quarta-feira, 30 de setembro de 2009

27º Domingo Comum - Ano B - Marcos 10,2-16

LECTIO DIVINA
Domingo 4 de Outubro de 2009
TEXTO BÍBLICO: Autor: Pe. Gabriel Mestre
Tradução: Pe. Carlos Henrique
lectionautas.com
1 - LEITURA
O que diz o texto?
Indicações para a leitura
Queridos servidores da Palavra:
Neste Domingo, a Liturgia da Igreja nos propõe um daqueles textos que poderíamos chamar “difíceis”. Difíceis em si mesmos porque um dos temas tratados é realmente complexo: o “divórcio”. É complexo hoje, era na época de Jesus e também antes quando Moisés deu o mandamento. Sem dúvida, as realidades, as culturas e as situações da vida mudaram muito. Que difícil interpretar este texto de hoje! Por outro lado, ao longo dos séculos, as diferentes Igrejas cristãs interpretaram este texto de maneira divergente em alguns pontos...
Apesar de todas estas “complicações” que descrevemos no primeiro parágrafo, o texto bíblico apresenta no centro de sua mensagem elementos claros e contundentes sobre os quais vamos levar em conta para uma correta interpretação e aplicação à vida.
Logo de cara, percebe-se o objetivo destes fariseus que se aproximam de Jesus: “pô-lo à prova (cilada, armadilha)”. Não interessa a eles conhecer a Verdade. Não lhes importam os ensinamentos do Mestre a não ser poder surpreendê-lo em alguma afirmação contra o Antigo Testamento para poderem acusá-lo de blasfemo ou de negar as tradições dos antepassados. Além disso, a pergunta é limitativa. Eles não perguntam sobre a situação do divórcio em geral, mas sim se detêm num detalhe legal de sua própria situação: “se era permitido ao homem divorciar-se de sua esposa?” A lei permitia a decisão de divorciar-se ou não somente ao homem. A mulher não era livre, não podia “escolher” deixar seu esposo. A mulher era discriminada a tal ponto que era considerada por alguns quase como um “objeto” ou uma “propriedade” do homem que, podia tê-la ou “descartá-la” se houvesse um motivo mínimo para isso. De fato, esta é a grande discussão que está por trás da pergunta que fazem a Jesus. No fundo, além de armarem para ele uma cilada, querem averiguar o que pensa o Senhor com relação aos “motivos” de divórcio, o que argumenta Jesus para que o homem possa despedir à mulher. Os diferentes “mestres” da época de Jesus discutiam diversas posturas com relação a estes temas que, obviamente não são o centro da questão...
Jesus não vai entrar na “armadilha legalista” e vai conduzindo-os ao centro do problema para dar um ensinamento mais amplo e universal. Primeiro vai à própria Escritura e lhes pergunta em que consiste o mandato de Moisés. Eles lhes respondem que nos escritos de Moisés se autoriza ao esposo escrever um certificado de divórcio e separar-se de sua esposa. Com efeito, é uma cláusula legal particular, como tantas outras que encontramos no Antigo Testamento. Tem a ver com um momento particular da vida do povo que ainda não amadureceu suas opções de fé mais profundas.
Jesus vai situar esta “prescrição” de Moisés em seu justo lugar. Isto foi dado no passado porque “vocês” são muito cabeças-duras, isto é, “muito duros de coração”, pouco abertos à verdade de Deus. A partir daqui, o Senhor dirá o mais importante com relação ao tema que viemos tratando: ensinando o que Deus quis desde o princípio. Jesus descreve e sintetiza o plano de Deus para a vida do homem, para a mulher e o homem...
Como pode ser descrito este desígnio original à luz destes versículos que hoje o Senhor nos ensina? Podemos destacar alguns pontos:
Deus cria o homem e a mulher para que estejam juntos. A unidade e a comunhão no casal, no matrimônio, é o desígnio primeiro de Deus. Por isso, o ensinamento do livro do Gênesis dirá que o homem deixe sua casa paterna para ir formar uma nova família com sua mulher. Esta unidade entre o homem e a mulher é tão forte que os dois viverão como se fossem uma só pessoa. O relato diz literalmente que os dois serão “uma só carne”. Os que se casam já não podem viver como duas pessoas separadas. A união dos que se casam é tão forte que ninguém os pode separar. Assim, é óbvio que o homem não pode separar o que Deus uniu.
O ensinamento de Jesus foi mais que claro. Sem dúvida, na intimidade, quando está com seus discípulos mais próximos estes voltam a perguntar sobre o tema. Jesus continuará seu ensinamento e dirá com clareza que o divórcio e a nova união não estão de acordo com o desígnio de Deus. Se os que estão casados se separam de seu cônjuge e se une a outra pessoa comete pecado dado que contradiz a unidade que Deus deu aos esposos. O interessante da reflexão de Jesus é que equipara em igualdade a situação do homem com a mulher. Até este momento o homem podia fazer o que quisesse. As palavras de Jesus são “revolucionárias” com relação ao papel de igualdade e de não discriminação que dá a mulher.
A segunda parte do relato tem a ver com a atitude de Jesus para com as crianças e como as crianças são modelo para os adultos de aceitação do Reino de Deus. Há que ser como elas. Mas este tema já refletimos em parte na Lectio do Domingo 20 de setembro em Mc 9,30-37.
Outros textos bíblicos para confrontar: Mt 19,1-9; Gn 1,27; Gn 2,24; Dt 24,1; Mt 5,32; Lc 16,18.

Perguntas para a leitura
Quem se aproxima de Jesus?
O que lhe dizem?
Que intenção eles têm com a pergunta que lhe fazem?
Qual é a pergunta?
O que responde o Senhor? Qual é a contra-pregunta que lhes faz?
O que lhe respondem os fariseus?
Como interpreta Jesus a “permissão” dada por Moisés no passado?
Quais elementos resgata o Senhor do ensinamento primordial de Deus com relação à união do homem e a mulher em matrimônio? Enumerar os ensinamentos que o Senhor recorda…
Está proposto o divórcio como um valor a seguir?
O que lhe perguntam seus discípulos mais próximos quando já estão em casa?
O que vai dizer o Senhor?
A quem põe Jesus como modelo de aceitação do Reino de Deus?
Que atitude tem Jesus para com as crianças?

2 - MEDITAÇÃO
O que me diz o texto? O que nos diz o texto?
Perguntas para a meditação
Há algo em meu coração destes fariseus que querem por uma armadilha ao Senhor?
Em que medida posso ser eu também um pouco “duplo” e buscar com palavras ou perguntas fazer cair numa armadilha meu irmão?
No diálogo: busco a verdade com sinceridade ou me interessa só minha postura?
Nas situações problemáticas ou difíceis da vida: por onde começo a buscar as soluções, pelo desígnio primeiro de Deus ou pelo “remédio” aos defeitos dos homens?
Em que medida hoje Jesus pode me dizer que sou um “cabeça-dura”, um duro de coração?
Busco a vontade do plano original de Deus para o homem e a mulher?
O que penso do matrimônio cristão?
Mais além das dificuldades e problemas da vida, me formo e formo os demais, dentro de minhas possibilidades, para aprender a viver “como uma só pessoa” no lindo presente do matrimônio?
O que implica para mim hoje pensar que o matrimônio é “ser una só carne”?
Que alcance tem a expressão: “Se Deus uniu um homem e uma mulher, ninguém deverá separá-los”?
Dou a conhecer a meus irmãos o ensinamento de Jesus sobre o matrimônio?
Me impacta a explicação “revolucionária” do Senhor de por no mesmo nível o homem e a mulher enquanto a deveres e direitos com relação ao matrimônio?
Deixo-me abençoar por Jesus como uma criança?
Tenho a atitude dependente, simples e humilde das crianças para aceitar e viver o Reino dos céus?
Aplico em minha vida o exemplo de Jesus que põe no centro as crianças?

3 - ORAÇÃO
O que digo a Deus? O que dizemos a Deus?
Para rezar, proponho reler o segundo relato da criação no livro do Gênesis: Gn 2,4-24
É a primeira leitura da liturgia do dia de hoje. Prestem atenção fundamentalmente nos versículos 23 e 24.

4 - CONTEMPLAÇÃO
Como interiorizo a mensagem? Como interiorizamos a mensagem?

Para a contemplação sugerimos tomar o exemplo da criança que nos presenteia Jesus no final do Evangelho:

Quero confiar em Deus como uma criança para aceitar sua vontade em minha vida…
Quero confiar em Deus como uma criança para aprender a viver a realidade do matrimônio como Ele nos ensina…
Quero confiar em Deus como uma criança para valorizar a mulher como Jesus sempre o fez…
Quero confiar em Deus como uma criança…

5 - AÇÃO

Com que me comprometo? Com que nos comprometemos?

Proposta pessoal
Lamentavelmente muitos “matrimônios” fracassam por diversos motivos que em muitos casos não se podem julgar superficialmente. Estas pessoas que se separam logo tentam uma nova união com outra pessoa. A Igreja Católica “não aceita” como matrimônio esta nova união dado que contradiz o matrimônio anterior. Entretanto, nunca discrimina nem sequer tira do horizonte da vida da Igreja as pessoas que vivem nessa situação. Vejam um extrato de um texto de um documento do Papa João Paulo II que fala deste tema, da situação dos separados em nova união. É para lê-lo e meditá-lo:
FAMILIARIS CONSORTIO
84. ...a Igreja, com efeito, instituída para conduzir à salvação todos os homens e sobretudo os batizados, não pode abandonar aqueles que - unidos já pelo vínculo matrimonial sacramental - procuraram passar a novas núpcias. Por isso, esforçar-se-á infatigavelmente por oferecer-lhes os meios de salvação.
...exorto vivamente os pastores e a inteira comunidade dos fiéis a ajudar os divorciados, promovendo com caridade solícita que eles não se considerem separados da Igreja, podendo, e melhor devendo, enquanto batizados, participar na sua vida. Sejam exortados a ouvir a Palavra de Deus, a frequentar o Sacrifício da Missa, a perseverar na oração, a incrementar as obras de caridade e as iniciativas da comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência para assim implorarem, dia a dia, a graça de Deus. Reze por eles a Igreja, encoraje-os, mostre-se mãe misericordiosa e sustente-os na fé e na esperança.
Com firme confiança ela vê que, mesmo aqueles que se afastaram do mandamento do Senhor e vivem agora nesse estado, poderão obter de Deus a graça da conversão e da salvação, se perseverarem na oração, na penitência e na caridade.

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