domingo, 21 de junho de 2009

SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO – Mt 16,13-19

28/06/2009
Neste domingo, celebramos a solenidade de São Pedro e São Paulo. O que podemos destacar destes dois grandes apóstolos, dos testemunhos de cada um deles? Pedro e Paulo são bastante diferentes quanto à personalidade, mas idênticos no amor a Cristo e à Igreja. Ambos dão a vida por Jesus Cristo até o martírio em Roma. Dois santos, podemos dizer, que nunca estão parados. Homens como nós, com tantas fraquezas, medos, capazes de trair, mas que tiveram plena confiança em Jesus. E Jesus aposta tudo neles. Dá sempre uma nova chance a Pedro, e Paulo não se cansa de repetir que se tornou apóstolo somente pela graça.
Falando de Pedro e Paulo, podemos falar da grandeza e santidade que eles representam, mas podemos também falar das suas fraquezas e dos seus pecados, e aí, descobrimos que uma coisa leva à outra, pois é exatamente a bondade e a misericórdia do Senhor que muda o coração deles e os transforma até se tornarem de pecadores a grandes santos e a transformar suas vidas num amor humilde e apaixonado pelo Senhor Jesus.
Pedro demonstrou várias vezes o seu caráter, a sua fraqueza, o seu cansaço para entender o coração de Jesus. Lembremo-nos quando Jesus lhe diz: “afasta-te de mim, Satanás!”; ou quando caminhando sobre as águas, duvida e Jesus lhe diz: “homem de pouca fé!” Mas, sobretudo é humano e fraco no momento da paixão de Jesus. Ele que tinha afirmado: “mesmo que todos os outros te abandonem, eu jamais te abandonarei”, é o mesmo que na sua fraqueza nega por três vezes a Jesus, jurando nunca tê-lo visto. Entretanto, é esta pobreza de Pedro que encontra o olhar misericordioso de Jesus e por ele se deixa curar.
Depois da ressurreição, às perguntas repetidas de Jesus se ele o ama, responde: “sim, Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo, tu sabes como te amo”. E a sua vida, mesmo em meio às dificuldades e fraquezas, será sempre a demonstração deste amor apaixonado pelo seu Senhor, até a prisão, às viagens, e, finalmente, ao martírio.
Também Paulo, fariseu convicto, fanático, perseguidor ferrenho dos cristãos, colaborador do martírio de Estevão, é transformado por Jesus, e, assim, vive o resto de vida numa missão contínua dirigida aos vários povos que ele pode alcançar. Até o momento no qual pode afirmar: “combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé. Não me resta outra coisa senão esperar a coroa da justiça que o Senhor, o justo juiz, preparou para mim. O Senhor veio em meu auxílio e me deu forças” (II leitura).
Homens frágeis, pecadores, transformados pela misericórdia do Senhor e pela força do seu Espírito. Deram a vida pelo Senhor e estabeleceram as bases da comunidade cristã, a Igreja, destinada a se espalhar por todo o mundo. Aquela de Pedro e de Paulo é a nossa humanidade resgatada; também nós não devemos nunca ficar desencorajados diante das nossas fraquezas, de nossas dúvidas, de nossa falta de fé, mas sempre renovar o nosso amor ao Senhor.
Dois apóstolos diferentes, colunas fundamentais da Igreja, garantindo a unidade desta. Pedro recebe o carisma, isto é, o dom e a tarefa, de ser referência para a unidade e a comunhão entre os que acreditam em Cristo, através do serviço à Verdade. Pedro é a pedra sobre a qual Cristo quis edificar a sua Igreja, a sua comunidade e a ele confia as chaves do Reino. Paulo recebeu a tarefa de difundir a palavra de Verdade, o Evangelho, até os confins da terra, pregando e fundando comunidades cristãs. São santos que encontram no Papa o continuador e o testemunho da missão de Cristo que continua em meio a nós. No Papa, encontra-se a autoridade de Pedro, chefe visível da Igreja e centro de unidade, e no Papa, encontramos o ardor missionário de Paulo. A festa de hoje nos ajuda a renovar a nossa fé. A fé cristã católica não é simplesmente uma fé em Deus ou em Cristo, mas é fé na Igreja. Dizemos no Credo: “Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica”. É na Igreja que nós podemos ter uma relação autêntica com Cristo, único salvador e com Deus, o Pai, que Cristo nos revelou. A solenidade deste domingo nos chama a ser presença ativa, assumindo a nossa responsabilidade na Igreja, para que sejamos sempre mais “comunhão” no interior dela e sejamos sempre mais “missão” no mundo de hoje.
Ao comentário do ano passado como vimos acima, acrescento:
Pedro e Paulo. Simão e Saulo. Dois novos nomes, dois percursos de novidade. Quem encontra Jesus não pode permanecer como era. Porque o Senhor toma aquilo que mais detestamos em nós e nos transforma. A cabeça dura do pescador Simão se faz rocha sobre a qual é construída a Igreja. Disto, ninguém duvida, nem Dan Brown em “Anjos e Demônios”,quando o professor Langdon, da Universidade de Harvard, encontra-se na frente da basílica de São Pedro e os pensamentos em sua mente neste momento são: “Pedro é a pedra. A fé de Pedro em Deus foi tão firme, que Jesus o chamou de “a pedra”, o discípulo sobre cujos ombros Jesus construiria sua Igreja. Neste lugar, pensou Langdon, na colina do Vaticano, Pedro havia sido crucificado e enterrado. Os primeiros cristãos construíram um pequeno santuário sobre o seu túmulo. À medida que o cristianismo se estendeu, o santuário cresceu, passo a passo, até converter-se nesta basílica colossal. Toda a fé católica havia sido levantada, literalmente, sobre São Pedro, a pedra” (Anjos e Demônios, cap.118).
A paixão exagerada de Paulo pela lei se transforma em ardor por Jesus Cristo. O que pode unir estas duas figuras tão diferentes? O amor por Jesus Cristo. É Cristo quem coloca os dois em estreita colaboração porque a diversidade de carismas é o que faz crescer.
Em que sentido a trajetória da nossa vida espiritual se identifica com a de Pedro e a de Paulo?
Meus atos dão testemunho de que eu realmente amo a Jesus Cristo?
Meu serviço na minha Igreja local faz crescer a união e o amor na comunidade ou divide-a ainda mais?
Eu amo, reconheço, respeito e obedeço ao Papa Bento XVI, sucessor de Pedro?

quarta-feira, 17 de junho de 2009

12º Domingo Comum - Ano B - Mc 4,35-41

LECTIO DIVINA
Domingo, 21 de Junho de 2009
Autor: Pe. Gabriel Mestre
Tradução: Pe. Carlos Henrique

1 - LEITURA

O que diz o texto?
Pistas para a leitura
Caros servidores da Palavra:
Continuamos liturgicamente no Tempo Comum no qual de maneira preponderante, mas não exclusiva, seguiremos o evangelista Marcos no Ciclo B.
Hoje partilhamos o texto de Mc 4,35-41 intitulado como “a grande tempestade” ou "a tempestade acalmada”. Depois de desenvolver o tema das parábolas em quase todo o capítulo 4 (desde o v. 1 até o 34), este se conclui com o episódio que hoje meditamos.
Jesus convida seus discípulos a navegarem no lago para atravessar para a outra margem.
O lago ao qual se refere é o de Genesaré, chamado também Mar da Galileia, Mar de Tiberíades ou Lago de Kinneret. Precisamente, é um lago de água doce que se localiza no norte da Palestina a leste da Galileia. Em suas margens se encontravam muitos povoados dos quais se destacava Cafarnaum. Certo, é um lago tranquilo, porém, tem a particularidade de que em algumas circunstâncias, por determinados elementos climatológicos, geram-se ventos muito fortes de maneira inesperada. Os ventos agitam as ondas, dificultando e tornando perigosa a navegação. Isto é o que ocorre em nosso relato. É interessante acrescentar, além disso, que para os antigos o mar simbolizava o poder do desconhecido e inclusive os poderes negativos, contrários ao bem. Um mar enfurecido era então sinal da presença do mal e das dificuldades na vida de um homem ou de uma comunidade.
Os discípulos de Jesus começam a se inquietarem quando percebem que as ondas se lançam dentro da barca e esta vai se enchendo de água. Nesse momento, decidem “acordar” o Mestre gritando, dado que a dificuldade é grande e Jesus está deitado e dormindo.
O Senhor desperta, se levanta e ordena com poder soberano ao vento e ao mar que se acalmem. Neste mesmo instante, vem a calmaria e tudo fica totalmente tranquilo. Jesus então se dirige a seus discípulos com uma dupla pergunta onde liga o medo que eles experimentam com a falta de confiança Nele. Eles se assombram com o poder de Jesus que manda com soberania até no vendo e no mar.

Leve em conta que: tradicionalmente se diz que a barca é símbolo da Igreja, isto está certo. Porém, a barca também pode ser símbolo da vida de cada um, de uma família, de uma comunidade particular dentro de uma Igreja. Pode ser também símbolo de um povoado, de uma cidade, de uma nação e também de todo o mundo.

Outros textos bíblicos para confrontar: Mt 8,18.23-27; Lc 8,22-25; Mt 14,22-33; Mt 8,10; Mc 1,27.

Localize na sua Bíblia o Lago da Galileia, também o Mar Morto e o Mar Mediterrâneo. Assim, conhecerá alguns elementos do ambiente geográfico da época de Jesus.

Perguntas para a leitura
Quais detalhes cronológicos e temporais se dão no início do relato que partilhamos neste Domingo?
Quantos e quais são os “personagens” que figuram no episódio?
O que fazem Jesus e os discípulos?
Até onde se dirigem? Em que vão?
O que acontece “de repente”?
O que ocasiona o vento na barca?
O que faz Jesus “neste momento”?
Como reagem os discípulos?
O que dizem a Jesus?
O que faz Jesus depois que se levanta?
O que acontece com o vento e com o mar perante a ordem de Jesus?
O que Jesus diz a seus discípulos no final do relato?
O que dizem uns aos outros os discípulos do Senhor?

2 - MEDITAÇÃO

O que me diz o texto?

Perguntas para a meditação
O que significa “a noite” (ao cair da tarde) em minha vida?
Quais são as experiências de noite e escuridão que posso estar vivendo hoje?
O que implica que Jesus me convide a atravessar para o outro lado do lago?
Como está a barca da minha vida hoje?
Como está a barca da minha família, de meu grupo, de meu povoado, de minha cidade, de minha paróquia…?
Que tempestades percebo hoje?
Onde sopra mais forte o vento em minha vida?
Quais são as “ondas” que inundam a barca de minha vida?
Como reajo perante tudo isso?
Fico tranquilo, me desespero, grito, fico furioso, tenho medo?
Me animo para ir ao encontro de Jesus?
Me animo a dizer-lhe o que penso, o que sinto, o que está me passando?
Uma vez que falo com Jesus, escuto o que Ele me responde?
O que me diz? O que me sugere?
Estou “assustado” como os discípulos?
Confio ou não confio no Senhor?
Me deixo surpreender e assombrar pelo poder soberano de Jesus?

3 - ORAÇÃO

O que digo a Deus?

Para rezar, sugerimos um canto de Martín Valverde sobre o louvor a Deus em todas as circunstancias da vida, inclusive em meio às tempestades e quando o mar se agita. Apresentamos aqui a letra e seria útil buscar a melodia para poder escutá-la e rezar (também presente no DVD Acústico de Rosa de Saron)

Te louvo em verdade
Mesmo na tempestade, mesmo que se agite o marTe louvo, te louvo em verdadeMesmo longe dos meus, mesmo na solidãoTe louvo, te louvo em verdadePois somente tenho a Ti,Tu és minha herança Pois somente tenho a Ti,Tu és minha herança Te louvo, te louvo em verdade Mesmo que me faltem as palavras, mesmo que eu não saiba louvarTe louvo, te louvo em verdadeMesmo que me faltem as palavras, mesmo que eu não saiba louvarTe louvo, te louvo em verdade

4 - CONTEMPLAÇÃO

Como interiorizo a mensagem?

Para fazer a contemplação proponho que usemos positivamente o conteúdo da pergunta dos discípulos ao Senhor quando está no barco:
· Quando afundamos por nossos medos: Vem Senhor com teu poder…
· Quando afundamos por nossas desesperanças: Vem Senhor com teu poder…
· Quando afundamos pelo pecado em nossa vida: Vem Senhor com teu poder…
· Quando afundamos por…


5 - AÇÃO

Com que me comprometo?

Proposta pessoal

Fazer um propósito firme de confiar sempre no poder do Senhor

Proposta comunitária

Fazer com teu grupo um elenco das diferentes “tempestades” que experimenta o mundo na atualidade. Como anunciar a mensagem de Jesus em meio a estas tempestades?

segunda-feira, 8 de junho de 2009

11º Domingo Comum - Ano B - Mc 4,26-34

Domingo, 14 de junho de 2009
Para entendermos o Evangelho deste 11º Domingo do Tempo Comum, temos que fazer algumas considerações. Num primeiro momento, vimos que Jesus se dirigia sempre a seu grupo mais próximo, isto é, o dos doze, ao qual falava abertamente do mistério do Reino de Deus. Entretanto, também corresponde ao plano de Deus que ninguém seja excluído da boa nova deste Reino. Assim, vale esclarecer que essa distinção que Jesus faz com relação ao modo de falar do reino só vale para a época de sua atividade terrena e não é definitiva; é uma metodologia. Na verdade, ele se dedica de modo especial a estes doze com o intuito de alcançar o mundo todo, como ele disse: “Farei de vós pescadores de homens”.
Todos nós que somos cristãos temos que ter a consciência que o segredo do Reino é dirigido a todos nós, não pra continuar sendo um segredo, um tesouro escondido, mas pra ser descoberto por nós e revelado ao mundo através de nós. “Quem tem ouvidos para entender, entenda!” é o que diz Jesus. Os discípulos são vivamente solicitados a cumprir este apelo. O dom de Deus não pode ser acolhido passivamente, mas exige uma mente aberta e atenta. Aliás, temos que compreender que é pela quantidade de dedicação que damos ao mistério do Reino que mais o entenderemos. Quem não se dedica a entender a Palavra de Deus e fica dando uma desculpa que não entende nem tem quem ensine quando há uma quantidade sem fim de livros, jornais, revistas, cursos, programas em TVs católicas, em rádios, sites, blogs que explicam a Palavra, é porque no fundo não a considera importante.
Assim, Jesus dirige no Evangelho de hoje duas parábolas à multidão para falar do mistério do Reino de Deus. A primeira parábola é a que enfatiza todo o mistério que envolve a germinação de uma semente. Realmente, é fascinante o que se esconde neste processo natural. O agricultor lança a semente na terra, vai dormir e acorda (pacientemente), dia após dia, e quando parece que não está acontecendo nada ali, na verdade, misteriosamente, ela vai germinando, crescendo. É um mistério que se vê e se tem certeza de existir, mas que não cabe ao agricultor o seu desenvolvimento.
O agricultor não sabe como a colheita chegará, nem exatamente quando chegará, seu trabalho é plantar e esperar. Mas isto pode provocar uma impaciência danada, se não formos conscientes que temos que esperar em Deus e que o tempo dele é bastante diferente do nosso. Eu me lembro bem quando cursava o primário e havia um dever de Ciências que era justamente plantar uma semente, e eu a cada cinco minutos ia olhar se já tinha nascido. É difícil esperar. Mas, é assim. Quando menos se espera, acaba brotando.
Pois bem, como esta parábola pode nos encorajar na nossa missão de anunciadores do Reino de Deus?
Nós que somos discípulos missionários de Jesus Cristo, muitas vezes ficamos impacientes, frustrados e aflitos porque tentamos fazer algo na nossa comunidade que só Deus pode fazer. Mas apesar de acharmos que nossos esforços pareçam infrutíferos, a verdade é que nunca saberemos o que realmente está acontecendo “debaixo da terra”. De fato, as forças humanas são incapazes de fazer crescer a Igreja, pois tudo é tarefa de Deus. Nem tudo que é observável apenas nas aparências é medida precisa do resultado final.
Desta maneira, somos convidados a semear a semente, relaxar, e saber que o resultado final da conversão não é nosso (v.27: não sabe como isso acontece), compete ao Espírito Santo que vai falando vivamente dentro dos corações através da Palavra. O processo é interessante: “a terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga” (v.28).
De modo igual, Deus planeja crescer dentro de nós até que Ele acabe o trabalho que começou em nós. Basta refletirmos o quanto poderemos estar diferentes agora de quando a nossa vida cristã começou. Com certeza, ainda não chegamos lá, mas também e muito provavelmente não estamos no mesmo lugar onde começamos. A meta Dele em nos cultivar é nos preparar para a sua presença que nós experimentamos quando a colheita vier (v.29).
Com relação à parábola do grão de mostarda, o que Jesus quer ensinar? A menor semente, a de mostarda, transforma-se na maior planta do jardim. Como isso pode ilustrar o Reino de Deus? Se observarmos bem esta parábola, percebemos como ela descreve como se deu o crescimento da Igreja.
O mundo que considerava que a crucifixão e morte de um carpinteiro no primeiro século da Palestina significasse pouco ou absolutamente nada, ainda continuava com toda uma expectativa sobre “Cristo”, o Messias judeu. Entretanto, o tal homem chamado Jesus de Nazaré, que foi condenado por Pilatos e crucificado, se levantou da morte! Seus apóstolos saíram nas várias cidades e regiões proclamando esta Boa Nova: que este Jesus sofreu, foi crucificado para pagar de uma vez por todas o preço pelos nossos pecados e que pela fé Nele e no batismo em Seu nome, podemos ter a vida eterna.
Esta boa nova (Evangelho) foi espalhada mediante persecuções, viagens, anúncio do Evangelho e milagres, em direção ao centro da civilização naquele tempo, Roma. Como nos arredores. Lá pelo quarto século, o cristianismo passou de uma religião tolerada sob Constantino (Edito de Milão) para a religião oficial do Império sob Teodósio. O que iniciou na obscuridade, terminou mudando o mundo. Daí, foi se espalhando cada vez mais e chegou até nós através dos portugueses. Somente Deus, poderia realizar tal feito.
Não seria este o sentido preciso da parábola do grão de mostarda? A menor de todas as sementes, cresce até se tornar a maior de todas as plantas; grande o suficiente para que os pássaros do céu vivam à sua sombra? De fato, o cristianismo é maior religião do mundo hoje. Mas será que esta Igreja não é grande o bastante para que as nações possam habitar sob a sua sombra, para ouvir a boa nova – o Evangelho de Jesus Cristo?
Enfim, como nos ensina o catecismo da Igreja Católica, 543: Todos os homens são chamados a entrar no Reino. Anunciado primeiro aos filhos de Israel, este Reino messiânico é destinado a acolher os homens de todas as nações. Para ter acesso a ele, é preciso acolher a Palavra de Jesus: “A Palavra do Senhor compara-se à semente lançada ao campo: aqueles que a ouvem com fé e entram a fazer parte do pequeno rebanho de Cristo, já receberam o Reino; depois, por força própria, a semente germina e cresce até ao tempo da messe”.
Assim, que durante esta semana possamos agradecer a Deus pelo dom da Igreja. Vamos rezar para que ela continue proclamando o Evangelho que ela proclamou fielmente por mais de dois mil anos. Também vamos pessoalmente proclamar este Evangelho de Cristo: em nossas palavras, nossas ações, nossas boas obras e nosso louvor.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Domingo da Santíssima Trindade (Mt 28,16-20)

LECTIO DIVINA
Domingo, 7 de Junho de 2009
Autor: Pe. Gabriel Mestre
Tradução: Pe. Carlos Henrique

1 - LEITURA

O que diz o texto?

Neste Domingo, a Liturgia da Igreja contempla o mistério da Santíssima Trindade para louvar a grandeza e a onipotência de Deus.
A maioria das confissões cristãs aceitam em sua fé este grande mistério que tem consequências muito importantes para a espiritualidade e a vida dos fiéis: Deus é Uno, e, ao mesmo tempo, Trino. Um só Deus em três Pessoas Divinas é o núcleo da afirmação da Santíssima Trindade.
Esta Lectio Divina será feita, obviamente, a partir do texto bíblico, a partir da Palavra de Deus, porém iluminada pela celebração litúrgica da Santíssima Trindade.
O texto bíblico que nos é proposto é tomado do final do Evangelho segundo São Mateus. Fala da última aparição do Ressuscitado e do mandato missionário aos Apóstolos. Mateus e Marcos narram as aparições de Jesus Ressuscitado na Galileia, enquanto que João e Lucas as situam em Jerusalém e arredores.
O lugar do encontro é uma colina, uma montanha. Este é o lugar do encontro com Deus. Jesus convida os Apóstolos para participarem de sua glória como Senhor pleno de poder. Eles o adoram (literalmente “prostram-se”) diante de Jesus; porém, ainda persistem as dúvidas. Se bem que a manifestação seja clara, e seja um relato de “teofania” (revelação e manifestação de Deus e de seu poder), nos diz o relato que “eles ainda duvidavam”. Sempre a manifestação de Deus, da grandeza de seu mistério provoca dúvidas, idas e voltas, clareza-obscuridade no coração dos discípulos.
Os Onze (Judas já não está com eles e ainda não tinha sido “substituído”) têm uma experiência muito forte de encontro com a divindade; porém esta experiência provoca neles essa tensão espiritual profunda que se move entre a dúvida e a certeza.
Jesus continua sendo o mesmo, como vimos nos relatos pascais que fomos partilhando durante os domingos posteriores à celebração da Páscoa. No entanto, hoje se apresenta a nós com uma palavra cheia de poder. Continua sendo o amigo e o companheiro de sempre, mas com clareza manifesta o poder da Ressurreição.
No versículo 19, Jesus dá o mandato de fazer discípulos Dele em todos os lugares da terra. É incrível a abertura, a universalidade que Jesus assinala com isto. Os discípulos devem ser de todos os lugares, ninguém fica excluído, nenhum povo e nenhuma raça devem ficar de fora. O autêntico discípulo deve fazer outros discípulos de Cristo.
Ao fazer estes discípulos, deverão batizá-los em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Este será definitivamente o sinal da comunidade de salvação inaugurada por Jesus: serão batizados em nome da Santíssima Trindade. Esta tradição, a Igreja a manteve ao longo dos séculos. O mandato de Jesus de batizar em nome da Trindade reflete o núcleo deste Evangelho que a Igreja põe na liturgia deste dia.
Ao discipulado e ao batismo, acrescenta-se um novo mandamento: ensinar a obedecer tudo o que Jesus ensinou. Trata-se de dar a conhecer aos novos discípulos a autêntica doutrina da salvação.
Por último, na segunda parte do versículo 20, nas últimas palavras do Evangelho de Mateus, Jesus diz uma das palavras mais esperançosas e consoladoras de todo o Novo Testamento: “eis que eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo”.
Tenha em conta que: o Livro dos Atos fala do batismo em nome de Jesus (cfr. At 1,5; 2,38). Esta fórmula sensivelmente diferente não se contrapõe à fórmula trinitária que vimos em Mt. O Batismo sempre, numa ou noutra fórmula, vincula com Jesus Salvador que procede do amor do Pai e que culmina com a efusão do Espírito.
Outros textos bíblicos para confrontar: Dn 7,14; Mc 16,15-16; Lc 24,47; At 1,8.
Perguntas para a leitura:
Por que se faz referência aos onze e não aos doze discípulos?
Onde estavam os onze e onde logo foram?
Onde especificamente devem se encontrar com Jesus?
O que fazem os discípulos imediatamente quando se encontram com Jesus?
Por que eles ainda têm dúvidas?
O que faz Jesus?
Quais são os “três” mandatos que Jesus lhes deixa?
Como termina o relato? Qual é a última frase?

2 - MEDITAÇÃO

O que me diz o texto? O que nos diz o texto?
Perguntas para a meditação
Qual é hoje para mim o “monte”, a montanha onde me encontro com Jesus?
Quais são os “lugares” que o Senhor me indica para que eu me encontre com Ele?
Tenho atitude de adoração perante o Senhor? Prostro-me aos seus pés como sinal de humildade e submissão a Deus?
Duvido da presença de Jesus em minha vida?
Tenho dificuldade em reconhecer a presença de Jesus no caminho da minha vida?
Escuto o que Jesus quer me dizer?
Aceito a Jesus como Deus e Senhor pleno de poder para governar todo o universo?
Obedeço às palavras de Jesus?
Busco fazer discípulos de Jesus “por toda a terra”? Tenho uma atitude missionária adequada para com aqueles que não conhecem o Senhor ou que conhecendo-o, se afastaram?
Convido-os a serem batizados em nome da Santíssima Trindade?
Aceito que Deus é Um, mas também Três Pessoas Divinas?
Aceito o mistério da unidade e diversidade que se dá no mesmo Deus? Aceito a unidade e a diversidade na vida em geral: em minha família, na Igreja…?
Ensino aos outros irmãos a doutrina da salvação? Sou “catequista” dos irmãos que Deus põe no horizonte de minha vida?
O que penso da última frase do Evangelho de Mateus? Me dá esperança e serenidade? Me sinto cuidado e consolado?

3 - ORAÇÃO

O que digo a Deus? O que dizemos?


Uma boa oportunidade para fazer a oração com o mistério da Santíssima Trindade e o Evangelho deste Domingo pode ser recordar ou conhecer a história de Santo Agostinho e o menino da praia. Ela ilumina a atitude que deve ter o fiel cristão com relação à Trindade.
A história de Santo Agostinho com o menino é conhecida por muitos. A mesma surge do muito tempo que dedicou este grande santo e teólogo a refletir sobre o mistério da Santíssima Trindade, de como três pessoas diferentes podiam constituir um único Deus.
Conta a história que certo dia, Santo Agostinho, após longo período de trabalho e muito compenetrado na sua angústia, adormeceu no claustro. Teve um sonho revelador: caminhava sobre uma praia deserta, pensando no mistério da Trindade. De repente, avistou um menino que com um balde de madeira ia até a água do mar, enchia o balde e voltava, onde despejava a água num pequenino buraco na areia. Santo Agostinho, perplexo e curioso perguntou ao menino: – O que você está fazendo? O menino calmamente olhou para Santo Agostinho e respondeu: – Vou colocar toda a água do mar nesse buraco! Santo Agostinho sorriu e retrucou: – Isso é impossível garoto. Observe quanta água existe no oceano e você quer colocá-la toda nesse diminuto buraco! Mais uma vez o menino olhou para Santo Agostinho e de forma ríspida e corajosa disse: – Em verdade vos digo que é mais fácil colocar toda a água do oceano nesse pequeno buraco do que a inteligência humana compreender o mistério da Santíssima Trindade. E num instante, Santo Agostinho acordou assustado e desorientado. Tivera uma mensagem divina que acalmaria sua alma conturbada.

Texto de www.ewtn.com

4 - CONTEMPLAÇÃO

Como interiorizo a mensagem?
Para nos apropriar-nos do conteúdo desta Palavra proponho levar em conta dois elementos deste texto:
Por um lado, a profissão trinitária: repetir pausadamente o que o texto diz: … em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo… dizê-lo pensando nossa relação particular com cada uma das pessoas divinas.
Por outro lado, pode ajudar repetir o final do texto, a frase tão confiada e segura de Jesus para conosco: eu estarei sempre com vocês até o fim do mundo…

5 - AÇÃO

Com que me comprometo?
Proposta pessoal
.Crescer na humildade buscando sempre prostrar-se e adorar a Deus e só a Ele.
Proposta comunitária
.Conversar em teu grupo de amigos sobre os três verbos e seus complementos que são parte do mandamento de Jesus:
· Fazer discípulos…
· Batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo….
· Ensinar a obedecer tudo o que Jesus ensinou.
Como podemos fazer isto hoje, especialmente com os jovens discípulos do começo do século XXI?