quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

III ADVENTO - Mt 11,2-11

Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim

Depois de termos ouvido no domingo passado o testemunho de João Batista, agora é a vez de escutar o testemunho que Jesus dá dele. João tinha falado que Jesus era o Messias: o Cristo que vem com a santidade de Deus e sua missão de purificar e renovar os corações das pessoas.
O Messias se revela publicamente e a sua luz Divina evidencia as sombras da culpa nas consciências; e, assim, João se esforça para convencer a maior quantidade de pessoas possível para que tirem os obstáculos morais para acolher sem impedimentos o Salvador. Rapidamente a pregação de João se torna um acontecimento clamoroso; tanto que iam até ele fiéis judeus de todas as partes, e é aqui que o profeta se desencontra com o rei Herodes.
O prestígio de João vinha de sua franqueza. Na sua pregação ele não temia alargar o convite à conversão também ao soberano por causa de sua situação familiar irregular (vivia em adultério com a mulher de seu irmão Filipe). Aquilo que valia para a vida particular de cada um, também devia valer para quem era revestido de um cargo público. No entanto, o rei Herodes temendo que as palavras de João pudessem dar início a uma revolta popular, mandou jogá-lo na prisão. E, finalmente, como diz o Evangelho em outra passagem que Herodes ouvia com prazer as palavras de João, mesmo assim a força autoritária vence e João, prisioneiro na fortaleza de Macheronte, na Transjordânia (segundo Flávio Josefo) paga com a própria vida a fidelidade à sua missão.
Alguns discípulos, graças ao constante contato com o seu mestre João, continuam a visitá-lo e tê-lo como seu guia espiritual. João já tinha mostrado abertamente que Jesus era o Salvador enviado por Deus. Mas, se como nem todos estavam convencidos da sua indicação, da cela da prisão, João Batista manda alguns dos mais fiéis discípulos para interrogar Jesus a respeito da sua pessoa: “és tu aquele que há de vir ou devemos esperar um outro?”
Estes se dirigem a Jesus não porque João tivesse dúvidas, mas justamente porque João reconhecia o seu nada diante de Jesus, e portanto, aquele que só queria diminuir, pede que os discípulos comprovem pela boca do próprio Jesus que este é o único que pode falar com plena autoridade.
Pois é, o João que encontramos hoje é bem diferente daquele do domingo passado: está impedido na sua liberdade de expressão e segregado num presídio de segurança máxima, mas mesmo assim, nem Herodes é capaz de cancelar a sua força testemunhadora. Os seus discípulos, de fato, permanecem fiéis e são por ele educados a aceitar o novo e definitivo mensageiro de Deus: Jesus de Nazaré.
João, enquanto profeta, fala em nome do Senhor, e, se torna assim o verdadeiro modelo de suportação e constância, a que se refere Tiago na segunda leitura. Neste tempo de Advento, convém sempre repetir que a Palavra de Deus não pode ficar muda. Como afirma Bento XVI na exortação Verbum Domini 7: “o cristianismo é a religião da Palavra de Deus, não de uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo”. João já passou o testemunho a Jesus e este levará adiante a sua missão publicamente até ser completada.
A fé da Igreja desde o seu início é pública, não é privada nem secreta. Para provar a sua qualidade de Messias, Jesus não encontra nada melhor do que indicar aos discípulos do primo João os fatos: a salvação que Jesus traz se manifesta também através de curas físicas, sinal da onipotência de Deus do qual ele é pleno. Não se pode encontrar motivo de obstáculo nele porque tudo que diz respeito a ele se manifesta. Só a sua simplicidade pode ser motivo de escândalo para quem é sempre propenso à vanglória: “Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim”.
Reconhecendo a sua pequenez, Jesus diz que João é grande: este tinha feito da radicalidade evangélica a sua marca de reconhecimento. Não havia lugar na sua pessoa e na sua conduta de vida para o supérfluo nem tanto menos para o luxo. Todos podiam dar-se conta imediatamente da seriedade de sua pessoa e da solidez dos seus argumentos. Aquilo que João recomendava a todos eram a sobriedade e a penitência que ele há muito tempo praticava. Os poderosos de então, mas também de todos os tempos, costumam enfatizar a sua autoridade com sinais externos que lhe qualifiquem. João não tinha necessidade de nada disso. Sua mensagem, sua vida, valia muito mais do que tudo isso, era autêntico.
Ele não tinha nada a esconder. Nem mesmo tentava procurar um fácil consenso da parte do seu público, daqueles rumores que hoje chamamos opinião pública. João era credível porque se apelava a um princípio superior e por isso era procurado e estimado. Investido de uma missão grande como a dele, antes de Jesus, não houve nenhum maior como João, concluiu o próprio Jesus. Mas, agora que o Messias se apresentou e o Reino de Deus foi inaugurado o importante é deixar toda incerteza de fora.
Este reino continua a viver na Tradição pública da Igreja, que se expressa sobretudo na Liturgia. Aquilo que a Igreja celebra é aquilo que ela acredita: não há dissociação entre as duas coisas e todos podem fazer uma ideia, seja da sua doutrina que dos seus ritos.
Não há cursos ou níveis a superar para se tornar um cristão, nos quais sejam reveladas verdades escondidas. Ou se é cristão ou não se é: porque a salvação para os cristãos não depende do saber alguma verdade escondida para a maior parte das pessoas, mas a salvação depende do acolher ou não a pessoa de Jesus. O Senhor Jesus é “aquele que veio e não devemos esperar por um outro”.
São Tiago na segunda leitura propõe o exemplo do agricultor que é cheio de perseverança e de bom senso. Também para a fé cristã serve o bom senso de quem olha os fatos e não se deixa encantar pelas palavras. Para crédito da fé da Igreja falam os fatos, dos seus frutos se pode reconhecer a árvore e a planta da Igreja sempre produziu frutos bons porque brota de Cristo, o seu Salvador. Se a Tradição da Igreja é pública também nós não devemos ter medo de declará-la e difundi-la publicamente.
São João Batista agiu assim, façamos também nós. Possibilitemos ao Natal o seu verdadeiro significado cristão que é o nascimento do Salvador e não somente festa de presentes e de consumos. Tenhamos ânimo, não tenhamos medo! Pois é Deus que vem para nos salvar. Exultemos de Alegria!

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