quarta-feira, 30 de setembro de 2009

27º Domingo Comum - Ano B - Marcos 10,2-16

LECTIO DIVINA
Domingo 4 de Outubro de 2009
TEXTO BÍBLICO: Autor: Pe. Gabriel Mestre
Tradução: Pe. Carlos Henrique
lectionautas.com
1 - LEITURA
O que diz o texto?
Indicações para a leitura
Queridos servidores da Palavra:
Neste Domingo, a Liturgia da Igreja nos propõe um daqueles textos que poderíamos chamar “difíceis”. Difíceis em si mesmos porque um dos temas tratados é realmente complexo: o “divórcio”. É complexo hoje, era na época de Jesus e também antes quando Moisés deu o mandamento. Sem dúvida, as realidades, as culturas e as situações da vida mudaram muito. Que difícil interpretar este texto de hoje! Por outro lado, ao longo dos séculos, as diferentes Igrejas cristãs interpretaram este texto de maneira divergente em alguns pontos...
Apesar de todas estas “complicações” que descrevemos no primeiro parágrafo, o texto bíblico apresenta no centro de sua mensagem elementos claros e contundentes sobre os quais vamos levar em conta para uma correta interpretação e aplicação à vida.
Logo de cara, percebe-se o objetivo destes fariseus que se aproximam de Jesus: “pô-lo à prova (cilada, armadilha)”. Não interessa a eles conhecer a Verdade. Não lhes importam os ensinamentos do Mestre a não ser poder surpreendê-lo em alguma afirmação contra o Antigo Testamento para poderem acusá-lo de blasfemo ou de negar as tradições dos antepassados. Além disso, a pergunta é limitativa. Eles não perguntam sobre a situação do divórcio em geral, mas sim se detêm num detalhe legal de sua própria situação: “se era permitido ao homem divorciar-se de sua esposa?” A lei permitia a decisão de divorciar-se ou não somente ao homem. A mulher não era livre, não podia “escolher” deixar seu esposo. A mulher era discriminada a tal ponto que era considerada por alguns quase como um “objeto” ou uma “propriedade” do homem que, podia tê-la ou “descartá-la” se houvesse um motivo mínimo para isso. De fato, esta é a grande discussão que está por trás da pergunta que fazem a Jesus. No fundo, além de armarem para ele uma cilada, querem averiguar o que pensa o Senhor com relação aos “motivos” de divórcio, o que argumenta Jesus para que o homem possa despedir à mulher. Os diferentes “mestres” da época de Jesus discutiam diversas posturas com relação a estes temas que, obviamente não são o centro da questão...
Jesus não vai entrar na “armadilha legalista” e vai conduzindo-os ao centro do problema para dar um ensinamento mais amplo e universal. Primeiro vai à própria Escritura e lhes pergunta em que consiste o mandato de Moisés. Eles lhes respondem que nos escritos de Moisés se autoriza ao esposo escrever um certificado de divórcio e separar-se de sua esposa. Com efeito, é uma cláusula legal particular, como tantas outras que encontramos no Antigo Testamento. Tem a ver com um momento particular da vida do povo que ainda não amadureceu suas opções de fé mais profundas.
Jesus vai situar esta “prescrição” de Moisés em seu justo lugar. Isto foi dado no passado porque “vocês” são muito cabeças-duras, isto é, “muito duros de coração”, pouco abertos à verdade de Deus. A partir daqui, o Senhor dirá o mais importante com relação ao tema que viemos tratando: ensinando o que Deus quis desde o princípio. Jesus descreve e sintetiza o plano de Deus para a vida do homem, para a mulher e o homem...
Como pode ser descrito este desígnio original à luz destes versículos que hoje o Senhor nos ensina? Podemos destacar alguns pontos:
Deus cria o homem e a mulher para que estejam juntos. A unidade e a comunhão no casal, no matrimônio, é o desígnio primeiro de Deus. Por isso, o ensinamento do livro do Gênesis dirá que o homem deixe sua casa paterna para ir formar uma nova família com sua mulher. Esta unidade entre o homem e a mulher é tão forte que os dois viverão como se fossem uma só pessoa. O relato diz literalmente que os dois serão “uma só carne”. Os que se casam já não podem viver como duas pessoas separadas. A união dos que se casam é tão forte que ninguém os pode separar. Assim, é óbvio que o homem não pode separar o que Deus uniu.
O ensinamento de Jesus foi mais que claro. Sem dúvida, na intimidade, quando está com seus discípulos mais próximos estes voltam a perguntar sobre o tema. Jesus continuará seu ensinamento e dirá com clareza que o divórcio e a nova união não estão de acordo com o desígnio de Deus. Se os que estão casados se separam de seu cônjuge e se une a outra pessoa comete pecado dado que contradiz a unidade que Deus deu aos esposos. O interessante da reflexão de Jesus é que equipara em igualdade a situação do homem com a mulher. Até este momento o homem podia fazer o que quisesse. As palavras de Jesus são “revolucionárias” com relação ao papel de igualdade e de não discriminação que dá a mulher.
A segunda parte do relato tem a ver com a atitude de Jesus para com as crianças e como as crianças são modelo para os adultos de aceitação do Reino de Deus. Há que ser como elas. Mas este tema já refletimos em parte na Lectio do Domingo 20 de setembro em Mc 9,30-37.
Outros textos bíblicos para confrontar: Mt 19,1-9; Gn 1,27; Gn 2,24; Dt 24,1; Mt 5,32; Lc 16,18.

Perguntas para a leitura
Quem se aproxima de Jesus?
O que lhe dizem?
Que intenção eles têm com a pergunta que lhe fazem?
Qual é a pergunta?
O que responde o Senhor? Qual é a contra-pregunta que lhes faz?
O que lhe respondem os fariseus?
Como interpreta Jesus a “permissão” dada por Moisés no passado?
Quais elementos resgata o Senhor do ensinamento primordial de Deus com relação à união do homem e a mulher em matrimônio? Enumerar os ensinamentos que o Senhor recorda…
Está proposto o divórcio como um valor a seguir?
O que lhe perguntam seus discípulos mais próximos quando já estão em casa?
O que vai dizer o Senhor?
A quem põe Jesus como modelo de aceitação do Reino de Deus?
Que atitude tem Jesus para com as crianças?

2 - MEDITAÇÃO
O que me diz o texto? O que nos diz o texto?
Perguntas para a meditação
Há algo em meu coração destes fariseus que querem por uma armadilha ao Senhor?
Em que medida posso ser eu também um pouco “duplo” e buscar com palavras ou perguntas fazer cair numa armadilha meu irmão?
No diálogo: busco a verdade com sinceridade ou me interessa só minha postura?
Nas situações problemáticas ou difíceis da vida: por onde começo a buscar as soluções, pelo desígnio primeiro de Deus ou pelo “remédio” aos defeitos dos homens?
Em que medida hoje Jesus pode me dizer que sou um “cabeça-dura”, um duro de coração?
Busco a vontade do plano original de Deus para o homem e a mulher?
O que penso do matrimônio cristão?
Mais além das dificuldades e problemas da vida, me formo e formo os demais, dentro de minhas possibilidades, para aprender a viver “como uma só pessoa” no lindo presente do matrimônio?
O que implica para mim hoje pensar que o matrimônio é “ser una só carne”?
Que alcance tem a expressão: “Se Deus uniu um homem e uma mulher, ninguém deverá separá-los”?
Dou a conhecer a meus irmãos o ensinamento de Jesus sobre o matrimônio?
Me impacta a explicação “revolucionária” do Senhor de por no mesmo nível o homem e a mulher enquanto a deveres e direitos com relação ao matrimônio?
Deixo-me abençoar por Jesus como uma criança?
Tenho a atitude dependente, simples e humilde das crianças para aceitar e viver o Reino dos céus?
Aplico em minha vida o exemplo de Jesus que põe no centro as crianças?

3 - ORAÇÃO
O que digo a Deus? O que dizemos a Deus?
Para rezar, proponho reler o segundo relato da criação no livro do Gênesis: Gn 2,4-24
É a primeira leitura da liturgia do dia de hoje. Prestem atenção fundamentalmente nos versículos 23 e 24.

4 - CONTEMPLAÇÃO
Como interiorizo a mensagem? Como interiorizamos a mensagem?

Para a contemplação sugerimos tomar o exemplo da criança que nos presenteia Jesus no final do Evangelho:

Quero confiar em Deus como uma criança para aceitar sua vontade em minha vida…
Quero confiar em Deus como uma criança para aprender a viver a realidade do matrimônio como Ele nos ensina…
Quero confiar em Deus como uma criança para valorizar a mulher como Jesus sempre o fez…
Quero confiar em Deus como uma criança…

5 - AÇÃO

Com que me comprometo? Com que nos comprometemos?

Proposta pessoal
Lamentavelmente muitos “matrimônios” fracassam por diversos motivos que em muitos casos não se podem julgar superficialmente. Estas pessoas que se separam logo tentam uma nova união com outra pessoa. A Igreja Católica “não aceita” como matrimônio esta nova união dado que contradiz o matrimônio anterior. Entretanto, nunca discrimina nem sequer tira do horizonte da vida da Igreja as pessoas que vivem nessa situação. Vejam um extrato de um texto de um documento do Papa João Paulo II que fala deste tema, da situação dos separados em nova união. É para lê-lo e meditá-lo:
FAMILIARIS CONSORTIO
84. ...a Igreja, com efeito, instituída para conduzir à salvação todos os homens e sobretudo os batizados, não pode abandonar aqueles que - unidos já pelo vínculo matrimonial sacramental - procuraram passar a novas núpcias. Por isso, esforçar-se-á infatigavelmente por oferecer-lhes os meios de salvação.
...exorto vivamente os pastores e a inteira comunidade dos fiéis a ajudar os divorciados, promovendo com caridade solícita que eles não se considerem separados da Igreja, podendo, e melhor devendo, enquanto batizados, participar na sua vida. Sejam exortados a ouvir a Palavra de Deus, a frequentar o Sacrifício da Missa, a perseverar na oração, a incrementar as obras de caridade e as iniciativas da comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência para assim implorarem, dia a dia, a graça de Deus. Reze por eles a Igreja, encoraje-os, mostre-se mãe misericordiosa e sustente-os na fé e na esperança.
Com firme confiança ela vê que, mesmo aqueles que se afastaram do mandamento do Senhor e vivem agora nesse estado, poderão obter de Deus a graça da conversão e da salvação, se perseverarem na oração, na penitência e na caridade.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

26º Domingo Comum - Ano B - Mc 9,38-43.45.47-48

LECTIO DIVINA
Domingo 27 de Setembro de 2009
Autor: Pe. Gabriel Mestre
Tradução: Pe. Carlos Henrique Nascimento

1 - LEITURA

O que diz o texto?

Indicações para a leitura
Queridos irmãos:
O Evangelho deste Domingo tem três partes bem diferenciadas:

·Versículos 38-40: o episódio dos que sem ser do grupo de Jesus fazem o bem em seu Nome.
·Versículos 41-42: duas “frases soltas” sem relação muito direta entre si nem com as duas outras partes do texto.
·Versículos 43-47: a radicalidade que se espera do discípulo na vivência da obediência a Deus.

Na primeira parte entra em cena João que viu algo que o surpreendeu. Encontra-se com uma pessoa que faz o bem e arranca o mal (“expulsa demônios) em nome de Cristo. O próprio João juntamente com alguns dos outros discípulos, ao ver que tal homem não era do grupo de Jesus, impediram-no. João e os que estavam com ele, esperavam talvez que Jesus os parabenizasse pelo que haviam feito. Mas sem dúvida, a coisa foi bem diferente. O Senhor lhes diz com clareza que não o proíbam porque ninguém pode estar contra Ele se antes tiver praticado o bem e expulsado o mal em seu Nome. Esta parte culmina com esta frase que se tornou popular e que é repetida até pelos não cristãos: “Quem não é contra nós é por nós”.
Nos versículos centrais encontramos duas frases do Senhor. A primeira tem a ver com o prêmio eterno que terá aquele que der de beber um copo de água a alguma pessoa por ser ela discípula de Cristo. Cristo se “identifica” no próprio discípulo na situação de necessidade. A segunda frase tem a ver com o “escândalo”. E descreve o que seria preferível para aquele que fizer com que algum discípulo deixe de confiar em Jesus, sobretudo se for fraco ou novo ou ainda imaturo na fé. O que seria preferível? Que lhe amarrassem ao pescoço uma das grandes pedras que se usavam para moer as sementes e que o atirassem ao mar.
Por último, na terceira parte do texto, dos versículos 43 ao 47, nos é apresentado um texto um pouco duro dado que se convida a “cortar” aquele membro que faça desobedecer a Deus: mão, pé e olho. É óbvio que não se deve entender estes ensinamentos ao pé da letra. O que está em jogo aqui é uma espécie de “definição plástica” que faz a Bíblia do homem. Para a mentalidade semita em geral e para a judaica em particular, “mãos e pés” fazem referência ao mundo da ação do homem, e, “olhos e coração” fazem referência ao mundo interior do homem. Por isso, o que deve ser cortado não é a mão nem o pé num sentido literal, mas sim aquelas ações de nossa vida que nos fazem desobedecer a Deus. Tampouco se deve arrancar o olho biológico, mas sim se deve tirar todo pensamento, afeto e sentimento interior que nos façam desobedecer a Deus.

Saiba que: se você prestar bem atenção nas suas edições da Bíblia perceberá que faltam os versículos 44 e 46. A que se deve isso? Alguns manuscritos antigos repetem o versículo 48 também depois do 43 (no 44) e depois do 45 (no 46). Os estúdios mais profundos do texto bíblico demonstram que estes são adições posteriores que não devem ser levados em conta.

Outros textos bíblicos para confrontar: Lc 9,49-50; Lc 17,1-2; Mt 18,6-9; Mt 10,42.

Para continuar aprofundando estes temas olhe no Índice Temático de sua Bíblia, o vocábulo “Inferno”.

Perguntas para a leitura

Quem é o primeiro personagem que entra em cena no Evangelho de hoje?
O que ele diz a Jesus?
Por que os discípulos do Senhor proíbem esta pessoa de expulsar demônios?
Como reage Jesus? O que ele diz?
Qual é o argumento que o Senhor apresenta para permitir que expulsem demônios em seu Nome?
Que sorte terá aquele que der de beber um copo de água a alguém que seja discípulo do Senhor?
O que é preferível que aconteça àquele que faça com que um dos pequenos discípulos do Senhor se afaste do caminho e deixe de confiar em Deus?
O que se deve fazer com a mão, com o pé ou com os olhos quando nos fazem desobedecer a Deus e a seu caminho?
O que nos é proposto devemos entendê-lo ao pé da letra?
O que significam mãos, pés e olhos na visão plástica do homem em alguns textos da Bíblia?

2 - MEDITAÇÃO

O que o texto me diz? O que o texto nos diz?
Perguntas para a meditação
Tenho a atitude de João para com este homem que faz o bem em Nome de Jesus?
Sou intolerante?
Em que medida me deixo levar pelo “partidarismo” entre aqueles que temos a mesma função de ajudar aos irmãos que se libertem de seus males?
O quanto existe em meu coração de ciúme, inveja, rivalidades?
Me sinto incomodado pelo protagonismo no que se refere ao bem do irmão ou de outro grupo que eu não pertenço?
Em que devo amadurecer nestes aspectos que viemos citando?
O que penso das palavras de Jesus?
Que impacto tem hoje na minha vida as palavras do versículo 40: “Quem não está contra nós é por nós”?
Me preocupo e me ocupo com os irmãos da comunidade?
Atendo aos mais fracos, buscando ver neles o rosto de Jesus Cristo?
Busco não escandalizar os irmãos menores e mais fracos no caminho da fé?
Por minhas palavras e/ou minhas atitudes alguém se sentiu mal e molestado a tal ponto de abandonar o caminho da fé?
O que é o que hoje pode me afastar de Deus e de seu projeto para mim?
Que ações de minha vida (“mão e pé”) deverei corrigir para obedecer seriamente ao Senhor?
Que pensamentos, afetos, sentimentos de minha interioridade (“olho”) deverei corrigir e reorientar hoje para obedecer à palavra de Deus?
Em definitivo: o que devo “cortar” hoje para ser um autêntico discípulo missionário do Senhor?

3 - ORAÇÃO

O que digo a Deus? O que lhe dizemos?
Para a oração podemos utilizar o Salmo 1:
Bem aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará. Não são assim os ímpios; mas são como a moinha que o vento espalha. Por isso os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos. Porque o SENHOR conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos ímpios perecerá.
Em chave sapiencial, de sabedoria, nos são apresentadas as formas de vida dos que “cortam” com o que os afasta de Deus (“os bons”); e a vida dos que “não cortam” com o que os afasta de Deus (“os malvados”).

4 - CONTEMPLAÇÃO

Como interiorizo a mensagem? Como interiorizamos a mensagem?
Para interiorizar a mensagem deste Domingo propomos utilizar o verbo “cortar” descrevendo aquelas situações que realmente há que cortar para não afastar-se do caminho do Senhor:
· Senhor quero tua força para cortar as pequenas ou grandes mentiras…
· Senhor quero tua força para cortar a mediocridade e a indiferença que muitas vezes me invade…
· Senhor quero tua força para cortar a sensualidade e a vivência de uma sexualidade separada do amor…
· Senhor quero tua força para cortar...

5 - AÇÃO

Com que me comprometo? Com que nos comprometemos?

Proposta pessoal
Fazer uma lista daquelas coisas da vida que seria necessário “cortar” para não afastar-se do caminho do Senhor.
Proposta comunitária
Buscar em teu povo, em teu povoado, bairro e cidade que organizações da Igreja ou de outros âmbitos se comprometem seriamente em “expulsar os demônios” de nosso tempo. Seria interessante fazer contato para ver em quê se pode conseguir uma unificação de forças para o serviço aos mais fracos, pobres e necessitados.

domingo, 13 de setembro de 2009

25º Domingo Comum - Ano B - Mc 9,30-37

LECTIO DIVINA
Domingo 20 de Setembro de 2009

1 - LEITURA
O que diz o texto?
Indicações para a leitura
Queridos irmãos:
O texto deste Domingo tem duas partes bem diferenciadas. A primeira é o segundo anúncio da morte de Jesus realizado pelo próprio Senhor. A segunda parte é uma reflexão que se apresenta com relação a quem seria o mais importante.
Depois da cura do epiléptico, Jesus e seus discípulos seguem seu caminho pela região da Galileia. Quer dedicar tempo particular para formar seus discípulos. Este ensinamento se concentra no que já partilhamos no texto da semana passada: Jesus será entregue nas mãos dos líderes do povo que o irão matar, porém ao terceiro dia, ressuscitará. O que Jesus diz é muito profundo e forte em sua natureza humana. Sem dúvida, os discípulos não conseguem compreender o que o Senhor lhes tenta comunicar. Não entendem e não se atrevem a perguntar. Porém, o mais dramático é que eles estão em outra sintonia com relação ao que Jesus lhes está dizendo. Isto é a segunda parte de nosso relato.
Quando chegam a Cafarnaum, Jesus lhes pergunta do que falavam no caminho. A vergonha se apodera deles que não podem contestar nada dado que sua preocupação era saber quem era o mais importante dentre eles. Ora, no mesmo momento em que o Senhor lhes abre o coração e lhes conta o que vai padecer, eles estão disputando o grau de importância… Realmente é patético…
Porém, Jesus não se cansa, senta-se a ensinar novamente, chama os doze e lhes diz que se alguém quiser ser o mais importante deve aprender a ocupar o último lugar, sendo servidor de todos. Para ratificar seu ensinamento sobre o serviço realiza um sinal. Traz uma criança para junto de si e lhes diz que se aceitarem a uma criança aceitam a Ele, e que se aceitam a Ele aceitam a Deus Pai que o enviou. A criança é absolutamente dependente de seus pais. Este é o modelo de grandeza: ser absolutamente dependente do Pai Eterno dos Céus. Jesus lhes pede para que deixem de falar e discutir por questões secundárias e se concentrem no que realmente é importante. A “criança” passa a ser o modelo de “grandeza”, o pequeno faz questionar a quem quer ser “grande” segundo os critérios do mundo. Os discípulos deverão aprender muito de seu Mestre para estar à medida da missão que o mesmo Senhor lhes vai encomendar.

Saiba que: em alguns grupos do Judaísmo da época de Jesus as crianças eram consideradas um pouco “indignas” porque ao não poder “ler e conhecer” a lei, constantemente a estavam infringindo. Sobretudo quanto à pureza ritual: não lavar-se quando correspondia, tocar coisas consideradas “impuras”. É chamativo e “revolucionário” que em nosso texto, Jesus “a tome em seus braços” e a ponha como elemento essencial para ser realmente grande.

Outros textos bíblicos para confrontar: Mt 17,22-23; Mt 18,1-5; Lc 9,43-48; Mt 10,40; Sal 8,2; Pr 22,6.
Perguntas para a leitura
Por onde anda Jesus?
Com quem novamente anda?
O que fazem no caminho?
Estão com muitas pessoas? Por quê?
O que ensina Jesus a seus discípulos?
Entendem os discípulos o ensinamento de Jesus? Perguntam ao Senhor as coisas que não compreendem?
Aonde chegam depois do recorrido?
O que lhes pergunta Jesus?
Por que não respondem à pergunta do Senhor? Por que lhes dá “vergonha” falar?
O que faz então Jesus?
Qual é o conteúdo de seu ensinamento?
Qual deve ser a atitude do que quer ser “maior”?
O que faz o Senhor? A quem chama e põe no centro da cena?
O que lhes diz finalmente Jesus?

2 - MEDITAÇÃO

O que me diz o texto? O que nos diz o texto?
Perguntas para a meditação
Deixo que Jesus caminhe comigo? O acompanho em seu caminho e me deixo guiar por Ele em meus caminhos?
Me “retiro” com Jesus sozinho para que Ele me ensine sua Palavra?
Sinto-me privilegiado em ser seu discípulo sabendo que sempre me dedica um tempo especial para escutar-me e ensinar-me?
O que me ensina hoje Jesus? O que pode me estar dizendo de modo particular segundo as situações de vida que estou atravessando?
Como aceito isto de que “o Filho do Homem será entregue e o matarão”?
Integro em minha vida a realidade de que a salvação passa pela morte de Jesus na cruz e pela ressurreição?
Entendo para minha própria vida que para chegar à ressurreição há que passar pela cruz e a morte?
Custa-me compreender os desígnios de Deus para minha própria vida?
Aceito a vontade de Deus? Em quais aspectos tenho mais dificuldade aceitar?
De que coisas “falo” no caminho da vida com meus familiares e amigos? Quais são as preocupações que mais acataram meus pensamentos e conversações ultimamente?
Tenho em minha mente preocupações muito secundárias ou inúteis?
Estou preocupado por quem seja o “maior”, isto é, quem se destaca mais ou é mais valorizado em minha família, em meu grupo e em meu ambiente?
Esta preocupação por estar olhando sempre quem é o maior me leva a situações de invejas, ciúmes e concorrências desmedidas?
Como impactam em mim hoje as palavras do Senhor “Se algum de vocês quiser ser o mais importante, deverá ocupar o último lugar e ser o servidor de todos os outros”?
Deixo que Jesus me instrua no caminho da correta humildade?
Quais implicâncias têm para mim ser “servidor” de meus irmãos?
Quero ter seriamente um “coração de criança” para entregar-me sempre nos braços fortes e seguros do Pai eterno dos Céus?
Aceito Jesus como o Enviado do Pai que vem a minha vida para dar-me a salvação?

3 - ORAÇÃO

O que digo a Deus? O que dizemos a Deus?
A última parte do texto nos convida a buscar o último lugar. Isto é, não é nem mais nem menos que “humildade”. Por isso, propomos para a oração utilizar uma frase - definição de humildade que nos presenteia Santa Teresa de Jesus (1515-1582, religiosa e mística espanhola). Ela diz:
“Humildade é andar na verdade”
Tenhamos presente esta concisa e clara descrição da humildade para poder orar com o texto. A autêntica humildade não é “calar-se e esconder-se” senão que tem que ver com isto de “andar na verdade”.

4 - CONTEMPLAÇÃO

Como interiorizo a mensagem? Como interiorizamos a mensagem?
Para contemplar todo o mistério da revelação de Deus no texto deste Domingo propomos tomar o versículo 2 do Salmo 8 que nos faz entrar na dinâmica da reflexão de fazer-nos como crianças:

Com as primeiras palavras dos pequeninos,
E com os cantos das crianças maiores,
Construíste uma fortaleza por causa de teus adversários.
Assim reduziste ao silêncio teus inimigos que buscam vingança.

Percebamos como se contrastam a realidade das “criancinhas” e as “crianças maiores” com os “inimigos que buscam vingança”.

5 - AÇÃO
Com que me comprometo? Com que nos comprometemos?

Proposta pessoal
Buscar de maneira concreta e pontual a possibilidade de viver algum tipo de serviço para com os irmãos. Pode ser algo “novo” ou, talvez melhor, realizá-lo no próprio ambiente de vida. Fazê-lo em silêncio e com alegria interior…

Proposta comunitária
Dialogar em teu grupo de jovens com estas frases sobre a humildade. O que pensam sobre cada uma? Em que estão de acordo ou talvez não? Conhecem outras frases ou “definições” de humildade?
Humildes são aqueles que reconhecem que é comum a todos a verdade (Santo Agostinho).
Quando não há humildade, as pessoas se degradam (Agatha Christie).
Os rios mais profundos são sempre os mais silenciosos (Quinto Curcio).
O orgulho divide a humanidade, a humildade o une (J. B. Lacordaire).
Quanto maiores somos na humildade, tanto mais próximos estamos da grandeza (R. Tagore).

sábado, 12 de setembro de 2009

24º Domingo Comum – Ano B - Mc 8,27-35

LECTIO DIVINA
Domingo 13 de Setembro de 2009
Autor: Pe. Gabriel Mestre
Tradução: Pe. Carlos Henrique Nascimento
lectionautas.com

1 - LEITURA
O que diz o texto?
Indicações para a leitura
Queridos irmãos:
Depois da cura do cego em Betsaida (versículo 22), Jesus vai para o norte com seus discípulos, para os povoados de Cesareia de Filipe. No caminho, o Senhor quer instruir seus discípulos e parte da seguinte pergunta: quem o povo diz que eu sou? A pergunta não é superficial. O diagnóstico revela que “o povo” não compreendeu quem realmente seja Jesus. Todos os personagens que aparecem em sequência são “homens”, grandes homens da história de Israel, porém sem referência à divindade de Jesus.
Depois que os discípulos falam, Jesus lhes fará a mesma pergunta: E vocês? Quem vocês dizem que eu sou? Pedro responde em nome de todos: Tu és o Messias! A resposta de Pedro está correta. Ser Jesus o Messias significa que Ele é aquele que todo o povo estava esperando como salvador definitivo de todos os homens, aquele que devia instaurar definitivamente o Reino de Deus. A afirmação de Pedro é toda uma profissão de fé em Jesus como Messias, Deus e Salvador. É absolutamente correta em sua formulação.
A partir do versículo 31, muda o “clima” do relato e Jesus começa a narrar situações sobre sua própria vida que nunca tinha dito antes: terá de sofrer muito, será rejeitado pelos líderes religiosos do povo, será morto e vai ressuscitar... Quanto ao ressuscitar, parece que os discípulos não entendem ainda, pois o que os escandaliza é a primeira parte do relato. Então, Pedro o leva à parte para repreendê-lo. Que atrevimento o de Pedro! Repreender o próprio Deus! Jesus vai responder imediatamente à relação de Pedro diante de todos os discípulos: os raciocínios de Pedro não vêm de Deus, surgem da natureza humana seduzida por Satanás. Se o plano de Deus é que Jesus sofra e morra para salvar a todos os homens, é assim que deve ser e, Jesus, sendo o próprio Deus, obedecerá à vontade do Pai eterno.
Graças a esta situação, o Senhor realizará uma primeira “catequese” sobre o tema da cruz e o sofrimento na vida do discípulo que quiser realmente segui-lo.

Saiba que: na terra de Jesus há duas localidades que têm o nome de Cesareia: “de Filipe” e “Marítima”. Cesareia de Filipe: localizada ao pé do monte Hermon nas colinas do Golan. A cidade estava localizada na região conhecida como "Panion", região do deus grego Pan. Herodes Filipe, filho de Herodes o Grande, ampliou e enriqueceu a cidade, dando-lhe o nome de Cesareia em honra a César, ao que acrescentou ‘de Filipe’ para distingui-la de Cesareia de Palestina, porto marítimo do sul. Cesareia Marítima (ou de Palestina, ou do Mar): é uma antiga cidade que foi construída por Herodes o Grande por volta de 25-13 a.C. Situa-se na costa de Israel, a metade do caminho entre Tel Aviv e Haifa.
Outros textos bíblicos para confrontar: Mt 16,13-26; Lc 9,18-27; Mc 1,34; Mt 21,42.
Para continuar aprofundando estes temas, tente localizar nos mapas da sua Bíblia os lugares: Betsaida, Cesareia de Filipe.

Perguntas para a leitura
Por quais regiões anda Jesus? Em que lugar se encontra e aonde se dirige?
Está sozinho? Com quem anda?
O que pergunta Jesus a seus discípulos?
O que eles respondem?
Qual é a segunda pergunta que faz Jesus? A quem é dirigida?
Quem responde a esta segunda pergunta? O que diz ao Senhor?
O que faz Jesus a partir deste momento? Que coisas novas começa a dizer?
Qual é a reação de Pedro ao escutar estas palavras? O que faz com Jesus?
Como reage o Mestre perante a repreensão de Pedro?
Que frases usa o Senhor?
O que diz a seus discípulos e ao povo a partir desta situação?

2 - MEDITAÇÃO

O que me diz o texto? O que nos diz o texto?
Perguntas para a meditação
O que respondo hoje se Jesus me faz a primeira pergunta que fez aos discípulos?
O que diz hoje o povo de Jesus? O que opina? O povo vê Jesus como um revolucionário? Como uma referência moral? Como um defensor dos pobres e marginalizados? Como um profeta de calamidades? Como…?
Veem em Jesus o Messias, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem?
Fica claro que Jesus tem uma missão integral, enquanto liberta o homem de todas as prisões, começando pela mais prejudicial que é o próprio pecado?
E eu? O que “penso” acerca de Jesus?
O que “opino” sobre ele?
Quem é Jesus para mim? É realmente o Messias, o Enviado de Deus?
O que penso da missão de Jesus?
Que impacto tem sobre mim o fato de que Ele para salvar-nos tenha tido que sofrer muito e passar pela morte e morte de cruz?
“Escandaliza-me” o fato de Jesus ter morrido na cruz?
Tenho a atitude de Pedro de afirmar com todas as forças que Jesus é o Messias e logo não aceitar na vida a realidade do sofrimento e da morte?
Detenho-me somente em pensamentos humanos? Termino “falando como Satanás”?
Em que situações de minha vida não tenho aceitado a realidade do sofrimento e da morte? Revolto-me contra Deus? De que forma?
Deixo-me instruir por Jesus? Deixo que Ele me ensine?
Quero ser realmente discípulo do Senhor?
Aceito que tenho que esquecer fazer minha própria vontade e estar disposto a morrer numa cruz?
O que significa para mim de maneira concreta hoje aprender a “morrer na cruz”?
Preocupo-me demasiado com a minha vida, a tal ponto de não me entregar generosamente aos outros?

3 - ORAÇÃO

O que digo a Deus? O que dizemos a Deus?
Para a oração vamos utilizar um belo hino de São Paulo que nos fala do mistério da vida de Cristo:
Fl 2,5-11
De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,
Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus,
Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;
E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.
Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome;
Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra,
E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.

Tenhamos presente como neste hino se equilibram as duas naturezas de Cristo: a humana na primeira parte e a divina na segunda. É uma excelente catequese sobre Jesus Cristo verdadeiro Deus e verdadeiro homem.


4 - CONTEMPLAÇÃO

Como interiorizo a mensagem? Como interiorizamos a mensagem?
Para realizar a contemplação deste texto da Escritura vamos tomar a frase de Pedro: Tu és o Messias… Descreveremos situações de nossa vida e faremos logo delas profissão de fé:
· Quando o medo chegar à porta de minha vida, quero dizer com todas as minhas forças: Tu és o Messias.
· Quando me vir tentado em seguir outros caminhos diferentes dos teus, vou dizer: Tu és o Messias.
· Quando me sentir sozinho e desamparado, gritarei com todas as minhas forças: Tu és o Messias.
· Quando…
· Quando…

5 - AÇÃO

Com que me comprometo? Com que nos comprometemos?
Proposta pessoal
Fazer um sincero exame de consciência para revisar em que oportunidades, pensei “como um homem qualquer”, sem levar em conta a presença de Deus em minha vida, deixando-me levar pelos critérios de Satanás.
Proposta comunitária
Tendo presente os jovens de teu grupo fazer o exercício de perguntar aos jovens de diferentes ambientes: quem é Jesus para você? Depois juntar todos os membros de teu grupo para analisar as respostas … o que pensam os jovens de Jesus?