terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Maria, Mãe de Deus - Ano B - Lc 2,16-21


FELIZ ANO NOVO!!!
A liturgia deste 1º de janeiro é particularmente significativa. Afinal, é ano-novo! E os votos mais belos e profundos que podemos receber nos oferece a Palavra de Deus. Votos que são verdadeiramente uma bênção: “O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz!” (Nm 6,24-26). Que maravilha esta invocação ao Senhor para que Ele faça brilhar a sua face sobre nós e para que tenhamos paz! A verdadeira face de Deus é a face de um recém-nascido que busca ardentemente com seus olhinhos entreabertos o colo de sua mãe adolescente. É a face de um Deus que agora caminha lado a lado com a sua criação.
Mais um ano se inicia! E com essa bênção de Deus, não temos necessidade alguma de ler horóscopos nem fazer simpatias tipo dar um passo com o pé direito, comer lentilhas ou jogar flores no mar para buscar paz e prosperidade. Ora, o que são essas superstições diante do poder de Deus? Absolutamente nada! Confiamos em Deus e isso já basta. Se Deus está o tempo todo com o seu rosto voltado para nós, do que mais precisamos? A celebração de hoje nos convida a louvar Maria, Mãe de Deus Salvador; a venerar aquela que acolheu e carregou no seu ventre o Filho de Deus. Por ela, Deus entrou no mundo e veio ao nosso encontro. Agora, somos nós quem devemos ir ao encontro dele. Somos nós quem devemos acolher essa Luz que ilumina os nossos passos. Maria é a mulher que escutou a voz de Deus, acolheu e obedeceu a vontade do Senhor; sempre atenta a acolher os sinais de Deus, renovava diariamente o seu “sim”.
O Evangelho desta liturgia que é uma continuação daquele lido na noite de Natal, coloca Maria numa posição central. Como anunciado no texto anterior, os pastores “encontraram Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura”; depois, “voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido”. O mais interessante deste relato, é que há um corte bem no meio do texto para nos dar uma preciosa informação: “quanto a Maria, guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração”.Maria, que hoje invocamos como Mãe de Deus Salvador, é a rainha da paz. Ela é rainha de uma paz que não depende das circunstâncias. Mas, uma paz que brota do coração, uma paz que existe mesmo em meio às provações da vida. Ela guardava a Palavra de Deus em seu coração e a Palavra traz Paz. Hoje também é o dia da paz. Não devemos esquecer que a paz não é somente a ausência de guerras, de violência. Por falar nisso, que coisa feia esta guerra entre os judeus e palestinos às vésperas do ano novo. Mas a paz também é ausência de qualquer desentendimento, discussão, desunião. E como infelizmente isto acontece nas nossas famílias! A paz que o mundo oferece é um sentimento que temos quando tudo corre bem na nossa vida ou quando as pessoas se comportam como nós queremos. Porém, quando as coisas não acontecem do jeito como esperamos, quando queremos mudar as pessoas e não conseguimos, isso nos frustra e o sentimento de paz nos deixa e a impaciência e o aborrecimento se tomam conta de nós.
A paz que Jesus nos dá é uma paz diferente da que o mundo nos dá. Em cada missa, pedimos essa paz, e às vezes repetimos tão mecanicamente que nem nos inteiramos do seu verdadeiro significado: “livrai-nos de todos os males, ó Pai, e dai-nos hoje a vossa paz”, “Senhor Jesus Cristo, dissestes aos vossos apóstolos: Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz”. E logo em seguida, desejamos a paz do Senhor ao nosso próximo. Se lembrarmos bem, Jesus não perdeu a paz nem no meio da tempestade. Ele continuou dormindo tranquilamente na popa do barco, enquanto seus discípulos estavam apavorados e indignados porque Ele não se mostrava preocupado com eles. Temos que aprender a receber essa paz de Jesus, essa paz que nos faz esperar no tempo de Deus com paciência, essa paz que nos faz respeitar e tratar bem o próximo.
É preciso que aceitemos na nossa vida a salvação oferecida por Jesus. De fato, este nome contém todo o significado de sua vinda ao mundo. Oito dias depois do nascimento do Filho de Deus, no momento da circuncisão, símbolo de aliança entre Deus e o povo de Israel, o menino recebe o nome de Jesus. Em aramaico, Yeshua significa “Deus salva”. Ele veio ao mundo para fazer uma aliança conosco, para nos salvar e nos conceder a sua paz.
Como disse o Papa Bento XVI na Mensagem para a Celebração do Dia Mundial da Paz: “a cada discípulo de Cristo bem como a toda pessoa de boa vontade, dirijo, no início de um novo ano, um caloroso convite a alargar o coração às necessidades dos pobres e a fazer tudo o que lhe for concretamente possível para ir em seu socorro. De fato, aparece indiscutivelmente verdadeiro o axioma ‘combater a pobreza é construir a paz’”.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Sagrada Família – Ano B – Lucas 2,22-40


Meus olhos viram a tua salvação
LECTIO - O que diz o texto?
O texto começa informando que se completaram os dias para a purificação da mãe e do filho, “conforme a lei de Moisés” (expressão que sempre aparece quando se quer fazer referência a uma determinada lei da Torah – Pentateuco). No texto em questão, Lucas mistura as duas leis sem diferenciá-las. Pois a purificação da mãe era prevista em Levítico 12,2-8 e se cumpria quarenta dias após o parto. Até aquele momento, a mulher não poderia aproximar-se de nenhum lugar sagrado, já que era considerada impura por causa do sangue derramado durante o parto; a cerimônia consistia na oferta de um cordeiro ou dois pássaros (um par de rolas ou dois pombinhos). E aqui continua evidente a condição de pobreza e simplicidade da família de Nazaré, dado que só se fala dos pássaros (era a oferta dos pobres).
Já a consagração dos primogênitos está prescrita em Êxodo 13,11-16 e era considerada com uma espécie de “resgate” – lembrando a ação salvífica quando Deus libertou os israelitas da escravidão do Egito. Resgatando o próprio filho, o pai dizia: “Te resgato porque eu também fui resgatado quando o Senhor nos tirou com mão forte da casa da escravidão” (Ex 13,2.11-16). O texto quer mostrar que Jesus não foi dispensado de nenhuma prática da lei, seus pais foram obedientes a fim de que o destino do menino se desenvolvesse desde o início conforme as Escrituras. Entretanto, o texto só acena que se completaram os dias, mas não narra a cerimônia em si talvez para fazer entender que Jesus não tem necessidade de ser resgatado. Jesus, não é resgatado, mas aquele que resgata, aquele que salva o seu povo.
Em todo o relato, os pais de Jesus aparecem para apresentar, oferecer o filho como se deveria fazer, já as figuras de Simeão e Ana aparecem, mais exatamente, para dizer que Deus é quem oferece o Filho para a salvação do povo. Ana apresentará o menino àqueles que esperavam o resgate, a libertação de Jerusalém (Lc 2,38).
Pois bem, Simeão e Ana são duas figuras carregadas de valor simbólico. Eles têm o papel do reconhecimento, que provêm da iluminação do Espírito Santo, mas também de uma vida movida por uma espera intensa e confiante. Particularmente, Simeão é definido como prosdekómenos, isto é, aquele que está todo concentrado na espera e que corre ao encontro para acolher. Também ele aparece, por isso, obediente à lei, aquela do Espírito, que o conduz a encontrar o menino dentro do templo. Simeão, guiado pelo Espírito Santo, toma o menino nos braços e o desapropria dos seus pais, aquele menino é para toda a humanidade. Também o seu canto manifesta esta sua espera confiante: viveu para chegar a este momento; agora pode se retirar para que também outros possam ver a luz e a salvação que chegou para Israel e para o mundo inteiro.
Por sua vez, Ana, com a idade de 84 anos, também quer completar o quadro da espera (84 = 7 × 12: o número perfeito vezes as doze tribos ou 84 – 7 = 77: perfeição redobrada). Sobretudo com o seu modo de viver (jejuns e orações) e com a proclamação de quem ela esperava. É guiada pelo Espírito de profecia, é dócil e pura de coração. Além disso, pertence a menor das doze tribos que é aquela de Aser: sinal de que os menores e mais frágeis são os mais favoráveis a reconhecer Jesus Salvador. Estes dois anciãos simbolizam o melhor do judaísmo, a Jerusalém fiel e mansa, que espera e se alegra, e que deixa de agora em diante brilhar a nova luz.
Ainda com Simeão, após o canto, ele diz a Maria que o seu menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. E quanto a Maria, uma espada traspassará a alma dela. Normalmente, interpreta-se aqui o anúncio do sofrimento de Maria. Mas também devemos ver aqui Maria como imagem do povo: Simeão intui o drama do seu povo, que será profundamente dilacerado pela palavra viva e cortante do Redentor. Maria representa o percurso: deve confiar, mas atravessará dores e escuridões, lutas e silêncios angustiantes. A história do Messias sofredor será dilacerante para todos, também para Maria. Não se pode seguir a nova luz destinada ao mundo inteiro sem pagar o preço, sem se arriscar, sem renascer sempre de novo do alto para uma nova criatura. Mas estas imagens, ou seja, da espada que traspassa, do menino que fará tropeçar e abalará os corações, não estão separadas do gesto carregado de sentido dos dois anciãos: pois, enquanto Simeão, toma o menino nos braços, para indicar que a fé é encontro e abraço, não idéia nem teoria; Ana é anunciadora e acende em quem o esperava uma luz fulgurante.
Enfim, interessante é notar que todo o episódio dá ênfase às situações mais simples e familiares: o casal Maria e José com o menino no braço; o ancião que se alegra e abraça, a anciã que prega e anuncia, os interlocutores que aparecem indiretamente envolvidos. E também a conclusão do texto deixa ver o lar de Nazaré, o crescimento do menino num contexto normal, a impressão de um menino dotado em modo extraordinário de sabedoria e bondade. O tema da sabedoria entrelaçada com a vida normal de crescimento e no contexto de uma cidadezinha Nazaré, deixa um suspense na história: esta se reabrirá justamente com o tema da sabedoria do menino entre os doutores do templo. E será exatamente o relato que segue imediatamente.

MEDITAÇÃO – O que o texto me diz?
As palavras de Simeão, todas as suas atitudes, como também aquelas de Ana, têm um significado especial para mim?
Como entendo esta “espada que traspassa”: reconheço que se trata de um sofrimento na nossa consciência diante dos desafios e exigências para seguir Jesus Cristo ou acho que se trata só de um sofrimento íntimo de Maria?
O que este relato pode significar para as famílias de hoje? Para a formação religiosa dos seus filhos? Para entender o projeto que Deus tem para cada um de seus filhos, os medos e angústias que os pais carregam no coração, só de pensar quando os filhos crescerem?
Empenho-me periodicamente para fazer uma revisão de vida com a minha família a fim de ser sempre mais família?
Como marido ou mulher tenho a capacidade de me abrir ao diálogo com os meus filhos, procurando escutar-lhes e partilhar assim as suas alegrias e expectativas?
Como casal e família me empenho concretamente em prol de outras realidades familiares da minha comunidade em dificuldade para realizar a grande família cristã, a Igreja de Cristo?
Sou um bom cumpridor de minhas obrigações cristãs?
Participo regularmente das celebrações?
Deixo-me guiar pelo Espírito Santo como Simeão?
Como faço para escutar hoje o Espírito Santo?
Também entendo que o seguimento ao Messias é algo que implica compromisso e que também pode ser como uma espada que atravessa o coração?
Posso medir meu crescimento de forma equilibrada como Jesus? Há partes de mim que crescem e outras que não saem do lugar? Quais?
E meus olhos (os da alma), já conseguiram ver a salvação que Jesus veio me trazer?

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Natal do Senhor - Ano B - Lucas 2,1-14


É NATAL!
O Evangelho que nos é proposto nesta noite narra o grande acontecimento esperado por toda a humanidade: o nascimento do Salvador, o Cristo Senhor. O texto bíblico é fortemente caracterizado por um grande contraste. Enquanto se esperava uma vinda majestosa, o Salvador veio ao mundo de uma forma inesperada, chegou simples, humilde, sem nenhum espetáculo. É neste contraste, pois, que vamos descobrir um dos maiores ensinamentos que o Natal do Senhor nos pode oferecer.
Logo no início do Evangelho, temos as seguintes informações históricas: em primeiro lugar, aparece o imperador César Augusto, dominador do mundo Mediterrâneo da época, o qual determina que seja feito um censo em toda a terra, isto é, de todos os habitantes submetidos à dominação romana, entre os quais se encontravam os da Palestina. Em seguida, o texto diz que quando ocorreu este censo, o governador da Síria era Quirino, procurador de Augusto na tetrarquia que compreendia a Iduméia, a Samaria e a Judéia, onde está localizada Belém. Longe, porém, de ter provas para estes dados históricos, além da diferença notável entre o relato do nascimento do Messias narrado neste texto e aquele narrado no evangelho de Mateus, ficamos com o que nos interessa: este decreto é o que liga José e Maria, residentes em Nazaré da Galiléia, a Belém da Judéia. De fato, Lucas sublinha que Belém é a cidade natal de Davi, de onde descende José. Desta maneira, temos uma referência à promessa e à espera messiânica ligada a Belém e a família de Davi: “Grande será o seu reino, e a paz não há de ter fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reinado” (Is 9,6).
Chegando o tempo devido, Maria dá a luz o seu “primogênito” (este termo não quer indicar que Maria teve outros filhos, mas que Jesus é o primeiro filho de Maria (como acontece com toda mãe que tem o seu primeiro filho sem saber se terá outros), e por isso, tem todos os direitos de primogenitura; para se ter uma idéia da importância da primogenitura, basta lembrar as incansáveis trapaças feitas por Jacó contra seu irmão Esaú até tomar-lhe este direito).
Maria, como toda mulher, passa naturalmente por essa experiência de dar a luz. Nem pode escolher o momento, nem esperar uma circunstância melhor. Ela não encontrou um lugar adequado para o seu menino, por isso, deu à luz num estábulo, pondo o menino numa manjedoura. São pobres e sem pretensões. É verdade! O primeiro lugar a receber o Salvador foi um dos lugares mais imundos do mundo, um lugar com aquele cheirinho de curral, incluindo as necessidades dos animais. Assim, o que, imediatamente, chama a nossa atenção neste acontecimento é a simplicidade. Na sua grandeza infinita, Deus se abaixa não só à condição humana, mas em que condição Seu Filho veio ao mundo! O Salvador entrou na nossa condição humana, a partir da fraqueza de um menino enrolado em panos, Ele está do nosso lado e nos acompanha.
Em contraste com essa pobreza, aparece o esplendor da luz celeste e a aparição do anjo de Deus aos pastores que tomavam conta de seus rebanhos, mas o sinal que recebem é simplesmente: “encontrareis um recém-nascido envolvido em faixas e deitado numa manjedoura”. Aos pastores que estão com muito medo, o anjo anuncia uma grande alegria. Realmente, eles têm um grande motivo para se alegrarem: nasceu para eles e para todo o mundo o Salvador.
A maravilha do Natal reside neste contraste: sem a revelação dos anjos nunca entenderíamos que aquele menino na manjedoura é o Senhor. E sem o menino na manjedoura não entenderíamos que a glória do verdadeiro Deus é diferente da glória a qual estamos acostumados a ouvir.
Que possamos ser humildes e simples para que o Senhor, neste Natal, venha ao estábulo do nosso coração e assim, possamos amá-Lo na pessoa do próximo como nos ensina tão bem Madre Teresa de Calcutá: “Da humildade sempre emanam a grandeza e a glória de Deus. Devemos estar vazios do orgulho se quisermos que Deus nos preencha com a sua plenitude. No Natal, vemos Deus como um recém-nascido, pobre e necessitado, que veio para amar e ser amado. Como podemos amar a Deus no mundo de hoje? Amando-o em meu marido, em minha mulher, nos meus filhos, nos meus irmãos, nos meus pais, nos meus vizinhos, nos pobres, nos bêbados, nos presos, nos doentes de lepra, nos excluídos, em todos aqueles que encontramos todos os dias.”

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

4º Domingo do Advento – Ano B - Lucas 1,26-38


SE NÃO FOSSE PELA GRAÇA DE DEUS...
LECTIO
O que o texto diz?

Ao sacerdote Zacarias em Lc 1,5-25, foram anunciados o nascimento e a missão de seu filho João. Este menino que mais tarde ficou conhecido como o Batista foi a figura central do 2º e 3º domingos do Advento. No Evangelho deste 4º domingo do Advento, a expressão “no sexto mês”, liga o anúncio do anjo a Maria com aquele de Zacarias e se refere à Isabel. De fato, é no sexto mês de gravidez de Isabel que a Maria o mensageiro de Deus anuncia o nascimento e o destino de seu filho Jesus.
Mas este anúncio a Maria acontece no âmbito de uma vocação. Maria não só recebe o anúncio do nascimento do Filho, mas Deus a capacita para se tornar mãe do seu Filho. O anjo passa do templo de Jerusalém (Zacarias) a uma casa comum, simples, muito longe de Jerusalém. A Galiléia é uma região de fronteira, e Nazaré, uma vila desta região que até este momento na Bíblia é totalmente desconhecida. Assim, Gabriel se encontra na casa de uma jovenzinha humilde cujos únicos títulos são o de virgem e de prometida em casamento a José (a primeira das três etapas do casamento hebraico).
Na saudação do anjo: “Alegra-te! Cheia de graça, o Senhor está contigo!”, aparece toda a essência da vocação de Maria: alegria, graça e auxílio de Deus.
A primeira palavra do anjo, literalmente: “alegra-te” (chaire), é a fórmula grega de saudação. Indica que a mensagem central e mais importante do anjo é caracterizada pela alegria. Desta maneira, desde o primeiro momento, todo o anúncio do anjo convida à alegria e ao júbilo. Maria, porém, não responde logo com alegria plena, ela fica perturbada, reflete, faz uma pergunta e ainda pede mais uma explicação e aceita com fé a sua vocação. A explosão de alegria plena só acontecerá no encontro com Isabel mais tarde – (relato da visita e canto do Magnificat – Lc 1,39-56).
Quanto à segunda expressão do anjo, “cheia de graça” (kecharitomene), indica o motivo desta alegria. No grego, esta expressão é um particípio perfeito passivo e significa que Maria foi preenchida pela graça por alguém. O texto não fala quem a encheu de graça, mas como pode se comprovar pelo v. 30, o autor da graça é Deus e, portanto, este particípio é conhecido como passivo divino ou teológico. Quanto às traduções, a Vulgata traduziu por “gratia plena”, e conseqüentemente, as versões católicas traduziram por “cheia de graça”. Esta tradução não está errada, mas pode gerar uma má interpretação, a de achar que Maria está na origem desta graça, quando na verdade, ela recebeu de Deus.
Já a tradução protestante, que normalmente traduz por “agraciada”, “favorecida” também não está errada, mas está incompleta, pois até facilita a compreensão de que Maria recebeu a graça, mas não fala da “plenitude” da graça. Então, para fim de conversa, uma tradução ecumênica muito aceita hoje e que esclarece tal expressão seria: “alegra-te! Tu que foste e permanece completamente cheia da graça de Deus”. Deus preencheu de maneira definitiva e irrevogável Maria com o seu favor. Este dado é tão importante que o anjo repete em 1,30: “encontrando graça diante de Deus”. E é tão característico da pessoa de Maria que quando o anjo a chama “cheia de graça” e omite o nome Maria, é como se o anjo tivesse lhe dado um outro nome. Seu nome agora expressa a idéia de plenitude da graça que só pode ter sua origem em Deus.
A terceira expressão: “O Senhor está contigo” se refere ao auxílio de Deus. É uma expressão também recorrente nos relatos de vocação. É a assistência real e eficaz. Maria, na realização de sua tarefa, não dependerá somente de suas forças humanas, pois Deus não se limita a chamar, abandonando a pessoa chamada, mas acompanha e a torna capaz de desenvolver a sua missão. Assegura-lhe sua constante assistência.
Pois bem, a estas três palavras importantes do anjo, Maria reage num duplo plano: no emocional (ficou perturbada) e no racional (começou a pensar, refletir). Ela está aberta a esta mensagem e se esforça para compreendê-la com todo o profundo de seu ser.
Em seguida, o anjo indica a tarefa de Maria: “eis que conceberás... Jesus”. No seio de Maria, o Filho de Deus receberá a própria existência humana. A vida de Maria daquele momento em diante está completamente a serviço de Jesus. Só Jesus é o Salvador, mas Maria foi chamada a prestar o seu serviço para que Ele pudesse vir ao mundo.
Com a pergunta, “como é possível, já que sou não conheço homem (já que sou virgem)?”, Maria pede uma última explicação ao anjo, já que este até agora tem falado só dela e nada do pai, e Maria não antecipa com conclusões próprias, apenas fica se perguntando como ela, sendo virgem pode realizar este ato. Deus é o Senhor de tudo. Foi ele quem estabeleceu desde o início que a concepção se dá pelo encontro do espermatozóide com o óvulo, e, por isso mesmo, só Ele pode fazer coisas que são contrárias ao que Ele mesmo estabeleceu, a isso nós chamamos milagre. Maria engravida por ação do Espírito Santo.
Maria declara a sua própria inadequação com relação a tarefa confiada. É característico de uma verdadeira compreensão da vocação por parte de Deus o reconhecer-se inadequado. Com o Espírito Santo, Deus tornará Maria capaz de colocar-se a serviço da existência de Jesus. Desta maneira, Maria recebe a resposta a sua pergunta e é convidada a acreditar na ação poderosa de Deus, para o qual “nada é impossível”.
Portanto, depois da grande surpresa e de uma reflexão atenta, Maria dá o sim que mudou a nossa história: “Eis aqui a serva do senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”. Maria acolhe sua vocação não cegamente nem forçada, mas com consciência da própria missão e decidida a operar na sua vida a vontade de Deus.
MEDITAÇÃO
O que o texto me diz?

A Maria, Deus confiou uma missão excepcional. Mas através da sua vocação, devo colher as características gerais da minha vocação para a qual Deus me chamou. A graça de Deus não é um privilégio só de Maria, Paulo afirma que todo cristão é animado e salvo pela graça de Deus – Ef 1,6.
Reconheço que sou o que sou pela graça de Deus?
O nome que Maria recebeu do anjo é também meu nome. Maria personifica o povo da graça. Reconheço em Maria a imagem da Igreja?
Percebo que a minha vocação não depende unicamente das minhas próprias forças, mas reconhecendo-me incapacitado, confio sempre no auxílio de Deus?
Os meus olhos estão abertos para ver “os anjos” com os quais Deus continuamente me visita?
Peço a Deus o dom do conselho para discernir o que Ele me pede e fortaleza para cumprir firmemente sua vontade?
Enfim, Deus já te pediu para fazer algo que você nunca esperaria fazer? Não estamos falando só da vocação sacerdotal, religiosa, matrimonial. Mas vocação para coordenar uma pastoral na paróquia, por exemplo? Não duvide, Maria ficou muito surpresa e perturbada quando o anjo falou pra ela que ela daria a luz o Filho de Deus. Mas a confiança de Maria em Deus, e sua obediência e cooperação com o plano e o desígnio de Deus, é um grande exemplo a ser seguido. Deixe que Deus trabalhe em você da maneira como ele quer, e saiba que todos os planos que Ele tem para você são para o seu bem. Quando coisas inesperadas acontecerem, confie nele.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

3º Domingo do Advento - Ano B – João 1,6-8.19-28


Testemunha da luz para que todos cheguem à fé
Lectio – o que diz o texto?
Terceiro domingo do Advento. A liturgia da Palavra retoma a figura do precursor, João Batista. Depois de apresentá-lo na sua verdadeira identidade, mostra o seu empenho em anunciar o Reino de Deus e a preparação para a vinda do Messias. Para fazer isso, a liturgia deixa um pouco o evangelista Marcos e nos apresenta um texto do início do evangelho de João, pois este (o evangelista) é quem nos dá a dimensão exata de João Batista na sua tríplice função de precursor, de profeta e testemunha da luz que é Cristo.
O prólogo do quarto evangelho afirma que a Palavra viva de Deus está presente em todas as coisas e brilha nas trevas como luz para toda a humanidade. As trevas até que tentam apagá-la, mas não conseguem. Ninguém consegue escondê-la, porque não se consegue viver sem Deus por muito tempo. A busca de Deus sempre renasce no coração humano. João Batista veio justamente para ajudar o povo a descobrir esta presença luminosa da Palavra de Deus na vida. O seu testemunho foi muito importante: “Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz”.
O próprio João dá o seu testemunho quando dialoga com os sacerdotes e levitas (responsáveis pelo culto) enviados pelos judeus para o intimarem (os judeus aparecem aqui conscientes de serem os depositários da autêntica tradição). A causa dessa intimidação é graças à grande fama que João Batista exercia nas pessoas a ponto de ser considerado o Messias.
Assim, à primeira pergunta onde queriam saber quem era de fato este João que batizava o povo no deserto e que atraía tanta gente de todos os lugares: “quem és tu?”, João testemunha de maneira negativa com relação a si mesmo, ele não é aquilo que os outros pensam que ele seja, ele tira a dúvida de todos: “eu não sou o Messias!” Em vez de dizer quem é, ele diz quem não é.
A segunda pergunta é mais explícita: “És tu Elias?”. Ml 3,23 dizia que antes do Messias, Elias deveria vir como o profeta esperado; mas João não aceita esta opinião, por isso responde simplesmente: “Não sou”. À terceira pergunta, “És o profeta?”, responde com um único “Não”. Falar do profeta era como falar do Messias. João só negava. Para ele, responder positivamente? Somente com relação a sua missão e aquele que a confiou.
Mas os interlocutores não estão satisfeitos com as respostas: “por que então andas batizando, se não és o Messias, nem Elias nem o profeta?” Eles queriam uma resposta clara, porque tinham de prestar contas àqueles que os tinham mandado até João. Para eles, não bastava saber quem João não era. Eles queriam saber o papel dele no plano de Deus. E João responde citando o profeta Isaías: “Eu sou a voz que grita no deserto: aplainai o caminho do Senhor”. Ele não é Cristo, mas é só uma voz que convida ao mundo a abrir o coração e a mente para acolher o Messias, esperado ansiosamente pelo povo de Israel. Na verdade, o apelo de João a “aplainar o caminho do Senhor” é uma exortação a abrir-se a verdadeira fé no Salvador. O seu diálogo termina com um reconhecimento humilde perante Jesus. Finalmente, é indicado o lugar onde isso aconteceu, em Betânia, além do Jordão, para dizer que o batismo de João introduz na terra da nova aliança.
Podemos deduzir pela leitura do evangelho que João Batista provocou um movimento popular muito grande a ponto de incomodar os líderes religiosos. O próprio Jesus cristo aderiu ao movimento do Batista e quis ser batizado por ele no rio Jordão. Mesmo depois da morte, João continuava a exercer uma grande atração e influência, seja entre os judeus seja entre os cristãos que vinham do judaísmo. Por isso, a intenção do autor sagrado ao usar este relato foi fundamentalmente para esclarecer que João não era o Messias, mas somente seu precursor. Jesus veio depois de João e também foi discípulo de João. Mas não obstante isso, ele é mais importante do que João, porque existia antes de João. Jesus é a Palavra criadora que estava com o Pai desde a criação. João confessou abertamente: eu não sou o Cristo. Não sou Elias. Não sou o Profeta que o povo espera. Diante de Jesus, João se considera indigno de desatar até mesmo as sandálias.
Meditação – o que me diz o texto?
Diante do significado do texto, me pergunto?
Verdadeiramente, sou testemunha de Jesus Cristo, todos os dias, diante daqueles que se questionam se Jesus é mesmo o Filho de Deus, se realmente Ele é meu único e insuperável amigo, ou se realmente Ele preenche de amor e alegria a minha vida?
Podemos ser testemunhas com pequenos gestos: não se envergonhando da própria fé, não tendo medo de fazer um sinal da cruz, principalmente diante de alguém que mostra descaso com as coisas de Deus. Também posso ser testemunha, falando às pessoas que encontro todos os dias, toda a nossa expectativa alegre pelo Natal que se aproxima, que não é só festa, presente, férias, mas a alegria de comemorar que um dia Deus quis se encontrar conosco através de seu Filho Jesus Cristo.
Outro tema que o texto me fala é o da humildade de João Batista. Este declara a inutilidade do seu batismo, já que é só um sinal. O verdadeiro batismo é aquele do Senhor que com o seu sacrifício cancelou o pecado e as suas conseqüências. E também Jesus Cristo nos ensinou que no caminho para a verdade não há lugar para a soberba, quando quis ser batizado por João. A humildade de João contrasta fortemente com a índole soberba de quem não quer reconhecer o Senhor vindo em meio a nós de modo humilde e quieto. Os orgulhosos e os soberbos não o reconheceram como também não acolheram os profetas.
A resposta: não sou eu o Cristo, é clara e humilde. Pois, ele poderia ter se exaltado como precursor, mas disse que não era digno nem mesmo de desatar as sandálias dos pés de Jesus. Com humildade, João sabia quem era e qual era o seu lugar. Eu também devo saber quem sou e qual é o meu papel. Por isso, tenho que me perguntar constantemente: quem sou eu? Quais são os meus gostos, minhas aspirações, meus medos? Procuro sinceramente conhecer a mim mesmo e ser eu mesmo? Ou deixo de ser eu mesmo para fingir ser uma pessoa que corresponda às expectativas dos outros? Reconheço que tenho uma missão na vida cristã? E, por isso, reconheço que minha vida deve ser um esforço constante para ser coerente com a minha vida cristã? Como posso ser profeta numa sociedade onde existem tantas prisões espirituais?
Hoje, o domingo gaudete (alegrai-vos), convida através de São Paulo a estarmos sempre alegres até a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo; o profeta Isaías convida à alegria o povo liberto da escravidão: a alegria aos prisioneiros do pecado para poder renovar o mundo com novos rebentos. Também Maria com o cântico do Magnificat louva e se alegra em Deus pelas grandes maravilhas que o Senhor operou na sua vida. E eu? Testemunho essa alegria não obstante a atmosfera pessimista, medrosa e desencorajadora do mundo de hoje?

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

2º Domingo do Advento - Ano B - Marcos 1,1-8


Endireite-se o que é torto e alisem-se as asperezas
Leitura (Lectio)
O Evangelho deste 2º domingo do Advento apresenta os oito primeiros versículos do evangelho de Marcos que começa assim: “Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus”. O vocábulo evangelho vem do grego “euangelion” e significava nos tempos antigos uma boa notícia ou uma boa mensagem trazida por um mensageiro a um rei e a seu povo. No texto que estamos analisando, esta boa notícia (evangelho) é, na verdade, a maior e melhor notícia que o mundo pôde receber: Deus resolve enviar seu único Filho para salvar a humanidade. Jesus Cristo vem se encontrar com o ser humano para voltar a uni-lo com Deus do qual havia se separado por causa do pecado.
Pois bem, Marcos começa sua obra indicando que todo o seu conteúdo é o anúncio da boa notícia da vinda de Jesus Cristo. É a partir daí, que o vocábulo grego evangelho se torna sinônimo de gênero literário para as obras dos quatro evangelistas.
Logo em seguida, nos versículos posteriores, o texto diz respeito à obra de João Batista. E embora Jesus não apareça ainda, pelo primeiro versículo que vimos acima, já sabemos que toda a obra de João só encontra sentido se conectada a Jesus.
Para entendermos a importância de João na missão de Jesus, é preciso conhecer um costume antigo oriental: quando num determinado lugar se esperava a chegada de um rei ou de uma pessoa importante, havia todo um trabalho nas estradas de forma que quando o rei viesse, elas estivessem boas, acolhedoras, sem perigos, sem buracos nem outros incômodos. Como vemos, as leituras de hoje têm essa linguagem rica em símbolos e é necessário assimilá-los para uma compreensão correta da missão de João.
Na 1ª leitura, por exemplo, Isaías anuncia: “preparai no deserto o caminho do Senhor, aplainai na solidão a estrada do nosso Deus... endireite-se o que é torto e alisem-se as asperezas... então a glória do Senhor se manifestará”. Para receber o Salvador, é necessário preparar o caminho, endireitar a estrada e foi isso o que João Batista como mensageiro de Deus veio exortar.
João grita e renova a mensagem do profeta Isaías que consolava o povo, quando era escravo em terra estrangeira. Anuncia que para se preparar para a vinda do Messias, endireitar a estrada se faz através da conversão, da confissão dos pecados, do batismo e da remissão dos pecados e tudo isso implica na relação do ser humano com Deus. Tudo começa com a conversão quando o homem se destaca do agir errado, voltando novamente a Deus e escutando a sua Palavra. A conversão se demonstra na confissão dos pecados: o homem admite as suas faltas e reconhece estar necessitado da purificação e do perdão.
João tem um grande número de seguidores, mesmo se a sua atuação não é costumeira sob dois aspectos: não é ele quem vai atrás das pessoas como faziam os profetas, mas são as pessoas que vão até o deserto para escutá-lo. Segundo, ele os batiza na água. Este modo de agir é tão original que ele fica conhecido como o Batista, e não somente nos escritos bíblicos, mas inclusive assim é citado por Flávio Josefo, historiador da época.
O v. 6 diz respeito ao alimento e à roupa de João. Mostram claramente que ele se satisfaz com o mínimo indispensável, já que para ele Deus está no centro de tudo. As suas vestes o vinculam a Elias (o meu Deus é Javé), para mostrar que assim como este profeta, João está totalmente a serviço de Deus.
Na proclamação que diz respeito diretamente a Ele, Jesus é definido com relação ao seu poder, que é incomparavelmente superior em dignidade também ao “maior dos nascidos de mulher” que o precedeu (João), e só Ele pode fazer participar do maior presente: a vida divina, a vida em comunhão com Deus. Já a partir desta preparação, e em força desta, a vinda de Jesus se põe como a vinda de Deus mesmo. Jesus é mediador entre Deus e os homens. Vem de Deus, e nele vem Deus, acolhendo a humanidade na vida divina.
Quanto ao batismo de João, não obstante o seu grande valor, reduz-se a um batismo de água, a uma imersão que ajuda a tomar consciência até que ponto o homem tem necessidade de Deus para ser salvo. O batismo dado por Jesus é radicalmente diferente, porque emerge o homem no Espírito de Deus, que é um Espírito de santidade e de vida.
Meditação
Continua para nós o advento de Jesus com o convite de João Batista a estarmos prontos para acolher dignamente o Senhor. O vigiar torna-se um doar-se, um trabalhar a estrada, dentro da própria consciência, na própria experiência espiritual e humana e nas situações nas quais nos encontramos na vida. Requer-se um empenho muito sério, constante, porque não é fácil construir uma estrada e mantê-la. Basta lembrar os asfaltos de nosso Brasil que se não estão em constante reparo, estão repletos de buracos para dificultar o nosso trajeto. O que está torto na nossa vida precisa ser endireitado. O que há dentro de nós que não está segundo o pensamento do Senhor na vida da sociedade é preciso ajeitar. Se endireite! É o conselho que os mais maduros dão às crianças quando agem com pirraça. É o que nos diz Isaías e João Batista. Que possamos nos libertar das asperezas dos pensamentos impuros, hipócritas, injustos, falsos, medíocres, dos sentimentos negativos, das escolhas mal feitas por causa do egoísmo, da indiferença, da inveja, do carreirismo, das brigas, da falta de diálogo, do pecado de omissão para que Jesus possa se dirigir ao nosso coração e encontre espaço nele, onde possa habitar.
Para isso, posso me perguntar?
Para mim, o conhecimento do Evangelho é em verdade uma “Boa Notícia”, uma Grande Notícia que me contagia e me transforma? Ou é uma notícia a mais em meio a tantas notícias? Ou pior, ainda não tenho consciência de que é a maior e melhor notícia para mim?
Se o Evangelho é uma boa notícia, porque tantos não se deixam transformar por ele?
Sou consciente de que hoje temos acesso a um sem fim de notícias e que na grande maioria são notícias más? Por que há tantas más notícias?
Quanto tempo dedico a conhecer a Boa Notícia e quanto tempo dedico a anunciá-la?
Sou consciente que pelo Batismo estou “submergido” no mistério da Trindade, e que através dele, Deus me convida e me capacita a dar testemunho de sua Palavra?
Hoje, ainda há milhões de pessoas que não tiveram o seu encontro pessoal com Cristo e não são conscientes do que ele significa na nossa vida. Sou consciente que na medida em que anuncio a Boa Notícia, estou cumprindo com o que Ele me pede de endireitar os caminhos, principalmente o meu?
Oração (espontânea) - Contemplação (espontânea) - Ação
Se você quiser partilhar estes momentos, especialmente dizer o que o texto de hoje suscitou em você como gesto concreto em preparação para o Natal do Senhor, deixe aqui seu comentário.