sábado, 28 de março de 2009

Olá! Estava de férias, e não tinha acesso a Internet. A partir da próxima semana recomeço a postar meus comentários. Que Deus abençoe a todos.

segunda-feira, 2 de março de 2009

2º Domingo da Quaresma - Ano B - Mc 9,2-10


TRANSFIGURADOS PELO AMOR
O que o texto diz?
No Evangelho deste II Domingo da Quaresma, somos convidados a subir a montanha em companhia de Pedro, Tiago e João, seguindo os passos de Jesus que se afasta da multidão e se recolhe para rezar. A montanha na Bíblia é o lugar da presença e da manifestação de Deus. Foi sobre uma montanha que a Lei foi dada a Moisés como também foi sobre uma montanha que Elias revelou o Deus único.
Agora, é Marcos que nos conta o que se passou naquela montanha onde estava reunido Jesus com três dos seus discípulos: “transfigurou-se diante deles. Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas como nenhuma lavadeira sobre a terra poderia alvejar”. Esta mudança na aparência de Jesus que o torna luminoso é o que chamamos “Transfiguração”. Transfigurar significa mudar a figura ou a feição.
Para nos ajudar a compreender melhor essa transfiguração de Jesus, podemos nos valer da expressão facial de algumas pessoas em determinadas circunstâncias que nos passam essa idéia: a expressão de uma mãe que amamenta seu filhinho, o de um pai apaixonado por seus filhos e sua esposa etc. O que caracteriza o olhar de ambos é o brilho no olhar. E o que faz iluminar a expressão destas pessoas? É o amor. É o amor que transparece do rosto deles e os torna brilhantes.
Com certeza, foi o amor que tornou o rosto de Jesus resplandecente. Enquanto estava rezando, ele entra em contato com o Pai, e o amor entre eles é tão grande que chega a alterar a sua aparência. Os três apóstolos que o acompanhavam certamente ficaram perplexos ao verem esta mudança; principalmente, quando apareceram Moisés e Elias. Moisés, que guiou o povo de Israel da escravidão do Egito à libertação dada por Deus; e Elias, que foi assunto ao céu numa carruagem de fogo (2 Rs 2,11). Os dois, que representam toda a história de Israel, aparecem na montanha para conversarem com Jesus.
Mas, qual era mesmo o assunto da conversa deles? Esta informação só o evangelista Lucas nos dá. Conversavam sobre a morte que Jesus iria sofrer em Jerusalém, ou seja, da paixão de Jesus, o que estamos, neste tempo de Quaresma, nos preparando para celebrar. Nesse ínterim, Pedro constata maravilhado: “Mestre, é bom ficarmos aqui!” E propõe: “vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Pedro tem razão: deve ter sido muito bom mesmo estar ali imersos na luz do amor entre o Pai e o Filho, escutando o diálogo com Moisés e Elias. Era tão bom que Pedro queria que aquele momento nunca acabasse. Por isso é que ele propôs fazer três tendas. Normalmente, quando as pessoas vão a uma montanha para acampar, ou seja, querem passar mais tempo lá, levam e armam suas barracas.
Entretanto, enquanto Pedro fazia a sua proposta, saiu uma voz do céu com uma indicação bem diferente: para saborear aquele momento extraordinário, não era preciso armar tendas, mas ter um coração atento para ouvir a Palavra de Jesus. De fato, saiu de uma nuvem a voz do Pai que dizia: “Este é o meu Filho amado. Escutai o que Ele diz!”.
É a mesma exortação feita no relato do Batismo de Jesus. E este é um detalhe muito interessante, pois o Pai está dizendo que aquele Filho que começou o ministério no Jordão é o mesmo que está prestes a morrer crucificado. A força da voz do Pai deve ter sido uma experiência esplendorosa para os apóstolos, a ponto de ficarem assustados. Escutar! É a melhor maneira para se preparar para a Páscoa: escutar a Palavra que Jesus veio nos dar. Escutar com os ouvidos, mas, sobretudo, escutar com o coração. Só assim podemos ficar transfigurados.
MEDITAÇÃO:
O que o texto nos diz?
Infelizmente, hoje, o rosto de Jesus aparece mais desfigurado do que transfigurado. Desfigurado em tantos rostos humanos por causa da pobreza extrema e por falta de amor. Jesus sofredor aparece desfigurado no rosto de crianças doentes, abandonadas, desfrutadas; no de jovens desorientados, perdidos, vazios; no dos excluídos da sociedade; no de desempregados, no de idosos abandonados até mesmo pela família, no de viciados em algum tipo de droga.
São muitos os desafios que os missionários de Jesus têm de enfrentar. Coragem! Levantai-vos e não tenhais medo.
Perguntas: Procuro subir o “monte” (lugar de silêncio e deserto) para estar com Jesus através da oração? Como entendo o relato da transfiguração? Percebo as situações em que Jesus se transfigura na minha vida? Gosto de me lembrar dessas ocasiões ou só fico pensando nas experiências de desolação? Sou consciente de que a transfiguração na minha vida pode acontecer através de uma constante experiência de encontro com Jesus na vida sacramental? Sinto prazer em gastar meu tempo dialogando com Deus? “É bom ficarmos aqui, vamos fazer três tendas”. Tenho a tentação de Pedro de ficar no topo da montanha, na experiência da transfiguração, e não querer colocar os pés no chão, baixar esta experiência para a minha vida cotidiana? Reconheço que Jesus é o Filho amado do Pai e nele, também eu sou filho predileto do Pai? Escuto e observo o que o Filho amado tem a me dizer através da escuta da Palavra e da oração?
CURANDO AS EMOÇÕES FERIDAS: INDICAÇÃO DE LIVRO
Fiquei responsável por mostrar neste espaço ao longo do ano, livros que possam formar os agentes de pastoral que acompanham pessoas em nossas comunidades que sofrem com problemas sérios como o alcoolismo, a dependência química, a depressão, o machismo, a exclusão, a violência familiar e muitos outros problemas que deixam a face destas pessoas tão desfiguradas, tristes, vazias, amargas, maltratadas.
Um livro bastante interessante para a formação desses agentes que constantemente devem lidar com estas pessoas é o do sacerdote e psicoterapeuta americano Martin Padovani. O livro se intitula “Curando as emoções feridas: vencendo os males da vida”. Neste livro, o autor consciente da missão de Jesus e de seus discípulos de curar os corações quebrantados (Is 61,1), primeiramente mostra a compatibilidade existente entre teologia e psicologia, e a partir daí, aborda com muita experiência de confessor e terapeuta, temas como a raiva, o perdão, o perdoar a si mesmo, o sentimento de culpa, a depressão, a autocrítica, o amor a si mesmo, a compaixão, a mudança. Temas muito interessantes apresentados à luz da Palavra de Deus que podem com certeza ajudar as pessoas sofridas a adquirir o semblante da transfiguração. O livro foi lançado no Brasil pela Paulus.