segunda-feira, 13 de julho de 2009

16º Domingo do Tempo Comum – Ano B - Marcos 6,30-34


LECTIO DIVINA
Domingo, 19 de Julho de 2009
Autor: Pe. Gabriel Mestre
Tradução: Pe. Carlos Henrique

1 - LEITURA

O que diz o texto?

Indicações para a leitura

Queridos amigos:
Depois do episódio que partilhamos no domingo passado, o envio missionário dos Doze, Marcos intercala o relato da morte de São João Batista do versículo 14 ao 29. A Liturgia da Igreja omite o referido texto na leitura semi-contínua dos domingos e o reserva para a Festa do Martírio de São João Batista. Por isso, nos adiantamos e hoje partilhamos Mc 6,30-34 que narra o retorno dos Apóstolos depois do serviço missionário, e, que também serve de introdução para o relato da multiplicação dos pães que Marcos mostrará do versículo 35 ao 44.
Diz o texto que os Apóstolos contam ao Senhor tudo o que haviam “feito e ensinado”. Estas duas palavras, estes dois verbos, fazer e ensinar, são muito importantes porque marcam a continuidade da missão dos Apóstolos com relação à de Jesus. Nos primeiros capítulos de Marcos, é descrito um Jesus Messias que revela o Reino com “atos e palavras”, “fazendo e dizendo”, “libertando do mal e proclamando o Evangelho”. A missão dos discípulos e a missão da Igreja de Jesus por todos os séculos é a mesma: fazer presente o Reino com atos e palavras. Não só atos nem só palavras, e sim, palavras que “expliquem” os atos e atos que deem autoridade às palavras. Este é, de modo decisivo, o segredo da missão que nos ensina Jesus.
A missão de proclamar o Reino com atos e palavras é intensa, muito intensa, a tal ponto que pode ser esgotante. É assim que o Senhor, ao ver que não lhes sobrava tempo nem para comer, para fazer o básico e indispensável para sustentar a vida, convida seus discípulos a descansar. A frase é muito sugestiva: “Venham! Vamos sozinhos para um lugar deserto a fim de descansarmos um pouco”.
Os discípulos aceitam o convite do Mestre e vão, de barco, para um lugar afastado. Entretanto, a multidão que segue Jesus e também seus discípulos, compreende os movimentos e chega antes que eles ao lugar aonde se dirigiam. O que faz Jesus?
Quando desce do barco, vê a multidão com olhos de profunda misericórdia, com olhos de Deus. Diz o relato que Jesus tem compaixão porque as pessoas estão como ovelhas que não têm pastor. Nesse instante, Ele recomeça sua missão. Não sabemos se puderam ou não descansar... O fato é que Jesus se comporta como um autêntico pastor e atende a necessidade do povo, da multidão.
Saiba que: o termo “compaixão” em algumas regiões de fala hispânica tem uma certa carga pejorativa. Parece um sinônimo de “lástima” num sentido superficial do termo. No entanto, a etimologia do termo nos aponta outra coisa. Compaixão vem do latim que significa literalmente algo assim como “viver a paixão com o outro”, “padecer com o outro”. Isto é completamente diferente. Compadecer-se do irmão é querer acompanhá-lo na “paixão” de sua vida, em suas cruzes, sofrimentos e dificuldades.

Outros textos bíblicos para confrontar: Jo 10,1-18 Sl 23[22]; Ez 34.

Para continuar aprofundando estes temas, procure no Índice Temático de sua Bíblia os termos “Misericórdia”, “misericordioso”.

Perguntas sobre a leitura
De onde estão voltando os apóstolos?
O que fazem com Jesus? O que contam a ele?
O que acontece no lugar?
Por que eles não têm tempo?
O que lhes diz Jesus?
O que fazem então?
Aonde e em que vão?
O que faz a multidão?
O que Jesus vê quando desce do barco com seus discípulos?
Como reage o Senhor diante do que vê?
Com qual atitude responde?
Qual imagem bíblica é utilizada para expressar a situação do povo?
Como termina o relato?

2 - MEDITAÇÃO

O que me diz o texto? O que nos diz o texto?

Perguntas para a meditação
Me “reúno” com Jesus quando sou “convocado” a ser parte de um grupo, de uma comunidade, da Igreja?
“Conto” a Jesus o que há em meu coração?
“Conto” a Jesus o que realizo em meu humilde serviço missionário?
Conto “o bom” e “o mau”? Partilho com Ele os “êxitos” e os “fracassos”?
De que forma tenho feito missão ou evangelizado? A quem levei a missão?
O que “eu fiz” ou “eu disse” em nome de Jesus?
Em meu trabalho missionário: sou capaz de equilibrar atos e palavras; testemunho e anúncio?
É tão intenso o trabalho missionário que não tenho tempo “nem para comer”?
Em que ocupo meu tempo? Perco o tempo com coisas que não são importantes?
O que penso do convite de Jesus aos Apóstolos?
O que significa para mim hoje que Jesus nos diga: “Venham! Vamos sozinhos para um lugar deserto a fim de descansarmos um pouco”?
Sou capaz de “descansar” em Jesus? Como posso eu hoje “descansar” no Senhor?
Descubro cotidianamente a compaixão de Jesus por mim, particularmente quando ando desorientado, como ovelha que não tem pastor?
Deixo que Ele me “ensine” sua Palavra?
Sou capaz de olhar as “multidões” de nosso tempo com o mesmo olhar do Senhor?
Quem faz parte dessas “multidões” na atualidade?
Há compaixão em meu coração? Sou capaz de viver “com o outro” sua cruz, seu drama, sua dor, “sua paixão”?

3 - ORAÇÃO

O que digo a Deus?
O que dizemos a Deus?

Para o passo da oração pode ser útil ler algum número do início da Constituição Dogmática “Dei Verbum” do Concílio Vaticano II. É um documento promulgado em dezembro de 1965 e que reflete sobre o tema da revelação de Deus: Deus que se manifesta, Deus que se dá a conhecer. Neste contexto, apresenta vários temas que têm a ver com a Palavra de Deus e a Escritura. Nos primeiros números, a Dei Verbum insiste muito em como Jesus se dá a conhecer, revelando-se em “atos e palavras”. Vamos ler o número 4 para que ilumine nossa oração.
Consumação e plenitude da revelação em Cristo
4. Depois de ter falado muitas vezes e de muitos modos pelos profetas, falou-nos Deus nestes nossos dias, que são os últimos, através de Seu Filho (Hb. 1,1-2). Com efeito, enviou o Seu Filho, isto é, o Verbo eterno, que ilumina todos os homens, para habitar entre os homens e manifestar-lhes a vida íntima de Deus (cf. Jo 1,1-18). Jesus Cristo, Verbo feito carne, enviado «como homem para os homens», «fala, portanto, as palavras de Deus» (Jo 3,34) e consuma a obra de salvação que o Pai lhe mandou realizar (cf. Jo 5,36; 17,4). Por isso, Ele, vê-lo a Ele é ver o Pai (cf. Jo. 14,9), com toda a sua presença e manifestação da sua pessoa, com palavras e obras, sinais e milagres, e, sobretudo, com a sua morte e gloriosa ressurreição, enfim, com o envio do Espírito de verdade, completa totalmente e confirma com o testemunho divino a revelação, a saber, que Deus está conosco para nos libertar das trevas do pecado e da morte e para nos ressuscitar para a vida eterna.
Portanto, a economia cristã, como nova e definitiva aliança, jamais passará, e não se há de esperar nenhuma outra revelação pública antes da gloriosa manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo (cf. 1 Tm 6,14; Tt. 2,13).
Tenhamos presente esta característica da revelação de Cristo, “palavras e obras”, para repensá-la e rezá-la na realidade de nossa vida.

4 - CONTEMPLAÇÃO

Como interiorizo a mensagem?
Como interiorizamos a mensagem?

Para fazer nossa interiorização, utilizamos o versículo 31 que devemos deixar bem gravado em nossa mente e em nosso coração. Repeti-lo pausada e ritmicamente:
“Venham! Vamos sozinhos para um lugar tranquilo a fim de descansarmos um pouco”?
“Venham! Vamos sozinhos para um lugar tranquilo a fim de descansarmos um pouco”?

5 - AÇÃO

Com que me comprometo?
Com que nos comprometemos?

Propostas pessoais
Redimensionar minha vida de oração aprendendo a ter uma relação mais cordial com o Senhor, “contando-lhe” tudo o que passa em minha vida.
Propostas comunitárias
Dentre os jovens: quais são de maneira particular as “multidões” que andam desorientadas, como ovelhas que não têm pastor? O desafio: o que podem fazer vocês como jovens para em nome de Jesus, orientar evangelicamente a estes irmãos?

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