domingo, 16 de maio de 2010

PENTECOSTES: O ESPÍRITO SANTO É DEUS AGINDO NA TERRA

A festa judaica de Pentecostes (do grego = 50º dia) ou Shavuot (hebraico = sete semanas) era celebrada cinquenta dias após a Páscoa, quando se agradecia a Deus pela colheita do trigo (Ex 23,16). Desta festa agrícola, a festa de Pentecostes foi pouco a pouco se transformando numa festa histórica: um grande memorial da aliança de Deus com o seu povo.

Hoje, somos convidados a falar do Espírito Santo no modo mais explícito, por celebrarmos a solenidade do Pentecostes, ou seja, a descida do Paráclito sobre os Apóstolos e Maria Santíssima, reunidos no Cenáculo. Celebramos o início da missão da Igreja, que é enviada a levar em todos os tempos e lugares, o Evangelho e a graça da salvação em Jesus Cristo, e, por isso, forte e corajosa pela ação do Espírito Santo.

É tão difícil falar do Espírito Santo que, certamente, a melhor maneira para dizer algo da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, é o de escutar e ser dóceis à sua Palavra e às suas iluminações.

É o Espírito Santo quem faz a Igreja caminhar, renovando-a e transformando-a. É o Espírito Santo quem abre o nosso coração de cristão, purificando-o, curando-o e reconciliando-o, de modo que este supere as barreiras e nos leve à comunhão. É o Espírito de unidade na pluralidade de carismas e de culturas, tal como vemos no acontecimento de Pentecostes (I leitura).

Paulo atribui claramente ao Espírito Santo a capacidade de tornar a Igreja una e multíplice na pluralidade de dons, ministérios e atividades (II leitura).
Desta forma, a Igreja tem diante de si o desafio permanente de ser católica e missionária, de passar de Babel a Pentecostes, como nos lembra sempre o Papa Bento XVI: “O Ecumenismo, ou seja, a busca da unidade dos cristãos torna-se nesse nosso tempo, no qual se verifica o encontro das culturas e o desafio do secularismo, uma tarefa sempre mais urgente da Igreja católica... é indispensável uma boa formação histórica e doutrinal, que habilite ao necessário discernimento e ajude a entender a identidade específica de cada uma das comunidades, os elementos que dividem e aqueles que ajudam no caminho de construção da unidade”.

Cada um de nós recebeu do Espírito Santo dons e capacidades que devemos desenvolvê-los, multiplicá-los; não por um ponto de vista material: para realizar uma carreira ou interesses pessoais, para nos sentirmos mais inteligentes ou mais importantes do que os outros. Não! Isto seria um grande pecado. Pelo contrário, qualquer coisa que façamos só consegue o seu devido valor e a sua plenitude quando é vivida e desenvolvida para o bem do outro, seja em nível espiritual seja material. E é na parábola dos talentos que Jesus nos faz compreender que o verdadeiro e justo desenvolvimento dos talentos encontra seu sentido no amor ao próximo.

A este ponto, poderíamos nos perguntar: concluindo esta semana de oração pela unidade dos cristãos, temos consciência de que a nossa vida é cheia dos dons de Deus? Como usamos estes dons? Só para nós mesmos, para a nossa pastoral específica, para o nosso grupo, ou sabemos dispô-los aos outros? Com nossas atitudes, procuramos unir ou desunir? A festa de Pentecostes nos dá esta força do Espírito Santo que renova a nossa fé, o nosso fervor, o nosso empenho pela missão da Igreja de unir os cristãos: “Que todos sejam um”.

A II leitura da missa da vigília diz: “temos os primeiros frutos do Espírito”. E como sabemos por Gl 5,22, os frutos do Espírito Santo são: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, lealdade, mansidão e domínio próprio.

Sobre cada um destes podemos fazer o nosso exame de consciência: como vai o nosso amor? Consigo amar? Quando sou egoísta e peco contra a caridade? Vivo pelo bem do meu próximo ou sempre pelos meus interesses e pela minha “glória”, pela minha gratificação? Experimento a docilidade e a profundeza da presença do Espírito, quando vivo no amor humilde e sincero, desinteressado, construído no sacrifício e no dom e no esquecimento de mim mesmo? Imploro ao Espírito Santo que me ensine a amar verdadeiramente e a viver estas coisas na minha família, na paróquia, na comunidade?

Temos o Espírito Santo em nós quando experimentamos a alegria constante que vem de Deus, quando sentimos a sua paz, diferente da do mundo, já que resiste aos momentos difíceis. Sentimos isso?

Sei dominar os meus impulsos? Luto para aceitar os limites dos outros? Sinto a necessidade de recomeçar sempre? Aceito a mim mesmo? Sei rir de mim mesmo, das minhas pretensões, das minhas impaciências? Sou bom? Tenho “vontade de fazer o bem, ser compreensivo, aberto, generoso.

Temos sempre de lutar para conquistar! Lutamos contra as nossas asperezas? Lutamos contra a nossa mesquinhez? Não aceitamos o nosso egoísmo? Nos envergonhamos do nosso orgulho, temos horror das nossas maldades? Se há tudo isto em nós, é sinal de que o Espírito Santo palpita em nós, está bem vivo em nós.

Devemos ser pessoas de bom coração, pronto a perdoar sempre, desejosos de nunca fazer o mal, prontos a pagar o mal com o bem, generosos no julgar, desejosos do bem alheio, envergonhados quando desponta em nós a sombra da inveja, contentes só quando amamos a todos.

A lealdade, a fidelidade a Deus, a fidelidade aos irmãos, a fidelidade aos deveres, a fidelidade aos empenhos, a fidelidade às promessas, aos dons de Deus? Como vai? Fiéis ao amor, fiéis ao sacrifício, fiéis à palavra dada. Fiéis a Jesus Cristo e a seu Evangelho. Fiéis aos pobres. Somos fiéis à Igreja?

Um dos frutos que o mundo precisa muito hoje em dia, sem dúvida, unido aos outros, é o domínio de si, das palavras, das atitudes exteriores e interiores, a prontidão ao perdão, o medo de fazer o mal, de violentar a liberdade alheia. O autocontrole. O controle dos instintos, a capacidade de comandar a si mesmo, o domínio dos pensamentos, dos atos e das palavras, a capacidade de dominar a vontade em todas as coisas, dirigi-la ao bem, desviá-la do mal, observá-la nos perigos, freá-la nas ilusões: tudo isto é presença do Espírito.

Mas enfim, se não conseguimos muito, não fiquemos desanimados! Imploremos ao Divino Espírito Santo seus dons e seus frutos, e se não soubermos como pedir, lembremo-nos que é “o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis”. Lembrando que o texto afirma com toda clareza que quem intercede com gemidos inexprimíveis (ou seja, que o autor dos gemidos é o próprio Espírito Santo e não nós e que seus gemidos são inexprimíveis, ou seja, não se pode exprimir com palavras).

Um comentário:

Anônimo disse...

molto intiresno, grazie