segunda-feira, 4 de outubro de 2010

XXVIII DOMINGO COMUM - Lc 17,11-19

CADÊ OS OUTROS NOVE?

No tempo de Jesus, a lepra era uma doença que excluía duramente a pessoa enferma do lugar onde vivia e de sua própria família. A pessoa era condenada a viver na periferia das cidades. Um leproso só podia conviver com outros leprosos justamente para evitar o contágio em pessoas “sadias”. Se uma pessoa sadia se aproximasse do lugar onde os leprosos ficavam, estes eram obrigados a gritar para informar que eram contagiosos, impuros, e, além disso, deviam se afastar.

É nesse contexto que Jesus, numa zona de fronteiras entre a Galileia e a Samaria, encontra dez pessoas com lepra na periferia de um povoado; elas se aproximam dele, mas a uma certa distância, param e gritam: “Jesus, Mestre, tem piedade de nós!”. Estes leprosos pedem ajuda a Jesus. Eles não podem fazer nada por si mesmos, mas podem receber ajuda de alguém que tem poder sobre a sua enfermidade.
Mas o texto parece mostrar que Jesus quer se livrar deles também. Manda eles irem aos sacerdotes, sem ter feito absolutamente nada para curá-los. Segundo as leis do AT, os sacerdotes têm a competência de verificar a cura de um leproso, e, assim, reintegrá-lo na sociedade.

Na I leitura, do II Livro dos Reis, quando o sírio Naamã é curado por Deus, vai apresentar-se imediatamente a Eliseu e agradece ao profeta. Os dez leprosos devem ser, antes de tudo, curados para que possa haver sentido irem se apresentar aos sacerdotes; mas, Jesus, simplesmente os põe a caminhar; e é aí, que vemos a fé e a confiança daqueles leprosos em Jesus, na esperança de que, cumprindo seu mandamento, conseguirão aquilo que desejam.

Um deles, ao perceber que estava curado, toma uma atitude diferente da dos outros nove que correram apressadamente para serem readmitidos na sociedade; este tal retorna a Jesus para agradecê-lo. Aqueles nove olham só para seus próprios interesses, só para o futuro, já não se lembram de quem os livrou daquele destino miserável; e, Jesus, se decepciona com eles: “onde estão os outros nove?”
Todos gritavam por Jesus quando estavam no momento do sufoco, mas por que só um gritou de agradecimento: glorificando a Deus? Na realidade, é que só para este, a cura foi um verdadeiro encontro com Deus.
E quanto a nós? Quando recebemos uma graça de Deus na nossa vida, o que vale mais para nós? O dom ou aquele que nos concedeu o dom? Quando ganhamos um presente, se a nossa atenção se restringe ao bem material, somos egoístas; se, pelo contrário, se a experiência do presente nos leva a colocar a nossa atenção no amor e na benevolência daquele que nos presenteou, isto torna-se um encontro novo e pessoal com o nosso benfeitor.

Ganhar um presente é muito bom. Mas, nos dá mais felicidade ainda reconhecer a benevolência e a ajuda daquele que nos presenteou e poder agradecê-lo. Junto com o pedido, a ação de graças deve ser a forma fundamental da nossa oração e da nossa relação com Deus. Quantas vezes durante a nossa vida pedimos, imploramos a Deus por uma série de coisas e quando ele finalmente nos concede a graça, esquecemos completamente dele. Desta forma, perdemos a chance de reconhecer e experimentar o amor de Deus.
A lepra tinha levado a um primeiro encontro com Jesus, mas um encontro à distância. Movido pela fé em Deus, o samaritano foi curado, sua relação com Deus tornou-se mais íntima, o que lhe rendeu uma fé mais firme.

Assim, podemos dizer que não basta a saúde para ser feliz. Ela é um bem precioso, e deve ser conservada, procurada, com um estilo de vida saudável, com exercícios físicos, reeducação alimentar, é preciso ter paz no coração de quem encontra Deus e descobre o próprio projeto de vida, para ter um bem estar psicofísico profundo. Mas não basta só a saúde, precisamos da felicidade. Jesus nos diz que a saúde não é tudo, mais que a saúde, precisamos nutrir constantemente a esperança e a fé na salvação. E a felicidade consiste no abrir o coração à gratidão de um Deus que nos cura no profundo de toda solidão, de toda a dor.

Que nós também tenhamos a coragem de gritar por socorro ao Senhor para que ele cure a nossa lepra, especialmente, aquela espiritual, a fim de que reconhecendo as maravilhas que ele opera na nossa vida, possamos cada vez mais ter uma fé firme e contagiante.

Um comentário:

Anônimo disse...

João Paulo II e o aborto

“Dentre todos os crimes que o homem pode cometer contra a vida, o aborto provocado apresenta características que o tornam particularmente perverso e abominável.” (João Paulo II, Evangelium Vitae, nº 58)

"No caso de uma lei intrinsecamente injusta, como aquela que admite o aborto ou a eutanásia, nunca é lícito conformar-se com ela, nem participar numa campanha de opinião a favor de uma lei de tal natureza, nem dar-lhe a aprovação com o seu voto". (João Paulo II, Evangelium Vitae, nº 73)