segunda-feira, 17 de agosto de 2009

21º Domingo Comum - Ano B - Jo 6,60-69

LECTIO DIVINA
Domingo, 23 de Agosto de 2009
Autor: Pe. Gabriel Mestre
Tradução: Pe. Carlos Henrique

1 - LEITURA
O que diz o texto?
Queridos irmãos:
Neste Domingo, concluímos a leitura do capítulo 6 do Evangelho de João. No próximo encontro retomaremos a leitura semi-contínua do Evangelho de Marcos.
Uma vez que ouviram todo o Discurso sobre o Pão da Vida, os mesmos que seguiam a Jesus fazem uma análise, uma avaliação sobre as palavras do Senhor. O veredicto é simples e decisivo: “essa palavra é dura”. Além disso, o texto continua com uma pergunta retórica: “quem consegue escutá-la (aceitá-la)?”
Jesus não fica calado e responde com duas perguntas retóricas: “isto vos escandaliza? E quando virdes o Filho do homem subindo para onde estava antes?” Desta forma, Jesus aponta mais uma vez que a incapacidade que eles têm surge por falta de fé: por mais que “vejam” o mais prodigioso não vão acreditar. Nenhum ser humano simples pode dar Vida Eterna, só o Espírito de Deus. Jesus se associa assim à ação do Espírito. As palavras que o Senhor diz vêm do mesmo Espírito, não são palavras humanas, mas de Deus. Jesus conhece o coração do homem, sabe quem crê e quem não crê... Além disso, recorda como é o Pai, em definitivo, o que dá o dom de ser um discípulo autêntico.
O resultado último das palavras de Jesus é que muitos o abandonam, não querem segui-lo. Neste contexto, o Senhor perguntará aos mais próximos, aos apóstolos que Ele mesmo tinha escolhido: “Vós também quereis ir embora?” Simão Pedro responderá em nome dos Doze também com uma pergunta retórica e com uma afirmação contundente: “A quem iríamos, Senhor? Só tu tens palavras de vida eterna. Nós acreditamos firmemente e reconhecemos que tu és o santo de Deus”.
Um grupo muito grande de pessoas escutou o Discurso do Pão da Vida que o Senhor pronunciou. A maioria delas não aceitou e foi embora desiludida. Entretanto, os Doze Apóstolos ficaram com o Senhor mostrando que a fé já tinha se fixado em seu coração. Deus tinha concedido a eles o dom da fé e eles foram capazes de cuidar dela para que desse o fruto verdadeiro.

Saiba que: quando Deus chama à fé, o faz mostrando algum sinal para aceitá-la, porém deixando em nossas mãos a responsabilidade da resposta. Não faz violência ao nosso coração para que creia. Deixa que tomemos as decisões com liberdade. Por isso, como no Evangelho deste fim de semana, o chamado pode ser contestado afirmativamente seguindo o Senhor ou negativamente afastando-se de seu caminho.

Outros textos bíblicos para confrontar: Mt 4,18-19; Mt 16,13-20; Jo 21,15-17; At 7,38; At 3,14.

Perguntas para a leitura
Quem são os que estavam seguindo a Jesus? (olhar os textos bíblicos dos quatro domingos anteriores)?
O que opinam sobre as palavras do Senhor? Eles as acham oportunas e fáceis?
O que responde Jesus perante o “juízo” negativo de seus seguidores?
É fácil para eles entenderem que Jesus é Deus e que os sinais que realiza buscam manifestar o poder de Deus?
Que lugar ocupa o Espírito de Deus?
Um ser humano pode dar a Vida Eterna?
Qual é a origem das palavras de Jesus?
Qual é em definitivo o grande problema dos que questionam as palavras de Jesus?
Jesus conhece o coração dos homens? O que sabe dele?
Quem é aquele que dá forças para poder ser um verdadeiro seguidor de Jesus?
Qual é a reação a partir deste momento daqueles que vinham seguindo o Senhor?
Ao ver que todos começam a ir embora: o que pergunta Jesus aos Doze Apóstolos?
Quem vai contestar em nome de todos?
O que Simão Pedro vai dizer em nome de todos?

2 - MEDITAÇÃO
O que o texto me diz?
Perguntas para a meditação

Qual opinião tenho acerca do que Jesus “me diz” através da Escritura, através de sua Palavra?
Aceito as exigências do Evangelho?
Quais temas do Evangelho de Jesus me custa mais aceitar?
Onde percebo hoje as maiores exigências do Evangelho para minha vida?
Tenho fé em Jesus?
Creio em Jesus como o Deus Filho do Homem que volta ao Pai?
Deixo que o Espírito de Deus me dê vida?
Creio no Espírito de Deus que me dá vida e Vida Eterna?
Sabendo que Jesus conhece o bom e o mau que há em meu coração: ofereço-lhe o bom para que o potencie e ofereço-lhe o mau para que o transforme e converta?
Abro-me a Deus Pai que é o que me permite pela fé ser seguidor de seu Filho?
“Abandono” Jesus? Deixo de segui-lo? Em quais circunstâncias? Sou constante em meu ser discípulo do Senhor ou “vou e venho” constantemente?
O que lhe respondo a Jesus quando ele me pergunta: “tu também queres ir embora”?
Assumo em minha vida a pergunta de Pedro: “Senhor a quem iríamos”?
O que implica para mim hoje dizer a Jesus: “só tu tens palavras de vida eterna”?

3 - ORAÇÃO
O que digo a Deus?
Esta profissão de fé em Jesus como o único que tem “palavras” de Vida Eterna nos leva olhar a Jesus como Palavra, Palavra com maiúsculas. Por isso, se apresentam aqui algumas linhas tomadas da Mensagem Final do Sínodo dos Bispos 2008 que junto ao Papa refletiu sobre o tema da Palavra de Deus.

II. O ROSTO DA PALAVRA: JESUS CRISTO
4. No original grego são só três as palavras fundamentais: Lógos, sarx, eghéneto, “O Verbo/Palavra fez-se carne”. Porém, este não é só o ápice dessa jóia poética e teológica que é o prólogo do Evangelho de S. João (1, 14), mas o próprio coração da fé cristã. A Palavra eterna e divina entra no espaço e no tempo e assume um rosto e uma identidade humana, assim é, que é possível aproximar-se dela pedindo diretamente, como fez aquele grupo de gregos presentes em Jerusalém: “Queremos ver Jesus” (Jo 12, 20-21). As palavras sem rosto não são perfeitas, porque não cumprem plenamente o encontro, como lembrava Jó, quando chegou ao final do seu dramático itinerário de procura: “Os meus ouvidos tinham ouvido falar de Ti, mas agora veem-te os meus próprios olhos” (42, 5). Cristo é “A Palavra que está junto de Deus e é Deus”, é “imagem de Deus invisível, primogênito de toda a criação” (Cl 1, 15); mas também é Jesus de Nazaré, que caminha pelas ruas de uma província marginal do império romano, que fala uma linguagem local, que apresenta os traços de um povo, o judeu, e a sua cultura. Jesus Cristo é real, portanto, carne frágil e mortal, é história e humanidade, mas também é glória, divindade, mistério: Aquele que nos revelou o Deus jamais visto (cf. Jo 1, 18). O Filho de Deus continua sendo o mesmo nesse cadáver depositado no sepulcro e a ressurreição o seu testemunho vivo e eficaz.

Tenhamos presente para nossa reposta da oração estes dois parágrafos da mensagem. Ainda que possam parecer um pouco densos de entrada nos dão uma reflexão muito profunda sobre Cristo-Palavra que tem implicâncias muito diretas para nossa vida. Temos que nos animarmos a ler, a pensar, a refletir e a orar…

4 - CONTEMPLAÇÃO
Como interiorizo a mensagem?
Para contemplar o texto me deteria na frase que atua como climax de todo o relato. Traduzidas mais literalmente seria algo assim:
· Senhor: a quem iremos? Tu tens Palavras de Vida Eterna…
· Senhor: a quem iremos? Tu tens Palavras de Vida Eterna…

5 - AÇÃO
Com que me comprometo?
Proposta pessoal

Fazer uma lista das Palavras de Jesus no Evangelho que mais me resultem significativas hoje. Perguntar-se o porquê são importantes hoje.

Proposta comunitária

Em teu grupo, tentar realizar um “diagnóstico” com relação às dificuldades que aparecem para viver as Palavras de Jesus. O que é que mais custa às pessoas em geral da vivência do Evangelho?

Nenhum comentário: