quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

EPIFANIA DO SENHOR - Mateus 2,1-12

LECTIO DIVINA

03 de Janeiro de 2010

MISSA DA EPIFANIA DO SENHOR

Mateus 2,1-12

Autor: Pe. Carlos Henrique

Celebramos a festa da Epifania: essa palavra estranha vem do grego e significa "manifestação". A manifestação é um ato onde algo é revelado, mostrado, dado a conhecer, tornado público. Quando queremos protestar algo, ou fazer uma campanha em prol de uma causa, ou fazer uma apresentação artística, fazemos uma manifestação pra que o máximo possível de pessoas tomem conhecimento da coisa.

No que diz respeito à festa que a Igreja hoje celebra, estamos diante de uma manifestação de Deus. É a festa na qual Deus se manifesta a todos os povos. Ele quebra o vínculo com o povo de Israel para estendê-lo a toda a humanidade.

A manifestação de Deus em Jesus não é destinada a um grupo restrito de pessoas, mas inclui todo o mundo como confirma o texto evangélico. Nele, aparecem três grupos de pessoas e sua relação com o recém-nascido em Belém: os magos, Herodes e os doutores da Lei e os escribas.

O termo "mago" é muito vago, mas de certo modo, refere-se aos espertos na observação dos astros, eram astrólogos. Tinham conhecimento da espera messiânica pelos judeus e tendo recebido uma indicação do nascimento do Messias, põem-se a caminho. Conhecem a direção, mas não sabem exatamente o que os espera. Estão a caminho. Vêm do Oriente e enfrentam todos os incômodos de uma viagem cansativa até Belém em busca do rei que nasceu.

Com relação à astrologia, com relação à influência dos astros no comportamento humano e no planeta de uma forma em geral, acho que há ainda muito o que se estudar. Pois, não basta proibir nem dizer que é tudo mentira, é preciso argumentar, esclarecer.

O papa Bento XVI na sua encíclica Spe Salvi de 2007, cita um texto de São Gregório Nazianzeno, no qual, ele diz que “no momento em que os magos guiados pela estrela adoraram Cristo, o novo rei, deu-se por encerrada a astrologia, pois agora as estrelas giram segundo a órbita determinada por Cristo. De fato, nesta cena fica invertida a concepção do mundo de então, que hoje, de um modo distinto, aparece de novo florescente. Não são os elementos do cosmo, as leis da matéria que, no fim das contas, governam o mundo e o homem, mas é um Deus pessoal que governa as estrelas, ou seja, o universo; as leis da matéria e da evolução não são a última instância, mas razão, vontade, amor: uma Pessoa. E se conhecemos esta Pessoa e Ela nos conhece, então verdadeiramente o poder inexorável dos elementos materiais deixa de ser a última instância; deixamos de ser escravos do universo e das suas leis, então somos livres”.

São belas e verdadeiras as palavras de Gregório Nazianzeno, mas também continua muito forte entre nós as crenças em torno da lua cheia: influência na agricultura, nas marés, no crescimento dos cabelos, no nascimento de bebês, no fato de pessoas ficarem “lunáticas”, ou que são de “lua”. Eu mesmo cresci, ouvindo meu pai dizer que era necessário deitar as galinhas chocas de modo que os pintos saíssem da casca antes da lua cheia, mas nunca entendi o porquê.

Mas, enfim, estes astrólogos representam todos os pagãos, chamados a crer em Cristo. Representam todos nós. Representam a caminhada de todos os povos, anunciada pelo profeta Isaías: "os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora" (Is 60,1-6). A viagem dos magos é imagem do caminho de fé e de esperança que o homem de cada tempo realiza até Deus. A fé é sempre uma busca. Aquele que crê está sempre a caminho.

Chegando em Jerusalém, são mandados a um outro lugar. Agora, sabem com mais precisão, onde podem encontrar o rei. De fato, os escribas são espertos na Sagrada Escritura e dela deduzem o lugar de nascimento do Messias, Belém da Judéia: "E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo".

Os magos, que são pagãos, perseveram na busca do rei, pondo-se de novo a caminho. Por sua vez, os escribas para quem nasceu o rei, ficam indiferentes. Assim, o texto bíblico apresenta um grande contraste: os de fora (magos) buscam e encontram o Salvador e os de dentro (Herodes e os habitantes de Jerusalém) ficam indiferentes, rejeitam, têm medo. Herodes que defendia seu reino com violência e era odiado pelos judeus porque favorecia o império romano, agora, sente-se incomodado pela notícia do nascimento do rei dos judeus. Ele queria matar o menino, como demonstra a matança dos inocentes. Herodes significa todos aqueles que são tão apegados aos próprios interesses que não deixam nenhum espaço para este menino; pelo contrário, este é importuno e ameaçador.

Finalmente, a luz guia os magos até o menino; essa luz é símbolo de Cristo, luz do mundo. Ele nos chama a si através de uma grande variedade de sinais e indicadores luminosos, como a Palavra de Deus.

Os magos vêem o menino, dão-se conta que Ele não apresenta nenhum poder externo, nenhum esplendor; mas mediante a fé, o reconhecem como rei, senhor e pastor da humanidade. Seus presentes também são uma forma de reconhecimento: ouro, incenso e mirra. Ouro destinado aos reis, incenso destinado a Deus e mirra, planta medicinal de onde se extrai uma resina, que misturada a óleos, era usada como óleo curativo, cosmético e unções religiosas: Jesus é o Messias, o Cristo, o Ungido.

Os magos do Oriente não eram nem reis, nem três, nem se chamavam Gaspar, Melquior e Baltazar como apresenta a tradição popular. Isto não corresponde ao texto bíblico. Porém, corresponde ao espírito do Evangelho. São representados por um jovem, um adulto e um ancião; um asiático, um europeu e um africano (o mundo de então, já que as américas e a oceania não tinham sido "descobertas".). Tudo isto para significar que todas as idades e todas as pessoas caminham em direção a esta estrela que é Cristo, luz do mundo.

Jesus veio para todos nós: para os jovens e os idosos, para os sábios e os simples, para as pessoas de qualquer cor e de qualquer forma de vida, a fim de mostrar-nos Deus como Nosso Pai e ser uma Luz para a nossa vida. Como magos, não devemos deixar nos desviar do caminho que é Jesus, e sim sermos guiados por Deus, até atingirmos a meta. Podemos estar muito longe ou podemos estar perto, mas o bom é podermos ter a consciência tranquila de que estamos a caminho e perseverarmos nesse caminhar! Rezemos pelos que estão pra lá e pra cá e ainda não acharam nem o começo da estrada!

sábado, 26 de dezembro de 2009

MISSA DA SANTA MÃE DE DEUS - Lucas 2,16-21

LECTIO DIVINA

1o de janeiro de 2010

MISSA DA SANTA MÃE DE DEUS

Lucas 2,16-21

Autor: Pe. Carlos Henrique

Mais um ano se inicia! E com a fé nas bênçãos que vêm de Deus, não temos necessidade de fazer mais nada para ter um ano de paz, saúde, amor e prosperidade! Muitos deixam de ter fé em Deus para se dedicar à leitura de horóscopos, a simpatias. Mas o que são estas superstições diante do poder de Deus? Absolutamente nada! Temos que confiar em Deus e isso já nos basta. Se Deus está o tempo todo com o seu rosto voltado para nós, do que mais precisamos?

A celebração de hoje nos convida a venerar Maria, a Santa Mãe de Deus Salvador; a venerar aquela que acolheu e carregou no seu ventre o Filho de Deus. Por ela, Deus entrou no mundo e veio ao nosso encontro. Agora, somos nós quem devemos ir ao encontro dele. Somos nós quem devemos acolher essa Luz que ilumina os nossos passos. Maria é a mulher que escutou a voz de Deus, acolheu e obedeceu a vontade do Senhor; sempre atenta a acolher os sinais de Deus, renovava diariamente o seu “sim”.

O Evangelho desta liturgia que é uma continuação daquele lido na noite de Natal, coloca Maria numa posição central. Como anunciado no texto anterior, os pastores “encontraram Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura”; depois, “voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido”. O mais interessante deste relato, é que há um corte bem no meio do texto para nos dar uma preciosa informação: “quanto a Maria, guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração”.

Maria, que hoje invocamos como Mãe de Deus Salvador, é a Rainha da Paz. Ela é rainha de uma paz que não depende das circunstâncias. Mas, uma paz que brota do coração, uma paz que existe mesmo em meio às provações da vida. Ela guardava a Palavra de Deus em seu coração e a Palavra traz paz.

Hoje também é o dia da paz. Não devemos esquecer que a paz não é somente a ausência de guerras, de violência, é também ausência de qualquer desentendimento, discussão, desunião. E como existe isso nas nossas famílias! A paz que o mundo oferece é um sentimento que temos quando tudo corre bem na nossa vida ou quando as pessoas se comportam como nós queremos. Porém, quando as coisas não acontecem do jeito como esperamos, quando queremos mudar as pessoas e não conseguimos, isso nos frustra e o sentimento de paz nos deixa e a impaciência e o aborrecimento tomam conta de nós.

A paz que Jesus nos dá é uma paz diferente da que o mundo nos dá. Em cada missa, pedimos essa paz, e às vezes repetimos tão mecanicamente que nem nos inteiramos do seu verdadeiro significado: “livrai-nos de todos os males, ó Pai, e dai-nos hoje a vossa paz”, “Senhor Jesus Cristo, dissestes aos vossos apóstolos: Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz”. E logo em seguida, desejamos a paz do Senhor ao nosso próximo.

Se lembrarmos bem, Jesus não perdeu a paz nem no meio da tempestade. Ele continuou dormindo tranquilamente na popa do barco, enquanto seus discípulos estavam apavorados e indignados porque Ele não se mostrava preocupado com eles. Temos que aprender a receber essa paz de Jesus, essa paz que nos faz esperar no tempo de Deus com paciência, essa paz que nos faz respeitar e tratar bem o próximo.

É preciso que aceitemos na nossa vida a salvação oferecida por Jesus. De fato, este nome contém todo o significado da vinda de sua vinda ao mundo. Oito dias depois do nascimento do Filho de Deus, no momento da circuncisão, símbolo de aliança entre Deus e o povo de Israel, o menino recebe o nome de Jesus. Em aramaico, Yeshua significa “Deus salva”. Ele veio ao mundo para fazer uma aliança conosco, para nos salvar e nos conceder a sua paz.

Que neste ano que se inicia, o Senhor volte para nós o seu rosto, abençoe a nós todos e nos dê a paz. Feliz 2010!




sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

MISSA DA SAGRADA FAMÍLIA - Lucas 2,41-52

LECTIO DIVINA

27 de Dezembro de 2009

MISSA DA SAGRADA FAMÍLIA

Lucas 2,41-52

Autor: Pe. Carlos Henrique

Neste domingo, celebramos a beleza desta única e irrepetível família humana, da qual fazem parte Jesus, o Filho de Deus, mas também a Virgem Maria e o pai adotivo de Jesus, São José. Estas três grandes figuras nos convidam a refletir o sentido mais verdadeiro da família cristã e o modo no qual devemos viver dentro dela, embora cada um tenha uma missão particular recebida de Deus para cumprir.

O texto do Evangelho de Lucas nos leva ao momento do desaparecimento e ao momento em que Jesus é encontrado, assim se faz conexão espiritual e não histórica ou temporal entre o nascimento de Jesus, celebrada na Solenidade do Natal e a Epifania, que encerra o tempo natalino.

“Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. Quando ele completou doze anos, subiram para a festa, como de costume. Geralmente, as pessoas organizavam grandes caravanas para ir e voltar de Jerusalém. É justamente por isso que não devemos estranhar que os pais de Jesus não se preocupem nem tenham percebido logo o desaparecimento do seu Filho. Entretanto, quando se dão conta, voltam a Jerusalém e o encontram no Templo entre os Mestres da Lei, escutando e fazendo perguntas. Todos os que o ouviam estavam maravilhados com a sua inteligência e suas respostas.

Mas seus pais reagem com preocupação e ficam desconcertados quando o menino lhes comunica a sua missão: “Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?”

Apesar de José e Maria terem alguma intuição sobre o sentido das palavras de Jesus, até aquele momento era difícil para eles entender e voltam para Nazaré trazendo Jesus que era-lhes obediente em tudo.

Enfim, o Evangelho nos diz que Jesus continuava crescendo e que Maria guardava todas estas coisas em seu coração. É interessante notar que nesta família não há pecado, mas há desencontros como este apenas narrado. E esta família tem muito a nos ensinar em nossos próprios desencontros familiares.

Não obstante as dificuldades, esta família singular é unida e cada um se sente responsável pelo outro. A dificuldade e a incompreensão são superadas por uma visão de amor e, sobretudo, na contínua disponibilidade de buscar e de atuar a vontade de Deus seja por parte de Jesus seja por parte de Maria e José.

E sobre esse amor é o que fala o texto da segunda leitura de hoje que é tirada da carta de São Paulo aos Colossenses. Nesta leitura, somos educados ao amor, também no mais estreito sentido que Paulo nos apresenta aqui para as nossas famílias. Se as nossas famílias devem ser escolas de autêntico amor entre todos os seus membros, a educação ao amor se tornará suave se realizarmos tudo na ótica do amor para com Deus e o próximo.

O filho não é um direito nem uma pretensão da mulher nem do homem ou do casal, mas é um dom de Deus que deve ser acolhido com amor e responsabilidade, sem forçar a vontade de Deus e a técnica para obter egoisticamente aquilo que a natureza por misteriosos fatos não concede às vezes aos esposos, ou mesmo, a alegria de um filho.

Diante da cultura de morte que se difunde sempre mais na história hoje, este texto nos leva a contemplar a beleza do dom da vida, da maternidade e da paternidade. Bem que queríamos que o clima natalino que respiramos nestes dias fosse, sobretudo um clima de defesa da vida e especialmente da vida mais indefesa. E entre estes fracos estão as crianças concebidas e que devem ser acolhidas e acudidas com singular amor pela mãe enquanto se desenvolvem no ventre, como também as tantas crianças desaparecidas, esquecidas e abandonadas neste mundo que têm tanta necessidade de dignidade, de uma família normal onde elas possam crescer com o amor e a atenção de ambos os pais. Esta seja a nossa oração não só de hoje, mas de sempre por nós e as famílias de todo o mundo.

Enfim, pense por um momento sobre o quanto é importante o seu filho para você que é pai ou mãe. Você reza regularmente por ele? Rezar pelas crianças é o melhor presente que você pode dar a elas. Reze para que seu filho ou sua filha cresça em sabedoria, idade e graça como Jesus cresceu diante de Deus e seja uma bênção para a humanidade.

domingo, 20 de dezembro de 2009

MISSA DO NATAL DO SENHOR - Lucas 2,1-14

LECTIO DIVINA

25 de Dezembro de 2009

MISSA DO NATAL DO SENHOR

Lucas 2,1-14

Autor: Pe. Carlos Henrique


É Natal! O Evangelho que nos é proposto nesta noite narra o grande acontecimento esperado por toda a humanidade: o nascimento do Salvador, o Cristo Senhor. O texto bíblico é fortemente caracterizado por um grande contraste. Enquanto se esperava uma vinda majestosa, o Salvador veio ao mundo de uma forma inesperada. É neste contraste, pois, que vamos descobrir um dos maiores ensinamentos que o Natal do Senhor nos pode dar.

Logo no início do Evangelho, lemos as seguintes informações históricas: em primeiro lugar, aparece o imperador César Augusto, dominador do mundo Mediterrâneo da época, o qual impõe um censo de toda a terra (que eles conheciam), ou seja, de todos os habitantes submetidos à dominação romana, entre os quais se encontravam os da Palestina. Em seguida, o texto diz que quando ocorreu este censo, o governador da Síria era Quirino, procurador de Augusto na tetrarquia que compreendia a Idumeia, a Samaria e a Judeia, onde está localizada Belém.

Longe, porém, de ter provas para estes dados históricos, além de uma diferença notável entre o relato do nascimento do Messias narrado neste texto e no evangelho de Mateus, ficamos com o que nos interessa: este decreto é o que liga José e Maria, residentes em Nazaré da Galileia a Belém da Judeia. De fato, Lucas sublinha que Belém é a cidade natal de Davi, de onde descende José. Desta maneira, temos uma referência à promessa e à espera messiânica ligada a Belém e a família de Davi: “Grande será o seu reino, e a paz não há de ter fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reinado” (Is 9,6).

Chegando o tempo devido, Maria dá a luz o seu “primogênito” (este termo não quer indicar que Maria teve outros filhos, mas que Jesus é o primeiro filho de Maria, e por isso, tem todos os direitos da primogenitura; para se ter uma ideia da importância da primogenitura, basta lembrar as incansáveis trapaças feitas por Jacó contra seu irmão Esaú até tomar-lhe este direito).

Maria, como toda mulher, passa naturalmente por essa experiência: nem pode escolher o momento, nem esperar uma circunstância melhor. Ela não encontrou um lugar adequado para o seu menino, por isso, deu à luz num estábulo, pondo o menino numa manjedoura. São pobres e sem pretensões. É verdade! O primeiro lugar a receber o Salvador foi um dos lugares mais imundos do mundo, pois não venham me dizer que as vacas e os outros animais faziam suas necessidades num lugar separado da estrebaria! Ainda bem que os judeus não comem porco.

Assim, o que, imediatamente, chama a nossa atenção neste acontecimento é a simplicidade. Na sua grandeza infinita, Deus se abaixa não só à condição humana, mas em qual condição Seu Filho veio ao mundo! O Salvador entrou na nossa condição humana, a partir da fraqueza de um menino enrolado em panos, está do nosso lado e nos acompanha.

Em contraste com essa pobreza, aparece o esplendor da luz celeste e a aparição do anjo de Deus aos pastores que tomavam conta de seus rebanhos, mas o sinal que recebem é simplesmente este: “encontrareis um recém-nascido envolvido em faixas e deitado numa manjedoura”. Aos pastores que estão com muito medo, o anjo anuncia uma grande alegria. Realmente, eles têm um grande motivo para se alegrarem: nasceu para eles e para todo o mundo o Salvador.
A maravilha do Natal reside neste contraste: sem a revelação dos anjos nunca entenderíamos que aquele menino na manjedoura é o Senhor. E sem o menino na manjedoura nunca entenderíamos que a glória do verdadeiro Deus é diferente da glória que estamos acostumados.
Que possamos ser humildes e simples para que o Senhor, neste Natal, venha ao estábulo do nosso coração e assim, possamos amá-lo na pessoa do próximo como nos ensina tão bem Madre Teresa de Calcutá: “Da humildade sempre emanam a grandeza e a glória de Deus. Devemos estar vazios do orgulho se quisermos que Deus nos preencha com a sua plenitude. No Natal, vemos Deus como um recém-nascido, pobre e necessitado, que veio para amar e ser amado. Como podemos amar a Deus no mundo de hoje? Amando-o em meu marido, em minha mulher, nos meus filhos, nos meus irmãos, nos meus pais, nos meus vizinhos, nos pobres, nos bêbados, nos presos, nos doentes de lepra, nos excluídos, em todos aqueles que encontramos todos os dias.”

Feliz Natal!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

IV DOMINGO DO ADVENTO - ANO C - Lc 1,39-45

LECTIO DIVINA

Domingo, 20 de Dezembro de 2009

IV DOMINGO DO ADVENTO - ANO C

TEXTO BÍBLICO: Lucas 1,39-45

Autor: Pe. Carlos Henrique Nascimento

1- LEITURA

Estamos no quarto domingo do Advento e o Natal já está bem pertinho! Para ajudar o nosso coração a viver esta grande festa, nos deixamos guiar pelas palavras do evangelista Lucas que nos relata a visita de Maria a sua parenta Isabel.

Maria ficou sabendo que sua Isabel estava grávida, como também ela estava. Isabel era muito mais velha do que Maria. Maria tinha provavelmente uns 13 anos e Isabel tinha uma idade já avançada para engravidar. Por ser tão jovem e prestativa, Maria decide ir até a casa de Isabel para ajudá-la: para dar-lhe uma mãozinha nos preparativos para o que fosse necessário para a chegada do filho de Isabel e ficar lá um tempo depois do nascimento dele ajudando a sua parenta. Elas tinham o privilégio de poder partilhar da alegria de serem as duas, mães de primeira viagem.

Isabel vivia longe, numa cidadezinha sobre as montanhas, mas Maria não se desencoraja pela distância. Começa a viagem e não perde tempo: quer chegar logo; por isso, Lucas enfatiza: “naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia”.

Finalmente, ela chega à casa de Isabel e Zacarias, entra e antes de qualquer coisa, cumprimenta a sua querida parenta. Neste momento, acontece uma coisa muito interessante: “Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre”.

A criança, que Isabel traz no ventre, quando ouve a voz de Maria, se mexe, como que para cumprimentar também. Isso é interessante quando a gente ouve as mães dizerem como é emocionante sentir a criança se mexer no ventre, chutar... Para uma mãe que ainda não tem a possibilidade de ver o seu filhinho, sentir que o pequenino se mexe é fonte de grande felicidade: quer dizer que está vivo e bem, que está crescendo.

Mas não é só isso: Isabel é iluminada pelo Espírito Santo e compreende que o seu filho ainda não nascido está cumprimentando Maria e seu Filho Jesus.

É necessário considerar que Maria está apenas no início da sua gravidez, ninguém sabe ainda que ela está grávida (o que depois quando ela voltar com a barriga já grandinha vai dar muito o que falar): ela não disse a ninguém, nem mesmo a José, o seu prometido em casamento. Mas o Espírito Santo ilumina Isabel, deixando-a capaz de compreender o belíssimo segredo de sua parenta e o diz em alta voz: “Isabel ficou cheia do Espírito Santo e com um grande grito, exclamou: 'Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!”.

Quantas e quantas vezes repetimos também nós esta saudação alegre de Isabel a Maria toda vez que rezamos a Ave-Maria. Isabel pronuncia estas palavras com tanto entusiasmo, impelida pelo Espírito Santo, que no curso do tempo os cristãos as escolheram para se dirigir a Maria.

Inclusive, podemos ressaltar aqui o curioso estudo do cardiologista italiano Luciano Bernardi com o tema “a influência da ave-maria sobre o sistema cardiovascular”. Este estudioso observou por oito anos que quando um grupo de fiéis recitava a ave-maria em voz alta em dois coros, os aparelhos colocados nos fiéis mostravam que todos os ritmos biológicos entravam em harmonia. A quem toca rezar a Ave Maria ou a outra parte, Santa Maria, deve fazê-lo numa única expiração e depois inspirar esperando chegar novamente a sua vez, contabilizando um total de seis respirações por minuto. Este ritmo respiratório mais lento reduz a freqüência cardíaca, dá a sensação de calma já que regula os hormônios do estresse. E é por isso que tanta gente fica mais tranqüila e adormece rezando o terço: que bom!

Mas, voltemos ao relato evangélico: Isabel tem ainda algo a dizer à Maria: “Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre”. E acrescentou: “Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”.

Estas palavras de Isabel devem nos encher de entusiasmo, porque também nós podemos saborear a mesma bem-aventurança de Maria, a sua mesma felicidade, porque também nós podemos viver na pura certeza de que o Senhor Deus mantém sempre as suas promessas e é fiel à palavra dada. Por isso, queremos viver a vida de hoje com o coração cheio de alegria e de esperança: o Senhor está próximo, é Deus conosco. O Senhor é fiel às suas promessas de amizade e de amor.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

III DOMINGO DO ADVENTO - ANO C - Lucas 3,10-18

LECTIO DIVINA

Domingo, 13 de Dezembro de 2009

III DOMINGO DO ADVENTO - ANO C

TEXTO BÍBLICO: Lucas 3,10-18

Autor: Pe. Carlos Henrique

1- LEITURA

Neste III Domingo do Advento, a Igreja nos exorta vivamente a abrir o nosso coração à alegria. Com efeito, é o domingo conhecido como Gaudete (“alegrai-vos”). No Evangelho de hoje, João Batista é apresentado como pregador de conversão e ao mesmo tempo como mensageiro de alegria. O seu único anseio é preparar o povo para acolher a salvação que se faz presente em Jesus Cristo. O Senhor está perto e, por isso, devemos ouvir a palavra do profeta Sofonias, que nos anima: “Alegra-te e exulta de todo o coração” (Sf 3,14c).

Na semana passada, nos foram apresentadas algumas metáforas que tinham a ver com a preparação de um caminho para a chegada do Senhor. Hoje, três grupos de pessoas perguntam como deve ser feita esta preparação de maneira concreta, ou seja, o que significa endireitar o caminho, aplainar vales etc. Primeiro, vem a pergunta do povo em geral, depois a dos cobradores de impostos e, finalmente, a dos soldados.

“Que devemos fazer?” É a pergunta insistente das multidões que se dirigem a João. Pois elas não querem só ouvir falar da conversão como tal, mas querem saber concretamente o que deve ser feito. E esta é a pergunta que fazemos também nós hoje. João responde sem demora. Tudo o que devemos fazer é o que diz respeito ao nosso comportamento em relação ao próximo. Como tratamos as pessoas? A conversão deve se demonstrar através de tal comportamento.

A conversão exige a partilha fraterna e a renúncia a qualquer tipo de injustiça. De fato, a todos é dirigido o pedido da partilha: “Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem”. Ou seja, não é um pedido dirigido só a quem vive na abundância para que doe algo do que lhe sobra, mas a todos aqueles que têm alguma coisa a mais daquilo que lhes é necessário. Até mesmo aquela pessoa que só tem duas túnicas, deve dar uma e se contentar em ter uma só, se o seu próximo não tem nenhuma. Diante da necessidade do próximo, nós só podemos ter o necessário.

Pois é, mas quantas vezes ouvimos este Evangelho e temos um monte de coisas ainda em bom estado de conservação e ficamos ano após ano contemplando-o ou até mesmo nem sabemos onde elas estão: é uma roupa que compramos ou ganhamos e nunca usamos, é o computador ou celular anterior, ainda funcionando direitinho, são alimentos que esperamos terminar o prazo de validade pra jogar no lixo, são livros acadêmicos que já faz um tempão que não o abrimos, sinal de que não vamos mais precisar deles. Mas o apego quer nos impedir de doar tudo isso e muito mais a quem necessita. Mas, experimentem e vejam a dor do desapego e logo em seguida a satisfação da libertação.

Reflita: sempre quando nos lembramos destes objetos, principalmente, aqueles mais queridos, nos lembramos exatamente de que poderia servir a alguém específico. É o Espírito Santo nos iluminando e ao qual muitas vezes somos indiferentes. Assim, João é claro ao máximo quando convida ao desprendimento e à generosidade. Esta é a primeira atitude para estarmos preparados.

Mais adiante, encontramos no Evangelho que também os cobradores de impostos e os soldados vêm até João com a mesma pergunta: “E nós, o que devemos fazer?”. Ambos os grupos de pessoas eram desprezados e odiados, porque normalmente aproveitavam sua posição social em vista de seus próprios interesses, prática que hoje está mais forte ainda. João não pede que estes larguem sua profissão, mas exige que deixem de praticar as injustiças que frequentemente realizam através dela.

Os cobradores de impostos eram muito desprezados tanto política como religiosamente. Eram judeus que estavam a serviço do poder imperial romano, e que além de estar impuros pelo contato com todo o paganismo, ficavam com uma porcentagem daquilo que excessivamente cobravam de seus próprios irmãos judeus para enriquecer. Através deles, João nos diz que controlemos a ambição desenfreada que nos leva a ser injustos.

O terceiro grupo é de soldados, ou seja, o pessoal militar do império que controlava naquela época os territórios palestinenses; assim, chantageavam e se sujavam para aumentar a sua remuneração, como acontece em qualquer lugar, inclusive uma das matérias da revista VEJA passada. Através deles, João nos diz que quando estivermos numa situação de poder, não devemos nunca ameaçar ninguém, com o abuso do poder que em vez de cuidar, faz pressão e oprime.

Enfim, nos dois últimos casos, trata-se de ajuntar mais dinheiro, explorando e extorquindo os outros para o próprio benefício, cada vez mais comum nos dias de hoje. Nós sabemos que em qualquer tipo de posição, competência, capacidade, saber, há certo poder. Por isso, qualquer profissão ou posição tem seus perigos e tentações de abuso do poder, quando causa dano ao próximo em vista do próprio proveito. Devemos agir com responsabilidade no lugar que Deus nos colocou e, com o poder, servir o próximo por amor ao próximo.

Quem age assim é João. Age com grande responsabilidade no cargo que lhe foi confiado por Deus. Tanto que o povo chega a considerá-lo o Messias. Ele, porém, se declara como alguém que somente aponta o Salvador. E fala da incomparável superioridade que tem Aquele que está pra chegar. João ilustra isso, dizendo que não é digno nem mesmo de prestar-lhe o mais humilde serviço.

Enquanto ele batiza com água – um batismo de arrependimento – Jesus batizará com o Espírito Santo e com fogo. Somente Ele recolherá o trigo e separará o grão da palha que será queimada no fogo que não se apaga. João não pode anunciar uma salvação fácil; deve haver um esforço nosso em busca da conversão, através da prática do amor ao próximo. Jesus está pra chegar e devemos nos alegrar muito por isso.

São Paulo nos diz que a paz de Deus é algo que supera todo entendimento. O mesmo vale para a alegria. Há uma relação recíproca entre esses dois dons do Espírito, pois a paz que existe em nós nos inspira a uma alegria interior que se manifesta no nosso humor. Às vezes, vemos pessoas que nos contagiam só com sua simples presença. Por sua vez, a nossa alegria deve transmitir paz, serenidade, harmonia e, acima de tudo, uma tranquilidade espiritual que deve provocar admiração nas pessoas que estão ao nosso redor. Se a esperança é uma alegria antecipada de coisas boas, vamos, portanto, cantar de alegria, enquanto esperamos a vinda do Salvador.

2 - MEDITAÇÃO

  • Mais uma vez, nos perguntamos neste tempo de Advento: estou disposto a me converter e mudar de vida voltando-me aos caminhos de Deus?
  • Quais ações concretas de mudança me inspira o Senhor?
  • Estou disposto a ser generoso e partilhar o pouco ou o muito que possa ter com meus irmãos?
  • Partilho meu tempo, meus talentos, minhas capacidades com os outros ou me fecho em mim mesmo?
  • Sou capaz de “limitar” minhas ambições para não danificar os outros?
  • Quais são as “ambições” de minha vida hoje? De que tipo são? Estão de acordo ao Evangelho, são legítimas ou são contrárias à mensagem de Nosso Senhor?
  • No exercício de minha vida de relação com meus irmãos: como dirijo a dimensão do poder? Recordo que o poder em chave evangélica é serviço e entrega? Faço “abuso de poder” em algumas circunstâncias de vida?
  • Redescubro cada dia que Jesus Cristo é o único Messias? Quais são os “messias” de meu mundo atual?
  • Busco ter a atitude de João que anuncia ao Messias e deixa claro que ele não é o Messias?
  • Tenho a tentação de sentir que sou um “messias” quando faço algo bom? Busco ter uma atitude humilde sabendo que ante a grandeza do Messias não sou nada?
  • Busco ser dos bons para estar preparado para o momento que venha Jesus Cristo, o único Messias, a realizar o Juízo Final?

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

II DOMINGO DO ADVENTO – Lucas 3,1-6

LECTIO DIVINA

Domingo 6 de Dezembro de 2009

II DOMINGO DO ADVENTO – ANO C

TEXTO BÍBLICO: Lucas 3,1-6

Autor: Pe. Carlos Henrique

1 - LEITURA

O que diz o texto?

A mensagem do Evangelho deste II Domingo do Advento é de confiança e de esperança. Para colhermos bem esta mensagem é necessário conhecer o ambiente histórico do texto bíblico em questão. Pois bem, Lucas situa o início da atividade pública de João Batista e de Jesus num contexto histórico-geográfico bem determinado no tempo. Com precisão, o evangelista cita sete personagens contemporâneos a este acontecimento.

O número sete na Bíblia tem um valor simbólico: o de totalidade. Deste modo, Lucas quer indicar que toda a história, pagã e judaica, profana e sacra, está envolvida nos acontecimentos que ele está prestes a narrar. São fatos que dizem respeito a toda a humanidade com as suas instituições e estruturas, religiosas e civis.

Estas sete pessoas são: o imperador Tibério César, verdadeiro soberano no mundo Mediterrâneo, cujo décimo quinto ano de seu império corresponde, segundo o cálculo comum, ao ano 28-29 d.C. Ele é o sucessor do imperador Augusto, aquele sob jurisdição do qual nasceu Jesus (Lc 2,1).

Os quatro nomes seguintes fazem referência ao governador e três tetrarcas entre os quais havia sido dividido o território de Herodes, o Grande, o que tentara matar Jesus. São eles: o governador Pôncio Pilatos, que condenará Jesus à morte de cruz (Lc 23,24); Herodes Antipas, que aprisionará e decapitará João Batista (Lc 3,20; 9,9), e, como tetrarca da Galiléia, tinha jurisdição sobre Jesus (Lc 13,31); Filipe e Lisânias não têm um significado específico, mas servem para completar o quadro do governo. Anás e Caifás são mencionados como as máximas autoridades judaicas, que se escandalizarão com o comportamento de Jesus, solicitando a sua condenação à morte.

Era um tempo difícil para o povo de Israel, nenhuma esperança o animava. Parecia inevitável o domínio opressor do imperador Tibério. O povo vivia frustrado, e carregava a “veste de luto e de aflição”, como no tempo do profeta Baruc (Br 5,1). Mas, precisamente neste tempo difícil, a Palavra de Deus foi dirigida a João, o filho de Zacarias, no deserto, o qual percorreu toda a região do Jordão, com uma mensagem de conversão para o perdão dos pecados.

A salvação de Deus é para todos. E converter-se é a primeira e radical condição para acolher a salvação que está pra chegar. Deus não obriga ninguém a acolher a Pessoa e a Palavra de seu Filho, mas ele espera de todos uma resposta. Infelizmente, este convite, como a voz de João Batista, ressoa frequentemente no deserto, na indiferença e na aridez. Os pregadores de penitência nem sempre são bem aceitos, já que estamos muito mais dispostos a escutar quem nos confirma no nosso comportamento e nas nossas idéias do que quem diz que estamos errados e que devemos mudar.

Assim, a primeira etapa deste caminho de conversão consiste exatamente em remover tudo aquilo que pesa na nossa consciência, admitindo os nossos pecados. São aqueles vales, que cavamos no tempo, com a nossa infidelidade. São as colinas de orgulho e arrogância, criando uma barreira que nos impede de libertarmos o nosso coração. Deus, porém, não se espanta com estes vales, ele desce lá embaixo procurando-nos, na esperança de poder nos levar de volta em seus braços para as pastagens alegres da vida.

Como cristãos, cada um de nós, membro do “Corpo de Cristo, recebeu a tarefa de anunciar o seu Evangelho até os confins da terra, isto é, transmitir aos homens e mulheres deste tempo uma boa nova que não só ilumina, mas muda a vida: o próprio Cristo, ressuscitado, vivo! A missão da Igreja não consiste em defender poderes, nem obter riquezas; a sua missão é doar Cristo, o bem mais precioso do homem que Deus mesmo nos dá no seu Filho” (Bento XVI). Esta missão é cheia de obstáculos, mas São Paulo nos anima: “tenho a certeza de que aquele que começou em vós uma boa obra há de levá-la a perfeição até o dia de Cristo Jesus” (Fl 1,6).

2 - MEDITAÇÃO

O que me diz o texto?

Perguntas para a meditação

  • Quais são os “desertos” de minha vida hoje?
  • Em quais situações experimento solidão, intempérie, prova, tentação e purificação?
  • Deixo que Deus me fale no deserto? Escuto sua Palavra?
  • Aceito que a salvação de Deus é para todos os homens e mulheres? Tenho neste sentido abertura de coração?
  • Aceito o convite de João para converter meu coração?
  • Quero realmente voltar a Deus?
  • O que significa em concreto para meu viver este “batismo” de purificação?
  • Tenho a atitude valente do Batista de convidar a meus irmãos a mudar de vida e reencontrar-se com o Senhor?
  • O que deverei gritar nos “desertos” da vida contemporânea?
  • O que posso fazer para preparar o caminho para a vinda de Deus?
  • Quais obstáculos deverei tirar de minha vida para que Deus possa entrar em mim?
  • Quais vales terei que aplainar e que região montanhosa terei que converter em planície em minha vida hoje?
  • Quais caminhos “tortuosos” deverei endireitar hoje com a ajuda de Deus?
  • Luto para que os irmãos descubram a Jesus Cristo, o Salvador que Deus envia?

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

I DOMINGO DO ADVENTO – ANO C - Lc 21,25-28.34-36

LECTIO DIVINA

Domingo 29 de Novembro de 2009

I DOMINGO DO ADVENTO – ANO C

TEXTO BÍBLICO: Lc 21,25-28.34-36

Autor: Pe. Carlos Henrique

Novamente, estamos bem no início do Ano Litúrgico. Durante este ano, acompanharemos o Evangelho de Lucas que será indicado como Ano C. O Evangelho deste 1odomingo do Advento (paralelo ao de Marcos que lemos no 33º Domingo Comum – Ano B) nos convida à oração e à vigilância, esperando a manifestação gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo. De fato, em cada celebração eucarística, depois da consagração, nós dizemos: “anunciamos, Senhor, a vossa morte, enquanto esperamos a vossa vinda”. E depois do Pai-Nosso, o sacerdote reza: “...enquanto, vivendo a esperança, aguardamos a vinda de Cristo Salvador”.

É verdade! Jesus está voltando e isto não é apenas uma coisa que pregamos só por pregar e logo depois esquecida; pois, realmente haverá um momento em que nosso tempo nesta terra acabará e teremos que estar diante do nosso Criador, prestar contas de nossas vidas, dos dons que recebemos, de como usufruímos: do nosso tempo, dos bens materiais, de como tratamos as pessoas. Por isso, devemos progredir o tempo todo. Não é em vão que São Paulo nos exorta: “Fazei progressos ainda maiores!” (1 Ts 4,2).

A história humana não é infinita, ela terá um fim e será quando Jesus se manifestar na sua glória. Isso acontecerá no futuro, o que não justifica que por um momento sequer, possamos perdê-lo de vista; pelo contrário, devemos conduzir a nossa vida presente de maneira que possamos ir ao encontro deste fim com confiança.

A linguagem apocalíptica usada no início do Evangelho para descrever os sinais aterrorizantes do cosmo são somente imagens e têm o objetivo de nos fazer lembrar que o mundo presente não é definitivo, mas passageiro. Nós somos tão acostumados com a organização fixa do universo, colocamos tanta confiança nisso, que Jesus, com razão, fala da angústia e do medo que a humanidade sofrerá ao perceber tais sinais.

Mas o verdadeiro discípulo de Jesus não deve agir assim, pois até mesmo estes sinais são uma manifestação de Deus. O comportamento adequado ensinado por Jesus é: “animai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima!” (Lc 21,28). O que nos anima é justamente o fato de que não estaremos mais sujeitos às armadilhas do inimigo que nos aprisiona a situações terrenas, escuras; mas, de que seremos livres para sempre.

Enquanto aguardamos este dia, devemos, portanto, tomar cuidado para que as preocupações da vida, a busca do prestígio, do poder e do ter não tomem conta do nosso coração, deixando-o embriagado e insensível, porque esse dia virá “de repente”. Pelo contrário, devemos ter os nossos corações “numa santidade sem defeito aos olhos de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de nosso Senhor Jesus” (1 Ts 3,13).

A mentira proveniente do medo com relação ao fim dos tempos é uma manifestação do reino das trevas. Por isso, temos que a cada instante desmenti-lo. Já que ele nos ataca constantemente, e mesmo que permaneçamos firmes, e lhe façamos resistência, Satanás não vai nos deixar em paz para sempre. É preciso não ter sono nem preguiça e ficar alertas, firmes, vigilantes, porque ele está esperando uma outra oportunidade para tentar uma outra coisa em um outro momento (Lc 4,13), procurando nos cansar fisicamente, mentalmente e espiritualmente.

Satanás nos ataca onde mais somos feridos, no campo emocional, e, por isso, nem sempre sabemos nos proteger de suas investidas. Às vezes, cansamos e corremos o risco de querer desistir. Quando o ataque é insistente, começamos a pensar que não vamos conseguir, a perguntar o que há de errado conosco, a pensar coisas negativas sugeridas por ele com a intenção de nos levar ao desespero.

É real na nossa vida: constantemente estamos enfrentando algo, pode ser uma mentira, um sentimento negativo ou uma tentação, mas Jesus nos deixou armas espirituais e ensinou como usá-las para nos defendermos. A oração é um combate. Como é poderosa a oração! Mas, pra que nossa oração seja eficaz, ela deve estar decididamente unida a de Jesus, na coragem e na confiança filial. E se ao rezarmos, sentirmos que o inimigo tenta colocar dúvidas em nós, de que não rezamos o suficiente, ou não rezamos direito, não devemos dar ouvidos a ele e prossigamos com confiança. Mesmo quando não sabemos rezar, o Espírito do Senhor nos ajuda (Rm 8,26-28).

Devemos orar sempre, sem cessar (1 Ts 5,17), em qualquer lugar, em qualquer circunstância e em qualquer momento: “é possível orar até no mercado, ou num passeio ou mesmo cozinhando” (São João Crisóstomo). A oração deve ser como nosso respirar.

Só quem está intimamente em comunhão com Deus através da oração incansável (a todo momento), pode permanecer vigilante à espera da plenitude da revelação de Deus, apresentar-se de cabeça erguida e com plena confiança diante do Filho do Homem e receber dele a plenitude da vida.

MEDITAÇÃO

O que me diz o texto? O que nos diz o texto?

Quais seriam estes sinais aterrorizantes na minha vida hoje?

Qual é o “sofrimento” que terá que se passar?

Em que situações experimento de maneira particular que o sol se põe obscuro, que a lua deixa de brilhar, que as estrelas caem do céu e que as ondas do mar se agitam?

Que impacto tem sobre mim a consciência da aparição gloriosa e solene de Jesus, o Filho do Homem?

Posso dizer que estou preparado para recebê-lo?

Se a Segunda Vinda de Cristo fosse hoje: estaria pronto para que os anjos do Senhor me reunissem como um dos seus discípulos e seguidores? Em quais coisas sim e quais talvez não?

Aprendo a ler os sinais que Deus põe em minha vida?

Quais sinais hoje Deus está pondo ao alcance de minha mão para que eu descubra e siga sua santa vontade?

Aprendo a olhar, aprendo a seguir…? Quero mudar, quero crescer…?

O que significa para mim hoje que sua Palavra permaneça para sempre?
Deixo que sua Palavra firme e estável seja a raiz de minha vida espiritual?
Que lugar tem a Lectio Divina (Leitura orante da Bíblia) em minha vida para que eu possa dizer alegremente que sua Palavra realmente permanece para sempre?
Vivo sereno na fidelidade ao Evangelho sabendo que o Dia do Senhor chegará de um momento para outro?

Como utilizo meu tempo?

No que estou pensando constantemente?

Quais poderiam ser hoje “a gula, a embriaguez e as preocupações da vida” que me desconcentram do caminho de salvação?

Estou alerta em minha vida espiritual?

Rezo a todo instante, sem cessar? Minha oração é como meu respirar?

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Jesus Cristo, Rei do Universo - João 18,33-37

LECTIO DIVINA

Domingo 22 de Novembro de 2009

Autor: Pe. Gabriel Mestre

Tradução: Pe. Carlos Henrique

www.lectionautas.com

1 - LEITURA

O que diz o texto?

Indicações para a leitura

Queridos irmãos:

Neste Domingo, encerra-se liturgicamente o Ano B com a Solenidade de Cristo Rei. Esta é uma festa que, num primeiro momento, exigiria ser visivelmente “poderosa” e “triunfante”, devido à ideia do Rei e do reinado se situar nesta direção. No entanto, o texto evangélico de hoje é tirado da Paixão do Senhor. Isso já nos mostra com clareza como os caminhos de Deus muitas vezes não são os caminhos dos homens...

A Igreja escolhe este texto de João porque nos apresenta Jesus como “rei”. O evangelista João é o que mais desenvolve o encontro de Jesus com Pilatos na Paixão.

Pilatos lhe faz uma pergunta com um tom político, Jesus não responde diretamente a não ser através de outra pergunta. Ao procurador romano não lhe interessam estas reflexões e vai direto ao miolo: o que foi que fez Jesus para o entregarem em suas mãos?

Isto dá espaço para que o Senhor faça uma excelente catequese sobre “sua” forma de reinar. O Senhor não é como os reis deste mundo, se fosse assim, seus discípulos teriam reagido violentamente para que não fosse entregue nas mãos dos chefes dos judeus. Porém, Jesus, se bem que se diferencie dos poderes deste mundo, se autodefine como rei.

Seu reinado não é um reinado qualquer, está marcado pela verdade. O Senhor veio ao mundo para falar sobre a verdade que Ele mesmo é. O reinado de Jesus se manifesta nesta realidade tão ausente em nossos dias: a verdade. A verdade não só como elemento moral oposto à mentira. A verdade também como elemento existencial enquanto assumir com realismo e serenidade a própria realidade em seus aspectos bons, para desfrutar e gozar, e em seus aspectos não tão bons, para mudar e modificar. Só os que estiverem abertos à verdade serão capazes de escutar em profundidade e entender a mensagem do Senhor. Só os que tenham esta atitude farão parte do Reino de Deus que não se identifica com os poderes triunfalistas deste mundo senão com os valores mais profundos do Evangelho. Neste caso, é com a verdade que a Palavra de Deus nos presenteia para meditar neste último Domingo do Ano Litúrgico.

Saiba que: os quatro evangelhos canônicos possuem um amplo relato da paixão do Senhor. Nos três sinóticos, isto é, Mt, Mc e Lc, há uma tendência a narrar mais “historicamente” os acontecimentos, mostrando em parte a “crueldade” do momento que vive o Senhor. João mantendo a perspectiva histórica e dolorosa do sofrimento do Senhor, tende a narrar de maneira mais teológica desde a perspectiva da ressurreição-glorificação de Jesus Cristo, o Messias. É assim que em alguns textos destes relatos fica a sensação de que realmente é o próprio Jesus o que “direciona” os fios da trama. Se bem que ao ser sentenciado e morrer na cruz, já se percebe com clareza na mesma paixão que a ressurreição e glorificação são parte integral deste mistério.

Outros textos bíblicos para confrontar: Jo 19,19-22; Lc 23,35-43; Jo 8,32.

Perguntas para a leitura

  • Qual é o contexto do texto evangélico que nos ocupa este Domingo?
  • Qual é a função de Pilatos?
  • O que faz Pilatos no início do relato?
  • O que pergunta ao Senhor?
  • O que lhe responde Jesus?
  • Como reage então Pilatos?
  • Do que acusam Jesus? Por que está perante Pilatos? O que foi que fez?
  • Jesus é “rei”?
  • É como os “reis deste mundo”?
  • Como reina o Senhor?
  • Qual é a característica particular que nos assinala o Evangelho de hoje com relação ao reinado de Jesus?
  • Quem será capaz de compreender a mensagem de Jesus?

2 - MEDITAÇÃO

O que o texto me diz? O que o texto nos diz?

Perguntas para a meditação

  • Que impacto tem para mim este episódio da Paixão de Nosso Senhor?
  • O que penso da atitude aparentemente depreciativa de Pilatos?
  • De que forma eu posso “entregar” a Jesus como o fazem os sumos sacerdotes? Que atitudes anti-evangélicas fazem com que eu me transforme num que entrega Jesus?
  • Aceito que Jesus é Rei?
  • Compreendo que Jesus é Rei, porém não no sentido político triunfalista senão numa perspectiva profundamente religiosa e espiritual?
  • Como me disponho para celebrar a Solenidade de Cristo Rei?
  • Deixo que Jesus reine em meu coração?
  • Quais implicações concretas têm hoje para mim que o Senhor reine em minha vida?
  • Quais são os valores do reinado de Jesus que hoje de maneira particular terei que viver?
  • Como vivo o tema da verdade em minha vida? Estou no caminho da verdade ou me deixo levar pela mentira e a falsa fantasia e ilusão?
  • Quero ser realmente discípulo do Reino de Deus?
  • Desejo de coração escutar a palavra de verdade que Jesus me presenteia no caminho de minha vida?

3 - ORAÇÃO

O que digo a Deus? O que dizemos a Deus?

Para a oração utilizaremos algumas outras frases onde o Senhor nos fala sobre o tema da verdade no Evangelho segundo São João. Que elas nos iluminem para poder responder-lhe ao Senhor segundo o que lemos e meditado…

Jo 14,15-17

Se me amais, observareis os meus mandamentos. E eu pedirei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, que ficará para sempre convosco: o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê, nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e está em vós.

Jo 17,16-17

Consagra-os pela verdade: a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, eu também os enviei ao mundo.

Jo 14,6

Jesus respondeu: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim.

4 - CONTEMPLAÇÃO

Como interiorizo a mensagem? Como interiorizamos a mensagem?

Para fazer a contemplação propomos ter o aspecto da verdade que aparece no Reino de Jesus. Repitamos ritmicamente o que Jesus hoje nos diz tratando de escutá-lo com nossos ouvidos e também com nosso coração:

  • “Eu vim ao mundo para falar acerca da verdade…”

5 - AÇÃO

Com que me comprometo? Com que nos comprometemos?

Proposta pessoal

  • Refletir e comprometer-se a abrir mais o coração a Jesus para que Ele e só Ele possa reinar. Quem reina em meu coração? Que lugar tem Jesus?

Proposta comunitária

  • Em teu grupo de jovens dialogar sobre o tema da verdade e a mentira no mundo contemporâneo. O que é verdade e o que é mentira? “Quem” é realmente a verdade para os jovens de teu ambiente?

Para ajudar, proponho três frases de Gandhi para confrontar e discutir:

· "A verdade é o objetivo, o amor o meio para chegar a ela."

· "A verdade é totalmente interior. Não há que buscá-la fora de nós nem querer realizá-la lutando com violência com inimigos exteriores."

· "A verdade jamais dana a uma causa que é justa."