quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

EPIFANIA DO SENHOR - Mateus 2,1-12

LECTIO DIVINA

03 de Janeiro de 2010

MISSA DA EPIFANIA DO SENHOR

Mateus 2,1-12

Autor: Pe. Carlos Henrique

Celebramos a festa da Epifania: essa palavra estranha vem do grego e significa "manifestação". A manifestação é um ato onde algo é revelado, mostrado, dado a conhecer, tornado público. Quando queremos protestar algo, ou fazer uma campanha em prol de uma causa, ou fazer uma apresentação artística, fazemos uma manifestação pra que o máximo possível de pessoas tomem conhecimento da coisa.

No que diz respeito à festa que a Igreja hoje celebra, estamos diante de uma manifestação de Deus. É a festa na qual Deus se manifesta a todos os povos. Ele quebra o vínculo com o povo de Israel para estendê-lo a toda a humanidade.

A manifestação de Deus em Jesus não é destinada a um grupo restrito de pessoas, mas inclui todo o mundo como confirma o texto evangélico. Nele, aparecem três grupos de pessoas e sua relação com o recém-nascido em Belém: os magos, Herodes e os doutores da Lei e os escribas.

O termo "mago" é muito vago, mas de certo modo, refere-se aos espertos na observação dos astros, eram astrólogos. Tinham conhecimento da espera messiânica pelos judeus e tendo recebido uma indicação do nascimento do Messias, põem-se a caminho. Conhecem a direção, mas não sabem exatamente o que os espera. Estão a caminho. Vêm do Oriente e enfrentam todos os incômodos de uma viagem cansativa até Belém em busca do rei que nasceu.

Com relação à astrologia, com relação à influência dos astros no comportamento humano e no planeta de uma forma em geral, acho que há ainda muito o que se estudar. Pois, não basta proibir nem dizer que é tudo mentira, é preciso argumentar, esclarecer.

O papa Bento XVI na sua encíclica Spe Salvi de 2007, cita um texto de São Gregório Nazianzeno, no qual, ele diz que “no momento em que os magos guiados pela estrela adoraram Cristo, o novo rei, deu-se por encerrada a astrologia, pois agora as estrelas giram segundo a órbita determinada por Cristo. De fato, nesta cena fica invertida a concepção do mundo de então, que hoje, de um modo distinto, aparece de novo florescente. Não são os elementos do cosmo, as leis da matéria que, no fim das contas, governam o mundo e o homem, mas é um Deus pessoal que governa as estrelas, ou seja, o universo; as leis da matéria e da evolução não são a última instância, mas razão, vontade, amor: uma Pessoa. E se conhecemos esta Pessoa e Ela nos conhece, então verdadeiramente o poder inexorável dos elementos materiais deixa de ser a última instância; deixamos de ser escravos do universo e das suas leis, então somos livres”.

São belas e verdadeiras as palavras de Gregório Nazianzeno, mas também continua muito forte entre nós as crenças em torno da lua cheia: influência na agricultura, nas marés, no crescimento dos cabelos, no nascimento de bebês, no fato de pessoas ficarem “lunáticas”, ou que são de “lua”. Eu mesmo cresci, ouvindo meu pai dizer que era necessário deitar as galinhas chocas de modo que os pintos saíssem da casca antes da lua cheia, mas nunca entendi o porquê.

Mas, enfim, estes astrólogos representam todos os pagãos, chamados a crer em Cristo. Representam todos nós. Representam a caminhada de todos os povos, anunciada pelo profeta Isaías: "os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora" (Is 60,1-6). A viagem dos magos é imagem do caminho de fé e de esperança que o homem de cada tempo realiza até Deus. A fé é sempre uma busca. Aquele que crê está sempre a caminho.

Chegando em Jerusalém, são mandados a um outro lugar. Agora, sabem com mais precisão, onde podem encontrar o rei. De fato, os escribas são espertos na Sagrada Escritura e dela deduzem o lugar de nascimento do Messias, Belém da Judéia: "E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo".

Os magos, que são pagãos, perseveram na busca do rei, pondo-se de novo a caminho. Por sua vez, os escribas para quem nasceu o rei, ficam indiferentes. Assim, o texto bíblico apresenta um grande contraste: os de fora (magos) buscam e encontram o Salvador e os de dentro (Herodes e os habitantes de Jerusalém) ficam indiferentes, rejeitam, têm medo. Herodes que defendia seu reino com violência e era odiado pelos judeus porque favorecia o império romano, agora, sente-se incomodado pela notícia do nascimento do rei dos judeus. Ele queria matar o menino, como demonstra a matança dos inocentes. Herodes significa todos aqueles que são tão apegados aos próprios interesses que não deixam nenhum espaço para este menino; pelo contrário, este é importuno e ameaçador.

Finalmente, a luz guia os magos até o menino; essa luz é símbolo de Cristo, luz do mundo. Ele nos chama a si através de uma grande variedade de sinais e indicadores luminosos, como a Palavra de Deus.

Os magos vêem o menino, dão-se conta que Ele não apresenta nenhum poder externo, nenhum esplendor; mas mediante a fé, o reconhecem como rei, senhor e pastor da humanidade. Seus presentes também são uma forma de reconhecimento: ouro, incenso e mirra. Ouro destinado aos reis, incenso destinado a Deus e mirra, planta medicinal de onde se extrai uma resina, que misturada a óleos, era usada como óleo curativo, cosmético e unções religiosas: Jesus é o Messias, o Cristo, o Ungido.

Os magos do Oriente não eram nem reis, nem três, nem se chamavam Gaspar, Melquior e Baltazar como apresenta a tradição popular. Isto não corresponde ao texto bíblico. Porém, corresponde ao espírito do Evangelho. São representados por um jovem, um adulto e um ancião; um asiático, um europeu e um africano (o mundo de então, já que as américas e a oceania não tinham sido "descobertas".). Tudo isto para significar que todas as idades e todas as pessoas caminham em direção a esta estrela que é Cristo, luz do mundo.

Jesus veio para todos nós: para os jovens e os idosos, para os sábios e os simples, para as pessoas de qualquer cor e de qualquer forma de vida, a fim de mostrar-nos Deus como Nosso Pai e ser uma Luz para a nossa vida. Como magos, não devemos deixar nos desviar do caminho que é Jesus, e sim sermos guiados por Deus, até atingirmos a meta. Podemos estar muito longe ou podemos estar perto, mas o bom é podermos ter a consciência tranquila de que estamos a caminho e perseverarmos nesse caminhar! Rezemos pelos que estão pra lá e pra cá e ainda não acharam nem o começo da estrada!

sábado, 26 de dezembro de 2009

MISSA DA SANTA MÃE DE DEUS - Lucas 2,16-21

LECTIO DIVINA

1o de janeiro de 2010

MISSA DA SANTA MÃE DE DEUS

Lucas 2,16-21

Autor: Pe. Carlos Henrique

Mais um ano se inicia! E com a fé nas bênçãos que vêm de Deus, não temos necessidade de fazer mais nada para ter um ano de paz, saúde, amor e prosperidade! Muitos deixam de ter fé em Deus para se dedicar à leitura de horóscopos, a simpatias. Mas o que são estas superstições diante do poder de Deus? Absolutamente nada! Temos que confiar em Deus e isso já nos basta. Se Deus está o tempo todo com o seu rosto voltado para nós, do que mais precisamos?

A celebração de hoje nos convida a venerar Maria, a Santa Mãe de Deus Salvador; a venerar aquela que acolheu e carregou no seu ventre o Filho de Deus. Por ela, Deus entrou no mundo e veio ao nosso encontro. Agora, somos nós quem devemos ir ao encontro dele. Somos nós quem devemos acolher essa Luz que ilumina os nossos passos. Maria é a mulher que escutou a voz de Deus, acolheu e obedeceu a vontade do Senhor; sempre atenta a acolher os sinais de Deus, renovava diariamente o seu “sim”.

O Evangelho desta liturgia que é uma continuação daquele lido na noite de Natal, coloca Maria numa posição central. Como anunciado no texto anterior, os pastores “encontraram Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura”; depois, “voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido”. O mais interessante deste relato, é que há um corte bem no meio do texto para nos dar uma preciosa informação: “quanto a Maria, guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração”.

Maria, que hoje invocamos como Mãe de Deus Salvador, é a Rainha da Paz. Ela é rainha de uma paz que não depende das circunstâncias. Mas, uma paz que brota do coração, uma paz que existe mesmo em meio às provações da vida. Ela guardava a Palavra de Deus em seu coração e a Palavra traz paz.

Hoje também é o dia da paz. Não devemos esquecer que a paz não é somente a ausência de guerras, de violência, é também ausência de qualquer desentendimento, discussão, desunião. E como existe isso nas nossas famílias! A paz que o mundo oferece é um sentimento que temos quando tudo corre bem na nossa vida ou quando as pessoas se comportam como nós queremos. Porém, quando as coisas não acontecem do jeito como esperamos, quando queremos mudar as pessoas e não conseguimos, isso nos frustra e o sentimento de paz nos deixa e a impaciência e o aborrecimento tomam conta de nós.

A paz que Jesus nos dá é uma paz diferente da que o mundo nos dá. Em cada missa, pedimos essa paz, e às vezes repetimos tão mecanicamente que nem nos inteiramos do seu verdadeiro significado: “livrai-nos de todos os males, ó Pai, e dai-nos hoje a vossa paz”, “Senhor Jesus Cristo, dissestes aos vossos apóstolos: Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz”. E logo em seguida, desejamos a paz do Senhor ao nosso próximo.

Se lembrarmos bem, Jesus não perdeu a paz nem no meio da tempestade. Ele continuou dormindo tranquilamente na popa do barco, enquanto seus discípulos estavam apavorados e indignados porque Ele não se mostrava preocupado com eles. Temos que aprender a receber essa paz de Jesus, essa paz que nos faz esperar no tempo de Deus com paciência, essa paz que nos faz respeitar e tratar bem o próximo.

É preciso que aceitemos na nossa vida a salvação oferecida por Jesus. De fato, este nome contém todo o significado da vinda de sua vinda ao mundo. Oito dias depois do nascimento do Filho de Deus, no momento da circuncisão, símbolo de aliança entre Deus e o povo de Israel, o menino recebe o nome de Jesus. Em aramaico, Yeshua significa “Deus salva”. Ele veio ao mundo para fazer uma aliança conosco, para nos salvar e nos conceder a sua paz.

Que neste ano que se inicia, o Senhor volte para nós o seu rosto, abençoe a nós todos e nos dê a paz. Feliz 2010!




sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

MISSA DA SAGRADA FAMÍLIA - Lucas 2,41-52

LECTIO DIVINA

27 de Dezembro de 2009

MISSA DA SAGRADA FAMÍLIA

Lucas 2,41-52

Autor: Pe. Carlos Henrique

Neste domingo, celebramos a beleza desta única e irrepetível família humana, da qual fazem parte Jesus, o Filho de Deus, mas também a Virgem Maria e o pai adotivo de Jesus, São José. Estas três grandes figuras nos convidam a refletir o sentido mais verdadeiro da família cristã e o modo no qual devemos viver dentro dela, embora cada um tenha uma missão particular recebida de Deus para cumprir.

O texto do Evangelho de Lucas nos leva ao momento do desaparecimento e ao momento em que Jesus é encontrado, assim se faz conexão espiritual e não histórica ou temporal entre o nascimento de Jesus, celebrada na Solenidade do Natal e a Epifania, que encerra o tempo natalino.

“Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. Quando ele completou doze anos, subiram para a festa, como de costume. Geralmente, as pessoas organizavam grandes caravanas para ir e voltar de Jerusalém. É justamente por isso que não devemos estranhar que os pais de Jesus não se preocupem nem tenham percebido logo o desaparecimento do seu Filho. Entretanto, quando se dão conta, voltam a Jerusalém e o encontram no Templo entre os Mestres da Lei, escutando e fazendo perguntas. Todos os que o ouviam estavam maravilhados com a sua inteligência e suas respostas.

Mas seus pais reagem com preocupação e ficam desconcertados quando o menino lhes comunica a sua missão: “Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?”

Apesar de José e Maria terem alguma intuição sobre o sentido das palavras de Jesus, até aquele momento era difícil para eles entender e voltam para Nazaré trazendo Jesus que era-lhes obediente em tudo.

Enfim, o Evangelho nos diz que Jesus continuava crescendo e que Maria guardava todas estas coisas em seu coração. É interessante notar que nesta família não há pecado, mas há desencontros como este apenas narrado. E esta família tem muito a nos ensinar em nossos próprios desencontros familiares.

Não obstante as dificuldades, esta família singular é unida e cada um se sente responsável pelo outro. A dificuldade e a incompreensão são superadas por uma visão de amor e, sobretudo, na contínua disponibilidade de buscar e de atuar a vontade de Deus seja por parte de Jesus seja por parte de Maria e José.

E sobre esse amor é o que fala o texto da segunda leitura de hoje que é tirada da carta de São Paulo aos Colossenses. Nesta leitura, somos educados ao amor, também no mais estreito sentido que Paulo nos apresenta aqui para as nossas famílias. Se as nossas famílias devem ser escolas de autêntico amor entre todos os seus membros, a educação ao amor se tornará suave se realizarmos tudo na ótica do amor para com Deus e o próximo.

O filho não é um direito nem uma pretensão da mulher nem do homem ou do casal, mas é um dom de Deus que deve ser acolhido com amor e responsabilidade, sem forçar a vontade de Deus e a técnica para obter egoisticamente aquilo que a natureza por misteriosos fatos não concede às vezes aos esposos, ou mesmo, a alegria de um filho.

Diante da cultura de morte que se difunde sempre mais na história hoje, este texto nos leva a contemplar a beleza do dom da vida, da maternidade e da paternidade. Bem que queríamos que o clima natalino que respiramos nestes dias fosse, sobretudo um clima de defesa da vida e especialmente da vida mais indefesa. E entre estes fracos estão as crianças concebidas e que devem ser acolhidas e acudidas com singular amor pela mãe enquanto se desenvolvem no ventre, como também as tantas crianças desaparecidas, esquecidas e abandonadas neste mundo que têm tanta necessidade de dignidade, de uma família normal onde elas possam crescer com o amor e a atenção de ambos os pais. Esta seja a nossa oração não só de hoje, mas de sempre por nós e as famílias de todo o mundo.

Enfim, pense por um momento sobre o quanto é importante o seu filho para você que é pai ou mãe. Você reza regularmente por ele? Rezar pelas crianças é o melhor presente que você pode dar a elas. Reze para que seu filho ou sua filha cresça em sabedoria, idade e graça como Jesus cresceu diante de Deus e seja uma bênção para a humanidade.

domingo, 20 de dezembro de 2009

MISSA DO NATAL DO SENHOR - Lucas 2,1-14

LECTIO DIVINA

25 de Dezembro de 2009

MISSA DO NATAL DO SENHOR

Lucas 2,1-14

Autor: Pe. Carlos Henrique


É Natal! O Evangelho que nos é proposto nesta noite narra o grande acontecimento esperado por toda a humanidade: o nascimento do Salvador, o Cristo Senhor. O texto bíblico é fortemente caracterizado por um grande contraste. Enquanto se esperava uma vinda majestosa, o Salvador veio ao mundo de uma forma inesperada. É neste contraste, pois, que vamos descobrir um dos maiores ensinamentos que o Natal do Senhor nos pode dar.

Logo no início do Evangelho, lemos as seguintes informações históricas: em primeiro lugar, aparece o imperador César Augusto, dominador do mundo Mediterrâneo da época, o qual impõe um censo de toda a terra (que eles conheciam), ou seja, de todos os habitantes submetidos à dominação romana, entre os quais se encontravam os da Palestina. Em seguida, o texto diz que quando ocorreu este censo, o governador da Síria era Quirino, procurador de Augusto na tetrarquia que compreendia a Idumeia, a Samaria e a Judeia, onde está localizada Belém.

Longe, porém, de ter provas para estes dados históricos, além de uma diferença notável entre o relato do nascimento do Messias narrado neste texto e no evangelho de Mateus, ficamos com o que nos interessa: este decreto é o que liga José e Maria, residentes em Nazaré da Galileia a Belém da Judeia. De fato, Lucas sublinha que Belém é a cidade natal de Davi, de onde descende José. Desta maneira, temos uma referência à promessa e à espera messiânica ligada a Belém e a família de Davi: “Grande será o seu reino, e a paz não há de ter fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reinado” (Is 9,6).

Chegando o tempo devido, Maria dá a luz o seu “primogênito” (este termo não quer indicar que Maria teve outros filhos, mas que Jesus é o primeiro filho de Maria, e por isso, tem todos os direitos da primogenitura; para se ter uma ideia da importância da primogenitura, basta lembrar as incansáveis trapaças feitas por Jacó contra seu irmão Esaú até tomar-lhe este direito).

Maria, como toda mulher, passa naturalmente por essa experiência: nem pode escolher o momento, nem esperar uma circunstância melhor. Ela não encontrou um lugar adequado para o seu menino, por isso, deu à luz num estábulo, pondo o menino numa manjedoura. São pobres e sem pretensões. É verdade! O primeiro lugar a receber o Salvador foi um dos lugares mais imundos do mundo, pois não venham me dizer que as vacas e os outros animais faziam suas necessidades num lugar separado da estrebaria! Ainda bem que os judeus não comem porco.

Assim, o que, imediatamente, chama a nossa atenção neste acontecimento é a simplicidade. Na sua grandeza infinita, Deus se abaixa não só à condição humana, mas em qual condição Seu Filho veio ao mundo! O Salvador entrou na nossa condição humana, a partir da fraqueza de um menino enrolado em panos, está do nosso lado e nos acompanha.

Em contraste com essa pobreza, aparece o esplendor da luz celeste e a aparição do anjo de Deus aos pastores que tomavam conta de seus rebanhos, mas o sinal que recebem é simplesmente este: “encontrareis um recém-nascido envolvido em faixas e deitado numa manjedoura”. Aos pastores que estão com muito medo, o anjo anuncia uma grande alegria. Realmente, eles têm um grande motivo para se alegrarem: nasceu para eles e para todo o mundo o Salvador.
A maravilha do Natal reside neste contraste: sem a revelação dos anjos nunca entenderíamos que aquele menino na manjedoura é o Senhor. E sem o menino na manjedoura nunca entenderíamos que a glória do verdadeiro Deus é diferente da glória que estamos acostumados.
Que possamos ser humildes e simples para que o Senhor, neste Natal, venha ao estábulo do nosso coração e assim, possamos amá-lo na pessoa do próximo como nos ensina tão bem Madre Teresa de Calcutá: “Da humildade sempre emanam a grandeza e a glória de Deus. Devemos estar vazios do orgulho se quisermos que Deus nos preencha com a sua plenitude. No Natal, vemos Deus como um recém-nascido, pobre e necessitado, que veio para amar e ser amado. Como podemos amar a Deus no mundo de hoje? Amando-o em meu marido, em minha mulher, nos meus filhos, nos meus irmãos, nos meus pais, nos meus vizinhos, nos pobres, nos bêbados, nos presos, nos doentes de lepra, nos excluídos, em todos aqueles que encontramos todos os dias.”

Feliz Natal!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

IV DOMINGO DO ADVENTO - ANO C - Lc 1,39-45

LECTIO DIVINA

Domingo, 20 de Dezembro de 2009

IV DOMINGO DO ADVENTO - ANO C

TEXTO BÍBLICO: Lucas 1,39-45

Autor: Pe. Carlos Henrique Nascimento

1- LEITURA

Estamos no quarto domingo do Advento e o Natal já está bem pertinho! Para ajudar o nosso coração a viver esta grande festa, nos deixamos guiar pelas palavras do evangelista Lucas que nos relata a visita de Maria a sua parenta Isabel.

Maria ficou sabendo que sua Isabel estava grávida, como também ela estava. Isabel era muito mais velha do que Maria. Maria tinha provavelmente uns 13 anos e Isabel tinha uma idade já avançada para engravidar. Por ser tão jovem e prestativa, Maria decide ir até a casa de Isabel para ajudá-la: para dar-lhe uma mãozinha nos preparativos para o que fosse necessário para a chegada do filho de Isabel e ficar lá um tempo depois do nascimento dele ajudando a sua parenta. Elas tinham o privilégio de poder partilhar da alegria de serem as duas, mães de primeira viagem.

Isabel vivia longe, numa cidadezinha sobre as montanhas, mas Maria não se desencoraja pela distância. Começa a viagem e não perde tempo: quer chegar logo; por isso, Lucas enfatiza: “naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia”.

Finalmente, ela chega à casa de Isabel e Zacarias, entra e antes de qualquer coisa, cumprimenta a sua querida parenta. Neste momento, acontece uma coisa muito interessante: “Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre”.

A criança, que Isabel traz no ventre, quando ouve a voz de Maria, se mexe, como que para cumprimentar também. Isso é interessante quando a gente ouve as mães dizerem como é emocionante sentir a criança se mexer no ventre, chutar... Para uma mãe que ainda não tem a possibilidade de ver o seu filhinho, sentir que o pequenino se mexe é fonte de grande felicidade: quer dizer que está vivo e bem, que está crescendo.

Mas não é só isso: Isabel é iluminada pelo Espírito Santo e compreende que o seu filho ainda não nascido está cumprimentando Maria e seu Filho Jesus.

É necessário considerar que Maria está apenas no início da sua gravidez, ninguém sabe ainda que ela está grávida (o que depois quando ela voltar com a barriga já grandinha vai dar muito o que falar): ela não disse a ninguém, nem mesmo a José, o seu prometido em casamento. Mas o Espírito Santo ilumina Isabel, deixando-a capaz de compreender o belíssimo segredo de sua parenta e o diz em alta voz: “Isabel ficou cheia do Espírito Santo e com um grande grito, exclamou: 'Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!”.

Quantas e quantas vezes repetimos também nós esta saudação alegre de Isabel a Maria toda vez que rezamos a Ave-Maria. Isabel pronuncia estas palavras com tanto entusiasmo, impelida pelo Espírito Santo, que no curso do tempo os cristãos as escolheram para se dirigir a Maria.

Inclusive, podemos ressaltar aqui o curioso estudo do cardiologista italiano Luciano Bernardi com o tema “a influência da ave-maria sobre o sistema cardiovascular”. Este estudioso observou por oito anos que quando um grupo de fiéis recitava a ave-maria em voz alta em dois coros, os aparelhos colocados nos fiéis mostravam que todos os ritmos biológicos entravam em harmonia. A quem toca rezar a Ave Maria ou a outra parte, Santa Maria, deve fazê-lo numa única expiração e depois inspirar esperando chegar novamente a sua vez, contabilizando um total de seis respirações por minuto. Este ritmo respiratório mais lento reduz a freqüência cardíaca, dá a sensação de calma já que regula os hormônios do estresse. E é por isso que tanta gente fica mais tranqüila e adormece rezando o terço: que bom!

Mas, voltemos ao relato evangélico: Isabel tem ainda algo a dizer à Maria: “Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre”. E acrescentou: “Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”.

Estas palavras de Isabel devem nos encher de entusiasmo, porque também nós podemos saborear a mesma bem-aventurança de Maria, a sua mesma felicidade, porque também nós podemos viver na pura certeza de que o Senhor Deus mantém sempre as suas promessas e é fiel à palavra dada. Por isso, queremos viver a vida de hoje com o coração cheio de alegria e de esperança: o Senhor está próximo, é Deus conosco. O Senhor é fiel às suas promessas de amizade e de amor.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

III DOMINGO DO ADVENTO - ANO C - Lucas 3,10-18

LECTIO DIVINA

Domingo, 13 de Dezembro de 2009

III DOMINGO DO ADVENTO - ANO C

TEXTO BÍBLICO: Lucas 3,10-18

Autor: Pe. Carlos Henrique

1- LEITURA

Neste III Domingo do Advento, a Igreja nos exorta vivamente a abrir o nosso coração à alegria. Com efeito, é o domingo conhecido como Gaudete (“alegrai-vos”). No Evangelho de hoje, João Batista é apresentado como pregador de conversão e ao mesmo tempo como mensageiro de alegria. O seu único anseio é preparar o povo para acolher a salvação que se faz presente em Jesus Cristo. O Senhor está perto e, por isso, devemos ouvir a palavra do profeta Sofonias, que nos anima: “Alegra-te e exulta de todo o coração” (Sf 3,14c).

Na semana passada, nos foram apresentadas algumas metáforas que tinham a ver com a preparação de um caminho para a chegada do Senhor. Hoje, três grupos de pessoas perguntam como deve ser feita esta preparação de maneira concreta, ou seja, o que significa endireitar o caminho, aplainar vales etc. Primeiro, vem a pergunta do povo em geral, depois a dos cobradores de impostos e, finalmente, a dos soldados.

“Que devemos fazer?” É a pergunta insistente das multidões que se dirigem a João. Pois elas não querem só ouvir falar da conversão como tal, mas querem saber concretamente o que deve ser feito. E esta é a pergunta que fazemos também nós hoje. João responde sem demora. Tudo o que devemos fazer é o que diz respeito ao nosso comportamento em relação ao próximo. Como tratamos as pessoas? A conversão deve se demonstrar através de tal comportamento.

A conversão exige a partilha fraterna e a renúncia a qualquer tipo de injustiça. De fato, a todos é dirigido o pedido da partilha: “Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem”. Ou seja, não é um pedido dirigido só a quem vive na abundância para que doe algo do que lhe sobra, mas a todos aqueles que têm alguma coisa a mais daquilo que lhes é necessário. Até mesmo aquela pessoa que só tem duas túnicas, deve dar uma e se contentar em ter uma só, se o seu próximo não tem nenhuma. Diante da necessidade do próximo, nós só podemos ter o necessário.

Pois é, mas quantas vezes ouvimos este Evangelho e temos um monte de coisas ainda em bom estado de conservação e ficamos ano após ano contemplando-o ou até mesmo nem sabemos onde elas estão: é uma roupa que compramos ou ganhamos e nunca usamos, é o computador ou celular anterior, ainda funcionando direitinho, são alimentos que esperamos terminar o prazo de validade pra jogar no lixo, são livros acadêmicos que já faz um tempão que não o abrimos, sinal de que não vamos mais precisar deles. Mas o apego quer nos impedir de doar tudo isso e muito mais a quem necessita. Mas, experimentem e vejam a dor do desapego e logo em seguida a satisfação da libertação.

Reflita: sempre quando nos lembramos destes objetos, principalmente, aqueles mais queridos, nos lembramos exatamente de que poderia servir a alguém específico. É o Espírito Santo nos iluminando e ao qual muitas vezes somos indiferentes. Assim, João é claro ao máximo quando convida ao desprendimento e à generosidade. Esta é a primeira atitude para estarmos preparados.

Mais adiante, encontramos no Evangelho que também os cobradores de impostos e os soldados vêm até João com a mesma pergunta: “E nós, o que devemos fazer?”. Ambos os grupos de pessoas eram desprezados e odiados, porque normalmente aproveitavam sua posição social em vista de seus próprios interesses, prática que hoje está mais forte ainda. João não pede que estes larguem sua profissão, mas exige que deixem de praticar as injustiças que frequentemente realizam através dela.

Os cobradores de impostos eram muito desprezados tanto política como religiosamente. Eram judeus que estavam a serviço do poder imperial romano, e que além de estar impuros pelo contato com todo o paganismo, ficavam com uma porcentagem daquilo que excessivamente cobravam de seus próprios irmãos judeus para enriquecer. Através deles, João nos diz que controlemos a ambição desenfreada que nos leva a ser injustos.

O terceiro grupo é de soldados, ou seja, o pessoal militar do império que controlava naquela época os territórios palestinenses; assim, chantageavam e se sujavam para aumentar a sua remuneração, como acontece em qualquer lugar, inclusive uma das matérias da revista VEJA passada. Através deles, João nos diz que quando estivermos numa situação de poder, não devemos nunca ameaçar ninguém, com o abuso do poder que em vez de cuidar, faz pressão e oprime.

Enfim, nos dois últimos casos, trata-se de ajuntar mais dinheiro, explorando e extorquindo os outros para o próprio benefício, cada vez mais comum nos dias de hoje. Nós sabemos que em qualquer tipo de posição, competência, capacidade, saber, há certo poder. Por isso, qualquer profissão ou posição tem seus perigos e tentações de abuso do poder, quando causa dano ao próximo em vista do próprio proveito. Devemos agir com responsabilidade no lugar que Deus nos colocou e, com o poder, servir o próximo por amor ao próximo.

Quem age assim é João. Age com grande responsabilidade no cargo que lhe foi confiado por Deus. Tanto que o povo chega a considerá-lo o Messias. Ele, porém, se declara como alguém que somente aponta o Salvador. E fala da incomparável superioridade que tem Aquele que está pra chegar. João ilustra isso, dizendo que não é digno nem mesmo de prestar-lhe o mais humilde serviço.

Enquanto ele batiza com água – um batismo de arrependimento – Jesus batizará com o Espírito Santo e com fogo. Somente Ele recolherá o trigo e separará o grão da palha que será queimada no fogo que não se apaga. João não pode anunciar uma salvação fácil; deve haver um esforço nosso em busca da conversão, através da prática do amor ao próximo. Jesus está pra chegar e devemos nos alegrar muito por isso.

São Paulo nos diz que a paz de Deus é algo que supera todo entendimento. O mesmo vale para a alegria. Há uma relação recíproca entre esses dois dons do Espírito, pois a paz que existe em nós nos inspira a uma alegria interior que se manifesta no nosso humor. Às vezes, vemos pessoas que nos contagiam só com sua simples presença. Por sua vez, a nossa alegria deve transmitir paz, serenidade, harmonia e, acima de tudo, uma tranquilidade espiritual que deve provocar admiração nas pessoas que estão ao nosso redor. Se a esperança é uma alegria antecipada de coisas boas, vamos, portanto, cantar de alegria, enquanto esperamos a vinda do Salvador.

2 - MEDITAÇÃO

  • Mais uma vez, nos perguntamos neste tempo de Advento: estou disposto a me converter e mudar de vida voltando-me aos caminhos de Deus?
  • Quais ações concretas de mudança me inspira o Senhor?
  • Estou disposto a ser generoso e partilhar o pouco ou o muito que possa ter com meus irmãos?
  • Partilho meu tempo, meus talentos, minhas capacidades com os outros ou me fecho em mim mesmo?
  • Sou capaz de “limitar” minhas ambições para não danificar os outros?
  • Quais são as “ambições” de minha vida hoje? De que tipo são? Estão de acordo ao Evangelho, são legítimas ou são contrárias à mensagem de Nosso Senhor?
  • No exercício de minha vida de relação com meus irmãos: como dirijo a dimensão do poder? Recordo que o poder em chave evangélica é serviço e entrega? Faço “abuso de poder” em algumas circunstâncias de vida?
  • Redescubro cada dia que Jesus Cristo é o único Messias? Quais são os “messias” de meu mundo atual?
  • Busco ter a atitude de João que anuncia ao Messias e deixa claro que ele não é o Messias?
  • Tenho a tentação de sentir que sou um “messias” quando faço algo bom? Busco ter uma atitude humilde sabendo que ante a grandeza do Messias não sou nada?
  • Busco ser dos bons para estar preparado para o momento que venha Jesus Cristo, o único Messias, a realizar o Juízo Final?