segunda-feira, 30 de novembro de 2009

II DOMINGO DO ADVENTO – Lucas 3,1-6

LECTIO DIVINA

Domingo 6 de Dezembro de 2009

II DOMINGO DO ADVENTO – ANO C

TEXTO BÍBLICO: Lucas 3,1-6

Autor: Pe. Carlos Henrique

1 - LEITURA

O que diz o texto?

A mensagem do Evangelho deste II Domingo do Advento é de confiança e de esperança. Para colhermos bem esta mensagem é necessário conhecer o ambiente histórico do texto bíblico em questão. Pois bem, Lucas situa o início da atividade pública de João Batista e de Jesus num contexto histórico-geográfico bem determinado no tempo. Com precisão, o evangelista cita sete personagens contemporâneos a este acontecimento.

O número sete na Bíblia tem um valor simbólico: o de totalidade. Deste modo, Lucas quer indicar que toda a história, pagã e judaica, profana e sacra, está envolvida nos acontecimentos que ele está prestes a narrar. São fatos que dizem respeito a toda a humanidade com as suas instituições e estruturas, religiosas e civis.

Estas sete pessoas são: o imperador Tibério César, verdadeiro soberano no mundo Mediterrâneo, cujo décimo quinto ano de seu império corresponde, segundo o cálculo comum, ao ano 28-29 d.C. Ele é o sucessor do imperador Augusto, aquele sob jurisdição do qual nasceu Jesus (Lc 2,1).

Os quatro nomes seguintes fazem referência ao governador e três tetrarcas entre os quais havia sido dividido o território de Herodes, o Grande, o que tentara matar Jesus. São eles: o governador Pôncio Pilatos, que condenará Jesus à morte de cruz (Lc 23,24); Herodes Antipas, que aprisionará e decapitará João Batista (Lc 3,20; 9,9), e, como tetrarca da Galiléia, tinha jurisdição sobre Jesus (Lc 13,31); Filipe e Lisânias não têm um significado específico, mas servem para completar o quadro do governo. Anás e Caifás são mencionados como as máximas autoridades judaicas, que se escandalizarão com o comportamento de Jesus, solicitando a sua condenação à morte.

Era um tempo difícil para o povo de Israel, nenhuma esperança o animava. Parecia inevitável o domínio opressor do imperador Tibério. O povo vivia frustrado, e carregava a “veste de luto e de aflição”, como no tempo do profeta Baruc (Br 5,1). Mas, precisamente neste tempo difícil, a Palavra de Deus foi dirigida a João, o filho de Zacarias, no deserto, o qual percorreu toda a região do Jordão, com uma mensagem de conversão para o perdão dos pecados.

A salvação de Deus é para todos. E converter-se é a primeira e radical condição para acolher a salvação que está pra chegar. Deus não obriga ninguém a acolher a Pessoa e a Palavra de seu Filho, mas ele espera de todos uma resposta. Infelizmente, este convite, como a voz de João Batista, ressoa frequentemente no deserto, na indiferença e na aridez. Os pregadores de penitência nem sempre são bem aceitos, já que estamos muito mais dispostos a escutar quem nos confirma no nosso comportamento e nas nossas idéias do que quem diz que estamos errados e que devemos mudar.

Assim, a primeira etapa deste caminho de conversão consiste exatamente em remover tudo aquilo que pesa na nossa consciência, admitindo os nossos pecados. São aqueles vales, que cavamos no tempo, com a nossa infidelidade. São as colinas de orgulho e arrogância, criando uma barreira que nos impede de libertarmos o nosso coração. Deus, porém, não se espanta com estes vales, ele desce lá embaixo procurando-nos, na esperança de poder nos levar de volta em seus braços para as pastagens alegres da vida.

Como cristãos, cada um de nós, membro do “Corpo de Cristo, recebeu a tarefa de anunciar o seu Evangelho até os confins da terra, isto é, transmitir aos homens e mulheres deste tempo uma boa nova que não só ilumina, mas muda a vida: o próprio Cristo, ressuscitado, vivo! A missão da Igreja não consiste em defender poderes, nem obter riquezas; a sua missão é doar Cristo, o bem mais precioso do homem que Deus mesmo nos dá no seu Filho” (Bento XVI). Esta missão é cheia de obstáculos, mas São Paulo nos anima: “tenho a certeza de que aquele que começou em vós uma boa obra há de levá-la a perfeição até o dia de Cristo Jesus” (Fl 1,6).

2 - MEDITAÇÃO

O que me diz o texto?

Perguntas para a meditação

  • Quais são os “desertos” de minha vida hoje?
  • Em quais situações experimento solidão, intempérie, prova, tentação e purificação?
  • Deixo que Deus me fale no deserto? Escuto sua Palavra?
  • Aceito que a salvação de Deus é para todos os homens e mulheres? Tenho neste sentido abertura de coração?
  • Aceito o convite de João para converter meu coração?
  • Quero realmente voltar a Deus?
  • O que significa em concreto para meu viver este “batismo” de purificação?
  • Tenho a atitude valente do Batista de convidar a meus irmãos a mudar de vida e reencontrar-se com o Senhor?
  • O que deverei gritar nos “desertos” da vida contemporânea?
  • O que posso fazer para preparar o caminho para a vinda de Deus?
  • Quais obstáculos deverei tirar de minha vida para que Deus possa entrar em mim?
  • Quais vales terei que aplainar e que região montanhosa terei que converter em planície em minha vida hoje?
  • Quais caminhos “tortuosos” deverei endireitar hoje com a ajuda de Deus?
  • Luto para que os irmãos descubram a Jesus Cristo, o Salvador que Deus envia?

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

I DOMINGO DO ADVENTO – ANO C - Lc 21,25-28.34-36

LECTIO DIVINA

Domingo 29 de Novembro de 2009

I DOMINGO DO ADVENTO – ANO C

TEXTO BÍBLICO: Lc 21,25-28.34-36

Autor: Pe. Carlos Henrique

Novamente, estamos bem no início do Ano Litúrgico. Durante este ano, acompanharemos o Evangelho de Lucas que será indicado como Ano C. O Evangelho deste 1odomingo do Advento (paralelo ao de Marcos que lemos no 33º Domingo Comum – Ano B) nos convida à oração e à vigilância, esperando a manifestação gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo. De fato, em cada celebração eucarística, depois da consagração, nós dizemos: “anunciamos, Senhor, a vossa morte, enquanto esperamos a vossa vinda”. E depois do Pai-Nosso, o sacerdote reza: “...enquanto, vivendo a esperança, aguardamos a vinda de Cristo Salvador”.

É verdade! Jesus está voltando e isto não é apenas uma coisa que pregamos só por pregar e logo depois esquecida; pois, realmente haverá um momento em que nosso tempo nesta terra acabará e teremos que estar diante do nosso Criador, prestar contas de nossas vidas, dos dons que recebemos, de como usufruímos: do nosso tempo, dos bens materiais, de como tratamos as pessoas. Por isso, devemos progredir o tempo todo. Não é em vão que São Paulo nos exorta: “Fazei progressos ainda maiores!” (1 Ts 4,2).

A história humana não é infinita, ela terá um fim e será quando Jesus se manifestar na sua glória. Isso acontecerá no futuro, o que não justifica que por um momento sequer, possamos perdê-lo de vista; pelo contrário, devemos conduzir a nossa vida presente de maneira que possamos ir ao encontro deste fim com confiança.

A linguagem apocalíptica usada no início do Evangelho para descrever os sinais aterrorizantes do cosmo são somente imagens e têm o objetivo de nos fazer lembrar que o mundo presente não é definitivo, mas passageiro. Nós somos tão acostumados com a organização fixa do universo, colocamos tanta confiança nisso, que Jesus, com razão, fala da angústia e do medo que a humanidade sofrerá ao perceber tais sinais.

Mas o verdadeiro discípulo de Jesus não deve agir assim, pois até mesmo estes sinais são uma manifestação de Deus. O comportamento adequado ensinado por Jesus é: “animai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima!” (Lc 21,28). O que nos anima é justamente o fato de que não estaremos mais sujeitos às armadilhas do inimigo que nos aprisiona a situações terrenas, escuras; mas, de que seremos livres para sempre.

Enquanto aguardamos este dia, devemos, portanto, tomar cuidado para que as preocupações da vida, a busca do prestígio, do poder e do ter não tomem conta do nosso coração, deixando-o embriagado e insensível, porque esse dia virá “de repente”. Pelo contrário, devemos ter os nossos corações “numa santidade sem defeito aos olhos de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de nosso Senhor Jesus” (1 Ts 3,13).

A mentira proveniente do medo com relação ao fim dos tempos é uma manifestação do reino das trevas. Por isso, temos que a cada instante desmenti-lo. Já que ele nos ataca constantemente, e mesmo que permaneçamos firmes, e lhe façamos resistência, Satanás não vai nos deixar em paz para sempre. É preciso não ter sono nem preguiça e ficar alertas, firmes, vigilantes, porque ele está esperando uma outra oportunidade para tentar uma outra coisa em um outro momento (Lc 4,13), procurando nos cansar fisicamente, mentalmente e espiritualmente.

Satanás nos ataca onde mais somos feridos, no campo emocional, e, por isso, nem sempre sabemos nos proteger de suas investidas. Às vezes, cansamos e corremos o risco de querer desistir. Quando o ataque é insistente, começamos a pensar que não vamos conseguir, a perguntar o que há de errado conosco, a pensar coisas negativas sugeridas por ele com a intenção de nos levar ao desespero.

É real na nossa vida: constantemente estamos enfrentando algo, pode ser uma mentira, um sentimento negativo ou uma tentação, mas Jesus nos deixou armas espirituais e ensinou como usá-las para nos defendermos. A oração é um combate. Como é poderosa a oração! Mas, pra que nossa oração seja eficaz, ela deve estar decididamente unida a de Jesus, na coragem e na confiança filial. E se ao rezarmos, sentirmos que o inimigo tenta colocar dúvidas em nós, de que não rezamos o suficiente, ou não rezamos direito, não devemos dar ouvidos a ele e prossigamos com confiança. Mesmo quando não sabemos rezar, o Espírito do Senhor nos ajuda (Rm 8,26-28).

Devemos orar sempre, sem cessar (1 Ts 5,17), em qualquer lugar, em qualquer circunstância e em qualquer momento: “é possível orar até no mercado, ou num passeio ou mesmo cozinhando” (São João Crisóstomo). A oração deve ser como nosso respirar.

Só quem está intimamente em comunhão com Deus através da oração incansável (a todo momento), pode permanecer vigilante à espera da plenitude da revelação de Deus, apresentar-se de cabeça erguida e com plena confiança diante do Filho do Homem e receber dele a plenitude da vida.

MEDITAÇÃO

O que me diz o texto? O que nos diz o texto?

Quais seriam estes sinais aterrorizantes na minha vida hoje?

Qual é o “sofrimento” que terá que se passar?

Em que situações experimento de maneira particular que o sol se põe obscuro, que a lua deixa de brilhar, que as estrelas caem do céu e que as ondas do mar se agitam?

Que impacto tem sobre mim a consciência da aparição gloriosa e solene de Jesus, o Filho do Homem?

Posso dizer que estou preparado para recebê-lo?

Se a Segunda Vinda de Cristo fosse hoje: estaria pronto para que os anjos do Senhor me reunissem como um dos seus discípulos e seguidores? Em quais coisas sim e quais talvez não?

Aprendo a ler os sinais que Deus põe em minha vida?

Quais sinais hoje Deus está pondo ao alcance de minha mão para que eu descubra e siga sua santa vontade?

Aprendo a olhar, aprendo a seguir…? Quero mudar, quero crescer…?

O que significa para mim hoje que sua Palavra permaneça para sempre?
Deixo que sua Palavra firme e estável seja a raiz de minha vida espiritual?
Que lugar tem a Lectio Divina (Leitura orante da Bíblia) em minha vida para que eu possa dizer alegremente que sua Palavra realmente permanece para sempre?
Vivo sereno na fidelidade ao Evangelho sabendo que o Dia do Senhor chegará de um momento para outro?

Como utilizo meu tempo?

No que estou pensando constantemente?

Quais poderiam ser hoje “a gula, a embriaguez e as preocupações da vida” que me desconcentram do caminho de salvação?

Estou alerta em minha vida espiritual?

Rezo a todo instante, sem cessar? Minha oração é como meu respirar?

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Jesus Cristo, Rei do Universo - João 18,33-37

LECTIO DIVINA

Domingo 22 de Novembro de 2009

Autor: Pe. Gabriel Mestre

Tradução: Pe. Carlos Henrique

www.lectionautas.com

1 - LEITURA

O que diz o texto?

Indicações para a leitura

Queridos irmãos:

Neste Domingo, encerra-se liturgicamente o Ano B com a Solenidade de Cristo Rei. Esta é uma festa que, num primeiro momento, exigiria ser visivelmente “poderosa” e “triunfante”, devido à ideia do Rei e do reinado se situar nesta direção. No entanto, o texto evangélico de hoje é tirado da Paixão do Senhor. Isso já nos mostra com clareza como os caminhos de Deus muitas vezes não são os caminhos dos homens...

A Igreja escolhe este texto de João porque nos apresenta Jesus como “rei”. O evangelista João é o que mais desenvolve o encontro de Jesus com Pilatos na Paixão.

Pilatos lhe faz uma pergunta com um tom político, Jesus não responde diretamente a não ser através de outra pergunta. Ao procurador romano não lhe interessam estas reflexões e vai direto ao miolo: o que foi que fez Jesus para o entregarem em suas mãos?

Isto dá espaço para que o Senhor faça uma excelente catequese sobre “sua” forma de reinar. O Senhor não é como os reis deste mundo, se fosse assim, seus discípulos teriam reagido violentamente para que não fosse entregue nas mãos dos chefes dos judeus. Porém, Jesus, se bem que se diferencie dos poderes deste mundo, se autodefine como rei.

Seu reinado não é um reinado qualquer, está marcado pela verdade. O Senhor veio ao mundo para falar sobre a verdade que Ele mesmo é. O reinado de Jesus se manifesta nesta realidade tão ausente em nossos dias: a verdade. A verdade não só como elemento moral oposto à mentira. A verdade também como elemento existencial enquanto assumir com realismo e serenidade a própria realidade em seus aspectos bons, para desfrutar e gozar, e em seus aspectos não tão bons, para mudar e modificar. Só os que estiverem abertos à verdade serão capazes de escutar em profundidade e entender a mensagem do Senhor. Só os que tenham esta atitude farão parte do Reino de Deus que não se identifica com os poderes triunfalistas deste mundo senão com os valores mais profundos do Evangelho. Neste caso, é com a verdade que a Palavra de Deus nos presenteia para meditar neste último Domingo do Ano Litúrgico.

Saiba que: os quatro evangelhos canônicos possuem um amplo relato da paixão do Senhor. Nos três sinóticos, isto é, Mt, Mc e Lc, há uma tendência a narrar mais “historicamente” os acontecimentos, mostrando em parte a “crueldade” do momento que vive o Senhor. João mantendo a perspectiva histórica e dolorosa do sofrimento do Senhor, tende a narrar de maneira mais teológica desde a perspectiva da ressurreição-glorificação de Jesus Cristo, o Messias. É assim que em alguns textos destes relatos fica a sensação de que realmente é o próprio Jesus o que “direciona” os fios da trama. Se bem que ao ser sentenciado e morrer na cruz, já se percebe com clareza na mesma paixão que a ressurreição e glorificação são parte integral deste mistério.

Outros textos bíblicos para confrontar: Jo 19,19-22; Lc 23,35-43; Jo 8,32.

Perguntas para a leitura

  • Qual é o contexto do texto evangélico que nos ocupa este Domingo?
  • Qual é a função de Pilatos?
  • O que faz Pilatos no início do relato?
  • O que pergunta ao Senhor?
  • O que lhe responde Jesus?
  • Como reage então Pilatos?
  • Do que acusam Jesus? Por que está perante Pilatos? O que foi que fez?
  • Jesus é “rei”?
  • É como os “reis deste mundo”?
  • Como reina o Senhor?
  • Qual é a característica particular que nos assinala o Evangelho de hoje com relação ao reinado de Jesus?
  • Quem será capaz de compreender a mensagem de Jesus?

2 - MEDITAÇÃO

O que o texto me diz? O que o texto nos diz?

Perguntas para a meditação

  • Que impacto tem para mim este episódio da Paixão de Nosso Senhor?
  • O que penso da atitude aparentemente depreciativa de Pilatos?
  • De que forma eu posso “entregar” a Jesus como o fazem os sumos sacerdotes? Que atitudes anti-evangélicas fazem com que eu me transforme num que entrega Jesus?
  • Aceito que Jesus é Rei?
  • Compreendo que Jesus é Rei, porém não no sentido político triunfalista senão numa perspectiva profundamente religiosa e espiritual?
  • Como me disponho para celebrar a Solenidade de Cristo Rei?
  • Deixo que Jesus reine em meu coração?
  • Quais implicações concretas têm hoje para mim que o Senhor reine em minha vida?
  • Quais são os valores do reinado de Jesus que hoje de maneira particular terei que viver?
  • Como vivo o tema da verdade em minha vida? Estou no caminho da verdade ou me deixo levar pela mentira e a falsa fantasia e ilusão?
  • Quero ser realmente discípulo do Reino de Deus?
  • Desejo de coração escutar a palavra de verdade que Jesus me presenteia no caminho de minha vida?

3 - ORAÇÃO

O que digo a Deus? O que dizemos a Deus?

Para a oração utilizaremos algumas outras frases onde o Senhor nos fala sobre o tema da verdade no Evangelho segundo São João. Que elas nos iluminem para poder responder-lhe ao Senhor segundo o que lemos e meditado…

Jo 14,15-17

Se me amais, observareis os meus mandamentos. E eu pedirei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, que ficará para sempre convosco: o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê, nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e está em vós.

Jo 17,16-17

Consagra-os pela verdade: a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, eu também os enviei ao mundo.

Jo 14,6

Jesus respondeu: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim.

4 - CONTEMPLAÇÃO

Como interiorizo a mensagem? Como interiorizamos a mensagem?

Para fazer a contemplação propomos ter o aspecto da verdade que aparece no Reino de Jesus. Repitamos ritmicamente o que Jesus hoje nos diz tratando de escutá-lo com nossos ouvidos e também com nosso coração:

  • “Eu vim ao mundo para falar acerca da verdade…”

5 - AÇÃO

Com que me comprometo? Com que nos comprometemos?

Proposta pessoal

  • Refletir e comprometer-se a abrir mais o coração a Jesus para que Ele e só Ele possa reinar. Quem reina em meu coração? Que lugar tem Jesus?

Proposta comunitária

  • Em teu grupo de jovens dialogar sobre o tema da verdade e a mentira no mundo contemporâneo. O que é verdade e o que é mentira? “Quem” é realmente a verdade para os jovens de teu ambiente?

Para ajudar, proponho três frases de Gandhi para confrontar e discutir:

· "A verdade é o objetivo, o amor o meio para chegar a ela."

· "A verdade é totalmente interior. Não há que buscá-la fora de nós nem querer realizá-la lutando com violência com inimigos exteriores."

· "A verdade jamais dana a uma causa que é justa."


quarta-feira, 11 de novembro de 2009

33º Domingo Comum - Ano B - Marcos 13,24-32

LECTIO DIVINA
Domingo 15 de Novembro de 2009

1 - LEITURA

O que diz o texto?
Indicações para a leitura
Queridos amigos:
Estamos nos aproximando do final do Ano Litúrgico e o Evangelho deste Domingo nos faz considerar com seriedade o tema da salvação com o retorno final de Jesus Cristo.
O texto tem três partes:
· Versículos 24-27: a volta do Filho do Homem.
· Versículos 28-31: o ensinamento da figueira.
· Versículo 32: o dia e a hora da Segunda Vinda de Cristo.
Na primeira parte, pode ser que assustem as imagens que nos são apresentadas. Há toda uma “comoção” cósmica. Isto é próprio da linguagem apocalíptica: esta forma para descrever as intervenções poderosas de Deus na história. Por outro lado, não deve importar em primeiro lugar os sinais chamativos, senão a vinda de Jesus Cristo, o Filho do Homem que vem com poder e glória para reunir seus discípulos. A presença poderosa, sublime e solene do Senhor deve dar tranquilidade a nossos corações...
Na segunda parte, busca-se aplicar à vida o que nos foi narrado na parte anterior. E o Senhor utilizará uma espécie de imagem parabólica tomada da realidade cotidiana dos palestinos. Quando os ramos da figueira começam a ficar verdes e as folhas começam a brotar é sinal de que o verão está perto. Da mesma forma que no âmbito da natureza, pode-se detectar as estações climáticas, os discípulos do Senhor devem aprender a olhar a realidade que a Segunda Vinda de Cristo é iminente. A frase do versículo 30 não faz referência ao fim do mundo senão ao fim de Jerusalém que no ano 70 será destruída pelas tropas dos romanos. Não devemos nos confundir e gerar falsas profecias... No versículo 31 o Senhor ratifica que tudo passará, porém que sua Palavra permanecerá firme e estável para sempre.
Na terceira parte fica absolutamente claro que não se sabe nem o dia nem a hora do fim do mundo. Isto é importante registrá-lo dado que de vez em quando aparece algum suposto iluminado que pretende saber o dia do fim do mundo. Jesus é claro: ninguém sabe... Nem sequer nesse momento Ele mesmo em sua natureza humana... É evidente que enquanto Deus glorioso e eterno tudo lhes é conhecido…

Saiba que: o gênero literário dos evangelhos é, justamente, “evangelho”. Sem dúvida, dentro deste gênero há outros: por exemplo, parábola, relato de milagre, etc. O capítulo 13 de Marcos (junto com o 24 de Mateus e o 21 de Lucas que são os textos paralelos), estão sob o gênero literário apocalíptico. Isto é, dizer numa linguagem simbólica que utiliza as imagens e as situações da vida (sobretudo as mais dramáticas), para expressar uma mensagem religiosa que não busca “assustar” senão fazer tomar com responsabilidade o presente para estar abertos ao dom da salvação.

Outros textos bíblicos para confrontar: Mt 24,29-36; Lc 21,25-33; Dn 7,13-14.

Perguntas para a leitura
· Como começa o relato?
· Qual é o clima dominante: louvor, tristeza, alegria, aflição...?
· Que tipos de sinais são descritos?
· O que passará ao sol, à lua e às estrelas?
· O que significam estes fenômenos?
· O que se passará no céu?
· A quem se verá? Em que forma será visto?
· O que farão os anjos de Cristo?
· O que significa o “Filho do Homem”?
· Que exemplo Jesus usa imediatamente e para que o apresenta assim?
· O que acontece com a figueira quando se aproxima o verão?
· Como deve ser aplicado o exemplo da figueira à vida dos discípulos do Senhor?
· Quando tudo desaparecer no final dos tempos, o que permanecerá para sempre?
· Sabe-se o dia e a hora da Segunda Vinda de Jesus?
· Por que nem o mesmo Senhor sabe?


2 - MEDITAÇÃO

O que me diz o texto? O que nos diz o texto?

Perguntas para a meditação

· Quais seriam os “cataclismos” de minha vida hoje?
· Qual é o “sofrimento” que terá que se passar?
· Em que situações experimento de maneira particular que o sol se põe obscuro, que a lua deixa de brilhar e que as estrelas caem do Céu?
· Como me impacta a aparição gloriosa e solene de Jesus, o Filho do Homem?
· Poder-se-ia dizer que estou preparado para recebê-lo?
· Se a Segunda Vinda de Cristo fora hoje: estaria pronto para que os anjos do Senhor me reunissem como um dos seus discípulos e seguidores? Em quais coisas sim e quais talvez não?
· Sou capaz de aprender a lição da figueira?
· Aprendo a ler os sinais que Deus põe em minha vida?
· Quais sinais hoje Deus está pondo ao alcance de minha mão para que descubra e siga sua santa vontade?
· Aprendo a olhar, aprendo a seguir…?
· Quero mudar, quero crescer…?
· O que significa para mim hoje que sua Palavra permaneça para sempre?
· Deixo que sua Palavra firme e estável seja a raiz de minha vida espiritual?
· Que lugar tem a Lectio Divina em minha vida para que possa dizer alegremente que sua Palavra realmente permanece para sempre?
· Vivo sereno na fidelidade ao Evangelho sabendo que o Dia do Senhor chegará de um momento para outro?

3 - ORAÇÃO

O que digo a Deus? O que dizemos a Deus?

Para a oração usaremos três textos bíblicos que fazem referência à permanência da Palavra de Deus.

Salmo 119,89-96
A tua palavra, Senhor, é eterna, estável como o céu. Tua fidelidade dura por todas as gerações; fundaste a terra e ela está firme. Tudo subsiste até hoje conforme tuas normas, pois tudo está a teu serviço. Se tua lei não fosse meu prazer, já há muito teria perecido na minha miséria. Jamais esquecerei teus preceitos: pois por eles me deste a vida. Eu te pertenço: salva-me, porque procuro teus preceitos. Os ímpios me esperam para arruinar-me eu compreendo teus testemunhos. Eu vi limites em tudo o que é perfeito mas teu mandamento não tem confins.

Isaías 40,7-8
A erva seca, murcha a flor, basta soprar sobre elas o vento do Senhor, mas a palavra do nosso Deus fica de pé para sempre.

1Pe 1,23-25
Nascestes de novo, não de uma semente corruptível, mas incorruptível, mediante a palavra de Deus, viva e permanente. Pois “toda carne é como erva, e toda a sua glória como a flor da erva; secou a erva, caiu-lhe a flor; mas a palavra do Senhor permanece para sempre”. Ora, esta é a palavra que vos foi anunciada como Boa-Nova.

Essa Palavra é a boa notícia que o Senhor Jesus Cristo nos ensinou. Os três textos retroalimentam a mesma ideia onde o centro está nas palavras de Jesus.

4 - CONTEMPLAÇÃO

Como interiorizo a mensagem? Como interiorizamos a mensagem?

Para a contemplação utilizaremos o versículo 31:
· Quando tudo se faz água em minha vida... Jesus me diz: Minha Palavra permanece para sempre…
· Quando os “cataclismos” pessoais me debilitam… Jesus me diz: Minha Palavra permanece para sempre…
· Quando sinta que caem os astros do céu... Jesus me diz: Minha Palavra permanece para sempre…
· Quando…
· Quando…

5 - AÇÃO

Com que me comprometo? Com que nos comprometemos?

Proposta pessoal

· Examinar a própria vida e descobrir os principais sinais que Deus me deu ao longo de minha vida: a proximidade de um amigo, um retiro ou jornada de oração, um problema que se pôde solucionar... quais sinais de sua presença me está presenteando hoje?

Proposta comunitária

· Em teu grupo da Igreja dialogar sobre a Segunda Vinda de Cristo. Consultar ao sacerdote, religiosa, catequista para que lhes explique muito bem o que isto implica. Tratar de fazer-lhes perguntas para estar bem formado segundo a fé cristã e não assumir muitas posturas estranhas que andam circulando pelos meios de comunicação.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

32º Domingo - Ano B - Marcos 12,38-44

Domingo 8 de Novembro de 2009
Autor: Pe. Gabriel Mestre
Tradução: Pe. Carlos Henrique Nascimento
www.lectionautas.com

1 - LEITURA
O que diz o texto?
Indicações para a leitura
Queridos servidores da Palavra:
O relato evangélico deste domingo tem duas partes bem diferenciadas e, ligadas talvez, pela palavra chave “viúva” com a qual conclui a última seção da primeira parte, dando origem à segunda.
· Versículos 38-40: o juízo de Jesus sobre os mestres da Lei.
· Versículos 41-44: a oferta da viúva.
Na primeira parte, o Senhor instrui a multidão que o escuta com satisfação (Mc 12,37). O primeiro ensinamento desmascara a atitude dos escribas ou mestres da Lei que gostam de ser o centro em tudo, mas que não são coerentes com os ensinamentos desta mesma Lei e cometem injustiça contra as viúvas explorando ou roubando os seus bens... O Senhor será muito mais rigoroso em seu juízo para com eles...
Na segunda parte, Jesus aparece como um grande observador. Olha para a caixa das ofertas onde o povo põe o dinheiro. Percebe que muitos ricos põem grande quantidade de dinheiro. Porém, também vê que uma viúva pobre coloca duas moedinhas de pouquíssimo valor. Ali aparece o ensinamento para seus discípulos. Afirma sem rodeios que a viúva pobre deu mais que todos os ricos... E esclarece por que: enquanto os ricos deram do que lhes sobrava, a viúva pobre deu do que tinha para viver.
Tenhamos presente que na época de Jesus, trabalhava “fora de casa” somente o homem. Quando uma mulher ficava viúva, não voltava para sua casa paterna; se não tivesse filhos homens que a pudessem sustentar, ficava a mercê da “caridade” do povo. Não havia instituições nem ONGs que se encarregassem delas. Muitas vezes no AT, e também no NT, aparece a expressão “pobres, órfãos e viúvas” como aqueles que Deus privilegia e, portanto reivindica cuidado e proteção especial por ser realmente parte da categoria do que hoje chamaríamos os “irmãos mais necessitados” ou empobrecidos.
Saiba que: as moedinhas que a pobre viúva coloca são duas Leptas. A Lepta era uma moeda grega de cobre chamada também calco ou óbolo. As duas Leptas equivaliam a um Quadrante (moeda romana) que é a 64º parte de um Denário (moeda romana) que era o salário médio por um dia de trabalho. Façamos o cálculo dividindo em 64 a diária oficial de um trabalhador de nosso país... ou seja, a quantidade é insignificante...

Outros textos bíblicos para confrontar: Mt 23,6-7; Lc 20,45-47; Lc 21,1-4; Lc 11,43.

Perguntas para a leitura
O que Jesus continua fazendo?
Para quem ele está falando? O que lhes diz?
O que os mestres da lei ou escribas amam fazer?
O que era que realmente estava mal?
Como se comportavam com as viúvas?
Como irá tratá-los Deus por esta atitude?
Onde se encontra Jesus na segunda parte do relato?
O que vê quando está diante das caixas das ofertas?
O que fazem os ricos?
O que a viúva pobre faz?
O que Jesus diz então a seus discípulos?
Como avalia Jesus a realidade? Quais critérios ele utiliza para considerar os ricos e a viúva pobre?

2 – MEDITAÇÃO
O que me diz o texto? O que nos diz o texto?
Perguntas para a meditação
Mais uma vez, podemos nos perguntar: escuto sinceramente o ensinamento de Jesus?
Quem poderiam ser hoje os “maus” escribas ou mestres da Lei?
Gosto de “aparentar” o que não tenho e o que não sou? Em que medida tenho a atitude destes mestres da Lei?
Sou coerente em minha vida cotidiana? Ou também tendo a fazer o mal (“roubar as casas das viúvas”), e logo pretender ser exteriormente um “bom cristão” (“fazem orações muito largas”)?
Em que posso crescer neste aspecto de minha vida?
Qual o impacto sobre mim a atitude observadora de Jesus? Sou observador das “coisas da vida”? Detenho-me a olhar seriamente como faz o Senhor ou me afasto sem me dar conta de nada…?
Quais são minhas “riquezas” hoje? Pensar em: riquezas religiosas (conhecer a Deus, participar numa Igreja), riquezas familiares (meus pais, irmãos, avós), riquezas culturais (a instrução, o saber ler e escrever, poder admirar um quadro, escutar uma boa música), riquezas humanas (capacidade de escutar, saber aconselhar); riquezas materiais (roupa, casa, bicicleta, carro); riquezas sociais (amigos, lugares donde inserir-me)…
Busco compartilhar estas riquezas ou dou do que me sobra para “ficar tranquilo”?
Tenho capacidade para “dar” e “doar-me” com o pouco que tenho e que sou?
Como são os critérios de avaliação em minha vida? Valorizo por causa da quantidade, da aparente grandeza…?
O que me falta para aprender a ver as coisas como Jesus vê?
Em quais situações particulares de minha vida terei que olhar hoje mais o coração e o que o outro pode dar?

3 - ORAÇÃO
O que digo a Deus? O que dizemos a Deus?
Para a oração propomos uma frase muito profunda e significativa que claramente ilumina nossa reflexão com a Palavra de Deus:
O amor, para ser verdadeiro, tem que doer.
Refere-se ao que há que dar aos que necessitam algo, alguma riqueza que eu possa dar. A frase é muito conhecida e é atribuída ou a Santo Alberto Hurtado (1901-1952) ou à Beata Madre Teresa de Calcutá (1910-1997)… Talvez seja dos dois de forma independente… Porém, além disso, o importante é o que estes santos nos transmitem: poder viver a capacidade de dar e de dar-se na própria existência até o extremo.

4 - CONTEMPLAÇÃO
Como interiorizo a mensagem? Como interiorizamos a mensagem?
Para a interiorização desta Palavra que compartilhamos pode ser útil usar o verbo “dar” que aparece na frase que compartilhamos, e, sobretudo no versículo 43 onde Jesus valoriza o que a viúva fez: “deu mais que todos os ricos”…
Podemos interiorizá-la assim:
· Senhor quero doar minha vida para que as pessoas te conheçam…
· Senhor quero doar meu tempo para que muitos sejam teus discípulos…
· Senhor quero doar minha capacidade de escutar para compartilhar o drama de meus irmãos…
· Senhor quero doar conselho de paz e de paciência a quem não tem serenidade em seu coração…
· Senhor quero doar…

5 - AÇÃO
Com que me comprometo? Com que nos comprometemos?
Proposta pessoal
Conjugar o verbo “dar” neste aspecto de minha vida para que realmente descubra o que me está faltando.
Proposta comunitária
Buscar com teu grupo de amigos “dar” parte de seu tempo para ajudar a alguém que necessite. Pode ser uma tarefa de tipo social em alguma escolinha. Por exemplo, limpar, arrumar, pintar... Dedicar um tempo próprio para o descanso ou a diversão para fazer algo assim…