sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

3º Domingo do Advento - Ano B – João 1,6-8.19-28


Testemunha da luz para que todos cheguem à fé
Lectio – o que diz o texto?
Terceiro domingo do Advento. A liturgia da Palavra retoma a figura do precursor, João Batista. Depois de apresentá-lo na sua verdadeira identidade, mostra o seu empenho em anunciar o Reino de Deus e a preparação para a vinda do Messias. Para fazer isso, a liturgia deixa um pouco o evangelista Marcos e nos apresenta um texto do início do evangelho de João, pois este (o evangelista) é quem nos dá a dimensão exata de João Batista na sua tríplice função de precursor, de profeta e testemunha da luz que é Cristo.
O prólogo do quarto evangelho afirma que a Palavra viva de Deus está presente em todas as coisas e brilha nas trevas como luz para toda a humanidade. As trevas até que tentam apagá-la, mas não conseguem. Ninguém consegue escondê-la, porque não se consegue viver sem Deus por muito tempo. A busca de Deus sempre renasce no coração humano. João Batista veio justamente para ajudar o povo a descobrir esta presença luminosa da Palavra de Deus na vida. O seu testemunho foi muito importante: “Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz”.
O próprio João dá o seu testemunho quando dialoga com os sacerdotes e levitas (responsáveis pelo culto) enviados pelos judeus para o intimarem (os judeus aparecem aqui conscientes de serem os depositários da autêntica tradição). A causa dessa intimidação é graças à grande fama que João Batista exercia nas pessoas a ponto de ser considerado o Messias.
Assim, à primeira pergunta onde queriam saber quem era de fato este João que batizava o povo no deserto e que atraía tanta gente de todos os lugares: “quem és tu?”, João testemunha de maneira negativa com relação a si mesmo, ele não é aquilo que os outros pensam que ele seja, ele tira a dúvida de todos: “eu não sou o Messias!” Em vez de dizer quem é, ele diz quem não é.
A segunda pergunta é mais explícita: “És tu Elias?”. Ml 3,23 dizia que antes do Messias, Elias deveria vir como o profeta esperado; mas João não aceita esta opinião, por isso responde simplesmente: “Não sou”. À terceira pergunta, “És o profeta?”, responde com um único “Não”. Falar do profeta era como falar do Messias. João só negava. Para ele, responder positivamente? Somente com relação a sua missão e aquele que a confiou.
Mas os interlocutores não estão satisfeitos com as respostas: “por que então andas batizando, se não és o Messias, nem Elias nem o profeta?” Eles queriam uma resposta clara, porque tinham de prestar contas àqueles que os tinham mandado até João. Para eles, não bastava saber quem João não era. Eles queriam saber o papel dele no plano de Deus. E João responde citando o profeta Isaías: “Eu sou a voz que grita no deserto: aplainai o caminho do Senhor”. Ele não é Cristo, mas é só uma voz que convida ao mundo a abrir o coração e a mente para acolher o Messias, esperado ansiosamente pelo povo de Israel. Na verdade, o apelo de João a “aplainar o caminho do Senhor” é uma exortação a abrir-se a verdadeira fé no Salvador. O seu diálogo termina com um reconhecimento humilde perante Jesus. Finalmente, é indicado o lugar onde isso aconteceu, em Betânia, além do Jordão, para dizer que o batismo de João introduz na terra da nova aliança.
Podemos deduzir pela leitura do evangelho que João Batista provocou um movimento popular muito grande a ponto de incomodar os líderes religiosos. O próprio Jesus cristo aderiu ao movimento do Batista e quis ser batizado por ele no rio Jordão. Mesmo depois da morte, João continuava a exercer uma grande atração e influência, seja entre os judeus seja entre os cristãos que vinham do judaísmo. Por isso, a intenção do autor sagrado ao usar este relato foi fundamentalmente para esclarecer que João não era o Messias, mas somente seu precursor. Jesus veio depois de João e também foi discípulo de João. Mas não obstante isso, ele é mais importante do que João, porque existia antes de João. Jesus é a Palavra criadora que estava com o Pai desde a criação. João confessou abertamente: eu não sou o Cristo. Não sou Elias. Não sou o Profeta que o povo espera. Diante de Jesus, João se considera indigno de desatar até mesmo as sandálias.
Meditação – o que me diz o texto?
Diante do significado do texto, me pergunto?
Verdadeiramente, sou testemunha de Jesus Cristo, todos os dias, diante daqueles que se questionam se Jesus é mesmo o Filho de Deus, se realmente Ele é meu único e insuperável amigo, ou se realmente Ele preenche de amor e alegria a minha vida?
Podemos ser testemunhas com pequenos gestos: não se envergonhando da própria fé, não tendo medo de fazer um sinal da cruz, principalmente diante de alguém que mostra descaso com as coisas de Deus. Também posso ser testemunha, falando às pessoas que encontro todos os dias, toda a nossa expectativa alegre pelo Natal que se aproxima, que não é só festa, presente, férias, mas a alegria de comemorar que um dia Deus quis se encontrar conosco através de seu Filho Jesus Cristo.
Outro tema que o texto me fala é o da humildade de João Batista. Este declara a inutilidade do seu batismo, já que é só um sinal. O verdadeiro batismo é aquele do Senhor que com o seu sacrifício cancelou o pecado e as suas conseqüências. E também Jesus Cristo nos ensinou que no caminho para a verdade não há lugar para a soberba, quando quis ser batizado por João. A humildade de João contrasta fortemente com a índole soberba de quem não quer reconhecer o Senhor vindo em meio a nós de modo humilde e quieto. Os orgulhosos e os soberbos não o reconheceram como também não acolheram os profetas.
A resposta: não sou eu o Cristo, é clara e humilde. Pois, ele poderia ter se exaltado como precursor, mas disse que não era digno nem mesmo de desatar as sandálias dos pés de Jesus. Com humildade, João sabia quem era e qual era o seu lugar. Eu também devo saber quem sou e qual é o meu papel. Por isso, tenho que me perguntar constantemente: quem sou eu? Quais são os meus gostos, minhas aspirações, meus medos? Procuro sinceramente conhecer a mim mesmo e ser eu mesmo? Ou deixo de ser eu mesmo para fingir ser uma pessoa que corresponda às expectativas dos outros? Reconheço que tenho uma missão na vida cristã? E, por isso, reconheço que minha vida deve ser um esforço constante para ser coerente com a minha vida cristã? Como posso ser profeta numa sociedade onde existem tantas prisões espirituais?
Hoje, o domingo gaudete (alegrai-vos), convida através de São Paulo a estarmos sempre alegres até a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo; o profeta Isaías convida à alegria o povo liberto da escravidão: a alegria aos prisioneiros do pecado para poder renovar o mundo com novos rebentos. Também Maria com o cântico do Magnificat louva e se alegra em Deus pelas grandes maravilhas que o Senhor operou na sua vida. E eu? Testemunho essa alegria não obstante a atmosfera pessimista, medrosa e desencorajadora do mundo de hoje?

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