sábado, 8 de novembro de 2008

SOLENIDADE DA BASÍLICA LATERANENSE - Jo 2,13-22


SOMOS O SANTUÁRIO DE DEUS
Neste domingo, com uma solenidade particular, recordamos e celebramos a Dedicação da Basílica de São João do Latrão, a Catedral de Roma, a mãe e cabeça de todas as igrejas (Roma) e do mundo. Construída pelo imperador Constantino em 325, foi sede oficial do bispo de Roma até o século XIV. Comemorar a dedicação desta casa de Deus tão importante para todos os cristão faz refletir sobre o papel do templo judaico e como Jesus o elevou.
O templo na história do povo de Israel tinha uma importância vital. Situado na cidade santa de Jerusalém, era considerado o lugar mais sagrado da presença de Deus. Depois, infelizmente, destruído, até hoje restam os muros do Templo onde os judeus costumam se lamentar. O templo era um lugar tão sagrado que até hoje qualquer igreja católica antes de ser admitida a lugar de culto, é consagrada com uma liturgia especial para ser usada pelos fiéis para as celebrações da sagrada liturgia e para a oração.
No Evangelho de hoje, Jesus nos fala de um novo templo, isto é, um novo lugar de encontro com Deus. No templo de Jerusalém, Jesus se desentende com os vendedores de animais e cambistas que pensam somente nos seus próprios interesses. O comércio que era permitido pelas autoridades religiosas e pelo sumo sacerdote Caifás para fazer concorrência ao mercado operado pelo Sinédrio próximo ao Cedron, provocou uma dura reação em Jesus, que constata amargamente o caráter profano assumido pela festa da “Páscoa dos judeus”. Mercado se opõe a casa. No mercado se fazem negócios, não é um bom lugar onde se possa encontrar Deus.
E com seu gesto de reprovação: “Tirai isto daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!”, Jesus quer fazer entender a todos que o templo deve retornar a ser a casa do “meu Pai”. O gesto violento de Jesus deve ser lido à luz dos textos proféticos: “E de repente chegará ao seu templo o Senhor que vós estáveis procurando, o mensageiro da Aliança” (Ml 3,1); “naquele dia não haverá mais comerciantes dentro da Casa do Senhor dos exércitos” (Zc 14,21). Também se refere a esta atitude de Jesus os textos proféticos nos quais Deus diz não se agradar de um culto externo feito de sacrifícios de animais e baseado sobre o interesse pessoal (Am 5,21-24).
É interessante notar como aqui Jesus no início de Jo chama pela primeira vez Deus “meu Pai” e fala do templo como a casa do seu Pai. Ele, como Filho, purifica da profanação do comércio a casa de seu Pai antes de tomar posse dele, pois “o zelo por tua casa me consumirá”. Jesus cita o salmo 69,10, colocando o verbo no futuro. Jesus se sentirá tão consumido por este zelo que o faz cumprir agora sua missão com extrema radicalidade.
Ao pedido de um sinal, Jesus responde prometendo o maior de todos os sinais, a sua ressurreição: “Destruí este templo, e em três dias o levantarei”. E o evangelista esclarece: “mas Jesus estava falando do templo do seu corpo”. Cristo ressuscitado é o novo templo, o único lugar da presença de Deus entre os homens, o templo do qual jorra uma fonte de água que vivifica (I leitura). Naquele momento, os discípulos não compreenderam o significado profundo deste episódio, mas depois da ressurreição de Jesus, foram iluminados pelo Espírito sobre tudo aquilo que Jesus lhes tinha dito e “acreditaram na Escritura e na palavra de Jesus”.
Como pudemos notar, João não nos abandona junto às ruínas do velho templo, mas nos indica o novo santuário de Deus. O Templo sempre atual e duradouro é o corpo de Cristo ressuscitado dos mortos. Deus aparece num corpo real, humano, carregado de glória divina. O Deus conosco é para sempre Jesus ressuscitado.
O valor e a sacralidade do templo dependem, portanto da verdade e pelo espírito que o anima. É o lugar da comunhão com Deus e entre nós, irmãos e parte de um único Corpo. Hoje deveríamos reforçar o propósito de respeitar o lugar sagrado, onde celebramos os divinos mistérios, rever os nossos comportamentos e, sobretudo nos interrogarmos se somos conscientes que formamos o Corpo de Cristo, o Santuário de Deus e que o Espírito de Deus mora em nós.
Que o recolhimento e a intimidade que se encontram na nossa igreja contribuam para que semanalmente ela seja o lugar de encontro e de comunhão da inteira comunidade eclesial que escuta a Palavra de Deus, comungando juntos o Banquete Eucarístico para viver a comunhão com o mesmo Senhor e entre todos os membros do Corpo que o compõem.

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