domingo, 30 de agosto de 2009

23º Domingo Comum - Ano B - Marcos 7, 31-37

LECTIO DIVINA
Domingo 6 de setembro de 2009

1 - LEITURA

O que diz o texto?

Indicações para a leitura

Queridos amigos:

Para a Lectio Divina deste Domingo proponho fazer uma análise dos personagens que aparecem no relato com suas características próprias e, logo, ver os valores (características positivas) e anti valores (características negativas) que deles se tiram, para confrontá-los com nossa própria vida no momento da meditação.

1. Jesus:
· Anda por território pagão (Tiro, Sidônia, Decápole).
· Leva o homem surdo a um lugar afastado.
· Coloca os dedos nos ouvidos do surdo e com a saliva toca a sua língua.
· Olha para o céu, suspira e diz ao homem em aramaico: Efatá! (Abre-te!).
· Recomenda com insistência que não contem a ninguém o que aconteceu com o homem (cfr. também Mc 1,34).
2. “Alguns que não são nomeados” (“multidão” do versículo 33?):
· Trazem o homem surdo até Jesus.
· Pedem a Jesus para que faça a imposição das mãos sobre ele.
· Divulgam o que Jesus faz.
· Estão impressionados e insistem em contar as maravilhas de Deus recordando um versículo do livro de Isaías (Is 35,5-6).
3. Homem surdo:
· É levado a Jesus com sua surdez e mudez.
· É levado por Jesus a um lugar afastado da multidão
· É “tocado” por Jesus que também lhe diz em aramaico: Efatá! (Abre-te!).
· Abrem-se seus ouvidos e se solta sua língua podendo assim falar bem.
Frutos da análise dos personagens do relato:
1. Pistas positivas (valores):
· Desde as atitudes de Jesus:
o Ter a abertura de andar por todas as regiões e não fechar-se a ninguém.
o Ter a delicadeza de “levar a um lugar separado” o enfermo.
o Aproximar-se da “humanidade” do enfermo e envolver-se a tal ponto de por os dedos nos ouvidos e com a saliva tocar-lhe a língua.
o Ter a atitude religiosa de “olhar para o céu”.
· Desde as atitudes da “multidão”:
o Levar o “enfermo” ao encontro com Jesus.
o Pedir que Jesus ponha sua mão sobre ele para curá-lo.
o Contar as maravilhas feitas por Jesus.
· Desde a atitude do enfermo: ser dócil com as pessoas que o levam ao encontro com Jesus.
2. Pistas negativas (desvalores):
· A enfermidade deste homem: a surdez física, símbolo das surdezes espirituais que impedem escutar a Deus e ao irmão; a mudez física símbolo da mudez espiritual que impede comunicar-se com Deus e com os irmãos.
· Há um bloqueio na comunicação. Não pode comunicar-se como é devido.

Saiba que: Decápole (do grego déka "dez", e pólis "cidade"), era una antiga confederação de 10 cidades na fronteira oriental do Império Romano na Síria e Judéia, criada ao redor de 63 a.C., para o fomento da cultura, o comércio e o socorro mútuos. O nome também era aplicado à região na que estava a maioria destas cidades.

Outros textos bíblicos para confrontar: Mc 8,23; Jo 9,6; Mc 5,23; 6,5; 8,23.25.

Para continuar aprofundando estes temas, você poderá olhar no Mapa da sua Bíblia, “a Palestina no Tempo de Jesus”, tente localizar a cidade de Tiro na Fenícia e o território da Decápole a sudoeste do Lago da Galileia.

Perguntas para a leitura

O que faz Jesus? Para onde ele sai?
Qual é a particularidade que tem o homem que é levado para junto do Senhor?
O que pedem a Jesus os que trazem o surdo?
O que faz o Senhor?
Aonde o leva?
Como se desenvolve a primeira parte da cura do homem?
Que gestos realiza o Senhor depois?
Qual palavra “particular” pronuncia na cura? O que significa esta palavra?
Qual é o resultado na vida do homem depois da realização de todos os gestos?
O que lhe ordena Jesus reservadamente?
O que faz a multidão perante a recomendação de Jesus?
O que é citado no final do relato?

2 - MEDITAÇÃO

O que o texto me diz? O que o texto nos diz?
Perguntas para a meditação

· Tenho abertura às outras pessoas? Ando pelos territórios “pagãos” da atualidade, isto é, pelos lugares onde o Deus verdadeiro não está presente?
· Sou “delicado”, cuidadoso e respeitoso com as pessoas que estão enfermas em seu corpo, alma e espírito?
· Me envolvo com a realidade do sofrimento do irmão? Sou capaz de assumir a vida, a humanidade e a mesma enfermidade dos outros?
· Tenho a adequada atitude religiosa para pedir a intercessão de Jesus perante as pessoas que estão mal: enfermos, pecadores, afastados da fé etc?
· Sou capaz de “curar” com minha presença, meu carinho, minha capacidade de escuta e conselho ao irmão só, triste e desamparado?
· Aproximo as pessoas de Jesus? Preocupo-me com os que estão com dificuldades em encontrar em Jesus a resposta para seus problemas? Sou “ponte” entre Deus e os homens? Permito que o poder curador do Senhor chegue aos mais atribulados?
· Conto as maravilhas de Deus a meus irmãos? Dou testemunho de um Deus que liberta e cura? Sou capaz de gritar aos “quatro ventos” que Deus nos ama e que quer que sejamos felizes?
· Sou dócil aos conselhos das pessoas que querem aproximar-me de Jesus? Me relaciono com irmãos que me orientam no caminho da fé, da esperança e do amor?
· Aproximo-me de Jesus para que me cure? Ofereço ao Senhor minha surdez e mudez espiritual para que Ele as cure com seu poder soberano?
· Deixo-me “curar” por Jesus ou resisto à sua presença? Busco outros “salvadores” do mundo ou me prostro perante o único Salvador?

3 - ORAÇÃO

O que digo a Deus? O que dizemos a Deus?

Para orar vamos transcrever o texto de Isaías que recorda a multidão admirada no final do relato.
35
1
O deserto e a terra árida regozijar-se-ão. A estepe vai alegrar-se e florir. Como o lírio
2
ela florirá, exultará de júbilo e gritará de alegria. A glória do Líbano lhe será dada, o esplendor do Carmelo e de Saron; será vista a glória do Senhor e a magnificência do nosso Deus.
3
Fortificai as mãos desfalecidas, robustecei os joelhos vacilantes.
4
Dizei àqueles que têm o coração perturbado: Tomai ânimo, não temais! Eis o vosso Deus! Ele vem executar a vingança. Eis que chega a retribuição de Deus: ele mesmo vem salvar-vos.
5
Então se abrirão os olhos do cego. E se desimpedirão os ouvidos dos surdos;
6
então o coxo saltará como um cervo, e a língua do mudo dará gritos alegres. Porque águas jorrarão no deserto e torrentes, na estepe.
7
A terra queimada se converterá num lago, e a região da sede, em fontes. No covil dos chacais crescerão caniços e papiros.
8
E haverá uma vereda pura, que se chamará o caminho santo; nenhum ser impuro passará por ele, e os insensatos não rondarão por ali.
9
Nele não se encontrará leão, nenhum animal feroz transitará por ele; mas por ali caminharão os remidos,
10
por ali voltarão aqueles que o Senhor tiver libertado. Eles chegarão a Sião com cânticos de triunfo, e uma alegria eterna coroará sua cabeça; a alegria e o gozo possuí-los-ão; a tristeza e os queixumes fugirão.

Prestemos atenção à perspectiva de esperança que nos dá este texto. O que no Antigo Testamento era esperança começa a ser realidade em Jesus Cristo, Nosso Senhor, que vem a revelar o rosto misericordioso do Pai que cura e liberta a todos e cada um dos membros de seu Povo Santo.

4 - CONTEMPLAÇÃO

Como interiorizo a mensagem? Como interiorizamos a mensagem?

Para interiorizar o relato bíblico deste Domingo utilizaremos a palavra aramaica: Efatá…
Podemos proceder desta forma:
· Quando tenho a tentação de fechar meu coração, escuto Senhor tua Palavra que me diz Efatá…
· Quando me fecho a meus irmãos por medo ou capricho, escuto Senhor tua Palavra que diz Efatá…
· Quando bloqueio minha comunicação contigo, escuto Senhor tua Palavra que me diz Efatá…
· Quando…

5 - AÇÃO

Com que me comprometo? Com que nos comprometemos?

Proposta pessoal

Examinar-me com relação a minhas “surdezes” espirituais. Onde ou em quais circunstâncias me custa mais escutar a Palavra de Deus?

Proposta comunitária

Com teu grupo tentar detectar os principais bloqueios na comunicação dos homens, especialmente no âmbito juvenil. Por que se cortam os níveis de diálogo e comunicação entre os jovens entre si, entre os jovens e os adultos, e, entre os jovens e o próprio Deus?

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

22º Domingo do Tempo Comum – Ano B - Mc 7,1-8.14-15.21-23

1 - LEITURA
O que diz o texto?

Queridos servidores da Palavra:

Depois de ter feito um parêntese de mais de um mês seguindo o capítulo sexto do Evangelho de São João, hoje retomamos a leitura semi-contínua do Evangelho de São Marcos no Ano B que estamos seguindo.
O texto deste domingo é tirado do início do capítulo sétimo. Começa com o versículo 1º e vai até o 23, mas com alguns “cortes” que a Liturgia faz para deixar mais claro o conteúdo central do relato e não nos perdermos nos vários aspectos conexos que nele se realizam. De fato, omitimos os versículos 9-13 e 17-20.
São descritos alguns dos costumes rituais que têm os judeus em geral e os fariseus de modo particular. Estes costumes aparentemente não são seguidos pelos discípulos de Jesus. É assim que alguns fariseus e mestres da lei se aproximam do Senhor: questionando-o por esta atitude de seus seguidores. O Senhor reage de modo muito firme e claro acusando-lhes de hipocrisia. Esta palavra, hipócrita, é fundamental na dinâmica do texto. Etimologicamente vem do grego e significa “realizar um determinado papel de protagonista na vida”. Fazer um papel de protagonista numa obra de teatro ou em qualquer ficção é uma coisa muito boa: o ator atua um determinado personagem com características particulares que não têm porque coincidir com o que ele é na realidade (uma pessoa muito boa pode fazer o papel de malvado num filme). O problema é quando se interpreta um papel diferente do que realmente se é no próprio interior, na vida real e concreta. O hipócrita é então o que tende a fingir na vida, é falso nas ações de sua vida. Jesus é muito duro com esta expressão e a reforça com mais dois elementos. Em primeiro lugar, cita um texto de Isaías onde Deus anula o louvor e a obediência do povo porque estas se reduzem só a palavras, dado que na realidade o povo “nunca pensa” em seu Deus. Em segundo lugar, dirá que o grande problema é que desobedecem aos mandamentos mais importantes para se concentrar em meros ensinamentos humanos. O hipócrita fica com a “casca” das coisas perdendo de vista o mais essencial e importante.
Mas além da dureza de Jesus é importante ter presente que o versículo 4 diz que “alguns fariseus e mestres da lei” se aproximam de Jesus. A palavra “alguns” tem que nos deixar atentos com relação a imagem que fazemos dos fariseus e mestres da lei. Não necessariamente todos os fariseus e mestres da lei são hipócritas. São, ao menos, estes que questionam o Senhor pela atitude dos discípulos.
Os últimos versículos são endereçados a todos: “Jesus chamou a multidão” (versículo 14). Na questão suscitada pelos costumes dos antepassados, o Senhor aproveita para deixar claro que o que torna impuro o homem perante Deus não é o que entra pela boca, mas sim as más ações que saem do coração e da boca do homem.
Saiba que: os fariseus são o grupo religioso da época de Jesus com maior autoridade perante o povo. Literalmente fariseu significa “os separados” ou talvez “os intérpretes”. Acreditam na vida futura e aceitam simultaneamente o livre arbítrio e a providência. A imagem do NT em geral é negativa, são vistos como adversários de Jesus e estão ligados aos escribas ou mestres da lei. A imagem dos escritos rabínicos está condicionada num sentido positivo por serem considerados os rabinos os legítimos herdeiros deles; são descritos como dirigentes políticos e religiosos. É realmente muito difícil ter uma idéia adequada deste grupo. Além da variedade de dados, é muito provável que tenha havido uma evolução interna que faça dos fariseus um grupo com diversas ênfases em sua evolução. Inicialmente comprometido com a política, logo se transformaria num grupo rigorosamente religioso, campeão da mais rigorosa interpretação da lei e porta-voz da tradição oral.
Outros textos bíblicos para confrontar: Mt 15,1-20; Lc 11,38; Is 29,13.

Para continuar aprofundando estes temas, olhe no Índice Temático da sua Bíblia, o vocábulo “Mestre”.

Perguntas para a leitura
O que nos é dito acerca dos judeus em geral e dos fariseus em particular no início do texto?
Quem se aproxima de Jesus?
O que observam os que se aproximam do Senhor?
O que perguntam a Jesus?
Como responde o Senhor?
O que significa ser “hipócrita”?
O que diz o texto de Isaías que Jesus cita?
Qual é a frase que Jesus diz ao terminar de lembrar o texto de Isaías?
Uma vez que acabou o confronto com alguns fariseus e mestres da lei, quem o Senhor chama?
O que lhes diz?
O que torna impuro os homens?
De onde surge o “mal” que há entre os homens?

2 - MEDITAÇÃO

O que me diz o texto? O que nos diz o texto?

Perguntas para a meditação
Estou demasiado ligado aos “costumes” superficiais, sejam humanos ou religiosos, que tiram minha liberdade?
Tenho a tentação de “começar a criticar” aqueles que não partilham os mesmos costumes que eu tenho?
O que me recorda a palavra “hipócrita”? Aplico-a a mim ou tendo a ver primeiro as atitudes do irmão?
Sou ou não sou hipócrita?
Em quais aspectos de minha vida pode haver um pouco ou muito de hipocrisia? Tenho a tentação de “interpretar um papel” em minha vida diferente do que acredito e busco viver desde o profundo de meu coração?
Como me soa hoje o texto de Isaías com sua forte reprovação?
Digo que obedeço e louvo a Deus, porém nunca penso Nele?
Fico ligado às “regras humanas” que Deus nunca pediu e as “exijo” aos outros?
Dou muita importância aos “ensinamentos secundários humanos” perdendo de vista a centralidade da Palavra de Deus?
Como parte do povo de Deus: busco escutar e entender o que o Senhor apresenta a partir do versículo 14?
Onde está a origem da “impureza” que há no coração dos homens?
De onde vem a impureza e o pecado de meu próprio coração?
Caio na tentação de “dirigir as culpas” de minhas faltas e pecados às coisas que vêm de fora?
Sou consciente de que o mal que faço ou posso fazer não é responsabilidade primeira dos “outros” senão de minha própria debilidade?
Procuro “pensar” em Deus, pensar nos valores do Reino?
Penso “coisas más”? Vivo pensando no mal?

3 - ORAÇÃO

O que digo a Deus? O que dizemos a Deus?
Para orar proponho um salmo que fala das condições necessárias para viver no santuário, isto é, render culto de louvor e de obediência a Deus. A partir do versículo dois aparecem pistas para ver quais são as verdadeiras atitudes do autêntico orante.

Salmo 15 (14)
Requisitos para viver com Deus
O hóspede de Deus

Salmo de Davi.
1 Ó Senhor Deus, quem tem o direito de morar no teu Templo?
Quem pode viver no teu monte santo?
2 Só tem esse direito aquele que vive uma vida correta,
que faz o que é certo
e que é sincero e verdadeiro no que diz.
3 Ele não fala mal dos outros,
não prejudica os seus amigos
e não espalha boatos a respeito dos seus vizinhos.
4 Ele despreza aqueles que o Senhor rejeita,
mas trata com respeito os que o temem.
Ele cumpre o que promete, mesmo com prejuízo próprio,
5 empresta sem cobrar juros
e não aceita suborno para ser testemunha contra pessoas inocentes.
Aquele que age assim estará sempre seguro.


4 - CONTEMPLAÇÃO

Como interiorizo a mensagem? Como interiorizamos a mensagem?

Para interiorizar a Palavra deste Domingo pode ser útil fazer algumas monições livres pedindo perdão pela hipocrisia que pode esconder o coração do homem na relação com Deus:
· Perdão Jesus por te louvar com os lábios, mas não pensar em ti...
· Perdão Jesus por te obedecer de palavra, porém logo estar longe do teu coração …
· Perdão Jesus...

5 - AÇÃO

Com que me comprometo? Com que nos comprometemos?

Proposta pessoal

Buscar diferenciar sempre o essencial e principal, do acessório e secundário na própria vida para não ficar ligado neste segundo e dar importância real ao primeiro.

Proposta comunitária

Dialogar com teu grupo de jovens com relação às situações de hipocrisia mais comuns de seu ambiente.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

21º Domingo Comum - Ano B - Jo 6,60-69

LECTIO DIVINA
Domingo, 23 de Agosto de 2009
Autor: Pe. Gabriel Mestre
Tradução: Pe. Carlos Henrique

1 - LEITURA
O que diz o texto?
Queridos irmãos:
Neste Domingo, concluímos a leitura do capítulo 6 do Evangelho de João. No próximo encontro retomaremos a leitura semi-contínua do Evangelho de Marcos.
Uma vez que ouviram todo o Discurso sobre o Pão da Vida, os mesmos que seguiam a Jesus fazem uma análise, uma avaliação sobre as palavras do Senhor. O veredicto é simples e decisivo: “essa palavra é dura”. Além disso, o texto continua com uma pergunta retórica: “quem consegue escutá-la (aceitá-la)?”
Jesus não fica calado e responde com duas perguntas retóricas: “isto vos escandaliza? E quando virdes o Filho do homem subindo para onde estava antes?” Desta forma, Jesus aponta mais uma vez que a incapacidade que eles têm surge por falta de fé: por mais que “vejam” o mais prodigioso não vão acreditar. Nenhum ser humano simples pode dar Vida Eterna, só o Espírito de Deus. Jesus se associa assim à ação do Espírito. As palavras que o Senhor diz vêm do mesmo Espírito, não são palavras humanas, mas de Deus. Jesus conhece o coração do homem, sabe quem crê e quem não crê... Além disso, recorda como é o Pai, em definitivo, o que dá o dom de ser um discípulo autêntico.
O resultado último das palavras de Jesus é que muitos o abandonam, não querem segui-lo. Neste contexto, o Senhor perguntará aos mais próximos, aos apóstolos que Ele mesmo tinha escolhido: “Vós também quereis ir embora?” Simão Pedro responderá em nome dos Doze também com uma pergunta retórica e com uma afirmação contundente: “A quem iríamos, Senhor? Só tu tens palavras de vida eterna. Nós acreditamos firmemente e reconhecemos que tu és o santo de Deus”.
Um grupo muito grande de pessoas escutou o Discurso do Pão da Vida que o Senhor pronunciou. A maioria delas não aceitou e foi embora desiludida. Entretanto, os Doze Apóstolos ficaram com o Senhor mostrando que a fé já tinha se fixado em seu coração. Deus tinha concedido a eles o dom da fé e eles foram capazes de cuidar dela para que desse o fruto verdadeiro.

Saiba que: quando Deus chama à fé, o faz mostrando algum sinal para aceitá-la, porém deixando em nossas mãos a responsabilidade da resposta. Não faz violência ao nosso coração para que creia. Deixa que tomemos as decisões com liberdade. Por isso, como no Evangelho deste fim de semana, o chamado pode ser contestado afirmativamente seguindo o Senhor ou negativamente afastando-se de seu caminho.

Outros textos bíblicos para confrontar: Mt 4,18-19; Mt 16,13-20; Jo 21,15-17; At 7,38; At 3,14.

Perguntas para a leitura
Quem são os que estavam seguindo a Jesus? (olhar os textos bíblicos dos quatro domingos anteriores)?
O que opinam sobre as palavras do Senhor? Eles as acham oportunas e fáceis?
O que responde Jesus perante o “juízo” negativo de seus seguidores?
É fácil para eles entenderem que Jesus é Deus e que os sinais que realiza buscam manifestar o poder de Deus?
Que lugar ocupa o Espírito de Deus?
Um ser humano pode dar a Vida Eterna?
Qual é a origem das palavras de Jesus?
Qual é em definitivo o grande problema dos que questionam as palavras de Jesus?
Jesus conhece o coração dos homens? O que sabe dele?
Quem é aquele que dá forças para poder ser um verdadeiro seguidor de Jesus?
Qual é a reação a partir deste momento daqueles que vinham seguindo o Senhor?
Ao ver que todos começam a ir embora: o que pergunta Jesus aos Doze Apóstolos?
Quem vai contestar em nome de todos?
O que Simão Pedro vai dizer em nome de todos?

2 - MEDITAÇÃO
O que o texto me diz?
Perguntas para a meditação

Qual opinião tenho acerca do que Jesus “me diz” através da Escritura, através de sua Palavra?
Aceito as exigências do Evangelho?
Quais temas do Evangelho de Jesus me custa mais aceitar?
Onde percebo hoje as maiores exigências do Evangelho para minha vida?
Tenho fé em Jesus?
Creio em Jesus como o Deus Filho do Homem que volta ao Pai?
Deixo que o Espírito de Deus me dê vida?
Creio no Espírito de Deus que me dá vida e Vida Eterna?
Sabendo que Jesus conhece o bom e o mau que há em meu coração: ofereço-lhe o bom para que o potencie e ofereço-lhe o mau para que o transforme e converta?
Abro-me a Deus Pai que é o que me permite pela fé ser seguidor de seu Filho?
“Abandono” Jesus? Deixo de segui-lo? Em quais circunstâncias? Sou constante em meu ser discípulo do Senhor ou “vou e venho” constantemente?
O que lhe respondo a Jesus quando ele me pergunta: “tu também queres ir embora”?
Assumo em minha vida a pergunta de Pedro: “Senhor a quem iríamos”?
O que implica para mim hoje dizer a Jesus: “só tu tens palavras de vida eterna”?

3 - ORAÇÃO
O que digo a Deus?
Esta profissão de fé em Jesus como o único que tem “palavras” de Vida Eterna nos leva olhar a Jesus como Palavra, Palavra com maiúsculas. Por isso, se apresentam aqui algumas linhas tomadas da Mensagem Final do Sínodo dos Bispos 2008 que junto ao Papa refletiu sobre o tema da Palavra de Deus.

II. O ROSTO DA PALAVRA: JESUS CRISTO
4. No original grego são só três as palavras fundamentais: Lógos, sarx, eghéneto, “O Verbo/Palavra fez-se carne”. Porém, este não é só o ápice dessa jóia poética e teológica que é o prólogo do Evangelho de S. João (1, 14), mas o próprio coração da fé cristã. A Palavra eterna e divina entra no espaço e no tempo e assume um rosto e uma identidade humana, assim é, que é possível aproximar-se dela pedindo diretamente, como fez aquele grupo de gregos presentes em Jerusalém: “Queremos ver Jesus” (Jo 12, 20-21). As palavras sem rosto não são perfeitas, porque não cumprem plenamente o encontro, como lembrava Jó, quando chegou ao final do seu dramático itinerário de procura: “Os meus ouvidos tinham ouvido falar de Ti, mas agora veem-te os meus próprios olhos” (42, 5). Cristo é “A Palavra que está junto de Deus e é Deus”, é “imagem de Deus invisível, primogênito de toda a criação” (Cl 1, 15); mas também é Jesus de Nazaré, que caminha pelas ruas de uma província marginal do império romano, que fala uma linguagem local, que apresenta os traços de um povo, o judeu, e a sua cultura. Jesus Cristo é real, portanto, carne frágil e mortal, é história e humanidade, mas também é glória, divindade, mistério: Aquele que nos revelou o Deus jamais visto (cf. Jo 1, 18). O Filho de Deus continua sendo o mesmo nesse cadáver depositado no sepulcro e a ressurreição o seu testemunho vivo e eficaz.

Tenhamos presente para nossa reposta da oração estes dois parágrafos da mensagem. Ainda que possam parecer um pouco densos de entrada nos dão uma reflexão muito profunda sobre Cristo-Palavra que tem implicâncias muito diretas para nossa vida. Temos que nos animarmos a ler, a pensar, a refletir e a orar…

4 - CONTEMPLAÇÃO
Como interiorizo a mensagem?
Para contemplar o texto me deteria na frase que atua como climax de todo o relato. Traduzidas mais literalmente seria algo assim:
· Senhor: a quem iremos? Tu tens Palavras de Vida Eterna…
· Senhor: a quem iremos? Tu tens Palavras de Vida Eterna…

5 - AÇÃO
Com que me comprometo?
Proposta pessoal

Fazer uma lista das Palavras de Jesus no Evangelho que mais me resultem significativas hoje. Perguntar-se o porquê são importantes hoje.

Proposta comunitária

Em teu grupo, tentar realizar um “diagnóstico” com relação às dificuldades que aparecem para viver as Palavras de Jesus. O que é que mais custa às pessoas em geral da vivência do Evangelho?

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Assunção de Nossa Senhora – Ano B - Lc 1,39-56

LECTIO DIVINA
Domingo, 16 de Agosto de 2009
Na anunciação, o anjo informa a Maria a respeito da gravidez de Isabel, como uma garantia de que nada é impossível para Deus. Declarando-se serva do Senhor, Maria concebe Jesus, e como sinal do seu serviço, se dirige apressada para a casa de Zacarias, para encontrar sua parenta Isabel.
O Evangelho deste domingo (missa do dia) mostra o encontro das duas mães agradecidas pelo dom da fecundidade e da vida. O relato mostra também o encontro entre duas crianças, o precursor e o salvador. Jesus foi concebido por obra do Espírito Santo; João Batista exulta no ventre de Isabel que, cheia do Espírito Santo, proclama Maria bem-aventurada. O relato mostra, sobretudo, que a Santíssima Trindade se revela nos pobres e faz deles a sua morada permanente. O Pai tinha revelado a Maria o dom feito a Isabel, a excluída por causa de sua condição estéril; o Espírito revela a Isabel que Maria, a serva do Pai, tornara-se a “mãe do Senhor”. Assim, a Trindade entra na casa dos pobres humilhados que esperam a libertação.
A nossa oração mariana mais comum, a Ave Maria, na primeira parte é constituída exatamente pelas primeiras palavras do anjo a Maria. “Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é contigo”. A estas se seguem as primeiras palavras de Isabel: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”. O anjo chama Maria “cheia de graça”, Isabel a chama “bendita”. Ambas as expressões indicam antes de tudo qual é a relação de Deus com Maria. É desta relação que depende tudo aquilo que podemos afirmar sobre Maria.
As primeiras palavras de Isabel a Maria recordam os elogios feitos às mulheres libertadoras do Antigo Testamento; Jael: “que seja bendita entre as mulheres” (Jz 5,24); e Judite: “Ó filha, seja bendita pelo Deus altíssimo, mais que todas as mulheres da terra” (Jt 13,18). Também a segunda parte do versículo se inspira nas promessas de vida a Israel: “bendito o fruto do teu ventre” (Dt 28,4). João pula no ventre de Isabel e esta proclama Maria “bendita”, isto é, bem-aventurada. As bênçãos do Antigo Testamento são renovadas definitivamente em Maria.
Pedir a bênção é pedir a vida. Só Deus em definitiva pode dar a bênção. E em toda benção humana se pede a bênção de Deus, costume que também nós herdamos dos judeus. Na Bíblia, as pessoas abençoam (dão a benção) quando descobrem a presença de Deus que salva. Maria é motivo de bênção de maneira especial porque se tornou o lugar privilegiado no qual se experimenta Deus. Ela trouxe ao mundo o Senhor da vida por meio do qual foi vencida a morte e chegou até nós à vida eterna. Proclamando-a bendita, Isabel reconhece que Maria é cheia da bênção de Deus. O seu grande grito é um louvor (típico semítico) à ação de Deus, mas também é um grito de alegria por Maria.
Em relação à Maria, Isabel experimenta a sua própria condição indigna: “quem sou eu, para merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?”. Maria concebeu o Filho do Altíssimo, por isso, é a “mãe do Senhor”, a mãe de Deus. Na segunda parte da ave Maria, nós recitamos “Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós, pecadores”. Também nós, como Isabel, reconhecemos ser pecadores e indignos diante da mãe do Salvador. Como ela, reconhecemos a diferença, e temos por Maria o apreço e a veneração que a ela compete.
Enfim, Isabel reconhece a bem-aventurança de Maria por causa de sua atitude: “bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. Maria acolheu com fé a Palavra do Senhor. Levou a sério tudo o que Deus lhe anunciou. Assim, a fé se torna a forma fundamental da sua relação com Deus. Isabel é apresentada como aquela que por primeiro venerou Maria. Com as suas palavras, ela nos delineia os traços essenciais da figura de Maria.
Maria, diante de tudo isso, no canto do Magnificat, fala com júbilo de Deus, daquilo que ele operou nela. Maria fica impressionada pela grandiosidade do Senhor e da sua obra poderosa. E ao mesmo tempo reconhece a sua pequenez. Ela sabe que é pequena e insignificante diante dele. Reconhece tudo isso com sinceridade e não se ensoberbece. No cântico, Maria reconhece que todas as gerações a chamarão bem-aventurada. Não por orgulho, mas porque o motivo de sua bem-aventurança é a obra de Deus nela. Assim, não há nenhum motivo pelo qual nós não possamos venerá-la. O todo-poderoso fez grandes coisas nela. E, como Isabel, nos enchemos de alegria.
Com Maria, aprendemos a reconhecer que Deus é grande, poderoso e misericordioso, se dirige aos humildes e permanece absolutamente fiel a sua Palavra. Ele abate a soberba do homem.

Quantas vezes na nossa vida dizemos “sim” condicionados, mas não confiando em Deus como mostra o exemplo de Maria?
Que ajuda pedimos a Maria, mãe de todas as famílias, para nos ajudar a consolidar as nossas famílias e torná-las verdadeiras e fecundas fontes de vida?
Como sentimos em família a presença de Maria Assunta ao Céu, ao lado de seu Filho Jesus?
Reconheço a entrega total de Maria à vontade de Deus e louvo as maravilhas que o Senhor traz até mim por intermédio dela?

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

19º Domingo do Tempo Comum – Ano B - Jo 6,41-51


LECTIO DIVINA
Domingo, 9 de Agosto de 2009
www.dehonianos.org

O Evangelho deste domingo apresenta Jesus como o “pão” vivo que desceu do céu para dar a vida ao mundo. Para que esse “pão” sacie definitivamente a fome de vida que reside no coração de cada homem ou mulher, é preciso “acreditar”, isto é, aderir a Jesus, acolher as suas propostas, aceitar o seu projeto, segui-lo no “sim” a Deus e no amor aos irmãos.
O texto que nos é hoje proposto apresenta-nos uma das muitas histórias de confronto entre Jesus e os judeus. No final do discurso explicativo da multiplicação dos pães e dos peixes, pronunciado na sinagoga de Cafarnaum (cf. Jo 6,22-40), Jesus se apresentara como “o Pão da vida” e convidara os seus interlocutores a aderirem à sua proposta para nunca mais terem fome. O nosso texto é a sequência desse episódio. Refere-se à murmuração dos judeus a propósito das palavras de Jesus e descreve a controvérsia que se seguiu.
Os interlocutores de Jesus não aceitam a sua pretensão de se apresentar como “o pão que desceu do céu”. Eles conhecem a sua origem humana, sabem que o seu pai é José, conhecem a sua mãe e a sua família; e, na sua perspectiva, isso exclui uma origem divina (v. 41). Em consequência, eles não podem aceitar que Jesus se arrogue a pretensão de trazer aos homens a vida de Deus.
Em lugar de discutir a questão da sua origem divina, Jesus prefere denunciar aquilo que está por detrás da atitude negativa dos judeus face à proposta que lhes é feita: eles não têm o coração aberto aos dons de Deus e recusam-se a aceitar os desafios de Deus… O Pai apresenta-lhes Jesus e pede-lhes que vejam em Jesus o “pão” de Deus para dar vida ao mundo; mas os judeus, instalados nas suas certezas, amarrados às suas seguranças, acomodados a um sistema religioso ritualista, estéril e vazio, já decidiram que não têm fome de vida e que não precisam para nada do “pão” de Deus. Não estão, portanto, dispostos, a acolher Jesus, “o pão que desceu do céu” (vv. 43-46). Eles não escutam Jesus porque estão instalados num esquema de orgulho e de auto-suficiência e, por isso, não precisam de Deus.
Para aqueles que, efetivamente, o querem aceitar como “o pão de Deus que desceu do céu”, Jesus traz a vida eterna. Ele “é”, de fato, o “pão” que permite ao homem saciar a sua fome de vida (“Eu sou o pão da vida” – v. 48). A expressão “Eu sou” é uma fórmula de revelação (correspondente ao nome de Deus – “Eu sou aquele que sou” – tal como aparece em Ex 3,14) que manifesta a origem divina de Jesus e a validade da proposta de vida que Ele traz. Quem adere a Ele e à proposta que Ele veio apresentar (“quem acredita” – v. 47) encontra a vida definitiva. O que é decisivo, neste processo, é o “acreditar” – isto é, o aderir efetivamente a Jesus e aos valores que Ele veio propor.
Essa vida que Jesus está disposto a oferecer não é uma vida parcial, limitada e finita; mas é uma vida verdadeira e eterna. Para sublinhar esta realidade, Jesus estabelece um paralelo entre o “pão” que Ele veio oferecer e o maná que os israelitas comeram ao longo da sua caminhada pelo deserto… No deserto, os israelitas receberam um pão (o maná) que não lhes garantia a vida eterna e definitiva e que nem sequer lhes assegurava o encontro com a terra prometida e com a liberdade plena (alimentada pelo antigo maná, a geração saída da escravidão do Egito nunca conseguiu apropriar-se da vida em plenitude e nem sequer chegou a alcançar essa terra da liberdade que buscavam); mas o “pão” que Jesus quer oferecer ao homem levará o homem a alcançar a meta da vida plena (vv. 49-50). “Vida plena” não indica aqui, apenas, um “tempo” sem fim; mas indica, sobretudo, uma vida com uma qualidade única, com uma qualidade ilimitada – uma vida total, a vida do homem plenamente realizado.
Jesus vai dar a sua “carne” (“o pão que Eu hei de dar é a minha carne” – v. 51) para que os homens tenham acesso a essa vida plena, total, definitiva. Jesus estará aqui a referir-se à sua “carne” física? Não. A “carne” de Jesus é a sua pessoa – essa pessoa que os discípulos conhecem e que se lhes manifesta, todos os dias, em gestos concretos de amor, de bondade, de solicitude, de misericórdia. Essa “pessoa” revela-lhes o caminho para a vida verdadeira: nas atitudes, nas palavras de Jesus, manifesta-se historicamente ao mundo o Deus que ama os homens e que os convida, através de gestos concretos, a fazer da vida um dom e um serviço de amor.
Repetindo o tema central do texto que refletimos no passado domingo, também o Evangelho que hoje nos é proposto nos convida a acolher Jesus como o “pão” de Deus que desceu do céu para dar vida aos homens… Para nós, seguidores de Jesus, esta afirmação não é uma afirmação de circunstância, mas um fato que condiciona a nossa existência, as nossas opções, todo o nosso caminho. Jesus, com a sua vida, com as suas palavras, com os seus gestos, com o seu amor, com a sua proposta, veio dizer-nos como chegar à vida verdadeira e definitiva. Que lugar é que Jesus ocupa na nossa vida? É à volta d’Ele que construímos a nossa
existência? O projeto que Ele veio propor-nos tem um real impacto na nossa caminhada e nas opções que fazemos em cada instante?
“Quem acredita em mim, tem a vida eterna” – diz-nos Jesus. “Acreditar” não é, neste contexto, aceitar que Ele existiu, conhecer a sua doutrina, ou elaborar altas considerações teológicas a propósito da sua mensagem… “Acreditar” é aderir, de fato, a essa vida que Jesus nos propôs, viver como Ele na escuta constante dos projetos do Pai, segui-lo no caminho do amor, do dom da vida, da entrega aos irmãos; é fazer da própria vida – como Ele fez da sua – uma luta coerente contra o egoísmo, a exploração, a injustiça, o pecado, tudo o que enfeia a vida dos homens e traz sofrimento ao mundo. Eu posso dizer, com verdade e objetividade, que “acredito” em Jesus? Porque é que os judeus rejeitam a proposta de Jesus e não estão dispostos a aceitá-lo como “o pão que desceu do céu”? Porque vivem instalados nas suas grandes certezas teológicas, prisioneiros dos seus preconceitos, acomodados num sistema religioso imutável e estéril e perderam a faculdade de escutar Deus e de se deixar desafiar pela novidade de Deus. Eles construíram um Deus fixo, calcificado, previsível, rígido, conservador, e recusam-se a aceitar que Deus encontre sempre novas formas de vir ao encontro dos homens e de lhes oferecer vida em abundância. Esta “doença” de que padecem os líderes e “fazedores” de opinião do mundo judaico não é assim tão rara… Todos nós temos alguma tendência para a acomodação, a instalação, o aburguesamento; e quando nos deixamos dominar por esse esquema, tornamo-nos prisioneiros dos ritos, dos preconceitos, das ideias política ou religiosamente corretas, de catecismos muito bem elaborados mas parados no tempo, das elaborações teológicas muito coerentes e muito bem arrumadas mas que deixam pouco espaço para o mistério de Deus e para os desafios sempre novos que Deus nos faz. É preciso aprendermos a questionar as nossas certezas, as nossas ideias pré-fabricadas, os esquemas mentais em que nos instalamos comodamente; é preciso a termos sempre o coração aberto e disponível para esse Deus sempre novo e sempre dinâmico, que vem ao nosso encontro de mil formas para nos apresentar os seus desafios e para nos oferecer a vida em abundância.