quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

4º Domingo Comum – Ano B – Mc 1,21-28


A autoridade da Palavra que liberta
O Evangelho que nos é apresentado neste 4º domingo do tempo comum, nos mostra como desde o início de sua obra, Marcos apresenta Jesus como um mestre extraordinário quer nas suas palavras quer nas suas atitudes: um mestre que deixa as pessoas maravilhadas porque ensina com autoridade. Como veremos, o que acontece nessa primeira atividade pública de Jesus é o que caracterizará toda a sua obra.
Em primeiro lugar, Jesus vai a Cafarnaum acompanhado de seus discípulos, os quais igualmente deixam a sinagoga junto com ele (1,29); é a tarefa principal do discípulo que aqui aparece: seguir Jesus, onde quer que ele vá, e deixando-se influenciar por ele.
Lá na sinagoga, Jesus ensina. Ensinar é a sua atividade principal, desde o início até o fim de sua missão. Jesus é o Rabbi, Mestre. No texto em questão, a característica principal da sua qualidade de mestre é o efeito do seu ensinamento, que percebemos a partir da experiência dos ouvintes na sinagoga. O povo ficou extasiado; o povo se deu conta da autoridade particular de Jesus, reconhecendo a grande diferença entre o ensinamento dele e o dos escribas. Temor, surpresa, admiração, mas também tantas esperanças foram os sentimentos que aquele novo Rabbi misterioso, convincente e poderoso, suscitou no coração de todos (logo se espalhou por toda a parte).
Os escribas conhecem as Escrituras de cor e salteado, sobretudo os cinco livros da Torá (Pentateuco). Eles as interpretam, e indicam ao povo como devem se comportar para fazer a vontade de Deus. Jesus ensina diferentemente. Ele fala e age. O fato de Marcos ter unido e interligado o anúncio de um ensinamento dado com autoridade e o relato da expulsão de um demônio dá ao conjunto um significado particular: o ensinamento se reduz aqui a ordem que Jesus dá ao demônio: “Cala-te e sai dele!”. O evangelista apresenta tudo como se fosse exatamente esta a palavra cheia de autoridade de Jesus. De fato, esta autoridade não se reduz ao prestígio da palavra ou a um modo convincente de expressar-se. Mas consiste na eficácia de uma palavra que produz aquilo que diz. Por isso, não é sem importância que a cena se desenvolva numa sinagoga e que Marcos contraponha a autoridade de Jesus àquela dos escribas. O texto sugere a oposição entre a ineficácia da lei e a eficácia da Palavra de Cristo.
Os escribas, por sua vez, acusam Jesus de blasfêmia. Isto faz com que percebamos que toda a sua atividade pública no evangelho de Marcos é acompanhada por essa tríplice característica: Jesus está sempre acompanhado pelos discípulos, é muito admirado pelo povo e é rejeitado pelos chefes religiosos judaicos.
Jesus expulsa os espíritos maus. É este o ensinamento que resulta numa ação potente presente em nosso texto. Na linguagem bíblica, os espíritos maus, imundos, aparecem como poderes não humanos, estão em oposição ao Espírito Santo de Deus e fazem o mal às pessoas. Desviam as pessoas, impedindo-as de agirem livremente. Mas Jesus é bem superior a eles. Com uma só palavra vence o poder deles, libertando a humanidade da escravidão, e restituindo a ela a liberdade.
Tudo isso porque Jesus tem uma relação especial com Deus, a qual reconhecem em primeiro lugar os demônios. Na sinagoga, um deles grita: “que queres de nós, Jesus nazareno? Viestes para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus”. Aqui aparece a missão e a identidade de Jesus, revelada pelo espírito mau que se descontrola diante de Jesus.
O relato do homem possuído por um espírito imundo, que grita e se contorce, leva a algumas reflexões sobre a existência dos espíritos maus que, de forma múltipla e dramática, atormentam pessoas no corpo e no espírito. Hoje, com a ciência, já sabemos que muitas doenças atribuídas ao demônio, eram e são ainda hoje verdadeiras doenças psíquicas como a esquizofrenia e as diversas formas de convulsão como a epilepsia e outras. Isto, porém, não nos deve chegar à conclusão de que não exista o demônio. Ele existe sim e exerce influência negativa sobre nós; negar o espírito maligno seria uma ingenuidade que serviria só para fazer crescer a expansão do mal, do pecado e de tudo o que é negativo que possamos imaginar. Os evangelhos nos apresentam numerosos milagres de Jesus para com as pessoas vítimas de males estranhos de natureza psicofísica; na verdade, a ação curadora de Jesus abraça a pessoa de modo integral: Jesus cura, ao mesmo tempo, o corpo, a psique e a alma. Que ele nos liberte de todo o mal!
MEDITAÇÃO
Para dominar o mal, o destino e as forças negativas em geral, a humanidade recorre a meios como adivinhação, ocultismo, candomblé, bruxas, astrólogos, videntes, horóscopos etc. Deus já tinha proibido estas práticas ao seu povo em Dt 18,10-11. Trata-se de um mundo obscuro de enganos, que tira suas vantagens em troca de altas somas de dinheiro por causa dos medos, da ingenuidade, das crenças, da ignorância de Deus, que gera falsas consolações, frustrações e desesperos. São as heranças do paganismo.
Um caminho de conversão é necessário para todos e dura a vida toda, tendo no batismo o início do processo de crescimento espiritual. A conversão cristã consiste na progressiva libertação dos medos, dos ídolos e das várias formas de falsidade: expondo-se sem capa alguma à verdade do Evangelho, cada pessoa faz experiência e dá prova da liberdade interior que brota da adesão a Jesus Cristo.
Na nossa vida pessoal e na nossa família, nos damos conta da ação do demônio? Ainda temos aquela idéia de que a tentação consiste só no campo sexual, ou somos conscientes que ela acontece em todas as áreas da nossa vida?
Me maravilho com os ensinamentos de Jesus para minha vida? Percebo a autoridade com a qual ele continua agindo nos dias de hoje? Como eles chegam até mim hoje? Que valor dou à Palavra de Deus na Sagrada Escritura? Como sigo Jesus? Deixo que ele silencie e retire os “espíritos maus” do meu coração?

sábado, 24 de janeiro de 2009

Conversão de Paulo - Ano B - Mc 16,15-18 / At 22,3-16


Quem é o discípulo de Jesus?

A liturgia da festa de hoje, a da conversão de São Paulo, oferece-nos o último texto do evangelho de Marcos no qual mostra Jesus, depois de aparecer aos onze discípulos e reprová-los porque não acreditaram nas pessoas que o tinham visto ressuscitado; sua última palavra é a de incumbir estes onze na missão de anunciar a Boa Nova a todas as criaturas. É um mandamento de caráter universal (“pelo mundo inteiro”, “a toda criatura”, “quem”). Em Mc 15,39 já temos um exemplo disso quando mostra a fé do centurião romano (que era um pagão) em Jesus.
Esta aparição faz brotar a fé nos discípulos. É este o ponto central do Evangelho. É preciso acreditar e ser batizado. O texto diz: “quem crer e for batizado”; o batismo aqui não deve ser visto somente como um rito, mas como o coroamento da fé daquele que reconhece Jesus como o único Salvador.
Já os que não acreditarem, receberão a recompensa que livremente escolheram.
Para aqueles que tiveram a coragem de acreditar na Boa Nova e que foram batizados, ele prometeu os seguintes sinais simbólicos: expulsar os demônios, falar novas línguas, pegar em serpentes sem que o veneno lhes cause mal, impor as mãos curando os enfermos. Mas o que significa estes sinais simbólicos hoje?
Expulsar demônios é combater a força do mal que quer destruir a nossa vida. O demônio nos influencia a praticarmos o mal. Quanto mais nos inebriarmos da presença de Deus, menos espaço ele vai encontrar, seremos mais resistentes as suas armadilhas.
Falar novas línguas é começar a se comunicar com os outros de uma forma nova. Às vezes, encontramos uma pessoa que nunca vimos na vida, mas parece que já a conhecemos há anos. Isso acontece porque falamos a mesma língua, a linguagem do amor.
Vencer o veneno: há muitas coisas que envenenam a nossa mente, prejudica nossa vida com Deus e nossa convivência com o próximo. Muitas fofocas, críticas, julgamentos que destroem a relação entre as pessoas. Quem vive na presença de Deus consegue não ser molestado por este veneno terrível.
Curar os enfermos: a partir do momento em que temos uma consciência mais clara e mais viva da presença de Deus, naturalmente entendemos que o Evangelho nos impulsiona a ter uma atenção especial para com as pessoas oprimidas e marginalizadas, sobretudo as pessoas enfermas. O que mais ajuda na cura de um enfermo, é que ele se sinta acolhido e amado.
Quanto a I leitura de hoje, a que narra precisamente o testemunho de Paulo acerca da sua conversão – vocação, podemos dizer o seguinte: de um certo modo, Paulo era muito zeloso pelas coisas de Deus e pelo seu povo, mas de maneira errada. Queria que os israelitas fossem fiéis a uma fé que não tolerava os seguidores de Jesus Cristo, aos quais perseguia com grande violência. Aquilo que foi revelado a ele com muita clareza quando caiu do cavalo por terra no caminho de Damasco, é a mais pura verdade: “por que me persegues?” Toda vez que Paulo perseguia um seguidor de Jesus, era a Jesus mesmo que ele perseguia; e o próprio Jesus reconhece isso. Porque como dirá depois o próprio Paulo nas suas cartas, formamos um só corpo em Cristo. É isso! A Igreja é esta unidade; é esta identidade: Corpo do Senhor. Quando fazemos o bem ao próximo, é a Cristo que estamos fazendo; quando rejeitamos, maltratamos, ferimos, difamamos o próximo, é ao próprio Cristo que ferimos.
MEDITAÇÃO
Somos convidados a meditar, a contemplar esta admirável unidade entre nós com o Senhor. Peçamos a Deus que tomemos consciência da dignidade de cada ser humano, que pela fé, é a extensão do próprio Jesus junto a nós.
É mediante esta comunidade eclesial que Jesus continua a sua missão. O mesmo Jesus que viveu em Nazaré, que acolhia os pobres do seu tempo, revelando-lhes o amor do Pai, este mesmo Jesus continua vivo em meio a nós, nas nossas comunidades. E através de nós, continua a sua missão de revelar a boa nova do amor de Deus aos pobres.
Uma comunidade que quer ser testemunha da ressurreição deve ser sinal de vida, deve lutar contra as forças da morte, de modo que o mundo seja um lugar favorável para a vida, e deve acreditar que um mundo melhor é sempre possível. Por isso, é bom que eu me pergunte:
Contra quem respiro “ira e ameaças de morte”? A quem “persigo”? Com que pessoas tenho algum conflito hoje? Por quê?
Em quais situações de meu passado e de meu presente sinto que Jesus, como luz, sai a meu encontro no caminho da vida?
Como escuto hoje, a “voz de Jesus”? De que forma posso conhecer a vontade de Deus hoje?
Em quais coisas eu posso estar “perseguindo” a Jesus? Rejeito “algo” do que Jesus me apresenta como projeto de vida?
Que coisas me fazem “cair por terra”? Que situações hoje, fazem com que eu caia no caminho de minha vida?
O que significa isto de ter “olhos abertos”, mas “não ver nada”? Quais podem ser minhas cegueiras e trevas?
Quem “me segura pela mão e me leva” quando não posso ver o caminho? Dou graças a Deus pelos que cumprem esta tarefa em minha vida?

sábado, 17 de janeiro de 2009

2º Domingo Comum – Ano B – Jo 1,35-42


Encontramos o Messias
O que diz o texto?
No início do Evangelho deste II domingo do tempo comum, encontramos logo de início João Batista que vendo Jesus passar, indica: “Eis o cordeiro de Deus”. No dia anterior, João já havia pronunciado o mesmo, mas ele tinha sido mais específico ainda quando acrescentava que este cordeiro “tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). Tanto o Antigo Testamento como o Novo Testamento é repleto de citações sobre o cordeiro e que remetem a Jesus. O tema do cordeiro aparece já no livro do Gênesis, no capítulo 22, no momento do sacrifício de Isaac, quando Deus providencia um cordeiro para que seja oferecido como holocausto no lugar do seu filho. É a imagem do cordeiro que desce do céu e toma sobre si a morte do ser humano, representado por Isaac; o cordeiro é imolado, para que o filho viva.
Já no livro do Êxodo, no capítulo 12, é oferecido o cordeiro pascal, sem mancha, sem defeito; o seu sangue derramado salva os filhos de Israel do exterminador, que passa de casa em casa, durante à noite, matando os primogênitos. Daquele momento em diante, cada filho de Deus será marcado, sigilado, por aquele sangue de salvação. Assim, fica aberta a estrada para a liberdade, o caminho do êxodo, para se chegar até Deus, para entrar na terra prometida. E aquele momento se prolonga até o Apocalipse, a realidade do céu. O elemento do sacrifício, do degolamento, acompanha constantemente a figura do cordeiro; os livros do Levítico e dos Números nos apresentam continuamente esta presença santa do cordeiro: ele é oferecido todos os dias no holocausto; é imolado em todos os sacrifícios expiatórios sobre o altar, de reparação, de santificação. Também os profetas falam de um cordeiro preparado para o sacrifício: cordeiro mudo, tosado sem ter aberto a boca, manso levado ao matadouro (Is 53,7; Jr 11,19).
Assim, no Evangelho, João Batista anuncia e revela que Jesus é o verdadeiro cordeiro de Deus, que toma sobre si o pecado do homem e o cancela com a efusão do seu sangue precioso e puro. É ele, de fato, o cordeiro imolado no lugar de Isaac; é ele o cordeiro assado sobre o fogo na noite de Páscoa. É o cordeiro da libertação; é ele o sacrifício perene do Pai, oferecido por nós; é ele o servo sofredor, que não se rebela, não recrimina, mas se entrega, silencioso, manso, porque nos ama.
Falando sobre o resto do texto, vemos que tal profissão feita por João Batista é dirigida a dois de seus discípulos, os quais, por sua vez, seguiram Jesus. O verbo “seguir” aqui indica uma precisa escolha de vida: eles querem se tornar discípulos de Jesus. À primeira vista, podemos achar o encontro de Jesus com estes discípulos muito simples, mas examinando atentamente, percebemos que cada expressão ali é muito bem colocada e estudada. Jesus pergunta a eles: “O que estais procurando?” Jesus vê aqueles dois discípulos como alguém que está buscando; tanto é que a resposta deles confirma esta indicação: “Mestre, onde moras?” querem já de imediato estabelecer com Jesus uma relação mestre-discípulo. E para conseguir isso é necessário saber onde Jesus vive. O Mestre, de fato, pelo menos naquele ambiente, não é aquele que dá simples noções, mas que ensina um modo de viver. Portanto, para ser discípulo é indispensável uma comunhão de vida.
Jesus aceita o pedido deles e diz: “Vinde ver”. O ver é uma constatação indispensável que faz parte da formação para o discipulado. E foram ver onde ele morava, permaneceram com ele todo o dia. É até provável que um dos dois discípulos fosse João, o autor deste evangelho, e que nos conta o que fez o outro discípulo, isto é, André, irmão de Simão Pedro. André se apresenta no quarto evangelho como o primeiro a reconhecer que Jesus é o Messias, o Cristo, o Ungido: “Encontramos o Messias”. Ele procurou, viu e encontrou, isto é, compreendeu quem era Jesus. André anuncia essa sua conclusão primeiramente a seu irmão Simão, que neste evangelho tem uma atitude passiva. Simão escuta o que lhe diz André, se deixa conduzir até Jesus, o qual anuncia o seu futuro: “Tu és Simão, filho de João; tu serás chamado Cefas” (que quer dizer pedra). Mas fica só num simples anúncio, não há propriamente uma mudança de nome, nem Jesus lhe confere missão. Pedro não diz nada, não expressa uma opinião sua sobre Jesus.

MEDITAÇÃO: O que o texto me diz?
No início do Evangelho, João Batista indica Jesus e diz: “Eis o cordeiro de Deus”. João é um mediador para André. André é um mediador para Simão Pedro. Nos versículos seguintes, Filipe, que tinha encontrado Jesus, se tornará mediador para Natanael. Pedro será mediação para tantos homens e mulheres que se tornarão cristãos até os dias de hoje. Para mim e para você.
A fé é uma mediação, uma transmissão, um vírus, um contágio. Eu vivo uma coisa que me embriaga, que me envolve, que me atrai, e que obviamente, eu comunico a você neste momento. Como poderia eu guardar isso só para mim? Como faço para não dizer algo que me apaixona? E não é uma simples informação que eu dou a você, mas algo que para mim é vital, que mudou a minha vida. Esta é a missão. A fé não se espalha por doutrinamento, por imposição, inculcando e fazendo lavagem cerebral nas pessoas com conceitos, teorias. Mas é algo que contagia. Quantas vezes é justamente pelos testemunhos que a gente ouve por aí que a nossa fé se fortalece.
Há pessoas que dão um testemunho de fé, de confiança que nós só ao escutarmos, ou lermos algo daquelas pessoas, sentimos que a nossa fé se anima, se fortalece. Nos sentimos mais encorajados, mudados, felizes. Tudo isso quando temos o nosso encontro pessoal com Jesus como André teve. E só teve porque foi curioso. Quantas experiências começamos só por que ficamos curiosos. Às vezes é um amigo que nos fala com tanta paixão que confiamos e seguimos adiante. Depois, não queremos mais parar nessa busca por Deus. Mas, é necessário pelo menos ser buscar, confiar, experimentar, deixar-se contagiar, envolver-se. Seja no Evangelho de hoje que na primeira leitura aparece o tema do chamado e do encontro: eles acontecem na vida de cada um de nós se formos abertos, disponíveis, prontos a acolhê-lo.
Para isso, tenho que me perguntar:
O que hoje significa para mim, saber que Jesus é o Cordeiro de Deus? Qual o impacto tem na minha vida quando na Missa o sacerdote apresenta Jesus como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo? Busco relacionar-me com as pessoas que me levam cada vez mais a Jesus? Ou, pelo contrário, as que me afastam cada vez mais dele? Sou para os outros um “João Batista” que indica onde está o Deus vivo e verdadeiro, o Cordeiro de Deus? Sigo a Jesus que passa a meu lado, sou capaz de aceitar a sua proposta: vinde ver? O que eu responderia a Jesus se Ele me perguntasse o que eu anseio, o que desejo? Tenho ânimo para perguntar a Jesus onde Ele está de maneira particular para encontrar-se comigo? Já tive o meu grande encontro com o Mestre? Tenho prazer em ir a casa de Deus para passar “momentos” na presença Dele? Dou mais importância à comunhão vital com o Senhor ou prefiro encher minha cabeça com informações doutrinais? A experiência de encontro com Jesus me transforma em um comunicador de sua presença aos demais irmãos?
A quem ou a quais pessoas, de maneira particular, hoje devo contar que encontrei o Messias?

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

BATISMO DO SENHOR - Ano B - Mc 1,7-11


Batismo: vida nova

O Batismo de Jesus nas águas do Jordão é uma das três epifanias ou manifestações mais significativas que a liturgia da Igreja celebra. É a partir do batismo no Jordão que começa a verdadeira vida pública de Jesus, sua obra de redenção e salvação. Às margens do rio Jordão, encontramos João Batista que realiza um batismo com água para a remissão dos pecados. Era uma tentativa de começar uma vida nova. De fato, o proceder do batismo simbolizava isso. O ato de mergulhar simboliza a morte provocada pelo dilúvio exterminador. Mas água também simboliza vida. Foi através das águas que os israelitas passaram da escravidão para a vida em liberdade. O rio Jordão, por exemplo, é fonte de vida para o povo de Israel até hoje. A água purifica, limpa a sujeira do passado, faz recomeçar, renascer. O batismo instituído por Jesus realiza-se com o concurso da Trindade: em nome do Pai (voz), do Filho (Jesus) e do Espírito Santo (pomba), restabelecendo para uma vida nova depois de ter libertado definitivamente dos pecados, fazendo renascer pela água e pelo Espírito Santo. É o batismo com o qual obtemos a vida eterna e nos incorporamos como ramos à videira Cristo.
Eram muitos os pecadores que vinham até João para se batizarem. E no meio destes vem Jesus. Aí temos algo verdadeiramente novo. João esperava evidentemente que Jesus, quando chegasse, pedisse para parar aquele seu rito agora não mais necessário; porém, fica bastante encucado quando vê que Jesus que não tinha pecado algum pede pra ser batizado. Realmente, como Jesus podia confessar seus pecados e querer uma vida nova?De fato, Jesus, enquanto Deus, vindo ao mundo nos salvar não tinha necessidade alguma de ser batizado e teria o direito de batizar ele mesmo quer a João quer as outras pessoas; porém, se coloca no meio das pessoas que necessitam de conversão para que se cumpra “toda a justiça” (cumprimento da vontade de Deus).
Jesus cumpre a vontade do Pai em tudo e isto implica que ele experimente todas as prerrogativas do ser humano fraco, partilhando todo tipo de sentimentos e misérias. É da vontade de Deus que Jesus se faça solidário com os pecadores. A exegese sempre considerou neste ato de humildade da parte do Senhor um anúncio da salvação operada com a morte de cruz e a ressurreição: no confiar a própria cabeça à água batismal de João, Jesus se humilha, se apaga, se confunde com os pecadores (morte de cruz) para depois ser elevado pelo Pai que o exalta como o “meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado” (ressurreição). Se na morte de cruz, ele leva sobre seus ombros todos os pecados da humanidade, no batismo ele começa a experimentar o peso. Batizando-se, Jesus nos mostra a importância do seu fazer-se homem entre os homens, colocando-se ao lado do fraco. Ele partilha conosco o estado de miséria que o pecado produz, experimenta os sentimentos de abandono e desprezo que causa a passagem do pecado à conversão. Contemplando o abaixamento de Jesus, somos convidados a “morrer para nós mesmos”, a renunciar o nosso orgulho para aderir unicamente a ele e este deve ser o propósito do Sacramento do batismo: “seguir o convite para o batismo significa então entrar no lugar do batismo de Jesus e, assim, na sua identificação conosco, receber a nossa identificação com ele” (Bento XVI em Jesus de Nazaré). No batismo de Jesus se manifestam os traços de toda a sua atividade. Ele não veio para os justos, mas para os pecadores. E faz isso em obediência à vontade de seu Pai e como Filho predileto, que vive em perfeita comunhão com o Pai. Desta maneira, aquilo que falta a nós pecadores, a ele foi dado no modo mais perfeito. Por isso, ele é capaz de perdoar os nossos pecados e de nos reconduzir à comunhão com Deus.
Meditação
O que significa o símbolo da água em minha vida? Pureza, limpeza, vida, vida nova, força que afasta o mal?
Que lugar ocupa o Espírito Santo em minha vida espiritual?
Confesso meus pecados quando falho? Reconheço minhas faltas e meus erros diante de Deus?
Busco aproximar-me do Sacramento da Reconciliação para renovar a graça batismal em meu coração?
Tento converter-me de coração?
O Espírito revela definitivamente e totalmente a Jesus a sua identidade. Tenho procurado me ver (identidade, talentos, defeitos, condição social, etc) à luz do Espírito daquele que me criou? Consigo olhar para dentro de mim verdadeiramente sem medo de olhar meus defeitos?
O batismo nos torna filhos de Deus no Filho. O Pai se agrada de nós, somos seus filhos prediletos. Sou consciente do amor com o qual o Pai me olha e se relaciona comigo?
Sou consciente da grandeza de Jesus diante da pequenez de minha vida?

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

EPIFANIA DO SENHOR – Ano B – Mt 2,1-12


Caminhamos à tua luz!
LECTIO – O que diz o texto?
Celebramos a festa da Epifania: este vocábulo grego significa "manifestação". Uma manifestação acontece quando um grupo de pessoas se reúne para propagar uma ideia que abarque o conhecimento do maior número de pessoas possível; pode ser uma manifestação de protesto, de solidariedade, ou mesmo uma representação teatral. No que diz respeito a festa que a Igreja hoje celebra, estamos diante de uma manifestação de Deus. É a festa na qual Deus se manifesta a todos os povos. Ele quebra o vínculo com o povo de Israel para alargá-lo a toda a humanidade. A manifestação de Deus em Jesus não é destinada a um grupo restrito de pessoas, mas inclui todo o mundo como mostra o texto evangélico.
Nele, aparecem três grupos de pessoas e sua relação com o recém-nascido em Belém: os magos, Herodes e os doutores da Lei e os escribas. O termo "mago" é muito vago, mas de certo modo, refere-se aos espertos na observação dos astros, aos astrólogos. Tinham conhecimento da espera messiânica pelos judeus e tendo recebido uma indicação do nascimento do Messias, põem-se a caminho. Conhecem a direção, mas não sabem exatamente o que os espera. Estão a caminho. Vêm do Oriente e enfrentam todos os incômodos de uma viagem cansativa até Belém em busca do Messias que nasceu. Representam todos os pagãos, chamados a crer em Cristo. Representam todos nós. Representam a caminhada de todos os povos, anunciada pelo profeta Isaías na I leitura: "os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora" (Is 60,1-6). A viagem dos magos é imagem do caminho de fé e de esperança que o homem de cada tempo realiza até Deus. A fé é sempre uma busca. Aquele que crê está sempre a caminho.
Chegando em Jerusalém, são enviados a um outro lugar. Agora, sabem com mais precisão onde podem encontrar o rei. De fato, os escribas são espertos na Sagrada Escritura e dela deduzem o lugar de nascimento do Messias, Belém da Judéia: "E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo". Os magos, que são pagãos, perseveram na busca do rei, pondo-se de novo a caminho.
Por sua vez, os escribas para quem nasceu o rei, mostram-se indiferentes. Assim, o texto bíblico apresenta um grande contraste: os de fora (magos) buscam e encontram o Salvador e os de dentro (Herodes e os habitantes de Jerusalém) ficam indiferentes, rejeitam, têm medo. Herodes que defendia seu reino com violência e era odiado pelos judeus porque favorecia o império romano, agora, sente-se incomodado pela notícia do nascimento do rei dos judeus. Ele queria matar o menino, como demonstra a matança dos inocentes. Herodes significa todos aqueles que são tão apegados aos próprios interesses que não deixam nenhum espaço para este menino; consideram a este importuno e ameaçador.
Finalmente, a luz guia os magos até o menino; essa luz é símbolo de Cristo, luz do mundo. Ele nos chama a si através de uma grande variedade de sinais e indicadores luminosos, como a Palavra de Deus. Os magos veem o menino, dão-se conta que Ele não apresenta nenhum poder externo, nenhum esplendor; mas mediante a fé, o reconhecem como rei, Senhor e Pastor da humanidade. Seus presentes também são uma forma de reconhecimento: ouro, incenso e mirra. Ouro destinado aos reis, incenso destinado a Deus e mirra, planta medicinal de onde se extrai uma resina, que misturada a óleos, era usada como óleo curativo, cosmético e unções religiosas: Jesus é o Messias, o Cristo, o Ungido.
Os magos do Oriente não eram nem reis, nem três, nem se chamavam Gaspar, Melquior e Baltazar como apresenta a tradição popular. Isto não corresponde ao texto bíblico. Porém, esta tradição corresponde ao espírito do Evangelho. São representados por um jovem, um adulto e um ancião; um asiático, um europeu e um africano (o mundo de então, já que as Américas e a Oceania não tinham sido "descobertas".). Tudo isto para significar que todas as idades e todas as pessoas caminham em direção a esta estrela que é Cristo, luz do mundo.Jesus veio para todos nós: para os jovens e os idosos, para os sábios e os simples, para as pessoas de qualquer cor e de qualquer forma de vida, a fim de mostrar-nos Deus como Nosso Pai e ser uma Luz para a nossa vida. Como magos, não devemos deixar nos desviar do caminho que é Jesus, e sim sermos guiados por Deus, até atingirmos a meta. Podemos estar longe ou podemos estar perto, mas que estejamos a caminho!
MEDITAÇÃO – O que o texto me diz?
Nos dias de hoje, são muitos os que aparecem em nome da Luz, mas que não apresentam a Luz verdadeira. Eu sei reconhecê-los? Como posso distinguir a falsa luz da verdadeira Luz?
O caminho dos magos compreende quais fases? De que modo podem ser exemplo para nós na nossa busca cotidiana pela Luz que é Jesus Cristo?
Tenho a humildade de pedir aos que sabem uma orientação de como chegar a Jesus?
Também oriento de maneira correta e justa os outros para que se encontrem com a Luz de Cristo?
Tenho pensamentos preconceituosos e racistas, achando que muitos tipos de pessoas não mereçam a salvação? Sou consciente que este meu ponto de vista não condiz com a vontade de Deus que não exclui de seu amor absolutamente ninguém?
Em termos de missão, o que eu faço para que os outros se encontrem com Jesus?
O menino Jesus apareceu para uns como o Messias esperado, o Senhor; para outros, como importuno e uma ameaça. E para mim?