quarta-feira, 4 de novembro de 2009

32º Domingo - Ano B - Marcos 12,38-44

Domingo 8 de Novembro de 2009
Autor: Pe. Gabriel Mestre
Tradução: Pe. Carlos Henrique Nascimento
www.lectionautas.com

1 - LEITURA
O que diz o texto?
Indicações para a leitura
Queridos servidores da Palavra:
O relato evangélico deste domingo tem duas partes bem diferenciadas e, ligadas talvez, pela palavra chave “viúva” com a qual conclui a última seção da primeira parte, dando origem à segunda.
· Versículos 38-40: o juízo de Jesus sobre os mestres da Lei.
· Versículos 41-44: a oferta da viúva.
Na primeira parte, o Senhor instrui a multidão que o escuta com satisfação (Mc 12,37). O primeiro ensinamento desmascara a atitude dos escribas ou mestres da Lei que gostam de ser o centro em tudo, mas que não são coerentes com os ensinamentos desta mesma Lei e cometem injustiça contra as viúvas explorando ou roubando os seus bens... O Senhor será muito mais rigoroso em seu juízo para com eles...
Na segunda parte, Jesus aparece como um grande observador. Olha para a caixa das ofertas onde o povo põe o dinheiro. Percebe que muitos ricos põem grande quantidade de dinheiro. Porém, também vê que uma viúva pobre coloca duas moedinhas de pouquíssimo valor. Ali aparece o ensinamento para seus discípulos. Afirma sem rodeios que a viúva pobre deu mais que todos os ricos... E esclarece por que: enquanto os ricos deram do que lhes sobrava, a viúva pobre deu do que tinha para viver.
Tenhamos presente que na época de Jesus, trabalhava “fora de casa” somente o homem. Quando uma mulher ficava viúva, não voltava para sua casa paterna; se não tivesse filhos homens que a pudessem sustentar, ficava a mercê da “caridade” do povo. Não havia instituições nem ONGs que se encarregassem delas. Muitas vezes no AT, e também no NT, aparece a expressão “pobres, órfãos e viúvas” como aqueles que Deus privilegia e, portanto reivindica cuidado e proteção especial por ser realmente parte da categoria do que hoje chamaríamos os “irmãos mais necessitados” ou empobrecidos.
Saiba que: as moedinhas que a pobre viúva coloca são duas Leptas. A Lepta era uma moeda grega de cobre chamada também calco ou óbolo. As duas Leptas equivaliam a um Quadrante (moeda romana) que é a 64º parte de um Denário (moeda romana) que era o salário médio por um dia de trabalho. Façamos o cálculo dividindo em 64 a diária oficial de um trabalhador de nosso país... ou seja, a quantidade é insignificante...

Outros textos bíblicos para confrontar: Mt 23,6-7; Lc 20,45-47; Lc 21,1-4; Lc 11,43.

Perguntas para a leitura
O que Jesus continua fazendo?
Para quem ele está falando? O que lhes diz?
O que os mestres da lei ou escribas amam fazer?
O que era que realmente estava mal?
Como se comportavam com as viúvas?
Como irá tratá-los Deus por esta atitude?
Onde se encontra Jesus na segunda parte do relato?
O que vê quando está diante das caixas das ofertas?
O que fazem os ricos?
O que a viúva pobre faz?
O que Jesus diz então a seus discípulos?
Como avalia Jesus a realidade? Quais critérios ele utiliza para considerar os ricos e a viúva pobre?

2 – MEDITAÇÃO
O que me diz o texto? O que nos diz o texto?
Perguntas para a meditação
Mais uma vez, podemos nos perguntar: escuto sinceramente o ensinamento de Jesus?
Quem poderiam ser hoje os “maus” escribas ou mestres da Lei?
Gosto de “aparentar” o que não tenho e o que não sou? Em que medida tenho a atitude destes mestres da Lei?
Sou coerente em minha vida cotidiana? Ou também tendo a fazer o mal (“roubar as casas das viúvas”), e logo pretender ser exteriormente um “bom cristão” (“fazem orações muito largas”)?
Em que posso crescer neste aspecto de minha vida?
Qual o impacto sobre mim a atitude observadora de Jesus? Sou observador das “coisas da vida”? Detenho-me a olhar seriamente como faz o Senhor ou me afasto sem me dar conta de nada…?
Quais são minhas “riquezas” hoje? Pensar em: riquezas religiosas (conhecer a Deus, participar numa Igreja), riquezas familiares (meus pais, irmãos, avós), riquezas culturais (a instrução, o saber ler e escrever, poder admirar um quadro, escutar uma boa música), riquezas humanas (capacidade de escutar, saber aconselhar); riquezas materiais (roupa, casa, bicicleta, carro); riquezas sociais (amigos, lugares donde inserir-me)…
Busco compartilhar estas riquezas ou dou do que me sobra para “ficar tranquilo”?
Tenho capacidade para “dar” e “doar-me” com o pouco que tenho e que sou?
Como são os critérios de avaliação em minha vida? Valorizo por causa da quantidade, da aparente grandeza…?
O que me falta para aprender a ver as coisas como Jesus vê?
Em quais situações particulares de minha vida terei que olhar hoje mais o coração e o que o outro pode dar?

3 - ORAÇÃO
O que digo a Deus? O que dizemos a Deus?
Para a oração propomos uma frase muito profunda e significativa que claramente ilumina nossa reflexão com a Palavra de Deus:
O amor, para ser verdadeiro, tem que doer.
Refere-se ao que há que dar aos que necessitam algo, alguma riqueza que eu possa dar. A frase é muito conhecida e é atribuída ou a Santo Alberto Hurtado (1901-1952) ou à Beata Madre Teresa de Calcutá (1910-1997)… Talvez seja dos dois de forma independente… Porém, além disso, o importante é o que estes santos nos transmitem: poder viver a capacidade de dar e de dar-se na própria existência até o extremo.

4 - CONTEMPLAÇÃO
Como interiorizo a mensagem? Como interiorizamos a mensagem?
Para a interiorização desta Palavra que compartilhamos pode ser útil usar o verbo “dar” que aparece na frase que compartilhamos, e, sobretudo no versículo 43 onde Jesus valoriza o que a viúva fez: “deu mais que todos os ricos”…
Podemos interiorizá-la assim:
· Senhor quero doar minha vida para que as pessoas te conheçam…
· Senhor quero doar meu tempo para que muitos sejam teus discípulos…
· Senhor quero doar minha capacidade de escutar para compartilhar o drama de meus irmãos…
· Senhor quero doar conselho de paz e de paciência a quem não tem serenidade em seu coração…
· Senhor quero doar…

5 - AÇÃO
Com que me comprometo? Com que nos comprometemos?
Proposta pessoal
Conjugar o verbo “dar” neste aspecto de minha vida para que realmente descubra o que me está faltando.
Proposta comunitária
Buscar com teu grupo de amigos “dar” parte de seu tempo para ajudar a alguém que necessite. Pode ser uma tarefa de tipo social em alguma escolinha. Por exemplo, limpar, arrumar, pintar... Dedicar um tempo próprio para o descanso ou a diversão para fazer algo assim…

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