terça-feira, 21 de julho de 2009

17º Domingo Comum B - João 6,1-15



LECTIO DIVINA
Domingo, 26 de Julho de 2009
Autor: Pe. Gabriel Mestre
Tradução: Pe. Carlos Henrique

1 - LEITURA

O que diz o texto?
Pistas para a leitura

Queridos servidores da Palavra:
Neste domingo, deixamos o evangelho de Marcos para ler no espaço de cinco finais de semana o evangelho de João.
Visto que Marcos entre os sinóticos é o mais curto dos três, a liturgia da Igreja intercala estes textos de João os quais vamos partilhar. Assim, consegue-se completar o tempo durante o ano do ciclo B que tem fundamentalmente a Marcos como evangelho protagonista.
O relato que hoje nos é oferecido é o que é chamado normalmente “a multiplicação dos pães e dos peixes”. O chamativo deste episódio é que ele aparece seis vezes no Novo Testamento: duas vezes em Mateus, duas vezes em Marcos, uma vez em Lucas e uma vez em João (o que hoje lemos). É óbvio que este episódio foi muito significativo para os primeiros discípulos de Jesus que quiseram conservá-lo em seis lugares do Novo Testamento.
Jesus vai ao outro lado do mar da Galileia e muita gente o segue pelos sinais maravilhosos que realizou fundamentalmente curando os doentes. Aproximando-se a festa da Páscoa, Jesus vai com seus discípulos a um monte e ao perceber a quantidade de gente que há, pergunta retoricamente a Filipe onde se pode comprar comida para a multidão. Filipe com um pensamento calculador responde que obviamente não há dinheiro suficiente para alimentá-la. Neste momento, entra em cena André que apresenta um menino que tem cinco pães e dois peixes, mas claramente sabe que isso é absolutamente insuficiente para poder dar de comer à multidão.
Jesus manda que o povo se sente na erva e tomando os pães e os peixes em suas mãos, reza em atitude de ação de graças e distribui a todos que estavam sentados: uns cinco mil homens! O interessante não é o fato de todos terem se alimentado senão que além disso nos é narrado que ficaram satisfeitos e que sobraram doze cestos cheios.
Ao perceber este sinal, todos os que participaram se deram conta que Jesus era realmente o “profeta que tinha que vir ao mundo”. Por isso, a multidão quis apoderar-se de Jesus para fazê-lo rei. Mas, Jesus se afasta deles para o alto de um monte.
O relato evoca fortemente a instituição da Eucaristia que iremos desenvolvendo nos próximos domingos.
Saiba que: o Evangelho de João descreve, como os outros evangelistas, vários sinais prodigiosos de Jesus. Porém, enquanto os sinóticos chamam a estes “milagres”, João prefere chamá-los “sinais”. Enfim, é o mesmo, em ambos os casos, há algo maravilhoso; entretanto, a palavra “sinal” convida automaticamente a não ficar só no acontecimento narrado em si, senão a descobrir nesse acontecimento o sinal de algo mais profundo que Deus quer revelar e dar a conhecer.

Outros textos bíblicos para confrontar: Mt 14,13-21; Mc 6,30-44; Lc 9,10-17.

Perguntas para a leitura

· O que faz Jesus? Até onde se dirige?
· O que faz o povo?
· Por que a multidão segue o Senhor?
· Onde está Jesus com seus discípulos?
· O que Jesus pergunta a Filipe?
· Por que lhe pergunta isso?
· O que lhe responde Filipe?
· O que André apresenta a Jesus?
· André tem um olhar otimista com os cinco pães e os dois peixes para a multidão?
· Quem tem esses cinco pães e os dois peixes?
· Quantas pessoas se calcula que havia?
· O que lhes diz Jesus uma vez que lhe apresentaram o menino com os cinco pães e os dois peixes?
· O que faz Jesus com os pães e os peixes?
· Ficaram com fome os que participaram deste sinal?
· Quantos cestos ficaram cheios com o que sobrou logo que todos comeram até saciar-se?
· O que dizem todos os que participam do sinal de Jesus?
· O que faz Jesus no final do relato? Por que se afasta sozinho para um monte?


2 - MEDITACÃO

O que o texto me diz?

· Sigo a Jesus nos seus caminhos?
· Aproximo-me para que cure meu coração do mal do pecado?
· Deixo que Jesus me interrogue?
· O que eu respondo tem um olhar muito “calculista” como o de Filipe ou sou capaz de ter um olhar mais teológico, sabendo que Jesus está ali?
· O que implica para mim hoje a atitude de André que apresenta o menino com os cinco pães e os dois peixes, porém que não confia no que Jesus pode chegar a fazer?
· Sou como este menino que apresenta a Jesus o pouco que tem para que o Senhor faça o sinal?
· Quais são hoje meus cinco pães e meus dois peixes?
· Estou disposto a oferecer a Jesus meus “cinco pães e meus dois peixes”?
· Deixo-me alimentar pela presença de Jesus até saciar-me?
· De que maneira hoje Jesus me alimenta?
· Impacta-me a superabundância de Deus que alimenta e sacia em totalidade?
· Descubro que Jesus é realmente “o profeta que devia vir ao mundo”, isto é, o Messias de Deus?
· Caio na tentação de fazer de Deus um “messias rei segundo os meus critérios”, em perspectiva só humana, social e política?


3 - ORACÃO

O que eu digo?

Visto que hoje meditamos sobre o sinal dos cinco pães e dos dois peixes, proponho para a oração umas linhas sobre a simbologia do peixe como sinal de identificação do cristianismo.
São muitos os símbolos que desde os inícios do cristianismo foram utilizados para distinguir seus membros e que ao longo dos tempos foram tendo maior ou menor aceitação. Hoje em dia o símbolo por excelência para o cristão é a cruz, porém nem sempre foi o mais difundido.
Entre as primeiras comunidades o símbolo do peixe era muito aceito e seu significado era entendido por todos; e, dado que sua grafia é simples, inclusive servia para dar-se a conhecer e avivar a fé de seus membros no ambiente de perseguição que existia.
O significado mais difundido do peixe como símbolo é sua palavra grega: “IChThUS” cujas letras representam as iniciais da frase: “Iesous Christos Theou Uios Soter”, que significa: Iesous: Jesus; Christos: Cristo; Theou: Deus; Uios: Filho; Soter: Salvador. O significado: “Jesus, Cristo, Filho de Deus, Salvador”.
Era, pois, uma autêntica profissão de fé com um grande conteúdo na divindade e messianidade de Jesus, razão pela qual o adoravam e estavam dispostos a entregar sua vida por Ele. Por isso, tanto o símbolo como o críptico aparecem com frequência nas catacumbas. Não se tratava só de um sinal de identidade, era algo que ia mais além da própria grafia.
Tenhamos presente estes elementos que enriquecem nossa reflexão e nosso passo da oração com este texto de João onde se fala dos pães e dos peixes.


4 - CONTEMPLAÇÃO

Como interiorizo a mensagem?

Para contemplar o relato proponho retomar o oferecimento dos cinco pães e dos dois peixes:
· Jesus, ofereço-te os cinco pães e os dois peixes de minha pequenez.
· Jesus, ofereço-te os cinco pães e os dois peixes de minha vida humilde.
· Jesus, ofereço-te os cinco pães e os dois peixes de meus medos e debilidades.
· Jesus, ofereço-te os cinco pães e os dois peixes de...

5 - AÇÃO

Com que me comprometo?

Proposta pessoal

· Acrescentar a atitude de oferecimento nas distintas circunstâncias de minha vida. Oferecer a Deus o pouco ou o muito, o bom e inclusive o ruim para que Ele o receba e o transforme. Que o Senhor possa fazer o sinal em minha vida hoje.

Proposta comunitária

· Dialogar em teu grupo com relação aos tipos de “fome” que temos hoje: pão espiritual, pão material, pão de afeto, pão de cultura, pão de sentido da vida.... o que podemos fazer de maneira simples e precisa para “saciar” estes tipos de fome?

Nenhum comentário: