sábado, 12 de março de 2011

I DOMINGO DA QUARESMA - Mt 4,1-11

Tentado como nós, vencedor por nós

No Evangelho deste I domingo da Quaresma, vemos a relação de Jesus com o diabo, o qual representa afastamento e oposição a Deus. Por outro lado, vemos também a relação de Jesus com Deus.

Nas tentações de Jesus, aparece esta relação a qual é confirmada através da rejeição àquele que se encontra em oposição radical com Deus. É justamente aqui que aparece a firmeza e a certeza da relação de Jesus com Deus, já que neste confronto se revela de uma vez por todas que Jesus está da parte de Deus. A tentação, o peso, a prova, estão presentes e é necessário tomar posição e fazer uma decisão. O modo que se comporta Jesus mostra sua relação com Deus. Ele responde de modo tranquilo, seguro. Demonstra com absoluta clareza o que é válido. No seu comportamento, não se pode notar nenhum medo, nenhuma impaciência e nenhum conflito interior. No confronto não há luta, batalha. A cada proposta do tentador, Jesus dá o seu ponto de vista. Assim, ele demonstra a certeza e a clareza de sua relação com o Pai. Tudo aquilo que o Pai havia dito dele é confirmado aqui pelo seu comportamento.

Quanto a nós, devemos nos orientar através da clareza e da decisão de Jesus. Não podemos nos enganar, pensando que estamos livres de uma luta cansativa com o tentador. Porém, hoje recebemos esta boa notícia: existe alguém que permanece fiel a Deus. Mesmo que não resistamos à prova e caiamos frequentemente, só o fato de que há alguém que permanece firme e fiel a Deus nos deve infundir alegria e coragem. As tentações não foram para Jesus um jogo de ficção, foram verdadeiras provas, como existem para o cristão e para a Igreja. E justamente por ter sido verdadeiramente provado, Jesus é exemplo e pode vir em ajuda a quem está na prova. Jesus realmente lutou contra satanás sobre a escolha de possíveis métodos e caminhos para realizar sua missão de Messias. As três tentações são uma síntese significativa de um longo período de luta contra o mal, sustentada por Jesus nos 40 dias de deserto e durante toda a sua vida, compreendida a cruz. As tentações representam modelos diferentes de Messias, e, portanto, para nós também de missão. Para Jesus as tentações eram três saídas para não passar pela cruz. Uma relacionada com as coisas materiais, outra com as pessoas e outra com Deus mesmo.

A primeira começa com a fome de Jesus. O tentador o convida a usar o poder para eliminar a sua fome. Na fome, o que está em jogo é a vida. Para viver, o homem precisa de pão, de alimento. O que deve fazer o homem com a sua vida? Jesus responde, dizendo que o homem não vive somente de pão, mas de toda palavra que sai da boca de Deus. Ele tem uma vida que é superior àquela que depende do pão. Uma vida que consiste na sua ligação incondicional e cheia de confiança em Deus. A busca de Deus e a confiança no seu poder devem ter o primeiro lugar na nossa vida e nunca devem ser substituídos por uma vida garantida pelo pão. Assim, a primeira tentação é a de aceitar o pão como fonte da vida. Tem tanta gente que vive só para o próprio estômago. Muitas vezes nós cristãos fazemos todo tipo de sacrifício para satisfazer as nossas necessidades materiais, mas pouco para aquelas espirituais. A quaresma é o tempo no qual Cristo nos chama a resistir a tal tentação e a buscar antes de tudo aquele alimento do céu e a viver dele.

A segunda tentação é a de um Messias mirabolante: atira-te daqui abaixo! Um gesto que teria assegurado fama e espetáculo. Porém, Jesus não tem necessidade de uma prova de que Deus o ama, ele confia no Pai. Jesus supera as tentações: escolhe respeitar o senhorio de Deus, confia no Pai e no seu plano salvífico pelo mundo. Renuncia instrumentalizar egoisticamente as coisas materiais para o próprio proveito (não muda as pedras em pão para si; mais tarde multiplicará para a multidão faminta).

A terceira tentação não se dirige ao homem que luta para ter o mínimo necessário para sobreviver, mas ao homem que mira além da própria pessoa humana e aspira ao domínio do mundo. Aqui entra em jogo o fascínio do poder, do domínio. Mas, Jesus responde que há um só Deus. A busca exclusiva do poder não combina com o reconhecimento da senhoria de Deus. Jesus reconhece a autoridade no âmbito humano: porém, que não deve ser exercitada como domínio sobre os outros, mas vivida como serviço. Ele rejeita dominar as pessoas e prefere servir: mantém sempre uma relação filial com Deus, confiando na sua fidelidade. Aceita a cruz por amor e morre perdoando: somente assim, quebra o espiral da violência e tira da morte o seu veneno.

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