sábado, 25 de abril de 2009

3º Domingo da Páscoa - Ano B - Lc 24,35-48


Testemunhas de Jesus

O Evangelho deste 3º Domingo da Páscoa começa com os dois discípulos de Emaús relatando aos outros o encontro surpreendente que acabaram de ter com o Senhor Ressuscitado, e como o reconheceram ao partir o pão. Ainda nem tinham terminado de contar o fato, e eis que Jesus aparece a todos eles, que estavam trancados no cenáculo com medo (ver o comentário do domingo passado).
A Ressurreição de Jesus é um evento concreto, não uma teoria, nem um ensinamento. Nem muito menos um fato subjetivo, como queria o alemão Bultmann. Este pensador afirmava que não importava se Jesus tinha mesmo ressuscitado ou não, o que conta é que os discípulos acreditaram que ele tinha ressuscitado.
A ressurreição também não é somente um fato histórico de algo que remete ao passado. Nem também é algo que diz respeito só ao nosso fim, uma esperança com relação ao nosso futuro. A Ressurreição é um evento que muda minha vida agora.
Jesus está vivo ou não? Se estiver vivo, eu posso experimentá-lo: “tocai em mim e vede!” com isso, não posso viver a minha fé em Jesus a não ser a partir desta experiência de relação com uma pessoa viva, objetiva, concreta! “Tendes aqui alguma coisa para comer?” Oferecem a ele um pedaço de peixe assado. Ele toma e come diante de todos. Não se trata aqui de saber se Jesus ressuscitou, mas de provar que ele está vivo. E se está vivo, ficamos perplexos, amedrontados, e enfim nos dá uma grande alegria (os discípulos “ainda não podiam acreditar, porque estavam muito alegres e surpresos”). Se tivéssemos somente o dado de que Jesus ressuscitou, não teríamos prova de nada. Mas, como fazer esta experiência? Onde? Por meio de quem?
Os discípulos já tinham visto outras aparições. A última acabou de ser mencionada no início do evangelho. E mesmo assim fizeram um esforço tremendo para acreditar que Jesus estava verdadeiramente vivo: acreditavam ter visto um fantasma... É o esforço para acreditar... a fé não é uma segurança conquistada para sempre! Não existe somente a fadiga do viver, mas também a de crer. As coisas mais belas, maiores, mais verdadeiras da vida nos custam muito trabalho, mas vale à pena. Ter fé é trabalhoso. Devemos aceitar isso como um fato positivo e normal. Como também normais são as dúvidas; não são inimigas da fé, muito pelo contrário, quando as enfrentamos com seriedade e sinceridade (Tomé).
“Vós sereis testemunhas de tudo isso” (Lc 24,48), “e disso nós somos testemunhas” (I leitura). Do que somos testemunhas? O que testemunhamos com a nossa vida? Somos cristãos “crentes e praticantes”? Somos coerentes? Somos testemunhas? Isto é, somos cristãos confiáveis e que põem em prática o Evangelho? Jesus está vivo em nós? O Evangelho está vivo na nossa vida cotidiana? “Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos: disto sois testemunhas”.
Se acreditamos na Ressurreição de Jesus, e por isto, estamos aqui, então é preciso que deste encontro com Jesus vivo, comecemos a praticar uma séria conversão das nossas atitudes que não concorrem para Deus. É necessário que comecemos a perdoar os pecados. “No seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém”, isto é, primeiramente àqueles da minha casa. Na minha família e com os meus parentes. Na minha paróquia e com os meus amigos.
A força para o perdão nos dá Jesus em pessoa, vivo na Eucaristia: “sou eu mesmo”, presente em carne e osso. São as testemunhas da ressurreição de Jesus. Mas quem são estas testemunhas? São aquelas pessoas que contam aquilo que viram. O que faz um juiz num tribunal para entender aquilo que realmente aconteceu? Ele chama as testemunhas. E atenção: as testemunhas têm de ser confiáveis. Se no momento no qual aconteceu o fato elas estavam bêbadas, ou se são conhecidas por suas mentiras, o testemunho delas não vale nada. O juiz não acredita nelas. Se tivéssemos que chamar agora testemunhas para demonstrar que Jesus está realmente vivo, quem poderíamos chamar? Poderia eu ser uma testemunha do Senhor Ressuscitado?
Outras perguntas:
Experimento a alegria dos discípulos de Emaús e conto a meus irmãos como o Senhor se manifesta em minha vida, de maneira particular na “Fração do Pão”, na Celebração do Memorial, na Eucaristia?
Em meio às dificuldades e conflitos deixo que o Senhor da Páscoa me dê sua paz? Qual será hoje “minha Jerusalém” onde devo contar tudo o que tenho visto neste tempo de Páscoa?

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