domingo, 2 de maio de 2010

VI DOMINGO DA PÁSCOA – Jo 14,23-29

 

Que Deus nos dê a “sua” paz

“Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns ao outros”. Amar-nos mutuamente com o mesmo amor com o qual Jesus nos amou é o único modo pelo qual todos podem reconhecer que nós somos os seus seguidores. O Bom Pastor nos disse isto com muita clareza no domingo passado. Hoje, continuando o assunto, nos diz como demonstrar o nosso amor por ele e pelo Pai. De fato, se o nosso amor pelo próximo não transparece no modo como o tratamos (tratá-lo bem), como demonstramos ao Senhor que o amamos? Podemos dizer-lhe com as palavras... Mas as palavras nem sempre correspondem às nossas atitudes.

Concretamente, como poderemos mostrar a Deus Pai que o amamos? Ensina-nos o próprio Jesus: “se alguém me ama, observa a minha palavra... quem não me ama, não observa as minhas palavras”. Parece tudo tão simples, mas não o é. Só podemos demonstrar a Deus que o amamos, escutando a sua Palavra, conservando-a no coração e colocando-a em prática. É importante escutar com atenção a Palavra de Jesus e do mesmo jeito é importante colocá-la em prática, isto é, fazer o que ele nos pede, caminhar seguindo os seus passos.

Assim, se na missa dominical, ouvimos a Palavra de Deus, e talvez até a escutemos com atenção, mas depois que saímos da igreja, nos esquecemos completamente do que ouvimos, a que serve? Pior ainda, se passamos a semana inteira fazendo exatamente o contrário daquilo que Jesus nos ensinou; no fundo, estamos demonstrando que ele não importa muito para nós. É como se disséssemos com as palavras: te amo, Senhor; mas, eu faço as coisas do jeito que eu quero. Esta atitude não parece mesmo um modo para mostrar a Deus que queremos bem a ele. Pelo contrário, se não guardamos os seus mandamentos, não o amamos.

Todos, queremos guardar as palavras de Jesus no nosso coração, e para isso, ele nos assegura que o Espírito Santo enviado do Pai nos recordará tudo: “o Espírito Santo que o Pai mandará em meu nome, vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos disse”. Se nós ficarmos atentos à Palavra de Deus, com certeza, quando precisarmos, o Espírito Santo que está em nós nos ajudará a lembrar e a entender as palavras de Jesus no momento justo.

Por exemplo, acontece algo na nossa vida, principalmente quando alguém nos machuca; imediatamente, ficamos com raiva, pensando numa maneira de como não ficar por baixo. A carne imediatamente pede vingança. Mas se tivermos escutado bem o Evangelho, com certeza, o Espírito Santo nos fará lembrar como devemos nos comportar neste momento: “amai-vos uns aos outros”. Deus nos lembra que devemos fazer o correto, mesmo que seja difícil.

Mas como é possível que naquele momento nos lembremos daquela palavra de Jesus? Temos que confiar que o Espírito Santo nos lembrará e nos dará o fruto do auto-controle; e ele nos dá de verdade, mesmo que nós finjamos ser meio lerdos porque queremos ceder à carne, mas sabemos lá no fundo o que realmente devemos fazer de correto.

Na verdade, isso é um fato recorrente na nossa vida: sempre haverá alguém que cometa injustiça contra nós. E isto pode acontecer por pessoas diferentes em momentos diferentes. Podem ser até mesmo pessoas da Igreja que sempre frequentamos e que se supõe que vivamos em paz e não haja ciúmes nem invejas entre nós. Mas, de fato, isto acontece e a inclinação do ser humano é revidar essas pessoas. Mas temos que deixar pra lá e deixar que Deus resolva estes problemas na nossa vida; afinal, o Evangelho diz: o Espírito Santo é o nosso “defensor”.

Ao invés de se vingar, Deus quer que nós confiemos nele. E para isto, requer-se verdadeiramente muita confiança. Podemos nos lembrar de Pedro que estava sofrendo continuamente irritações talvez de João a ponto de perguntar a Jesus quantas vezes devia perdoar? Tanto que depois de saber com que morte iria glorificar a Deus, Pedro se preocupa logo em perguntar com relação a João: “e a este, o que acontecerá?” (Jo 21,21). Ou como nos mostra a primeira leitura de hoje quantas confusões, irritações, discussões que Paulo e Barnabé tiveram que enfrentar por causa da entrada dos pagãos no cristianismo. Pior, mais tarde, os dois brigam tanto que cada um segue uma direção diferente (At 15,39).

Precisamos entender que quando tentamos resolver a situação com as nossas próprias mãos, fechamos o caminho para Deus provar o que está certo e o que está errado. Se estivermos certos, mesmo que sejamos silenciados, Deus tem as suas formas de provar que estamos certos ou errados sem que tenhamos que afrontar ninguém.

O que Deus nos pede sim é que amemos nossos inimigos, rezemos pelos que nos perseguem, façamos o bem a quem nos faz o mal, abençoemos a quem nos amaldiçoa e deixemos que o resto ele faz. Uma coisa é certa, se formos responder às ofensas, Deus não poderá nos abençoar, porque a ofensa é uma obra do diabo, é contrária ao amor.

O grande problema aqui é que nem sempre temos paciência de esperar pelo tempo de Deus, porque no fundo nem sempre confiamos se ele fará isso mesmo. Mas, enfim, não é que nós um dia vamos deixar de sentir vontade de revidar as ofensas, mas temos que aprender a controlar esse desejo e decididamente não se vingar, não cedermos nunca a essa tentação. Temos que ser mansos e pacificadores, como nos diz Jesus nos sermão da montanha.

Para isto, ele nos dá a sua paz: “eu vos dou a paz, eu vos dou a minha paz. Não como o mundo dá, eu a dou a vós. Que não se turbe o vosso coração e não tenhais medo”. Quando estivermos tristes, preocupados, irritados, com medo, é muito bom pensar nestas palavras. É o próprio Jesus quem nos assegura: “não tenham medo nem fiquem tristes. Não vos inquieteis com aquilo que acontece a vocês, porque eu dou um dom precioso: a minha paz”.

A paz que Jesus nos dá é diferente da que o mundo dá. Não é somente a ausência de guerra, o viver em segurança e tranquilidade, a tolerância. Não! É uma paz que brota do amor e uma paz que conseguimos ter mesmo em tempo de dificuldade e provação. É uma paz que nos torna capaz de reconhecer no rosto de quem está ao nosso lado um irmão para amar, apesar de tudo.

O Espírito Santo é o nosso Defensor!

Um comentário:

Pãozinho do Céu disse...

Sua benção Padre!

Deus o abençoe pelo lindo comentário deste Evangelho que é tão rico em ensinamento.

Tenha uma semana Abençoada!
Abraço Fraterno!
Com Carinho,
Sueli