segunda-feira, 30 de novembro de 2009

II DOMINGO DO ADVENTO – Lucas 3,1-6

LECTIO DIVINA

Domingo 6 de Dezembro de 2009

II DOMINGO DO ADVENTO – ANO C

TEXTO BÍBLICO: Lucas 3,1-6

Autor: Pe. Carlos Henrique

1 - LEITURA

O que diz o texto?

A mensagem do Evangelho deste II Domingo do Advento é de confiança e de esperança. Para colhermos bem esta mensagem é necessário conhecer o ambiente histórico do texto bíblico em questão. Pois bem, Lucas situa o início da atividade pública de João Batista e de Jesus num contexto histórico-geográfico bem determinado no tempo. Com precisão, o evangelista cita sete personagens contemporâneos a este acontecimento.

O número sete na Bíblia tem um valor simbólico: o de totalidade. Deste modo, Lucas quer indicar que toda a história, pagã e judaica, profana e sacra, está envolvida nos acontecimentos que ele está prestes a narrar. São fatos que dizem respeito a toda a humanidade com as suas instituições e estruturas, religiosas e civis.

Estas sete pessoas são: o imperador Tibério César, verdadeiro soberano no mundo Mediterrâneo, cujo décimo quinto ano de seu império corresponde, segundo o cálculo comum, ao ano 28-29 d.C. Ele é o sucessor do imperador Augusto, aquele sob jurisdição do qual nasceu Jesus (Lc 2,1).

Os quatro nomes seguintes fazem referência ao governador e três tetrarcas entre os quais havia sido dividido o território de Herodes, o Grande, o que tentara matar Jesus. São eles: o governador Pôncio Pilatos, que condenará Jesus à morte de cruz (Lc 23,24); Herodes Antipas, que aprisionará e decapitará João Batista (Lc 3,20; 9,9), e, como tetrarca da Galiléia, tinha jurisdição sobre Jesus (Lc 13,31); Filipe e Lisânias não têm um significado específico, mas servem para completar o quadro do governo. Anás e Caifás são mencionados como as máximas autoridades judaicas, que se escandalizarão com o comportamento de Jesus, solicitando a sua condenação à morte.

Era um tempo difícil para o povo de Israel, nenhuma esperança o animava. Parecia inevitável o domínio opressor do imperador Tibério. O povo vivia frustrado, e carregava a “veste de luto e de aflição”, como no tempo do profeta Baruc (Br 5,1). Mas, precisamente neste tempo difícil, a Palavra de Deus foi dirigida a João, o filho de Zacarias, no deserto, o qual percorreu toda a região do Jordão, com uma mensagem de conversão para o perdão dos pecados.

A salvação de Deus é para todos. E converter-se é a primeira e radical condição para acolher a salvação que está pra chegar. Deus não obriga ninguém a acolher a Pessoa e a Palavra de seu Filho, mas ele espera de todos uma resposta. Infelizmente, este convite, como a voz de João Batista, ressoa frequentemente no deserto, na indiferença e na aridez. Os pregadores de penitência nem sempre são bem aceitos, já que estamos muito mais dispostos a escutar quem nos confirma no nosso comportamento e nas nossas idéias do que quem diz que estamos errados e que devemos mudar.

Assim, a primeira etapa deste caminho de conversão consiste exatamente em remover tudo aquilo que pesa na nossa consciência, admitindo os nossos pecados. São aqueles vales, que cavamos no tempo, com a nossa infidelidade. São as colinas de orgulho e arrogância, criando uma barreira que nos impede de libertarmos o nosso coração. Deus, porém, não se espanta com estes vales, ele desce lá embaixo procurando-nos, na esperança de poder nos levar de volta em seus braços para as pastagens alegres da vida.

Como cristãos, cada um de nós, membro do “Corpo de Cristo, recebeu a tarefa de anunciar o seu Evangelho até os confins da terra, isto é, transmitir aos homens e mulheres deste tempo uma boa nova que não só ilumina, mas muda a vida: o próprio Cristo, ressuscitado, vivo! A missão da Igreja não consiste em defender poderes, nem obter riquezas; a sua missão é doar Cristo, o bem mais precioso do homem que Deus mesmo nos dá no seu Filho” (Bento XVI). Esta missão é cheia de obstáculos, mas São Paulo nos anima: “tenho a certeza de que aquele que começou em vós uma boa obra há de levá-la a perfeição até o dia de Cristo Jesus” (Fl 1,6).

2 - MEDITAÇÃO

O que me diz o texto?

Perguntas para a meditação

  • Quais são os “desertos” de minha vida hoje?
  • Em quais situações experimento solidão, intempérie, prova, tentação e purificação?
  • Deixo que Deus me fale no deserto? Escuto sua Palavra?
  • Aceito que a salvação de Deus é para todos os homens e mulheres? Tenho neste sentido abertura de coração?
  • Aceito o convite de João para converter meu coração?
  • Quero realmente voltar a Deus?
  • O que significa em concreto para meu viver este “batismo” de purificação?
  • Tenho a atitude valente do Batista de convidar a meus irmãos a mudar de vida e reencontrar-se com o Senhor?
  • O que deverei gritar nos “desertos” da vida contemporânea?
  • O que posso fazer para preparar o caminho para a vinda de Deus?
  • Quais obstáculos deverei tirar de minha vida para que Deus possa entrar em mim?
  • Quais vales terei que aplainar e que região montanhosa terei que converter em planície em minha vida hoje?
  • Quais caminhos “tortuosos” deverei endireitar hoje com a ajuda de Deus?
  • Luto para que os irmãos descubram a Jesus Cristo, o Salvador que Deus envia?

2 comentários:

Anônimo disse...

BOA TARDE PE. CARLOS.
TENHO PREPARADO SEMANALMENTE MINHAS HOMILIAS POR MEIO DE SEU COMENTARIO. É ÓTIMO.
QUE DEUS CONTINUE SEMPRE TE ILUMINANDO E ABENÇOANDO. FELICIDADES

antónio m p disse...

A missão da Igreja não consiste em defender poderes, nem obter riquezas - dirá o Papa. Mas se não consiste, até parece! São muitos os sinais de ostentação de riqueza do Vaticano e de cumplicidade com os poderes instituídos, muito mais do que os testemunhos materiais de humildade e de combate à injustiça social. Abençoadas excepções onde as autoridades religiosas não se contam.