sábado, 17 de outubro de 2009

29º Domingo Comum - Ano B - Marcos 10,35-45

LECTIO DIVINA
Domingo 18 de Outubro de 2009

1 - LEITURA

O que diz o texto?

Indicações para a leitura

Queridos irmãos:
O texto que acabamos de ler está imediatamente depois do terceiro anúncio da paixão que Jesus faz no Evangelho segundo São Marcos (10,32-34). É realmente surpreendente perceber como os discípulos do Senhor não entendem nada do que está se passando. Jesus fala de sua paixão e eles não compreendem nada disto, estão pensando em outras coisas.
Tudo começa com o pedido de Tiago e João, filhos de Zebedeu. Aproximam-se do Senhor e lhe pedem o favor de estar um à direita e outro à esquerda quando Jesus estiver em seu Reino de poder. Os discípulos ainda pensam que Jesus é um “Messias” político ou social que vem realizar uma “revolução” política, mais, segundo os critérios do mundo. Não compreenderam que a “revolução” de Jesus é profundamente espiritual. É por isso que o Senhor lhes responderá: “Vós não sabeis o que pedis...”.
Sem dúvida, imediatamente, o Senhor lhe faz uma pergunta: estão dispostos ou não a sofrer o mesmo que acontecerá com Ele. Eles muito seguros dizem que sim. Jesus toma a palavra e confirma que vão sofrer muito, porém esclarece também que é o Pai o que decide quem vai ficar a sua direita e a sua esquerda no Reino de Jesus.
Parece que os outros discípulos participaram da conversação. Chatearam-se com os irmãos Zebedeu... Mas porque ficaram indignados? Porque o pedido dos irmãos não tem sentido ou porque eles desejavam também ocupar aquele lugar? O texto não esclarece isso, porém pela explicação posterior de Jesus feita a “todos”, parece que os outros dez não estavam muito longe do que apresentaram Tiago e João.
Jesus fará então uma excelente catequese sobre o tema do poder e da autoridade. Os chefes governam com uma autoridade absoluta e não deixam permissão para nada, impõem mal sua autoridade... Porém, entre os discípulos do Senhor não deve acontecer isto: o que quiser estar no centro do poder e da autoridade deverá ter a atitude do servidor, do servo... Quem é o exemplo e modelo desta atitude? O mesmo Senhor, o Filho do Homem, que não veio para ser servido mas para servir e resgatar os irmãos do pecado.

Saiba que: Junto com Pedro, os irmãos Tiago e João aparecem muitas vezes os três juntos acompanhando a Jesus em momentos muito intensos e particulares de seu ministério. Por exemplo: Mc 1,19; 1,29; 3,17; 5,37; 9,2; 13,3; 14,33.

Outros textos bíblicos para confrontar: Mt 20,20-28; Lc 22,24-27.

Perguntas para a leitura

Quem se aproxima de Jesus no começo do relato?
O que perguntam ao Senhor? O que lhe pedem?
Como reage Jesus? O que lhes responde?
Que “contra-pergunta” lhes faz o Mestre?
O que respondem Tiago e João?
Como conclui o Senhor o diálogo começado com os filhos de Zebedeu?
O que acontece depois?
Qual é o sentimento e a atitude dos outros dez discípulos com relação a Tiago e João?
Porque estão furiosos os outros dez?
O que faz Jesus?
Para quem fala: para os dois irmãos ou para todos os discípulos?
O que lhes diz? Qual é o conteúdo de sua explicação, de sua catequese?
Que comparação faz o Senhor?
Quem é o modelo e exemplo absoluto de entrega e de serviço pelos demais homens?

2 - MEDITAÇÃO

O que me diz o texto? O que nos diz o texto?

Perguntas para a meditação
O que eu peço a Jesus?
Como está hoje minha oração de pedido ao Senhor?
Peço ao Senhor coisas que não convêm como fazem neste texto Tiago e João?
Penso como Tiago e João, que ser discípulo do Senhor implica um “privilégio” segundo os critérios deste mundo?
Gosto sempre de buscar “os primeiros lugares”?
Tento “acomodar-me” para ter boa vida?
O que penso da resposta de Jesus aos irmãos Zebedeu? Como me afeta hoje essa resposta segundo minha própria situação?
Chateio-me com as atitudes imaturas e incorretas dos demais? Em que aspectos me afetam? Se me chateio: por quê?
Sinto-me parte daquele “todos” (versículo 42) que Jesus chama para dar-lhes catequese?
O que acontece hoje em dia com os que nos governam? Acontece algo parecido ao que descreve o Senhor? Em quais coisas sim e em que coisas não?
Existe hoje o “autoritarismo” ou o abuso de autoridade? Em que âmbitos? De que forma?
O negativo do abuso de autoridade: se dá também em minha vida? Em nossa vida?
Como se exerce a autoridade em minha família? Em meu grupo de amigos? Na Igreja? Exerce-se com atitude de humildade e serviço ou com “autoritarismo”?
Como exerço eu a pouca ou muita autoridade que possa chegar a ter em minha vida segundo minhas próprias responsabilidades? Busco o que prime a entrega, o serviço e a humildade? Ou me deixo “contagiar” pelos critérios do mundo?
Tomo a Jesus, o Senhor, como modelo de entrega e de serviço?

3 - ORAÇÃO

O que digo a Deus? O que dizemos a Deus?

Para nossa oração a Deus que prepara o exercício do último passo da Lectio Divina que é a ação, propomos um número do Documento de Aparecida do Episcopado Latino-americano e do Caribe.

Documento de Aparecida 14

Aqui está o desafio fundamental que contrapomos: mostrar a capacidade da Igreja de promover e formar discípulos que respondam à vocação recebida e comuniquem em todas as partes, transbordando de gratidão e alegria, o dom do encontro com Jesus Cristo. Não temos outro tesouro a não ser este. Não temos outra felicidade nem outra prioridade que não seja sermos instrumentos do Espírito de Deus na Igreja, para que Jesus Cristo seja encontrado, seguido, amado, adorado, anunciado e comunicado a todos, não obstante todas as dificuldades e resistências. Este é o melhor serviço – seu serviço! – que a Igreja tem que oferecer às pessoas e nações.
Marcamos a oração final deste parágrafo dado que é ali onde se insiste na atitude de serviço que tem que ter a Igreja e, pelo tanto, é a atitude de todos os discípulos missionários.

4 - CONTEMPLAÇÃO

Como interiorizo a mensagem? Como interiorizamos a mensagem?

Para favorecer a contemplação com este texto bíblico pode ajudar tomar a segunda parte do versículo 43 recriando-o da seguinte maneira em primeira pessoa do singular:
·Se quero ser importante, terei que servir aos outros...
Repeti-lo ritmicamente e pensando nas situações de vida que surgiram à luz da meditação e da oração.

5 - AÇÃO

Com que me comprometo? Com que nos comprometemos?

Proposta pessoal

Escolher uma atitude de serviço aos irmãos: simples, habitual e realizável. Assumir o compromisso de realizá-la sempre que o Senhor ponha esta situação no horizonte de nossa vida.

Proposta comunitária

Realizar um encontro com teu grupo de amigos para dialogar e confrontar este tema da autoridade no mundo atual. Conversar sobre o que se vê no mundo circundante e o que se percebe no próprio ambiente juvenil… quanto longe se está da proposta de Jesus…?

Nenhum comentário: