segunda-feira, 8 de junho de 2009

11º Domingo Comum - Ano B - Mc 4,26-34

Domingo, 14 de junho de 2009
Para entendermos o Evangelho deste 11º Domingo do Tempo Comum, temos que fazer algumas considerações. Num primeiro momento, vimos que Jesus se dirigia sempre a seu grupo mais próximo, isto é, o dos doze, ao qual falava abertamente do mistério do Reino de Deus. Entretanto, também corresponde ao plano de Deus que ninguém seja excluído da boa nova deste Reino. Assim, vale esclarecer que essa distinção que Jesus faz com relação ao modo de falar do reino só vale para a época de sua atividade terrena e não é definitiva; é uma metodologia. Na verdade, ele se dedica de modo especial a estes doze com o intuito de alcançar o mundo todo, como ele disse: “Farei de vós pescadores de homens”.
Todos nós que somos cristãos temos que ter a consciência que o segredo do Reino é dirigido a todos nós, não pra continuar sendo um segredo, um tesouro escondido, mas pra ser descoberto por nós e revelado ao mundo através de nós. “Quem tem ouvidos para entender, entenda!” é o que diz Jesus. Os discípulos são vivamente solicitados a cumprir este apelo. O dom de Deus não pode ser acolhido passivamente, mas exige uma mente aberta e atenta. Aliás, temos que compreender que é pela quantidade de dedicação que damos ao mistério do Reino que mais o entenderemos. Quem não se dedica a entender a Palavra de Deus e fica dando uma desculpa que não entende nem tem quem ensine quando há uma quantidade sem fim de livros, jornais, revistas, cursos, programas em TVs católicas, em rádios, sites, blogs que explicam a Palavra, é porque no fundo não a considera importante.
Assim, Jesus dirige no Evangelho de hoje duas parábolas à multidão para falar do mistério do Reino de Deus. A primeira parábola é a que enfatiza todo o mistério que envolve a germinação de uma semente. Realmente, é fascinante o que se esconde neste processo natural. O agricultor lança a semente na terra, vai dormir e acorda (pacientemente), dia após dia, e quando parece que não está acontecendo nada ali, na verdade, misteriosamente, ela vai germinando, crescendo. É um mistério que se vê e se tem certeza de existir, mas que não cabe ao agricultor o seu desenvolvimento.
O agricultor não sabe como a colheita chegará, nem exatamente quando chegará, seu trabalho é plantar e esperar. Mas isto pode provocar uma impaciência danada, se não formos conscientes que temos que esperar em Deus e que o tempo dele é bastante diferente do nosso. Eu me lembro bem quando cursava o primário e havia um dever de Ciências que era justamente plantar uma semente, e eu a cada cinco minutos ia olhar se já tinha nascido. É difícil esperar. Mas, é assim. Quando menos se espera, acaba brotando.
Pois bem, como esta parábola pode nos encorajar na nossa missão de anunciadores do Reino de Deus?
Nós que somos discípulos missionários de Jesus Cristo, muitas vezes ficamos impacientes, frustrados e aflitos porque tentamos fazer algo na nossa comunidade que só Deus pode fazer. Mas apesar de acharmos que nossos esforços pareçam infrutíferos, a verdade é que nunca saberemos o que realmente está acontecendo “debaixo da terra”. De fato, as forças humanas são incapazes de fazer crescer a Igreja, pois tudo é tarefa de Deus. Nem tudo que é observável apenas nas aparências é medida precisa do resultado final.
Desta maneira, somos convidados a semear a semente, relaxar, e saber que o resultado final da conversão não é nosso (v.27: não sabe como isso acontece), compete ao Espírito Santo que vai falando vivamente dentro dos corações através da Palavra. O processo é interessante: “a terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga” (v.28).
De modo igual, Deus planeja crescer dentro de nós até que Ele acabe o trabalho que começou em nós. Basta refletirmos o quanto poderemos estar diferentes agora de quando a nossa vida cristã começou. Com certeza, ainda não chegamos lá, mas também e muito provavelmente não estamos no mesmo lugar onde começamos. A meta Dele em nos cultivar é nos preparar para a sua presença que nós experimentamos quando a colheita vier (v.29).
Com relação à parábola do grão de mostarda, o que Jesus quer ensinar? A menor semente, a de mostarda, transforma-se na maior planta do jardim. Como isso pode ilustrar o Reino de Deus? Se observarmos bem esta parábola, percebemos como ela descreve como se deu o crescimento da Igreja.
O mundo que considerava que a crucifixão e morte de um carpinteiro no primeiro século da Palestina significasse pouco ou absolutamente nada, ainda continuava com toda uma expectativa sobre “Cristo”, o Messias judeu. Entretanto, o tal homem chamado Jesus de Nazaré, que foi condenado por Pilatos e crucificado, se levantou da morte! Seus apóstolos saíram nas várias cidades e regiões proclamando esta Boa Nova: que este Jesus sofreu, foi crucificado para pagar de uma vez por todas o preço pelos nossos pecados e que pela fé Nele e no batismo em Seu nome, podemos ter a vida eterna.
Esta boa nova (Evangelho) foi espalhada mediante persecuções, viagens, anúncio do Evangelho e milagres, em direção ao centro da civilização naquele tempo, Roma. Como nos arredores. Lá pelo quarto século, o cristianismo passou de uma religião tolerada sob Constantino (Edito de Milão) para a religião oficial do Império sob Teodósio. O que iniciou na obscuridade, terminou mudando o mundo. Daí, foi se espalhando cada vez mais e chegou até nós através dos portugueses. Somente Deus, poderia realizar tal feito.
Não seria este o sentido preciso da parábola do grão de mostarda? A menor de todas as sementes, cresce até se tornar a maior de todas as plantas; grande o suficiente para que os pássaros do céu vivam à sua sombra? De fato, o cristianismo é maior religião do mundo hoje. Mas será que esta Igreja não é grande o bastante para que as nações possam habitar sob a sua sombra, para ouvir a boa nova – o Evangelho de Jesus Cristo?
Enfim, como nos ensina o catecismo da Igreja Católica, 543: Todos os homens são chamados a entrar no Reino. Anunciado primeiro aos filhos de Israel, este Reino messiânico é destinado a acolher os homens de todas as nações. Para ter acesso a ele, é preciso acolher a Palavra de Jesus: “A Palavra do Senhor compara-se à semente lançada ao campo: aqueles que a ouvem com fé e entram a fazer parte do pequeno rebanho de Cristo, já receberam o Reino; depois, por força própria, a semente germina e cresce até ao tempo da messe”.
Assim, que durante esta semana possamos agradecer a Deus pelo dom da Igreja. Vamos rezar para que ela continue proclamando o Evangelho que ela proclamou fielmente por mais de dois mil anos. Também vamos pessoalmente proclamar este Evangelho de Cristo: em nossas palavras, nossas ações, nossas boas obras e nosso louvor.

Nenhum comentário: