domingo, 5 de julho de 2009

15º Domingo Comum - Ano B - Marcos 6,7-13

LECTIO DIVINA
Domingo, 12 de Julho de 2009
Autor: Pe. Gabriel Mestre
Tradução: Pe. Carlos Henrique

1 - LEITURA

O que diz o texto?
Queridos irmãos:
No capítulo 3 do evangelho de Marcos, Jesus institui os “doze”; agora, é o momento do envio oficial.
O Senhor continua percorrendo toda a região, ensinando a Boa Nova do Reino a todos os homens. Porém, esta tarefa de agora em diante, não vai realizar sozinho; antes, aqueles “doze” que Ele já tinha escolhido de modo particular entre os seus discípulos, agora os envia dois a dois para “expulsar os espíritos impuros”, isto é, para eliminar o mal em todas as suas formas. Os “doze” têm que cumprir em nome do Senhor o que Ele mesmo veio fazer.
São dadas a estes “doze” algumas “normas” concretas para realizar esta tarefa, para realizar a missão. Dentro destas recomendações, notamos que em Marcos se permite levar cajado e sandálias ao passo que em Mateus e em Lucas, isso é proibido. É provável que Marcos tenha escrito seu Evangelho aos romanos, e, por isso, “permita” e “justifique” o uso do cajado e sandálias devido às longas distâncias que o missionário deveria percorrer se pensarmos a quantidade de quilômetros que há entre a Terra Santa e Roma. Mas, por outro lado, ele insiste que não levem comida, nem sacola, nem dinheiro na cintura (moedas); além disso, devem levar pouca roupa. Tudo isto indica o que hoje poderíamos chamar de “austeridade” da missão. Talvez para não por a ênfase tanto nos “meios” da missão, mas sim na sua “finalidade”: a vida eterna; na “mensagem”: o Evangelho; e Naquele que “envia”: o próprio Jesus Cristo. Percebe-se com clareza que as exigências da missão itinerante são muito grandes.
Ainda se pede que fiquem numa só casa. Provavelmente isto tem a finalidade de que a partir “deste” lugar, comece a se formar a Igreja, a comunidade doméstica; talvez ali se celebrasse o culto. Por outro lado, é possível também que desta forma se limitasse o excesso dos muitos “profetas” e “filósofos” que estavam se multiplicando na região, pedindo seu sustento. O Senhor prevê o abuso de hospitalidade por parte dos receptores da mensagem evangélica.
Diante da realidade de não ser recebidos e ouvidos, o Senhor recomendava fazer o gesto típico da mentalidade judaica ao chegar a sua pátria depois de ter andado por terra estrangeira: sacudir a poeira dos pés para não trazer nada de “impuro”. Imita-se o gesto, porém num contexto e com um sentido diferente: libertar-se da responsabilidade daqueles que fazendo mal uso de sua liberdade rejeitavam a mensagem da salvação.

Leve em conta que: o “ir dois a dois” significava várias coisas. Por um lado, a necessidade de “duas testemunhas” para a declaração dos acontecimentos importantes (cf. por exemplo Dt 17,6; 19,5; Nm 35,30). Por outra parte, é importante o valor da companhia mútua na integração, proteção e trabalho partilhado (cf. por exemplo Js 2,1; Am 3,3; Tb 5). Na Igreja primitiva se continuou com o mesmo costume (cf. por exemplo At 13,2; 15,40; Mt 18,20; Lc 24,36).

Outros textos bíblicos para confrontar: Mt 10,9-14; Lc 9,1-6; Mc 3,13-19.

Perguntas para a leitura
· Por quais lugares anda Jesus?
· O que vai fazendo?
· A quem reúne?
· O que faz com eles?
· O que pode significar “expulsar do povo os espíritos impuros”?
· O que Ele ordena aos “doze”?
· Por que podem levar cajado e sandálias?
· Por que não podem levar comida nem sacola?
· Por que eles têm que levar pouca roupa?
· Por que eles têm que ficar numa só casa quando entram em um novo lugar?
· O que acontece se em algum lugar, as pessoas não quiserem recebê-los nem escutá-los? O que devem fazer?
· O que significa “sacudir a poeira dos pés”?
· O que fizeram os discípulos uma vez que receberam as ordens de Jesus?
· Como termina o relato?

2 - MEDITAÇÃO

O que o texto me diz?
· Deixo que Jesus me ensine cada vez que escuto a sua Palavra a boa nova do Reino?
· Sinto-me parte dos “doze” como convocado por Jesus para viver a fé?
· O que significa para mim hoje ser um “enviado” de Jesus? A que lugares de maneira particular Ele me envia?
· Quais implicações têm para mim ser enviado “dois a dois”? Vivo a missão como algo comunitário ou tenho a tentação de ser um “franco-atirador”?
· Quais seriam os “espíritos maus” que as pessoas têm hoje?
· Como posso ajudar para que sejam expulsos mediante o poder de Cristo? O que posso fazer concretamente?
· Aceito que a tarefa missionária deve ser “austera”?
· O que significa para mim levar cajado e sandálias? Do que necessito hoje para cumprir a missão que Jesus põe como desafio em minha vida?
· O que significa para mim hoje não levar nem comida, nem bolsa, nem dinheiro? Enfim, do que posso prescindir para a tarefa missionária hoje? Do que devo me libertar, desatar-me para cumprir a missão?
· A que dou mais importância na tarefa missionária? Deixo-me apegar muito pelos “meios” da missão, ainda que sejam necessários? Ponho a ênfase no central: o fim: a vida eterna; a mensagem: o Evangelho; e o que envia: o próprio Jesus Cristo?
· Sou capaz de “construir” comunidade no desafio da missão?
· Que “casas” tenho que evangelizar hoje?
· O que faço e como me sinto quando alguém não quer escutar a Palavra? Esmoreço, me irrito ou deixo pra lá a responsabilidade que lhe compete na rejeição ao Evangelho?
· Em quais situações de minha vida devo “sacudir a poeira dos pés” na tarefa missionária?
· Convido os irmãos que Deus põe em minha vida para que deixem de pecar e se aproximem a Deus? Como posso eu “curar enfermos” na atualidade? Qual seria o alcance simbólico, porém real desta expressão para mim hoje? Quais são as enfermidades de nosso mundo atual?

3 - ORAÇÃO

O que digo a Deus?
Para fazer a oração, tomamos algumas frases de um texto da Conclusão Final de Aparecida:

“Não podemos deixar de aproveitar esta hora de graça. Necessitamos de um novo Pentecostes! Necessitamos sair ao encontro das pessoas, das famílias, das comunidades e dos povos para lhes comunicar e compartilhar o dom do encontro com Cristo, que tem preenchido nossas vidas de “sentido”, de verdade e de amor, de alegria e de esperança! Não podemos ficar tranquilos em espera passiva em nossos templos, mas é imperativo ir em todas as direções para proclamar que o mal e a morte não tem a última palavra, que o amor é mais forte, que fomos libertos e salvos pela vitória pascal do Senhor da história, que Ele nos convoca na Igreja, e quer multiplicar o número de seus discípulos na construção de seu Reino em nosso Continente! Somos testemunhas e missionários: nas grandes cidades e nos campos, nas montanhas e florestas de nossa América, em todos os ambientes da convivência social, nos mais diversos “lugares” da vida pública das nações, nas situações extremas da existência, assumindo ad gentes nossa solicitude pela missão universal da Igreja”.
(Documento de Aparecida, 548)

4 - CONTEMPLAÇÃO

Como interiorizo a mensagem?
Para iluminar nossa contemplação propomos a frase do envio comunitário:
·Começou a enviá-los dois a dois … para curar enfermos…
·Começou a enviá-los dois a dois... para anunciar o Reino…
·Começou a enviá-los dois a dois…

5 - AÇÃO

Com que me comprometo?
Proposta pessoal
· Fazer uma oração particular por todos os cristãos em território de missão. Especialmente por aqueles que vivem algum tipo de tribulação ou persecução.
Proposta comunitária
·Realizar uma atividade missionária com seu grupo em algum lugar particular: zona rural, creche, hospital etc. O que precisamos anunciar a estes irmãos?

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