sábado, 4 de abril de 2009

Domingo de Ramos e Paixão do Senhor - Mc 11,1-10; 15,1-39; Jo 18,1-19,42


O paradoxo da cruz
O que o texto diz?
A liturgia do Domingo de Ramos nos convida a celebrarmos dois acontecimentos: por um lado, a entrada de Jesus em Jerusalém, uma entrada triunfal como nos lembra o evangelho de Marcos. Jesus é aclamado por uma numerosa multidão com fé e alegria. Uma entrada aclamada com esperança por parte daqueles que confiavam em Jesus.
Por outro lado, esta entrada triunfal se transformaria em poucos dias num caminho para a cruz e para a morte sofrida pelo mesmo Jesus no Gólgota; e que representa também um prelúdio para a ressurreição e para o renascimento da humanidade.
A leitura do relato da paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo que se faz neste dia em toda a Igreja, depois da procissão até a igreja com os ramos já bentos, classifica este domingo também como o da Paixão. Pois toda a liturgia convida a refletir sobre Jesus crucificado e morto pela nossa salvação, tocando nossa mente e nosso coração para os grandes sofrimentos pelos quais passou Nosso Senhor por nos amar.
Entrando em Jerusalém, Jesus é acolhido e aclamado pelo povo como Messias: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito seja o reino que vem, o reino de nosso pai Davi! Hosana no mais alto dos céus!” É a confissão alegre da nossa fé. A nossa fé é sempre luz, vida, força, alegria. Aquelas pessoas conduzidas a Cristo, inspiradas e mensageiras da verdadeira fé da humanidade que esperava o Messias, encontram Jesus, celebram, o aclamam com ramos nas mãos. Jesus gosta desta acolhida e desta fé, foi ele mesmo que decidiu entrar em Jerusalém não mais a pé, mas montado num jumentinho. Ele que é manso e humilde. Ele é verdadeiramente o Salvador, o Filho de Deus, vindo ao mundo para nos trazer o amor e a misericórdia do Pai. Também nós queremos viver este dia renovando toda a nossa fé, o nosso fervor, o nosso afeto a Jesus.
Mas este é também um momento de contrastes. Jesus gosta da acolhida, mas sabe que a sua glória acontecerá quando for pregado numa cruz: a sua grandeza é o seu amor infinito, o que o leva a doar a vida por todos. Enquanto o povo o aclama, os inimigos se preparam para capturá-lo a fim de condená-lo à morte. Jesus sabe que vai ao encontro da sua hora, ele veio precisamente para isso! E ainda que humanamente sinta uma terrível angústia no horto das oliveiras, ele sabe invocar e cumprir a vontade do Pai, que é o verdadeiro bem para ele e para todos nós.
Nesta missa de Ramos, que abre a Semana Santa, cabe muito bem a leitura do relato da paixão e morte de Cristo. Pois, neste relato se concentra todo o mistério do amor de Deus, do pecado do homem, da salvação que Jesus nos faz merecer. O texto da paixão do Senhor não precisa nem ser comentado: é o relato dos fatos através dos quais chegou a cada um de nós a Redenção. Todo o mal, que se realiza sobre a terra, de alguma forma é concentrado naqueles fatos: a violência, a sede de poder, a inveja, a traição dos amigos, a covardia, a bajulação dos poderosos, a maldade, o insulto à dignidade humana, as insinuações, a mentira e todo tipo de maldade que o ser humano pode cometer, tudo parece estar presente na paixão de Jesus.
O paradoxo é justamente o fato de que esta dor, este sofrimento foi aceito e este mal foi relevado, tornou-se nas mãos de Deus o instrumento pelo qual ele nos salvou. O amor de Deus venceu este mal e o tornou redenção.
Reunir, como faz a celebração de hoje, as duas atitudes da multidão que antes o aclama e depois o condena, nos faz perceber como é fácil esquecer o amor de Deus, deixar-se conduzir pelo pecado, rejeitar o Senhor. Percebemos isto nas pessoas, mas também em Pedro e nos outros apóstolos. O texto da paixão que lemos na sexta-feira ressalta a traição de Pedro, quando Jesus anuncia durante a ceia e quando Pedro o nega por três vezes diante da serva.
Se formos confrontar a traição de Pedro àquela de Judas, vemos que Pedro, depois de ter negado Jesus, cai num pranto, enquanto Judas depois da traição, vai enforcar-se. Pedro teve confiança na misericórdia de Deus, enquanto Judas não, desesperou-se.
MEDITAÇÃO
O que o texto nos diz?
Também cada um de nós, muitas vezes, caímos na tentação, no medo, no egoísmo, no pecado, como Pedro e como Judas. Temos, porém, de seguir o exemplo de Pedro: acreditar em Deus, no seu amor infinito, na sua misericórdia sem limites. O amor de Deus, mostrado na cruz é a nossa plena, contínua e eterna salvação! Mesmo quando pecamos gravemente, e sentirmos o peso do nosso pecado, saibamos que Deus é maior do que o nosso pecado, e veio justamente para “tirar” os nossos pecados, para nos dar alegria e os frutos do seu amor. Que esta mensagem nos ajude a celebrar com profunda fé os sacramentos pascais, a viver a semana santa em união com a paixão de Cristo, fazendo nossos os mesmos sentimentos que existiram em Jesus, e implorando a graça e a força da sua morte e ressurreição para todos nós.
Perguntas para a meditação:
Sou consciente de que Jesus é o personagem central do relato?
Olhando todos os personagens humanos que aparecem no relato da paixão e morte de Jesus: em que me identifico com cada um deles?
O que há em mim de positivo e de negativo dos distintos personagens?
Quais seriam hoje os sinais negativos daqueles que rejeitam Jesus?
Como se poderiam atualizar hoje as atitudes positivas dos que tentam acompanhar a Cristo em sua Paixão?
Sigo o exemplo de Pedro quando caio em tentação?

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