domingo, 25 de julho de 2010

XVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM - Lc 12,13-21

FAZEI MORRER O QUE EM VÓS PERTENCE À TERRA

“A acumulação de riquezas e a ostentação estão deturpando os valores das coisas e das pessoas. Em um mundo no qual o dinheiro é mais valorizado que os sentimentos, a aparência também acaba sendo mais importante que a essência”, nota o autor Roberto Shinyashiki no seu bestseller “Heróis de Verdade”. Neste livro, ele esclarece que o mundo de hoje deu mais um passo (para trás, no fim de contas): antes, as pessoas procuravam a todo custo ter, mas “como a cada dia está mais difícil ter, muitas pessoas passaram a buscar maneiras de parecer ter”. Esta cobrança para obter sucesso a todo custo criou uma multidão que se sente perdedora, mas que, apesar disto, prefere seguir adiante levando uma vida mergulhada na aparência. Estas pessoas “cobram-se ser bem-sucedidas financeiramente, mas, como nem sempre conseguem isso, começam a comprar coisas que demonstrem ser pessoas de sucesso”, fazendo dívidas impagáveis e se sentindo cada vez mais vazias.

A liturgia deste Domingo nos faz refletir acerca da atitude que assumimos perante os bens deste mundo: o ter, o poder, o parecer. Indica que eles não podem ser os deuses que dirigem a nossa vida; e nos convida a descobrir e a amar outros bens, os do alto, que dão verdadeiro sentido à nossa existência e que nos garantem a vida em plenitude.

Tem razão o livro do Eclesiastes quando diz: “vaidade das vaidades, tudo é vaidade”; onde a palavra hebraica para vaidade seria bem melhor traduzida por fugacidade, efemeridade, pois indica aquilo que é vão, inútil, sem solidez nem duração e não propriamente o sentido de ostentação e vanglória como é mais usado hoje. Toda riqueza, luxo, excessiva segurança depositada nos bens materiais não só passa, mas enquanto dura não nos garante de jeito nenhum uma vida com sentido. Sem contar o fato de que quem gasta a vida acumulando riquezas é uma pessoa sem paz por ter que defender a cada momento os seus bens dos mal intencionados e de amizades interesseiras: “Nem mesmo de noite repousa seu coração”.

É! O Eclesiastes tem toda a razão. Entretanto, também é verdade que o dinheiro e os bens de consumo, pelo fato mesmo que existem, têm uma certa importância na nossa vida: como poderíamos viver o cotidiano, comer, vestir-se, se não os tivéssemos? Eles têm a sua utilidade, não devem descartados. A questão, então, é qual o papel que eles exercem na nossa vida.

Paulo, na segunda leitura de hoje, escrevendo aos colossenses, nos convida à identificação com Cristo: isso significa deixarmos os “deuses” que nos escravizam e nos revestirmos do Homem Novo e nos comportarmos como tal: “irmãos, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo. Afeiçoai-vos às coisas celestes e nãos às terrestres”. Não tanto o dinheiro em si, mas o acúmulo deste já é resultado de uma série de vícios que devem ser evitados: “imoralidade, impureza, paixão, maus desejos e a cobiça, que é idolatria”.
Mesmo sendo tão forte hoje a ideologia do capitalismo selvagem neoliberal que promete todos os paraísos possíveis; Lucas, no Evangelho de hoje, com a parábola do rico insensato nos assegura que a riqueza não garante a segurança da pessoa humana nem a sua felicidade.

O ensinamento de Jesus parte de uma desavença entre dois irmãos por causa de uma herança. Talvez se tratasse do irmão mais jovem que quisesse a sua parte para usá-la de modo independente. Em tais situações, se recorria logo a um rabino que devia esclarecer o problema. Jesus rejeita totalmente realizar esta função, já que seu ponto de vista é totalmente diferente do daquele jovem. Mas, aproveita a ocasião para ensinar sobre a justa relação que o homem deve ter para com os bens materiais. Ainda hoje na nossa sociedade as brigas por herança mostram um forte desejo de possuir, e muitas vezes conduzem a inimizades que duram toda a vida. Talvez seja por isso que Jesus adverte fortemente contra a ganância. “Atenção! Cuidado contra todo tipo de ganância, porque mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens”. O ter não é o valor mais alto, pelo qual tudo deva ser sacrificado. Com a parábola, Jesus quer mostrar o quanto pequeno seja o valor dos bens terrenos e como o apegar-se a eles se demonstre um cálculo errado. Tão errado que Jesus chega a chamar quem age assim de “louco”. Esqueceu o que realmente dá sentido à existência. De que adiantou tanto esforço daquele homem se naquela noite morreu?
O sentido da vida não é o comodismo, mas o amor; realmente o trabalho dignifica o homem e não a preguiça; mas esse trabalho não encontra sentido no acúmulo de coisas materiais, mas na partilha. Sem dúvida, a vida terrena depende dos bens materiais, mas não pode ser assegurada nem conseguir o seu cumprimento por meio deles. Para sermos ricos diante de Deus, temos de ter estima pelas coisas do alto, onde está a nossa meta e onde queremos chegar. O resto é puro acréscimo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Oi Padre Carlos quero agradecer a oportunidades de estar lendo o evangelho do proximo domingo ,isso esta fazendo muito bem para minha vida cristã.Muito obrigada que Maria te abençoe e ilumine com esse dom maravilhoso.