segunda-feira, 23 de novembro de 2009

I DOMINGO DO ADVENTO – ANO C - Lc 21,25-28.34-36

LECTIO DIVINA

Domingo 29 de Novembro de 2009

I DOMINGO DO ADVENTO – ANO C

TEXTO BÍBLICO: Lc 21,25-28.34-36

Autor: Pe. Carlos Henrique

Novamente, estamos bem no início do Ano Litúrgico. Durante este ano, acompanharemos o Evangelho de Lucas que será indicado como Ano C. O Evangelho deste 1odomingo do Advento (paralelo ao de Marcos que lemos no 33º Domingo Comum – Ano B) nos convida à oração e à vigilância, esperando a manifestação gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo. De fato, em cada celebração eucarística, depois da consagração, nós dizemos: “anunciamos, Senhor, a vossa morte, enquanto esperamos a vossa vinda”. E depois do Pai-Nosso, o sacerdote reza: “...enquanto, vivendo a esperança, aguardamos a vinda de Cristo Salvador”.

É verdade! Jesus está voltando e isto não é apenas uma coisa que pregamos só por pregar e logo depois esquecida; pois, realmente haverá um momento em que nosso tempo nesta terra acabará e teremos que estar diante do nosso Criador, prestar contas de nossas vidas, dos dons que recebemos, de como usufruímos: do nosso tempo, dos bens materiais, de como tratamos as pessoas. Por isso, devemos progredir o tempo todo. Não é em vão que São Paulo nos exorta: “Fazei progressos ainda maiores!” (1 Ts 4,2).

A história humana não é infinita, ela terá um fim e será quando Jesus se manifestar na sua glória. Isso acontecerá no futuro, o que não justifica que por um momento sequer, possamos perdê-lo de vista; pelo contrário, devemos conduzir a nossa vida presente de maneira que possamos ir ao encontro deste fim com confiança.

A linguagem apocalíptica usada no início do Evangelho para descrever os sinais aterrorizantes do cosmo são somente imagens e têm o objetivo de nos fazer lembrar que o mundo presente não é definitivo, mas passageiro. Nós somos tão acostumados com a organização fixa do universo, colocamos tanta confiança nisso, que Jesus, com razão, fala da angústia e do medo que a humanidade sofrerá ao perceber tais sinais.

Mas o verdadeiro discípulo de Jesus não deve agir assim, pois até mesmo estes sinais são uma manifestação de Deus. O comportamento adequado ensinado por Jesus é: “animai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima!” (Lc 21,28). O que nos anima é justamente o fato de que não estaremos mais sujeitos às armadilhas do inimigo que nos aprisiona a situações terrenas, escuras; mas, de que seremos livres para sempre.

Enquanto aguardamos este dia, devemos, portanto, tomar cuidado para que as preocupações da vida, a busca do prestígio, do poder e do ter não tomem conta do nosso coração, deixando-o embriagado e insensível, porque esse dia virá “de repente”. Pelo contrário, devemos ter os nossos corações “numa santidade sem defeito aos olhos de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de nosso Senhor Jesus” (1 Ts 3,13).

A mentira proveniente do medo com relação ao fim dos tempos é uma manifestação do reino das trevas. Por isso, temos que a cada instante desmenti-lo. Já que ele nos ataca constantemente, e mesmo que permaneçamos firmes, e lhe façamos resistência, Satanás não vai nos deixar em paz para sempre. É preciso não ter sono nem preguiça e ficar alertas, firmes, vigilantes, porque ele está esperando uma outra oportunidade para tentar uma outra coisa em um outro momento (Lc 4,13), procurando nos cansar fisicamente, mentalmente e espiritualmente.

Satanás nos ataca onde mais somos feridos, no campo emocional, e, por isso, nem sempre sabemos nos proteger de suas investidas. Às vezes, cansamos e corremos o risco de querer desistir. Quando o ataque é insistente, começamos a pensar que não vamos conseguir, a perguntar o que há de errado conosco, a pensar coisas negativas sugeridas por ele com a intenção de nos levar ao desespero.

É real na nossa vida: constantemente estamos enfrentando algo, pode ser uma mentira, um sentimento negativo ou uma tentação, mas Jesus nos deixou armas espirituais e ensinou como usá-las para nos defendermos. A oração é um combate. Como é poderosa a oração! Mas, pra que nossa oração seja eficaz, ela deve estar decididamente unida a de Jesus, na coragem e na confiança filial. E se ao rezarmos, sentirmos que o inimigo tenta colocar dúvidas em nós, de que não rezamos o suficiente, ou não rezamos direito, não devemos dar ouvidos a ele e prossigamos com confiança. Mesmo quando não sabemos rezar, o Espírito do Senhor nos ajuda (Rm 8,26-28).

Devemos orar sempre, sem cessar (1 Ts 5,17), em qualquer lugar, em qualquer circunstância e em qualquer momento: “é possível orar até no mercado, ou num passeio ou mesmo cozinhando” (São João Crisóstomo). A oração deve ser como nosso respirar.

Só quem está intimamente em comunhão com Deus através da oração incansável (a todo momento), pode permanecer vigilante à espera da plenitude da revelação de Deus, apresentar-se de cabeça erguida e com plena confiança diante do Filho do Homem e receber dele a plenitude da vida.

MEDITAÇÃO

O que me diz o texto? O que nos diz o texto?

Quais seriam estes sinais aterrorizantes na minha vida hoje?

Qual é o “sofrimento” que terá que se passar?

Em que situações experimento de maneira particular que o sol se põe obscuro, que a lua deixa de brilhar, que as estrelas caem do céu e que as ondas do mar se agitam?

Que impacto tem sobre mim a consciência da aparição gloriosa e solene de Jesus, o Filho do Homem?

Posso dizer que estou preparado para recebê-lo?

Se a Segunda Vinda de Cristo fosse hoje: estaria pronto para que os anjos do Senhor me reunissem como um dos seus discípulos e seguidores? Em quais coisas sim e quais talvez não?

Aprendo a ler os sinais que Deus põe em minha vida?

Quais sinais hoje Deus está pondo ao alcance de minha mão para que eu descubra e siga sua santa vontade?

Aprendo a olhar, aprendo a seguir…? Quero mudar, quero crescer…?

O que significa para mim hoje que sua Palavra permaneça para sempre?
Deixo que sua Palavra firme e estável seja a raiz de minha vida espiritual?
Que lugar tem a Lectio Divina (Leitura orante da Bíblia) em minha vida para que eu possa dizer alegremente que sua Palavra realmente permanece para sempre?
Vivo sereno na fidelidade ao Evangelho sabendo que o Dia do Senhor chegará de um momento para outro?

Como utilizo meu tempo?

No que estou pensando constantemente?

Quais poderiam ser hoje “a gula, a embriaguez e as preocupações da vida” que me desconcentram do caminho de salvação?

Estou alerta em minha vida espiritual?

Rezo a todo instante, sem cessar? Minha oração é como meu respirar?

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