Lázaro volta a viver. Através desta ação, ele quer mostrar que a morte não é um limite para ele, mas que ele tem poder até sobre ela. Porém, o que ele quer nos oferecer não é uma vida terrena que se prolongue para sempre, até porque Lázaro morreu de novo. O que Jesus quer oferecer é a vida eterna em comunhão com Deus. E aqui é bom chamar a ressurreição de Lázaro de reanimação ou ressuscitamento porque foi uma volta para a mesma vida, com o mesmo corpo, diferentemente da Ressurreição do último dia com o corpo glorioso.
Outro particular deste relato é que Jesus antes de chamar Lázaro à vida agradece ao Pai por tê-lo escutado. Isso mostra que o ponto central da fé é a relação de confiança que Jesus tem com o Pai. O que se torna um exemplo para nós, que às vezes pedimos tanto e nada agradecemos. Se acreditarmos em Jesus, não temeremos a morte, pois ele é sinônimo de Vida. Cristo é a Ressurreição porque é a vida. Ele constitui o critério e o ponto de referência para o nosso dia-a-dia, oferecendo resposta aos nossos problemas e nos predispondo para a dor e para a possibilidade da morte. Vida eterna quer dizer vida infinita e esta certeza de fé nos encoraja a defender o dom da nossa própria vida e também a do outro, mesmo nas circunstâncias nas quais ela parece perder o próprio sentido, tipo quando há o sentido de vazio e a ausência de dignidade. O Deus da vida quer que vivamos a vida plenamente. Porque todos, absolutamente todos nós, incluindo todos os inocentes que ainda estão no ventre de suas mães, têm direito à vida. Exatamente nada justifica tirarmos esse direito dessas crianças.
Veja aqui a propaganda da TV RECORD, propriedade de Edir Macedo a favor do aborto:

Dê a sua opinião! Com certeza, Jesus chora com a morte de seus pequeninos!

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