quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

II DOMINGO COMUM - Jo 1,29-34


A ESPECIALIDADE DE DEUS: LEVAR A CULPA EM NOSSO LUGAR
No Evangelho deste domingo, encontramos uma profissão de fé em Jesus Cristo que se articula em três afirmações: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”; “eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele”; “eu vi e dou testemunho, este é o Filho de Deus”. Obviamente, a afirmação de maior peso é a primeira, tanto que a cada missa a repetimos três vezes no “cordeiro” e ouvimos uma antes da comunhão.
Há exegetas que veem nesta imagem o cordeiro pascal do qual se fala no livro do êxodo (12,1-28), onde o sangue do cordeiro livrava o povo da morte e a sua carne era consumida na partida para o êxodo. Há outros que veem uma referência à oferta cotidiana de um cordeiro no templo (Ex 29,38-46). E há ainda quem veja no Cordeiro de Deus o Servo de Deus que toma sobre si (tirando) o pecado do povo. O verbo que João usa para passar esta ideia, ao mesmo tempo significa levar, tomar sobre os próprios ombros, carregar, e com isso, tira o peso dos ombros de alguém. Ambos significados estão presentes nesta última comparação com Is 53: a inocência do Servo e a sua solidariedade com os pecadores. Os dois motivos estão presentes no gesto de Jesus que vem para ser batizado, como vimos na semana passada: ele não se afasta do povo pecador, mas se confunde com ele, mesmo na consciência da própria inocência e da própria origem divina, ele começa com o batismo a levar o peso da cruz. Assim, a encarnação toma todo o seu sentido: entendida não somente como um fazer-se homem, mas como plena solidariedade com a humanidade e a sua história.
A proclamação de João: “eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” tem como fundo o quarto cântico do Servo do Senhor. A primeira leitura, porém, é um outro texto, isto é, o segundo cântico do Servo do Senhor (49,3-6). Também aí nós encontramos alguns traços que precisam a rosto de Jesus e da sua missão. O Servo toma a palavra para ilustrar a própria eleição, a sua função de pregador e as dificuldades que encontra na sua atividade. A sua missão é reunir Israel e ser mediador de salvação para todos os homens. Aparecem muitos temas aí, como a gratuita eleição da parte de Deus, amado desde o seio materno; uma missão de anúncio e libertação com dimensão universal. O Servo é humilhado com o seu povo (escravo de tiranos, em exílio), mas será glorificado em meio ao seu povo frente a todas as nações.
Como Servo do Senhor, Jesus tira a nossa culpa e a carrega. O que caracteriza Deus é a sua misericórdia, que se manifesta no levar e tirar a culpa. Enquanto Cordeiro de Deus que é Filho de Deus, Jesus age como Deus e tira a culpa do mundo: assim, nele se manifesta a misericórdia de Deus. Toma sobre si a culpa de todas as pessoas e oferece a própria vida por elas.
Aquele que vem humilde e indefeso como um cordeiro e oferece ao mundo este inestimável serviço de libertá-lo do pecado, é realmente o salvador do mundo e, ao mesmo tempo, possui uma dignidade incomparável. João já havia declarado que não era digno nem de carregar suas sandálias.
João dá testemunho de Jesus e ao mesmo tempo, mostra em qual modo é legitimado como testemunha. Sublinha duas vezes que não conhecia Jesus por conta própria nem por ideia própria. Mas, com a ajuda do Espírito Santo, reconhece Jesus. Assim, João dá testemunho de Jesus não somente baseado naquilo que viu, mas também por causa da revelação do Espírito Santo que este experimentou. E João testemunha fiel, leva os seus discípulos a Jesus a fim de que eles que somos nós demos testemunho de Jesus Cristo. Batizados no Espírito Santo, somos convidados a testemunhar ao mundo Jesus Cristo que nos livra e carrega toda a nossa culpa, permitindo-nos viver em plenitude.

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