quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

4º Domingo Comum – Ano B – Mc 1,21-28


A autoridade da Palavra que liberta
O Evangelho que nos é apresentado neste 4º domingo do tempo comum, nos mostra como desde o início de sua obra, Marcos apresenta Jesus como um mestre extraordinário quer nas suas palavras quer nas suas atitudes: um mestre que deixa as pessoas maravilhadas porque ensina com autoridade. Como veremos, o que acontece nessa primeira atividade pública de Jesus é o que caracterizará toda a sua obra.
Em primeiro lugar, Jesus vai a Cafarnaum acompanhado de seus discípulos, os quais igualmente deixam a sinagoga junto com ele (1,29); é a tarefa principal do discípulo que aqui aparece: seguir Jesus, onde quer que ele vá, e deixando-se influenciar por ele.
Lá na sinagoga, Jesus ensina. Ensinar é a sua atividade principal, desde o início até o fim de sua missão. Jesus é o Rabbi, Mestre. No texto em questão, a característica principal da sua qualidade de mestre é o efeito do seu ensinamento, que percebemos a partir da experiência dos ouvintes na sinagoga. O povo ficou extasiado; o povo se deu conta da autoridade particular de Jesus, reconhecendo a grande diferença entre o ensinamento dele e o dos escribas. Temor, surpresa, admiração, mas também tantas esperanças foram os sentimentos que aquele novo Rabbi misterioso, convincente e poderoso, suscitou no coração de todos (logo se espalhou por toda a parte).
Os escribas conhecem as Escrituras de cor e salteado, sobretudo os cinco livros da Torá (Pentateuco). Eles as interpretam, e indicam ao povo como devem se comportar para fazer a vontade de Deus. Jesus ensina diferentemente. Ele fala e age. O fato de Marcos ter unido e interligado o anúncio de um ensinamento dado com autoridade e o relato da expulsão de um demônio dá ao conjunto um significado particular: o ensinamento se reduz aqui a ordem que Jesus dá ao demônio: “Cala-te e sai dele!”. O evangelista apresenta tudo como se fosse exatamente esta a palavra cheia de autoridade de Jesus. De fato, esta autoridade não se reduz ao prestígio da palavra ou a um modo convincente de expressar-se. Mas consiste na eficácia de uma palavra que produz aquilo que diz. Por isso, não é sem importância que a cena se desenvolva numa sinagoga e que Marcos contraponha a autoridade de Jesus àquela dos escribas. O texto sugere a oposição entre a ineficácia da lei e a eficácia da Palavra de Cristo.
Os escribas, por sua vez, acusam Jesus de blasfêmia. Isto faz com que percebamos que toda a sua atividade pública no evangelho de Marcos é acompanhada por essa tríplice característica: Jesus está sempre acompanhado pelos discípulos, é muito admirado pelo povo e é rejeitado pelos chefes religiosos judaicos.
Jesus expulsa os espíritos maus. É este o ensinamento que resulta numa ação potente presente em nosso texto. Na linguagem bíblica, os espíritos maus, imundos, aparecem como poderes não humanos, estão em oposição ao Espírito Santo de Deus e fazem o mal às pessoas. Desviam as pessoas, impedindo-as de agirem livremente. Mas Jesus é bem superior a eles. Com uma só palavra vence o poder deles, libertando a humanidade da escravidão, e restituindo a ela a liberdade.
Tudo isso porque Jesus tem uma relação especial com Deus, a qual reconhecem em primeiro lugar os demônios. Na sinagoga, um deles grita: “que queres de nós, Jesus nazareno? Viestes para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus”. Aqui aparece a missão e a identidade de Jesus, revelada pelo espírito mau que se descontrola diante de Jesus.
O relato do homem possuído por um espírito imundo, que grita e se contorce, leva a algumas reflexões sobre a existência dos espíritos maus que, de forma múltipla e dramática, atormentam pessoas no corpo e no espírito. Hoje, com a ciência, já sabemos que muitas doenças atribuídas ao demônio, eram e são ainda hoje verdadeiras doenças psíquicas como a esquizofrenia e as diversas formas de convulsão como a epilepsia e outras. Isto, porém, não nos deve chegar à conclusão de que não exista o demônio. Ele existe sim e exerce influência negativa sobre nós; negar o espírito maligno seria uma ingenuidade que serviria só para fazer crescer a expansão do mal, do pecado e de tudo o que é negativo que possamos imaginar. Os evangelhos nos apresentam numerosos milagres de Jesus para com as pessoas vítimas de males estranhos de natureza psicofísica; na verdade, a ação curadora de Jesus abraça a pessoa de modo integral: Jesus cura, ao mesmo tempo, o corpo, a psique e a alma. Que ele nos liberte de todo o mal!
MEDITAÇÃO
Para dominar o mal, o destino e as forças negativas em geral, a humanidade recorre a meios como adivinhação, ocultismo, candomblé, bruxas, astrólogos, videntes, horóscopos etc. Deus já tinha proibido estas práticas ao seu povo em Dt 18,10-11. Trata-se de um mundo obscuro de enganos, que tira suas vantagens em troca de altas somas de dinheiro por causa dos medos, da ingenuidade, das crenças, da ignorância de Deus, que gera falsas consolações, frustrações e desesperos. São as heranças do paganismo.
Um caminho de conversão é necessário para todos e dura a vida toda, tendo no batismo o início do processo de crescimento espiritual. A conversão cristã consiste na progressiva libertação dos medos, dos ídolos e das várias formas de falsidade: expondo-se sem capa alguma à verdade do Evangelho, cada pessoa faz experiência e dá prova da liberdade interior que brota da adesão a Jesus Cristo.
Na nossa vida pessoal e na nossa família, nos damos conta da ação do demônio? Ainda temos aquela idéia de que a tentação consiste só no campo sexual, ou somos conscientes que ela acontece em todas as áreas da nossa vida?
Me maravilho com os ensinamentos de Jesus para minha vida? Percebo a autoridade com a qual ele continua agindo nos dias de hoje? Como eles chegam até mim hoje? Que valor dou à Palavra de Deus na Sagrada Escritura? Como sigo Jesus? Deixo que ele silencie e retire os “espíritos maus” do meu coração?

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