sábado, 17 de janeiro de 2009

2º Domingo Comum – Ano B – Jo 1,35-42


Encontramos o Messias
O que diz o texto?
No início do Evangelho deste II domingo do tempo comum, encontramos logo de início João Batista que vendo Jesus passar, indica: “Eis o cordeiro de Deus”. No dia anterior, João já havia pronunciado o mesmo, mas ele tinha sido mais específico ainda quando acrescentava que este cordeiro “tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). Tanto o Antigo Testamento como o Novo Testamento é repleto de citações sobre o cordeiro e que remetem a Jesus. O tema do cordeiro aparece já no livro do Gênesis, no capítulo 22, no momento do sacrifício de Isaac, quando Deus providencia um cordeiro para que seja oferecido como holocausto no lugar do seu filho. É a imagem do cordeiro que desce do céu e toma sobre si a morte do ser humano, representado por Isaac; o cordeiro é imolado, para que o filho viva.
Já no livro do Êxodo, no capítulo 12, é oferecido o cordeiro pascal, sem mancha, sem defeito; o seu sangue derramado salva os filhos de Israel do exterminador, que passa de casa em casa, durante à noite, matando os primogênitos. Daquele momento em diante, cada filho de Deus será marcado, sigilado, por aquele sangue de salvação. Assim, fica aberta a estrada para a liberdade, o caminho do êxodo, para se chegar até Deus, para entrar na terra prometida. E aquele momento se prolonga até o Apocalipse, a realidade do céu. O elemento do sacrifício, do degolamento, acompanha constantemente a figura do cordeiro; os livros do Levítico e dos Números nos apresentam continuamente esta presença santa do cordeiro: ele é oferecido todos os dias no holocausto; é imolado em todos os sacrifícios expiatórios sobre o altar, de reparação, de santificação. Também os profetas falam de um cordeiro preparado para o sacrifício: cordeiro mudo, tosado sem ter aberto a boca, manso levado ao matadouro (Is 53,7; Jr 11,19).
Assim, no Evangelho, João Batista anuncia e revela que Jesus é o verdadeiro cordeiro de Deus, que toma sobre si o pecado do homem e o cancela com a efusão do seu sangue precioso e puro. É ele, de fato, o cordeiro imolado no lugar de Isaac; é ele o cordeiro assado sobre o fogo na noite de Páscoa. É o cordeiro da libertação; é ele o sacrifício perene do Pai, oferecido por nós; é ele o servo sofredor, que não se rebela, não recrimina, mas se entrega, silencioso, manso, porque nos ama.
Falando sobre o resto do texto, vemos que tal profissão feita por João Batista é dirigida a dois de seus discípulos, os quais, por sua vez, seguiram Jesus. O verbo “seguir” aqui indica uma precisa escolha de vida: eles querem se tornar discípulos de Jesus. À primeira vista, podemos achar o encontro de Jesus com estes discípulos muito simples, mas examinando atentamente, percebemos que cada expressão ali é muito bem colocada e estudada. Jesus pergunta a eles: “O que estais procurando?” Jesus vê aqueles dois discípulos como alguém que está buscando; tanto é que a resposta deles confirma esta indicação: “Mestre, onde moras?” querem já de imediato estabelecer com Jesus uma relação mestre-discípulo. E para conseguir isso é necessário saber onde Jesus vive. O Mestre, de fato, pelo menos naquele ambiente, não é aquele que dá simples noções, mas que ensina um modo de viver. Portanto, para ser discípulo é indispensável uma comunhão de vida.
Jesus aceita o pedido deles e diz: “Vinde ver”. O ver é uma constatação indispensável que faz parte da formação para o discipulado. E foram ver onde ele morava, permaneceram com ele todo o dia. É até provável que um dos dois discípulos fosse João, o autor deste evangelho, e que nos conta o que fez o outro discípulo, isto é, André, irmão de Simão Pedro. André se apresenta no quarto evangelho como o primeiro a reconhecer que Jesus é o Messias, o Cristo, o Ungido: “Encontramos o Messias”. Ele procurou, viu e encontrou, isto é, compreendeu quem era Jesus. André anuncia essa sua conclusão primeiramente a seu irmão Simão, que neste evangelho tem uma atitude passiva. Simão escuta o que lhe diz André, se deixa conduzir até Jesus, o qual anuncia o seu futuro: “Tu és Simão, filho de João; tu serás chamado Cefas” (que quer dizer pedra). Mas fica só num simples anúncio, não há propriamente uma mudança de nome, nem Jesus lhe confere missão. Pedro não diz nada, não expressa uma opinião sua sobre Jesus.

MEDITAÇÃO: O que o texto me diz?
No início do Evangelho, João Batista indica Jesus e diz: “Eis o cordeiro de Deus”. João é um mediador para André. André é um mediador para Simão Pedro. Nos versículos seguintes, Filipe, que tinha encontrado Jesus, se tornará mediador para Natanael. Pedro será mediação para tantos homens e mulheres que se tornarão cristãos até os dias de hoje. Para mim e para você.
A fé é uma mediação, uma transmissão, um vírus, um contágio. Eu vivo uma coisa que me embriaga, que me envolve, que me atrai, e que obviamente, eu comunico a você neste momento. Como poderia eu guardar isso só para mim? Como faço para não dizer algo que me apaixona? E não é uma simples informação que eu dou a você, mas algo que para mim é vital, que mudou a minha vida. Esta é a missão. A fé não se espalha por doutrinamento, por imposição, inculcando e fazendo lavagem cerebral nas pessoas com conceitos, teorias. Mas é algo que contagia. Quantas vezes é justamente pelos testemunhos que a gente ouve por aí que a nossa fé se fortalece.
Há pessoas que dão um testemunho de fé, de confiança que nós só ao escutarmos, ou lermos algo daquelas pessoas, sentimos que a nossa fé se anima, se fortalece. Nos sentimos mais encorajados, mudados, felizes. Tudo isso quando temos o nosso encontro pessoal com Jesus como André teve. E só teve porque foi curioso. Quantas experiências começamos só por que ficamos curiosos. Às vezes é um amigo que nos fala com tanta paixão que confiamos e seguimos adiante. Depois, não queremos mais parar nessa busca por Deus. Mas, é necessário pelo menos ser buscar, confiar, experimentar, deixar-se contagiar, envolver-se. Seja no Evangelho de hoje que na primeira leitura aparece o tema do chamado e do encontro: eles acontecem na vida de cada um de nós se formos abertos, disponíveis, prontos a acolhê-lo.
Para isso, tenho que me perguntar:
O que hoje significa para mim, saber que Jesus é o Cordeiro de Deus? Qual o impacto tem na minha vida quando na Missa o sacerdote apresenta Jesus como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo? Busco relacionar-me com as pessoas que me levam cada vez mais a Jesus? Ou, pelo contrário, as que me afastam cada vez mais dele? Sou para os outros um “João Batista” que indica onde está o Deus vivo e verdadeiro, o Cordeiro de Deus? Sigo a Jesus que passa a meu lado, sou capaz de aceitar a sua proposta: vinde ver? O que eu responderia a Jesus se Ele me perguntasse o que eu anseio, o que desejo? Tenho ânimo para perguntar a Jesus onde Ele está de maneira particular para encontrar-se comigo? Já tive o meu grande encontro com o Mestre? Tenho prazer em ir a casa de Deus para passar “momentos” na presença Dele? Dou mais importância à comunhão vital com o Senhor ou prefiro encher minha cabeça com informações doutrinais? A experiência de encontro com Jesus me transforma em um comunicador de sua presença aos demais irmãos?
A quem ou a quais pessoas, de maneira particular, hoje devo contar que encontrei o Messias?

Um comentário:

Anônimo disse...

MUITO MASSA MEGA LEGAL!!!!!!!!!!!!
BJCAS