quinta-feira, 2 de julho de 2009

14º Domingo Comum - Ano B - Marcos 6, 1-6

LECTIO DIVINA
Domingo, 5 de julho de 2009
1 - LEITURA
O que diz o texto?
Queridos irmãos:
Hoje partilhamos o início do capítulo 6 do Evangelho segundo São Marcos. Desde o capítulo 3, versículo 7 até o episódio de hoje, temos uma seção do Evangelho que se caracteriza por uma marcada reflexão sobre o tema do discipulado. Um discipulado querido e convidado por Jesus que gera uma espécie de divisão entre os homens: aqueles que aceitam a proposta de Jesus e aqueles que não. Entre estes últimos podemos situar a maioria dos personagens de hoje.
Desde o início do Evangelho de Marcos, percebe-se que o “mundo” está fascinado pelo poder e pela palavra cheia de autoridade de Jesus. No entanto, de modo crescente ao longo dos capítulos, escutam-se “vozes” que rejeitam sua presença salvífica até o ponto culminante de sua Paixão.
Jesus nasce em Belém; mas depois de sua permanência no Egito, fixa residência com José e Maria definitivamente no norte, em Nazaré. Ali volta Jesus a seu próprio povoado. Os seus o acompanham. Aos sábados pela manhã, vai à sinagoga de seu povoado e, como podia fazer qualquer homem adulto daquela época, ensina e explica as Escrituras. Os que estavam presentes ficam admirados pelo ensinamento.
Contudo, passam da admiração a perguntas e das perguntas a uma implícita falta de fé. Não entendem como alguém que é conterrâneo deles, que vive entre eles, o qual eles conhecem a família, pode dar ensinamentos tão profundos e milagres tão grandiosos. É impressionante que percam de vista o que eles mesmos escutam e veem (o ensinamento e os milagres), e ponham a ênfase no que “conhecem” (sua origem).
Jesus responde com uma espécie de ditado popular daquela época: “Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares”. Mais abreviadamente na atualidade costumamos dizer: “ninguém é profeta na sua terra”. Este ditado reflete a experiência histórica do povo da Antiga Aliança que muitas vezes rechaçou os seus profetas porque eram homens ou mulheres do mesmo povo com os quais compartilhavam a vida e todas as circunstancias históricas.
O “grande drama” do evangelho deste fim de semana é que a admiração não levou à fé, em aceitação total da pessoa e da palavra de Jesus. A liberdade que Deus deu aos de Nazaré não pode ser transformada em resposta de fé para aceitar o caminho de Jesus.
Leve em conta que: a palavra “irmão” que aparece no versículo 3 é o termo grego adelfos que significa irmão no sentido carnal e direto do termo e traduz a palavra “ah” do aramaico que inclui também primos e parentes de uma mesma tribo. Também pode ser usado no sentido mais geral em perspectiva de união fraterna não carnal. Além disso, existem outros termos gregos para fazer referência aos parentes.
Outros textos bíblicos para confrontar: Mt 13,53-58; Lc 4,16-30.

Perguntas para a leitura
Onde estava Jesus e até onde se dirige?
Quem o acompanha?
Que faz Ele no dia de sábado?
Que experimentam aqueles que escutam Jesus falar na sinagoga?
Que perguntas fazem a si mesmos?
Por que fazem estas perguntas?
O que acontece com a admiração inicial que sentiam pelo Senhor?
Neste contexto: o que lhes diz o Senhor?
Como se entende o ditado de Jesus?
Por que Jesus não pôde fazer mais milagres? Onde está o problema?
Como termina o relato?

2 - MEDITAÇÃO
O que me diz o texto?
“Acompanho” Jesus como bom discípulo em seus caminhos?
Escuto a Jesus, escuto seus ensinamentos?
Admiro-me com o que Ele diz e ensina e também pelo que faz, sobretudo os milagres?
Fico “só na admiração”?
A “admiração” por Jesus, pelo seu ensinamento e por seus milagres se transforma em minha vida em fé, em crença, em confiança?
Aceito definitivamente que Jesus é verdadeiro homem (com tudo o que um homem tem) e verdadeiro Deus (com tudo o que Deus tem e é)?
Capto o poder de Deus que se revela no limite da natureza humana?
Sou capaz de escutar os profetas de Deus do início do século XXI? Ou os rejeito?
Sou consciente que desde o batismo sou profeta de Deus?
Redescubro-me como profeta de Deus?
Ensino sua Palavra, dou a conhecer seu poder?
Experimento em minha vida a incompreensão ou a rejeição por ser um autêntico profeta de Deus?

3 - ORAÇÃO
O que digo a Deus?
Para nossa oração, trazemos um texto profético do Antigo Testamento. É a vocação de Isaías relatada no começo do capítulo 6 de seu livro:

Isaías tem uma visão no templo (Is 6,1-8)
No ano em que o rei Uzias morreu, eu vi o Senhor sentado num trono alto e elevado. O seu manto se estendia pelo Templo inteiro, e em volta dele estavam serafins. Cada um deles tinha seis asas: com duas eles cobriam o rosto, com duas cobriam o corpo e com as outras duas voavam. Eles diziam em voz alta uns para os outros:
"Santo, santo, santo é o Senhor Todo-Poderoso; a sua presença gloriosa enche o mundo inteiro!" O barulho das vozes dos serafins fez tremer os alicerces do Templo, que foi ficando cheio de fumaça. Então eu disse: Ai de mim! Estou perdido! Pois os meus lábios são impuros, e moro no meio de um povo que também tem lábios impuros. E com os meus próprios olhos vi o Rei, o Senhor Todo-Poderoso! Aí um dos serafins voou para mim, segurando com uma tenaz uma brasa que havia tirado do altar. Ele tocou a minha boca com a brasa e disse: - Agora que esta brasa tocou os seus lábios, as suas culpas estão tiradas, e os seus pecados estão perdoados. Em seguida, ouvi o Senhor dizer: - Quem é que eu vou enviar? Quem será o nosso mensageiro? Então respondi: - Aqui estou eu. Envia-me a mim!

Tenhamos presente a consciência de “limite” que experimenta o profeta, mas também a profunda certeza no cumprimento da vontade de Deus.

4 - CONTEMPLAÇÃO
Como interiorizo a mensagem?
Para contemplar este evangelho proponho tomar a imagem que aparece no primeiro versículo e que tem a ver com “acompanhar Jesus” (“seus discípulos o acompanharam”).
Repetir pausadamente e baixinho pensando nos principais episódios da vida de Jesus:
Na incompreensão… quero te acompanhar Jesus…
Na falta de fé… quero te acompanhar Jesus …
Na tua morte redentora… quero te acompanhar Jesus…
No horto do Getsêmani…. Quero te acompanhar Jesus…

5 - AÇÃO
Com que me comprometo?
Proposta pessoal
Buscar exercitar a dimensão profética do Batismo nas condições habituais e cotidianas da vida.
Proposta comunitária
Pensar com teu grupo de amigos ou de comunidade porque as pessoas em geral e em todo o mundo veem na Beata Madre Teresa de Calcutá uma profetisa de nosso tempo.

Um comentário:

Lara Maciel disse...

Muito legal a iniciativa de colocar um aprofundamento a palavra na intenção de ajudar. Obg. ^^' Vou usar essa leitura no meu grupo de jovens hoje, e seu texto tem uma parcela na minha interpretação. Parabéns. ^^'