sábado, 24 de janeiro de 2009

Conversão de Paulo - Ano B - Mc 16,15-18 / At 22,3-16


Quem é o discípulo de Jesus?

A liturgia da festa de hoje, a da conversão de São Paulo, oferece-nos o último texto do evangelho de Marcos no qual mostra Jesus, depois de aparecer aos onze discípulos e reprová-los porque não acreditaram nas pessoas que o tinham visto ressuscitado; sua última palavra é a de incumbir estes onze na missão de anunciar a Boa Nova a todas as criaturas. É um mandamento de caráter universal (“pelo mundo inteiro”, “a toda criatura”, “quem”). Em Mc 15,39 já temos um exemplo disso quando mostra a fé do centurião romano (que era um pagão) em Jesus.
Esta aparição faz brotar a fé nos discípulos. É este o ponto central do Evangelho. É preciso acreditar e ser batizado. O texto diz: “quem crer e for batizado”; o batismo aqui não deve ser visto somente como um rito, mas como o coroamento da fé daquele que reconhece Jesus como o único Salvador.
Já os que não acreditarem, receberão a recompensa que livremente escolheram.
Para aqueles que tiveram a coragem de acreditar na Boa Nova e que foram batizados, ele prometeu os seguintes sinais simbólicos: expulsar os demônios, falar novas línguas, pegar em serpentes sem que o veneno lhes cause mal, impor as mãos curando os enfermos. Mas o que significa estes sinais simbólicos hoje?
Expulsar demônios é combater a força do mal que quer destruir a nossa vida. O demônio nos influencia a praticarmos o mal. Quanto mais nos inebriarmos da presença de Deus, menos espaço ele vai encontrar, seremos mais resistentes as suas armadilhas.
Falar novas línguas é começar a se comunicar com os outros de uma forma nova. Às vezes, encontramos uma pessoa que nunca vimos na vida, mas parece que já a conhecemos há anos. Isso acontece porque falamos a mesma língua, a linguagem do amor.
Vencer o veneno: há muitas coisas que envenenam a nossa mente, prejudica nossa vida com Deus e nossa convivência com o próximo. Muitas fofocas, críticas, julgamentos que destroem a relação entre as pessoas. Quem vive na presença de Deus consegue não ser molestado por este veneno terrível.
Curar os enfermos: a partir do momento em que temos uma consciência mais clara e mais viva da presença de Deus, naturalmente entendemos que o Evangelho nos impulsiona a ter uma atenção especial para com as pessoas oprimidas e marginalizadas, sobretudo as pessoas enfermas. O que mais ajuda na cura de um enfermo, é que ele se sinta acolhido e amado.
Quanto a I leitura de hoje, a que narra precisamente o testemunho de Paulo acerca da sua conversão – vocação, podemos dizer o seguinte: de um certo modo, Paulo era muito zeloso pelas coisas de Deus e pelo seu povo, mas de maneira errada. Queria que os israelitas fossem fiéis a uma fé que não tolerava os seguidores de Jesus Cristo, aos quais perseguia com grande violência. Aquilo que foi revelado a ele com muita clareza quando caiu do cavalo por terra no caminho de Damasco, é a mais pura verdade: “por que me persegues?” Toda vez que Paulo perseguia um seguidor de Jesus, era a Jesus mesmo que ele perseguia; e o próprio Jesus reconhece isso. Porque como dirá depois o próprio Paulo nas suas cartas, formamos um só corpo em Cristo. É isso! A Igreja é esta unidade; é esta identidade: Corpo do Senhor. Quando fazemos o bem ao próximo, é a Cristo que estamos fazendo; quando rejeitamos, maltratamos, ferimos, difamamos o próximo, é ao próprio Cristo que ferimos.
MEDITAÇÃO
Somos convidados a meditar, a contemplar esta admirável unidade entre nós com o Senhor. Peçamos a Deus que tomemos consciência da dignidade de cada ser humano, que pela fé, é a extensão do próprio Jesus junto a nós.
É mediante esta comunidade eclesial que Jesus continua a sua missão. O mesmo Jesus que viveu em Nazaré, que acolhia os pobres do seu tempo, revelando-lhes o amor do Pai, este mesmo Jesus continua vivo em meio a nós, nas nossas comunidades. E através de nós, continua a sua missão de revelar a boa nova do amor de Deus aos pobres.
Uma comunidade que quer ser testemunha da ressurreição deve ser sinal de vida, deve lutar contra as forças da morte, de modo que o mundo seja um lugar favorável para a vida, e deve acreditar que um mundo melhor é sempre possível. Por isso, é bom que eu me pergunte:
Contra quem respiro “ira e ameaças de morte”? A quem “persigo”? Com que pessoas tenho algum conflito hoje? Por quê?
Em quais situações de meu passado e de meu presente sinto que Jesus, como luz, sai a meu encontro no caminho da vida?
Como escuto hoje, a “voz de Jesus”? De que forma posso conhecer a vontade de Deus hoje?
Em quais coisas eu posso estar “perseguindo” a Jesus? Rejeito “algo” do que Jesus me apresenta como projeto de vida?
Que coisas me fazem “cair por terra”? Que situações hoje, fazem com que eu caia no caminho de minha vida?
O que significa isto de ter “olhos abertos”, mas “não ver nada”? Quais podem ser minhas cegueiras e trevas?
Quem “me segura pela mão e me leva” quando não posso ver o caminho? Dou graças a Deus pelos que cumprem esta tarefa em minha vida?

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