terça-feira, 20 de abril de 2010

IV DOMINGO DA PÁSCOA - Jo 10,27-30

 

SEGUROS NOS BRAÇOS DO PASTOR

O Evangelho deste domingo nos propõe uma imagem que Jesus utilizava frequentemente para definir a relação entre ele e quem o segue, quem o conhece profundamente. A imagem é a do pastor e das ovelhas, onde ele é o pastor e nós todos que O ENCONTRAMOS e O SEGUIMOS somos o rebanho que ele guia.

Mas por que Jesus usa exatamente esta imagem e não outra?

Basta recordar a parábola da ovelhinha perdida ou ainda a passagem quando Jesus diz que é o Bom Pastor que nunca abandonará as suas ovelhas como faria facilmente um mercenário?! Em todas estas circunstâncias, Jesus falava tendo diante de si pessoas que sabiam perfeitamente que tipo de cansaço e dedicação se requer para guiar um rebanho de ovelhas! Entre as pessoas que o escutavam, de fato, havia pastores e naquele tempo, o rebanho representava tudo para o pastor, porque era a única fonte de renda, de sobrevivência.

Durante a noite, os pastores tinham que proteger as ovelhas dos animais selvagens como os lobos, as raposas, e os ladrões que tentavam roubá-las; durante o dia, tinham que conduzir o rebanho a boas pastagens, a fim de que pudessem crescer e alimentar-se com abundância. É uma imagem que era bastante conhecida e difundida naquela época.

Mas para nós que quase nos desligamos do mundo rural, talvez seja difícil entender a relação que liga um pastor a seu rebanho. Talvez no melhor dos casos, poderíamos compreender um pouco quando em casa temos um cachorro ou um gato de estimação, dos quais cuidamos com carinho e que nos fazem companhia, mas a diferença é que eles não são essenciais para a nossa sobrevivência. Seria uma pena perdê-los, mas diferentemente dos pastores do tempo de Jesus que dependia das suas ovelhas para se sustentar, continuaríamos a viver normalmente.

Falando exatamente da imagem que nos oferece o Evangelho de João, é bom refletir também sobre o significado depreciativo às vezes damos à ovelha. A ovelha normalmente é descrita como sem caráter, como animais que seguem o patrão sem entender, enfim, muito tolas. Para piorar, as expressões mais em voga com o termo “ovelha” sempre assumem um significado ofensivo: é considerada uma ovelha uma pessoa rebelde: “ovelha negra”; ou uma pessoa que é sem iniciativa, um maria-vai-com-as-outras. Um rebanho de ovelhas é visto como uma massa anônima onde a personalidade de cada uma desaparece.

Na verdade, a ovelha é um animal dócil. Mas o aspecto que Jesus sublinha não é somente a docilidade destes animais. As ovelhas, não são predadoras, não caçam e não têm mecanismos de defesa como os outros animais; para crescer e se defender, confiam unicamente no seu pastor, para o qual recordamos são o bem mais precioso! Também embora sejam mansas e dóceis, as ovelhas sabem identificar aquele que pode salvá-las e que é disposto a vigiar durante a noite inteira para protegê-las dos perigos, aquele que está disposto a caminhar quilômetros para buscar pastagens melhores.

O bom pastor conhece cada uma de suas ovelhas, elas não são anônimas; ele se preocupa por cada uma delas, conta-as quando retornam ao curral a fim de que nenhuma se perca e se for o caso, deixa as outras para buscar aquela perdida.

O homem de hoje se sente sempre mais deprimido e frustrado como pessoa. O que o deprime, sobretudo, é a violência, a brutalidade da vida, a exploração dos pobres por parte dos ricos, a manipulação política da opinião pública com a finalidade de ganhar poder. O homem se sente só, contra todos e tudo, abandonado, perdido... como ovelha sem pastor.

A figura de Jesus como Bom Pastor inverte tudo isto. Jesus Pastor instaura uma relação pessoal com cada um de nós, relação de amor, de afeto; uma relação onde não é possível naufragar no anonimato. Ele nos conhece, nós o conhecemos. Sentimos a presença dele perto de nós em cada instante da nossa vida, interessado com amor na nossa aventura humana. Nós somos as ovelhas enfermas, cansadas, abandonadas, objeto para sempre da sua promessa e da sua bem-aventurança: “elas jamais se perderão”. Por nós, ele está disposto a dar a sua vida.

É um amor que se manifesta sob a forma de proteção: “ninguém vai arrancá-las de minha mão. Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai”. Estamos seguros nos braços de Jesus e ele, para que nos sintamos ainda mais protegidos, nos põe nas mãos do Pai. Estamos seguros nos braços do Bom Pastor, que nos conduz com amor. Somos chamados por Deus pelo nosso verdadeiro nome, assim como só Deus pode nos chamar: com a voz única de um Deus apaixonado pela sua criatura. As ovelhas podem escutar a sua voz, porque ele, obviamente, as chama. A voz expressa um apelo, caracterizado por um timbre pessoal que chama a uma pessoa em particular, a qual reconhece pela voz de quem a chama.

Portanto, Jesus não quer nos ofender comparando-nos à ovelhas, mas indicar as qualidades necessárias para permanecer na amizade com Ele: escutá-lo para poder reconhecer a sua voz, confiar nele e segui-lo seguros que nos conduzirá onde haverá o melhor para que nós tenhamos vida em plenitude!

Um comentário:

Anônimo disse...

Gostei muito do comentário que aqui encontrei, poois vai me ajudar bastante trabalhar com meus catequisandos.