quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

2º Domingo do Advento - Ano B - Marcos 1,1-8


Endireite-se o que é torto e alisem-se as asperezas
Leitura (Lectio)
O Evangelho deste 2º domingo do Advento apresenta os oito primeiros versículos do evangelho de Marcos que começa assim: “Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus”. O vocábulo evangelho vem do grego “euangelion” e significava nos tempos antigos uma boa notícia ou uma boa mensagem trazida por um mensageiro a um rei e a seu povo. No texto que estamos analisando, esta boa notícia (evangelho) é, na verdade, a maior e melhor notícia que o mundo pôde receber: Deus resolve enviar seu único Filho para salvar a humanidade. Jesus Cristo vem se encontrar com o ser humano para voltar a uni-lo com Deus do qual havia se separado por causa do pecado.
Pois bem, Marcos começa sua obra indicando que todo o seu conteúdo é o anúncio da boa notícia da vinda de Jesus Cristo. É a partir daí, que o vocábulo grego evangelho se torna sinônimo de gênero literário para as obras dos quatro evangelistas.
Logo em seguida, nos versículos posteriores, o texto diz respeito à obra de João Batista. E embora Jesus não apareça ainda, pelo primeiro versículo que vimos acima, já sabemos que toda a obra de João só encontra sentido se conectada a Jesus.
Para entendermos a importância de João na missão de Jesus, é preciso conhecer um costume antigo oriental: quando num determinado lugar se esperava a chegada de um rei ou de uma pessoa importante, havia todo um trabalho nas estradas de forma que quando o rei viesse, elas estivessem boas, acolhedoras, sem perigos, sem buracos nem outros incômodos. Como vemos, as leituras de hoje têm essa linguagem rica em símbolos e é necessário assimilá-los para uma compreensão correta da missão de João.
Na 1ª leitura, por exemplo, Isaías anuncia: “preparai no deserto o caminho do Senhor, aplainai na solidão a estrada do nosso Deus... endireite-se o que é torto e alisem-se as asperezas... então a glória do Senhor se manifestará”. Para receber o Salvador, é necessário preparar o caminho, endireitar a estrada e foi isso o que João Batista como mensageiro de Deus veio exortar.
João grita e renova a mensagem do profeta Isaías que consolava o povo, quando era escravo em terra estrangeira. Anuncia que para se preparar para a vinda do Messias, endireitar a estrada se faz através da conversão, da confissão dos pecados, do batismo e da remissão dos pecados e tudo isso implica na relação do ser humano com Deus. Tudo começa com a conversão quando o homem se destaca do agir errado, voltando novamente a Deus e escutando a sua Palavra. A conversão se demonstra na confissão dos pecados: o homem admite as suas faltas e reconhece estar necessitado da purificação e do perdão.
João tem um grande número de seguidores, mesmo se a sua atuação não é costumeira sob dois aspectos: não é ele quem vai atrás das pessoas como faziam os profetas, mas são as pessoas que vão até o deserto para escutá-lo. Segundo, ele os batiza na água. Este modo de agir é tão original que ele fica conhecido como o Batista, e não somente nos escritos bíblicos, mas inclusive assim é citado por Flávio Josefo, historiador da época.
O v. 6 diz respeito ao alimento e à roupa de João. Mostram claramente que ele se satisfaz com o mínimo indispensável, já que para ele Deus está no centro de tudo. As suas vestes o vinculam a Elias (o meu Deus é Javé), para mostrar que assim como este profeta, João está totalmente a serviço de Deus.
Na proclamação que diz respeito diretamente a Ele, Jesus é definido com relação ao seu poder, que é incomparavelmente superior em dignidade também ao “maior dos nascidos de mulher” que o precedeu (João), e só Ele pode fazer participar do maior presente: a vida divina, a vida em comunhão com Deus. Já a partir desta preparação, e em força desta, a vinda de Jesus se põe como a vinda de Deus mesmo. Jesus é mediador entre Deus e os homens. Vem de Deus, e nele vem Deus, acolhendo a humanidade na vida divina.
Quanto ao batismo de João, não obstante o seu grande valor, reduz-se a um batismo de água, a uma imersão que ajuda a tomar consciência até que ponto o homem tem necessidade de Deus para ser salvo. O batismo dado por Jesus é radicalmente diferente, porque emerge o homem no Espírito de Deus, que é um Espírito de santidade e de vida.
Meditação
Continua para nós o advento de Jesus com o convite de João Batista a estarmos prontos para acolher dignamente o Senhor. O vigiar torna-se um doar-se, um trabalhar a estrada, dentro da própria consciência, na própria experiência espiritual e humana e nas situações nas quais nos encontramos na vida. Requer-se um empenho muito sério, constante, porque não é fácil construir uma estrada e mantê-la. Basta lembrar os asfaltos de nosso Brasil que se não estão em constante reparo, estão repletos de buracos para dificultar o nosso trajeto. O que está torto na nossa vida precisa ser endireitado. O que há dentro de nós que não está segundo o pensamento do Senhor na vida da sociedade é preciso ajeitar. Se endireite! É o conselho que os mais maduros dão às crianças quando agem com pirraça. É o que nos diz Isaías e João Batista. Que possamos nos libertar das asperezas dos pensamentos impuros, hipócritas, injustos, falsos, medíocres, dos sentimentos negativos, das escolhas mal feitas por causa do egoísmo, da indiferença, da inveja, do carreirismo, das brigas, da falta de diálogo, do pecado de omissão para que Jesus possa se dirigir ao nosso coração e encontre espaço nele, onde possa habitar.
Para isso, posso me perguntar?
Para mim, o conhecimento do Evangelho é em verdade uma “Boa Notícia”, uma Grande Notícia que me contagia e me transforma? Ou é uma notícia a mais em meio a tantas notícias? Ou pior, ainda não tenho consciência de que é a maior e melhor notícia para mim?
Se o Evangelho é uma boa notícia, porque tantos não se deixam transformar por ele?
Sou consciente de que hoje temos acesso a um sem fim de notícias e que na grande maioria são notícias más? Por que há tantas más notícias?
Quanto tempo dedico a conhecer a Boa Notícia e quanto tempo dedico a anunciá-la?
Sou consciente que pelo Batismo estou “submergido” no mistério da Trindade, e que através dele, Deus me convida e me capacita a dar testemunho de sua Palavra?
Hoje, ainda há milhões de pessoas que não tiveram o seu encontro pessoal com Cristo e não são conscientes do que ele significa na nossa vida. Sou consciente que na medida em que anuncio a Boa Notícia, estou cumprindo com o que Ele me pede de endireitar os caminhos, principalmente o meu?
Oração (espontânea) - Contemplação (espontânea) - Ação
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